3.1. Birinci Alt Probleme İlişkin Bulgular
3.1.1. Anket Verileri Doğrultusunda Kastamonu Yöresi Düğün Gelenekleri
A problematização do subúrbio enquanto categoria de análise do processo de urbanização brasileiro não pode prescindir da compreensão das condições prévias sob as quais veio a ocorrer a gênese da relação entre a cidade e seus arredores neste país. E as condições prévias para a constituição formal da divisão entre campo e cidade no Brasil estiveram dispostas ao longo do contexto da efetivação do projeto colonial português de dominação territorial sobre o continente sul-americano, em cujo sentido estava a produção, por meio do trabalho escravo, de mercadorias primárias destinadas à comercialização na Europa.
A distribuição de títulos de concessão de terras para colonos portugueses e a escravidão do negro africano em terras americanas do Atlântico Sul constituíram ali a base para instauração dessa economia mercantilista. Como condição da efetivação desse projeto de exploração agrária da colônia com base no trabalho escravo, surgiram as primeiras vilas, cidades, povoados e arraiais coloniais da América portuguesa. Enquanto fatores da realização do projeto colonial lusitano em terras sul-americanas, os aglomerados antigos não só executavam funções determinadas dentro do sistema de exploração econômica agrícola para exportação (por exemplo, sediando os mercados de escravos), mas, sobretudo constituíram o meio para que a institucionalidade do projeto de domínio colonial sobre as terras sul-americanas se realizasse. E é essencialmente neste último sentido que podemos pensar, particularmente, a antiga vila de Piratininga: considerando o papel dos aglomerados na organização da sociedade baseada no trabalho escravo e na economia mercantil voltada à exportação, São Paulo estava, de modo geral, à parte das grandes áreas de exploração econômica no Brasil colonial. Originada no movimento de interiorização do domínio português sobre as terras e os povos indígenas da Capitania de São Vicente, esta vila não teve sua existência diretamente relacionada com a produção agrícola de gêneros tropicais para exportação.
26
Portanto, o processo de exploração econômica das terras que se estendiam a partir do atlântico sul-americano e de efetivação de sua territorialidade própria estabeleceu uma série de centralidades econômicas e demográficas mais significativas do que São Paulo nos primórdios da colonização brasileira. Uma breve recapitulação das origens da vila de Piratininga nos permite, enfim, apontar com mais precisão o lugar ocupado pela antiga cidade de São Paulo (e de outros núcleos da Capitania de São Vicente) no contexto do estabelecimento, em terras sul-americanas, de uma economia agrária e de uma sociedade colonial inseridas no sistema mundial mercantilista.
A ocupação da Capitania de São Vicente, no interior da qual se situou a antiga vila de Piratininga, começou pelo litoral, estendendo-se desde a ilha de Santo Amaro até Cananéia. A vila de São Vicente, fundada entre 1510 e 1516, foi inicialmente o núcleo de maior condensação nesta Capitania (BRUNO, 1967). Com a chegada de Martim Afonso de Souza e a fundação de São Vicente é estabelecido oficialmente o processo de colonização do litoral. Mas a presença de europeus no litoral vicentino já tinha sido efetuada por João Ramalho e Antônio Rodrigues (PETRONE, 1989: 22). Os relatos sobre João Ramalho mencionam que ele intermediou a relação entre os Tupiniquins e os membros da primeira expedição oficial na Capitania de São Vicente, expedição da qual resultou a fundação da vila homônima à Capitania, tendo João Ramalho ainda se casado com a filha do cacique Tibiriçá e se tornado pai de vários filhos mestiços.
H à elatosàdeà ueà oàp odutoàdeà o ioàe à“ oàVi e teàp -afonsino deve ter sido o próprio indígena e São Vicente deveria ser, portanto, uma feitoria de es a os à PET‘ONE,à :à .à Masà aà pa ti à daà hegadaà daà e pediç oà deà Ma ti à Afonso, inaugura-seà e à “ oà Vi e teà u à p o essoà deà iaç oà deà u aà e dadei aà ol iaàdeàe plo aç oàeà aisàp op ia e teà ol iaàdeàpla tage à o à aseà oàt a alhoà escravo do indígena (PETRONE, 1989: 23). Produziu-se neste sistema de exploração, por certo período, a cana-de-açúcar, única atividade produtiva na capitania que chegou a entrar por algum tempo no circuito da economia mercantilista, sendo a vila de São Vicente, de fato, a centralidade que nesta época determinava em última instância a vida não somente econômica, mas,à ai da,à i stitu io alà aà apita ia.à áà criação de uma vila, aproveitando a presença de um núcleo já existente, foi uma forma
27
de estabelecer os primeiros quadros político-ad i ist ati osàpa aàaà ea à PET‘ONE,à 1989: 24).
