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Feitas as anotações do curso da verdade processual, retoma-se o título do tema em apreciação – a probidade das partes e de seus procuradores, para registrar que no processo, o elemento valorativo que evoca a probidade, é de ampla aplicação sobre a conduta dos atores citados. O princípio da probidade tem o claro objetivo de reprimir os ímpetos desarrazoados dos litigantes e respectivos procuradores, de modo a afastar o choque de interesses suspeitos, que incitam,

toda a série de embustes, artifícios, atitudes maliciosas e, sobretudo, a mentira. Com isso, as partes não pleiteiam em última análise, o reconhecimento de um ‘direito’, mas, sim, de um falto ‘direito’, que se transmudaria em injustiça e em ilegalidade, burlando o juiz, que poderia terminar sendo cúmplice inocente e involuntários da nociva solução.308 Na forma enfatizada, está consagrada na contemporaneidade a necessidade de normas que afastem as artimanhas do improbus litigator, uma vez que foram superadas as objeções do início do século XX, porquanto a licitude e lisura processual passaram a ser defendidas por diferentes nacionalidades. Venceu-se a fase dos interesses privados das partes, para priorizar o valor publicístico do processo.

O Código de Processo Civil é repleto de normas que impedem a improbidade processual, as quais se iniciam regrando a propositura da ação. Disciplinando a defesa a marcha processual, alcançam a instrução, sobretudo no que concerne à produção de prova, recursos e execução; consequentemente, o processo civil alberga todas as possíveis condutas censuráveis que as partes possam programar na tramitação processual. Há um detalhamento dos ilícitos processuais que, à primeira vista, pode parecer redundante. Contudo, à vista do arremesso de alguns litigantes, que surpreendem aqui e acolá, presumivelmente o legislador foi criterioso ao tratar da improbidade, detalhando-a, não só com precisão, também com mais largueza, de sorte que todas as possíveis ocorrências desleais tivessem a devida reprimenda em qualquer fase ou ato do processo.

A prova é que o art. 14 do atual Código de Processo Civil presume-se correlato com o art. 63 do código anterior, no entanto sua redação módica trouxe

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quase que a inaplicabilidade da censura a práticas processuais desleais. Por outro lado, o detalhamento dos possíveis casos de má-fé processual, particularizou-as o art. 14 do código em vigor, a fim de facilitar a aplicação da norma.

Assim, o Código de Processo Civil enceta o disciplinamento da conduta proba, por meio de deveres atribuídos às partes e seus procuradores, explicitados e até mesmo particularizando-as por meio de seus incisos, que realçam a verdade (inc. I), lealdade, boa-fé (inc. II) , fundamentação dos requerimentos (III), utilidade e necessidade dos atos (IV), e respeito às ordens judiciais (V).

Dispositivos subseqüentes (art. 15 e seu § único ), tratam da elegância no uso da linguagem e do respeito a honra. Expressões injuriosas escritas ou proferidas serão reprimidas e acarretarão advertência que, desatendida, ocasionará penalidade.

Para que não se perca de vista o fim deste trabalho, considera-se propício repetir o entendimento de Alcides de Mendonça Lima, confirmando a responsabilidade do advogado por muitos dos atos de improbidade processual, que terminam por causar à parte que o constituiu, as sanções e as variadas implicações processuais.309

Necessário registrar que a transgressão ao dever de lealdade não traz, por via de regra, a sucumbência do infrator. O que sucede a quem age com deslealdade é a possível sanção de ordem processual, conforme a natureza da infração e a pena cominada; contudo, no tocante à lide, esta terá o seu desfecho de conformidade com o convencimento do julgador. Excepcionalmente, o art. 129 do Código de Processo Civil310 tipifica a conduta simulada dos litigantes com vistas a uma ilegalidade,

quando a sentença do juiz for prolatada no sentido de impedir a consumação dos objetivos das partes, em razão de ser inadmissível a utilização do processo como meio de obter um benefício antijurídico. Neste caso, a sanção de por termo à ilegalidade consiste na sentença, que obste a conduta ilícita das partes.

