BÖLÜM I: ANNA SEGHERS’İN ESERLERİNİN TOPLUMSAL VE TARİHİ
BÖLÜM 2: ANNA SEGHERS’İN HAYATI VE ESERLERİ
2.5. Anna Seghers’in Toplumsal Sorunları Ele Aldığı Eserler
Segundo GREIMAS (1973, p.18), “a língua não é um sistema de signos, mas uma reunião (…) de estruturas de significação”. O autor entende a estrutura como a presença de dois termos e da relação entre eles, pressuposto da significação.
No nível fundamental, também chamado estrutura profunda, a significação do texto aparece determinada pela relação estrutural de oposição mínima entre dois termos (S1- S2) com um traço semântico comum (semelhança, identidade), mas que sejam diferentes (diferença, não-identidade). Estes termos seguem uma sintaxe que se traduz na afirmação de um termo S1; negação desse termo S1; afirmação de um termo S2 e consequente negação do mesmo termo S2. Esta estrutura elementar do sentido é representada, graficamente, por um modelo lógico, o quadrado semiótico (figura).
(Figura: quadrado semiótico)
No quadrado
semiótico encontramos a representação visual da articulação lógica de uma categoria semântica, por meio da relação entre termos contrários, contraditórios e complementares.
O quadrado semiótico contempla, como vimos, as relações de contrariedade (entre S1 e S2), contradição (entre S1 e a negação de S1, e entre S2 e a negação de S2) e de implicação (entre os termos complementares, ou seja, entre S1 e a negação de S2 / entre S2 e a negação de S1). Desta forma, fica evidenciado pelo quadrado semiótico que a negação de um elemento não possui o mesmo significado do contrário deste mesmo termo, nem o contradiz. Do ponto de vista do estudo das relações de sentido, o quadrado semiótico é uma ferramenta que ajuda a elucidar nuances que não são percebidas no discurso.
Além das três relações anteriormente mencionadas, o quadrado semiótico apresenta o termo complexo, gerado pela relação de simultaneidade entre os dois termos contrários nele afirmados, e um termo neutro, gerado pela relação de concomitância de ambos os termos subcontrários negados. Nos casos em que o quadrado é formado por termos polarizados, a união entre /S1 e negação de S2/ gera o chamado termo positivo, enquanto a relação entre os termos /S2 e negação de S1/ forma o termo negativo.
As operações realizadas no quadrado semiótico negam um conteúdo e afirmam outro, gerando a significação e tornando-a passível de narrativização. Partindo da noção saussuriana de que o significado é primeiramente obtido por oposição entre dois termos, chega-se ao quadrado semiótico por uma combinatória das relações de contradição e asserção. BARROS (2002) afirma, sobre o quadrado semiótico:
Organização estrutural mínima, a estrutura elementar define-se, em primeiro lugar, corno a relação que se estabelece entre dois ter- mos-objetos — um só termo não significa —, devendo a relação ma- nifestar sua dupla natureza de conjunção e de disjunção. Tal estrutu- ra necessita, porém, ser precisada e interpretada por um modelo lógi- co que traduza bem suas relações em oposições de contradição, contrariedade e complementaridade, e que a torne operatória, no pla- no metodológico. (BARROS: 2002, p.21)
O quadrado semiótico pode ser considerado como a representação de um sistema de valores. Quando assumido por um ou mais sujeitos específicos, este sistema se transforma em um sistema axiológico (FONTANILLE: 2007, p. 67).
Como aponta PIETROFORTE (2004), quando uma posição no quadrado semiótico assume valores axiológicos, o sujeito se relaciona com ela sensivelmente,
o que faz com que ele interprete termos da categoria como valores positivos ou negativos. Assim, cada um destes termos presentes em um quadrado semiótico pode ser axiologizado pela projeção da categoria “foria” (/euforia/ X /disforia/):
Eufórica é a relação de conformidade do ser vivo com o meio ambi- ente, e disfórica, sua não-conformidade. Os termos da categoria semântica assim investidos são ditos valores axiológicos, e não ape- nas valores descritivos, e surgem, em relação à semântica narrativa, como valores virtuais, ou seja, não relacionados ainda a um sujeito. A atualização só ocorre na instância superior da semântica narrativa, quando tais valores são assumidos por um sujeito. (BARROS: 2002, p.24)
A foria, segundo o mesmo autor, determina a orientação do percurso entre os termos do quadrado semiótico.
Uma das críticas ao quadrado semiótico reside no fato de ele apresentar as categorias como “um todo já acabado, que não está mais sobre o controle de uma enunciação viva”(FONTANILLE, 2007, p. 74). Para o mesmo autor, faltaria ao quadrado semiótico “uma representação esquemática do percurso que conduz ao sensível e ao inteligível”. (idem).
ZILBERBERG (2011) propõe alterações na estrutura do nível fundamental do percurso gerativo, através da inclusão da categoria /tensão/ vs. /relaxamento/ como elementos diretivos da foria, operadores das chamadas modalidades tensivas
intensidade/extensidade, cuja variação e conservação organizam os conteúdos. FONTANILLE (idem) parte de duas dimensões graduais da categoria tensiva, a intensidade e a extensidade, articuladas em correlação, e define a estrutura tensiva como o produto de quatro etapas:
(1) a identificação das dimensões da presença sensível; (2) a correla- ção entre essas duas dimensões; (3) a orientação das duas di- mensões – que se tornam, então, valências – e a duplicação da cor- relação em duas direções; e (4) a emergência de quatro zonas típi- cas, definidas como polos extremos dos dois gradientes e que carac- terizam os valores típicos da categoria. (p.82)
A disposição gráfica da relação entre os elementos tensivos é a forma de uma tabela vetorial, composta pelo cruzamento de valores observados em dois eixos, um horizontal, da extensidade, e outro vertical, da intensidade. O eixo da intensidade apresenta as grandezas de força e velocidade, enquanto o eixo da extensidade articula as relações de tempo e espaço.
Como afirma BARROS, a inclusão da semiótica tensiva no nível fundamental do percurso gerativo contribui para uma melhor compreensão da categoria fórica (ou tímica) presente no quadrado semiótico:
A categoria da tensividade poderá levar a melhor caracterizar a cate- goria tímica /euforia/ vs. /disforia/, responsável, como foi visto, pela axiologização das categorias semânticas fundamentais. (…) A euforia define-se, assim, como uma tensão decrescente e um relaxamento crescente; a disforia, como aumento de tensão e diminuição de rela- xamento. (BARROS: 2002, p.26)
Através da instauração de elementos tensivos já no nível fundamental do discurso, opera-se com quantificações subjetivas já nos valores axiológicos, colocando em evidência intensidades e extensidades que serão retomadas, no nível discursivo, por meio da enunciação.