Mas a colonização da Capitania de São Vicente que, a princípio, havia se estabilizado no litoral, acabou tomando, mais precocemente que em qualquer outro lugar do Brasil, um sentido de penetração em direção ao interior (PETRONE, 1989: 25). O núcleo da baixada litorânea não só executou funções ligadas às áreas produtoras de mercadorias agrícolas para exportação, mas ainda, constituiu ponto estratégico de a ti ulaç oà o à aà et ote aà o ti e tal,à ua doà asà o diç esà esti ula a à osà p o essosàdeàpe et aç o à PET‘ONE,à :à ,àte doàe à istaào sentido continental do estabelecimento do colonizador a partir do litoral vicentino. O rápido declínio da atividade açucareira em São Vicente, entre outros fatores, condicionou o processo de colonização nesta Capitania a voltar-se na direção do alto do planalto e a basear-se simultaneamente no aprisionamento de indígenas submetidos à escravidão e no domínio sobre as terras do interior do continente.
As relações desses primeiros habitantes brancos da baixada marinha com os indígenas não tardaram a propiciar o conhecimento do planalto por eles. E foi decerto João Ramalho o primeiro desses pioneiros a percorrer a vereda escarpada que se insinuava entre as brenhas espessas da floresta serrana e a ressurgir nos campos que seriam chamados de Piratininga. Pois os europeus usavam os bugres como intermediários que deveriam percorrer o litoral e a zona da serra acima para aprisionar inimigos (os goianases ou tupiniquins viviam em guerra com seus vizinhos do norte, os tamoios, e do sul, os carijós) que eram conduzidos a São Vicente (BRUNO, 1967: 2).
João Ramalho foi o fundador e alcaide do antigo povoado de Santo André da Borda do Campo, primeiro núcleo no alto do planalto separado da planície litorânea pela escarpa da Serra do Mar. Núcleo, este, elevado à condição de vila já em 1553, porém, de curta existência, motivo pelo qual sua localização exata nunca foi exatamente identificada. Mas a historiografia nos lega que o núcleo jesuítico de São Paulo de Piratininga não foi o primeiro assentamento a se formar a partir do alto da escarpa da serra do mar. Os dois povoados em questão coexistiram por alguns anos, até que a população de Santo André fosse, em 1560, integralmente transferida para o núcleo jesuítico de Piratininga. Apesar de efêmero, o antigo núcleo de Santo André chegou a ter uma vida institucional que incluía um alcaide, vereadores, etc., e alguns
28
dos chamados homens bons de Santo André também o foram no núcleo que viria a se tornar a vila de São Paulo de Piratininga. Esta última veio a constituir-se, a partir de ,à e àto oàdeàu aà asaàdeà o e s oàdeàí diosàesta ele idaàpelosàjesuítasàe à local que era escala para muitas nações de bugres, em sua situação de centro natural doàsiste aàhid og fi oàdaà egi o à B‘UNO,à :à .à
Todos os fatores que influenciaram a localização da Vila de Piratininga evidenciam sua condição particular de ser um assentamento de localização estratégica visando a expansão desse domínio colonial para as terras e povos do interior. Ao explicar as raízes para a localização da cidade de São Paulo, Caio Prado Jr. (1989) tenta demonstrar que seu sítio é determinado por fatores naturais e demográficos pré- existentes à chegada do colonizador, tornando-o lugar ideal para a instalação da cidade que seria o centro do projeto de dominação territorial a partir do alto do planalto. Situada no alto da colina entre os rios Anhangabaú e Tamanduateí, a localização de Piratininga permitia, em primeiro lugar, a visão estratégica contra ataques autóctones.
Nos primeiros tempos, a principal preocupação dos colonos é, e não poderia deixar de ser, de natureza defensiva. A ameaça mais significativa e constante era a dos Carijó, embora também os Tupinambá tivessem causado problemas sérios para os europeus, sem falar dos próprios Tupiniquim, instrumentos de instabilidade, antes de terem sido pacificados. (...) (PETRONE, 1995: 63).