309Probidade processual e finalidade do processo. Uberaba: Editora Vitória, 1978, p. 45: “Se,

teoricamente, o ‘dever de lealdade’é das partes, não se pode deixar de reconhecer que, na prática ou na dinâmica forense, o mesmo é mais dos procuradores do que delas, sobretudo, quando o cliente não apresenta condições sociais, profissionais e culturais suficientes para engendrar os fatos recriminados na lei.(...) Se contudo, o causídico, por seu comportamento, trouxer prejuízo ao seu constituinte, porque esse ficou responsável perante o contendor, o cliente poderá entrar com ação regressiva contra seu procurador para ressarcir-se.”

310“Art. 129. Convencendo-se, pelas circunstâncias da causa, de que o autor e réu se serviram do

processo para praticar ato simulado ou conseguir fim proibido por lei, o juiz proferirá sentença que obste aos objetivos das partes.”

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A violação dos deveres constituídos no art. 14 convola as partes em litigantes ímprobos, uma vez que demandam ou defendem seus interesses com deliberada má-fé, sobrevindo-lhes a respectiva responsabilidade processual pelas perdas e danos, informada pelo art. 18 do Código de Processo Civil311. Afere-se a conduta malévola, por meio dos diversos incisos do art. 17, os quais tipificam a má-fé da parte litigante312 e a doutrina o indica como um complemento do art. 14; neste, os

deveres, naqueles, as condutas que caracterizam os atos de improbidade processual das partes, ou, como diz a lei, do litigante de má-fé.

A tipificação da má-fé não se restringe à parte que falta aos seus deveres ético-processuais e concorre para a respectiva responsabilidade na fase de cognição. Pelo contrário, o Código de Processo Civil zela por uma execução sem opróbrios, por fundamentos que merecem consideração a seguir: o primeiro deles, face ao disposto no art. 598, que estende ao processo de execução, em caráter subsidiário, as disposições do processo de conhecimento; o segundo motivo advém das normas aplicáveis a execução tratarem da dignidade da justiça, como imperativo e possível de sanções, se não forem acatadas.

O mesmo acontece com muitas outras normas processuais que altercam entre a ética processual os casos de má-fé, com a subseqüente responsabilidade e sanção. Todas as circunstâncias analisadas confirmam a amplitude do princípio da probidade e realçam que o processo, como instrumento de realização do direito em busca da justiça, não pode ser desprestigiado a ponto de se transformar em peça plena de alicantinas. Assim sendo, a questão das partes e seus procuradores, dentro dos tipos caracterizadores da má-fé processual serão, em maior profundidade, tratados adiante.

311“CPC: Art. 18. O juiz ou tribunal, de ofício ou a requerimento, condenará o litigante de má-fé a

pagar multa não excedente a um por cento sobre o valor da causa e a indenizar a parte contrária dos prejuízos que esta sofreu, mais os honorários advocatícios e todas as despesas que efetuou. § 1º. Quando forem dois ou mais os litigantes de má-fé, o juiz condenará cada um na proporção do seu respectivo interesse na causa, ou solidariamente aqueles que se coligaram para lesar a parte contrária. § 2º. O valor da indenização será desde logo fixado pelo juiz, em quantia não superior a vinte por cento sobre o valor da causa, ou liquidado por arbitramento.”

312“Art. 17. (…): I – deduzir pretensão ou defesa contra texto expresso de lei ou fato incontroverso; II –

alterar a verdade dos fatos; III – usar do processo para conseguir objetivo ilegal; IV – opuser resistência injustificada ao andamento do processo; V – proceder de modo temerário em qualquer incidente ou ato do processo; VI – opuser resistência injustificada ao andamento do processo; VII – interpuser recurso com intuito manifestamente protelatório.”

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Por ora, fez-se uma abordagem parcial, como forma de confirmar o zelo do legislador para obstar a improbidade processual, sendo a litigância das partes e procuradores melhor abordada em capítulo vindouro.

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