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D- VERİ TOPLAMA ARACI

1- Anketin Hazırlanması

O uso do termo agroecologia se constituiu nos anos de 1980, através dos trabalhos de Miguel Altieri e, posteriormente, de Stephen Gliessman. Ambos pesquisadores estadunidenses considerados atualmente principais expoentes da “vertente americana” da agroecologia. Outra vertente importante que se destaca da agroecologia nesta mesma época, é conhecida como a “Escola Europeia” localizada em Andaluzia e Espanha. Representa uma agroecologia com viés sociológico e que busca inclusive a caracterização do campesinato, Sevilla-Guzmán e Manoel Gonzalez de Molina são os principais expoentes desta escola (GUBUR, 2012, p. 60).

O conceito da Agroecologia tem como propósito, em última instância, proporcionar as bases científicas (princípios, conceitos e metodologias) para apoiar o processo de transição do atual modelo de agricultura convencional para estilos de agriculturas sustentáveis (CAPORAL et al. 2004, p. 11). Para Altieri (2009) a agroecologia se caracteriza através de conceitos, princípios ecológicos básicos para estudar, desenhar e manejar sistemas agrícolas produtivos e conservadores dos recursos naturais, apropriados culturalmente, socialmente justos e economicamente viáveis.

Então, mais do que uma disciplina específica, a Agroecologia se constitui num campo de conhecimento que reúne várias “reflexões teóricas e avanços científicos, oriundos de distintas disciplinas” (GUZMÁN; MOLINA, 2005, p. 81), que têm contribuído para conformar o seu atual corpus teórico e metodológico.

Entendemos agroecologia como um método, um processo de produção agrícola – animal e vegetal – que resgate os saberes que a “Revolução Verde” destruiu ou escondeu, incorporando-lhes os extraordinários progressos científicos e tecnológicos dos últimos 50 anos, configurando um corpo de doutrina que viabilizasse a produção de alimentos e produtos limpos, sem venenos, tanto de origem vegetal como animal, e, que é fundamental, básico, indispensável, em qualquer escala. E, pois, uma tecnologia capaz de confrontar com o agronegócio, em qualquer escala. (MACHADO; MACHADO FILHO, 2014, p. 36).

Nessa perspectiva, tem-se notado que o ponto de partida para elaboração de novas abordagens de desenvolvimento agrícolas são os próprios sistemas que os agricultores tradicionais desenvolveram e/ou herdaram ao longo dos séculos. Esses sistemas complexos, adaptados às condições locais, têm ajudado os pequenos agricultores a manejar, de forma sustentável, ambientes adversos. E, ainda, satisfazer suas necessidades de autoconsumo, sem depender de mecanização, fertilizantes químicos, agrotóxicos ou outras tecnologias oferecidas pela ciência agrícola (ALTIERI, 2010, p. 24). O autor ainda diz que, embora muitos desses sistemas tenham colapsado ou desaparecido em muitas partes do mundo em desenvolvimento, existe a exemplo, a estimativa de 50 milhões de indivíduos, que pertencem entorno de 700 etnias indígenas diferentes, vivem e utilizam as regiões tropicais úmidas do mundo, nesta forma de produção (ALTIERI, 2012, p. 121).

Assim, o resgate da cultura, do conhecimento das populações tradicionais e os estudos científicos desenvolvidos pela academia sobre tecnologias de produção sustentáveis, em especial nos países em desenvolvimento, tiveram grande contribuição na construção do pensamento e da concepção agroecológica.

Evidentemente, a agroecologia não propõe:

[...] retomar as vidas enclausuradas, oprimidas e penosas das antigas comunidades camponesas, mas sim resgatar alguns de seus bons sensos, virtudes, exemplificadas nas dimensões de participação e solidariedade. (PERONDI, 2004, p.14).

O que a agroecologia propõe de fato é o entendimento das adaptações bem- sucedidas que foram capazes de permanecer com o passar das gerações e que só agora passam a ser sistematizadas (THEODORO, 2009, p. 26).

Nessa perspectiva, a agroecologia não se situa no paradigma convencional, cartesiano e reducionista, no paradigma da simplificação (disjunção ou redução), pois este não consegue reconhecer a existência do problema da complexidade. Logo, se trata de reconhecer que na relação do ser humano com outros seres humanos e destes com o meio ambiente, estamos tratando de algo que requer um novo enfoque paradigmático, capaz de unir os conhecimentos de diferentes disciplinas científicas com os saberes tradicionais (SAUER; BALESTRO, 2013, p. 238). E para isso é importante compreender que:

O primeiro passo para construção de um novo paradigma é a desconstrução dos conceitos, técnicas e processos do modelo do agronegócio. É preciso abandonar os conceitos convencionais e, em seu lugar, estudar e incorporar saberes que promovam tecnologias limpas, que respeitam os bens comuns naturais, ao mesmo tempo em que ofereçam aos produtores um caminho produtivo e positivo, econômica, financeira, social, ambiental e eticamente. (MACHADO; MACHADO FILHO, 2014, p.38).