Além da localização privilegiada do ponto de vista estratégico, a proximidade do sítio original do colégio jesuítico de Piratininga com os cursos hídricos do Tamanduateí e do Anhangabaú permitia aos seus habitantes, ainda, facilidade de acesso à água para o gado e para pesca (fatores vantajosos de Piratininga em relação a Santo André da Borda do Campo, levando Caio Prado Jr. a levantar a hipótese de que tais fatores teriam contribuído para a extinção da antiga vila de Santo André). Além de proporcionar o abastecimento hídrico que viabiliza a fixação demográfica, fator importante a princípio, a proximidade do núcleo jesuítico de Piratininga em relação ao curso do rio Tamanduateí posteriormente favoreceria também o deslocamento por meio da rede hídrica em direção a todo o interior, a partir do rio Tietê (PRADO JR, 1989).
29
A própria região dos campos de Piratininga já era local de relativa concentração demográfica antes da chegada dos jesuítas e dos colonos portugueses. Os Campos de Piratininga constituíam uma clareira em meio à mata tropical fechada dos terrenos cristalinos; por conta dessa característica fisiográfica, esta era uma área já habitada por povos indígenas do planalto, os quais a empresa colonial pretendia submeter seja à f à ist ,à sejaà aoà t a alhoà fo çado.à ássi ,à aà a tigaà eaà core à doà po oa e toà i díge aà ta à seà to a iaà eaà core à doà po oa e toà eu opeuà PET‘ONE,à :à 45).
Sobre a presença indígena em tempos anteriores à chegada do colonizador, Petrone aponta a existência de três grupos: os Tupinambá (ocupando a porção ao norte de São Sebastião), os Tupiniquim (entre São Sebastião e Cananéia) e os Carijó (dispostos na área ao sul de Cananéia). Os Tupiniquim, tradicionalmente conhecidos como Guaianá, dividiam-se em três grupos: os Guaianá propriamente ditos, os Guaianá-Tupinaqui e os Guaianá-Muiramomi, dentre os quais nos interessa mais de perto o primeiro grupo, que ocupava uma faixa de terra que ia do litoral ao sertão, passando pelos locais onde posteriormente viriam a surgir Santo André e São Paulo (PETRONE, 1995: 31).
Eram grupos seminômades, com a atividade econômica englobando a agricultura de coivara, a caça, a pesca e a coleta de produtos vegetais, necessitando, segundo Petrone, de ampla área de subsistência. Não havia, portanto, apropriação privada da terra, mas apropriação coletiva de um amplo espaço na qual eram realizadas as atividades necessárias para a obtenção dos meios de vida. Citando Benedito Calixto, Petrone afirma que os Guaianá, os quais ocupavam as áreas dos Ca posàdeàPi ati i ga,àia àaoàlito alà osà esesàdeà aio,àju hoàeàjulho,àaàfi àdeà faze à provisão de peixes, ao mesmo tempo que escapavam dos rigores do inverno pla alti o à PET‘ONE,à :à .à Po tanto, a mais significativa zona de povoamento dos Guaianá não era o litoral, e sim, os Campos de Piratininga, no alto do planalto, se doàaàfai aà a i haàu aà zo aàpe if i aàsu sidi ia à PET‘ONE,à :à ;àaà eaà de campos era um nódulo interiorano de cristalização demográfica, dando o sentido continental do povoamento indígena nesta parte da América do Sul.
Devido à maior presença demográfica do indígena no planalto paulista que se estendia a partir da escarpa da Serra do Mar em direção ao interior, o litoral não
30
interessava nem ao colono, nem ao catequizador (PETRONE, 1995: 36-38), os dois principais grupos envolvidos na formação de núcleos de colonização na Capitania de São Vicente. A densidade demográfica relativamente alta dos campos de Piratininga, ainda segundo Petrone, certamente atraiu tanto a presença do colonizador quanto a dos missionários jesuítas, fundadores do pequeno povoamento em torno do colégio em Piratininga. Ali, a ordem religiosa jesuítica empreendeu inicialmente seu projeto de catequização indígena, por meio do qual os povos originários dessas terras eram convertidos à fé católica, mas também ao trabalho, à disciplina e à cultura europeia.