Entretanto, esta não é uma tarefa fácil, ou mesmo simples, mas necessária e inadiável, porque o agravamento das condições ambientais, políticas e sociais está se intensificando em escala exponencial. Além disso, não se modifica facilmente uma ideologia difundida pelo capital, mesmo que esta realidade, criada por essa mesma ideologia, tenha gerado tanta miséria, tantos insucessos, tantos problemas. Exemplo disso é o desmatamento desenfreado, aquecimento global, mudanças climáticas, desertificação, contaminação e esgotamento de mananciais de água doce, salinização, erosão e empobrecimento dos solos, aumento abusivo no uso de agrotóxicos, contaminação dos alimentos, danos à saúde, extinção de espécies, perdas irreversíveis da biodiversidade, entre outros. Este processo nos impõe uma nova reflexão, até mesmo porque, quem menos ganhou e quem sempre “pagou a conta” foram os agricultores camponeses, e, por suas consequências à saúde e o bolso dos consumidores.

Afinal, durante os últimos 50 anos, o ensino, a pesquisa e a extensão agrícolas e, principalmente, a mídia, não trataram de outro assunto na agricultura, que não fosse o panegírico da agricultura industrial, onde a devoção à „revolução verde‟ foi uma constante. (MACHADO; MACHADO FILHO, 2014, p.39).

Contudo, a mudança de paradigma produtivo na agricultura não é simples, pois implica em mudanças nas relações sociopolíticas para além do âmbito da agricultura.

Fortalecer sistemas agroecológicos dentro de uma economia globalizada e flexível implica a retomada do debate político sobre políticas públicas amplas e diferenciadas, reforma agrária, créditos, infraestruturas sociais e produtivas, fortalecimento da agricultura familiar, soberania, autonomia e segurança alimentar e nutricional. (BARBOSA, 2009, p. 45).

Dessa forma, a agricultura subordinada ao poder monopolista de setores agroindustriais transformara-se profundamente, pois suas raízes tradicionais, camponesas e indígenas foram atropeladas pela magnitude dos processos da “modernização conservadora” impulsionados por recursos públicos e privados. Por tudo isso, é hora de mudar (SAUER; BALESTRO, 2013).

Assim, refletindo sobre a ideia de agroecologia, Machado e Machado Filho (2014) diz que a agroecologia além de resgatar a autonomia dos produtores, destruída pelo agronegócio, é uma proposta transformadora, e sua aplicação está associada ao sistema socioeconômico. Há um confronto com o agronegócio e, por consequência, com o sistema capitalista.

A partir dessa perspectiva, busca-se construir propostas de agricultura que respeitem os produtores, consumidores e o meio ambiente, mediante a incorporação de práticas agroecológicas pelos agricultores, e especialmente pelo setor público, que formula e difunde políticas, programas e projetos para o meio rural, que dependem da conquista de espaços e da ultrapassagem de barreiras impostas por interesses de classes. Dentre os obstáculos a serem transpostos destacam-se:

(i) a mudança no sistema fundiário do país, (ii) a mudança no sistema de pesquisa, já que agroecologia exige soluções específicas para os problemas específicos de cada ecossistemas; (iii) o redirecionamento no programa de extensão rural, que deve estar integrado com as reais necessidades dos agricultores familiares; práticas organizativas e associativas entre os agricultores familiares que permitam uma melhor e maior participação nos processos decisórios e de gestão, além da agregação de valor a seus produtos; (iv) a melhoria nas condições e no volume dos investimentos voltados às atividades agroecológicas; (v) facilidades nas condições de comercialização dos produtos, dispensando os atravessadores e as barreiras legais, sanitárias, tecnológicas, de propriedade industrial, etc., elementos que perpetuam a agricultura convencional insustentável. (THEODORO, 2009, p.31).

As estratégias da PNATER, tem se constituído em meio a disputas de diferentes interesses de desenvolvimento para o campo. Para ruptura com a “extensão rural” como difusora de tecnologia, observa a diversidade de grupos sociais do campo, a matriz tecnológica a ser incorporada no processo de assistência técnica, sua dimensão educativa numa perspectiva libertadora. Soma-se a isso a necessidade de construção de processos de saberes socioambientais necessários para consolidar um novo paradigma agroecológico.

3.3 Intervenção de caráter educativo e transformador: o papel do técnico como

Benzer Belgeler