Os colonos paulistas, por sua vez, realizavam uma atividade de pouca representatividade econômica, ligada ao abastecimento local e de São Vicente. Desde os primórdios da Capitania de São Vicente, estabeleceu-se o intercâmbio econômico entre o planalto e o litoral, embora fosse considerado um comércio primitivo, sem operações de vulto, com escassez de moeda (ALMEIDA, 2008: 118). Contudo, é possível afirmar que os Campos de Piratininga e o litoral consistiam, no início do processo de colonização, uma mesma área de subsistência: a vila de São Vicente momentaneamente ligada à economia exportadora e o alto do planalto como área de p oduç oàdeà e sàpa aà o su oài te o.à Oà a i hoà ueàfi ouà o he idoàe àseguidaà o oàaàt ilhaàdosàTupi i ui à o stituíaàoài st u e toàdessaàasso iaç o ,ài teg a doà no mesmo espaço econômico duas áreas separadas pelo alinhamento da Serra do Mar (PETRONE, 1995: 45).
É importante ainda indicar a presença de caminhos terrestres que irradiavam a partir dos campos de Piratininga em direção ao interior, por meio dos quais seria possível empreender, posteriormente, as entradas em direção às terras continentais as quais também viriam a ter seus habitantes e seus recursos explorados pelo colonizador português.
(...) enquanto no litoral a necessidade do porto se justificava em função das articulações entre as rotas marítimas e as rotas terrestres, no reverso da Serra do Mar a articulação da rota de passagem da serra com as rotas planaltinas explica, na prática, a presença de um verdadeiro porto seco (...), fruto de amarração de rotas na linha da serra (PETRONE, 1995: 46-8).
Dadas as características do seu sítio diante dos objetivos inerentes ao processo deà olo izaç oà aà Capita iaà deà “ oà Vi e te,à osà Ca posà deà Pi ati i gaà sedia a à oà
31
p i ei oà ú leoà est elà deà po oa e toà eu opeuà oà i te io à doà B asil à PET‘ONE,à 1995: 40). A existência vila de São Paulo de Piratininga consolidou o local a partir do qual se cristalizariam as condições estratégicas necessárias à realização do movimento de domínio colonial sobre as terras e sobre a gente do sertão que se estendia imensamente em muitas direções a partir do planalto paulista.
A vila de São Paulo de Piratininga englobou a primeira de uma série de missões para conversão religiosa de indígenas, as quais viriam a se constituir como parte do conjunto dos aldeamentos paulistas. Já para os colonos portugueses, este contingente de og fi oà i pli a aà out aà i u st ia,à estaà deà atu ezaà e o i a,à ueà impulsiona o povoamento do planalto. São as numerosas tribos aí estabelecidas e que apresentam aos colonos um farto abastecedouro de mão-de-o a à P‘áDOàJ‘, 1989). Assim, do ponto de vista do colonizador, o indígena era indistintamente o habitante da terra que se pretendia conquistar e o possuidor da força de trabalho a qual, por meio da sua sujeição como pessoa à condição de escravo, seria posta a serviço das necessidades da empreitada colonial.
Seja por meio da catequização do indígena, seja até mesmo por meio do seu aprisionamento para força-lo ao trabalho, a região dos Campos de Piratininga passou, desde o período seiscentista, a ser socialmente e territorialmente organizada sob os imperativos do projeto colonial português por meio da constituição dos núcleos de povoamento denominados aldeamentos, entre os quais se formou um conjunto de aglomerados de população indígena e mestiça sob administração de jesuítas ou colonos. É a partir desse conjunto de núcleos de povoamento colonial que passou a se assentar toda a ordem social e, inclusive, territorial sobre as terras planaltinas da Capitania de São Vicente.
(...) os Campos de Piratininga conheceram desde logo o enquadramento de inúmeras aldeias indígenas no processo comandado pelo europeu, além da criação de novos aldeamentos. Considerando as primeiras décadas dos Seiscentos, os núcleos de povoamento do planalto multiplicaram-se pelos arredores do Campo, contribuindo, também, para a tessitura daquela que viria a se tornar a rede urbana paulista (PETRONE, 1995: 46).
Antes de traçar algumas observações sobre a relação entre esses aldeamentos paulistas e a antiga cidade de São Paulo, cabe aqui lembrar a distinção entre os termos
32
aldeia e aldeamento. Aldeia é o termo por meio do qual o colonizador passou a
identificar a relação da organização social tribal com a terra de que o indígena se apropriava14.àJ àoàte oàaldea e to,àpa aàPet o e,àse eàpa aàdesig a àosà úcleos de o ige à eligiosaà ouà leiga ,à e e e doà essaà de o i aç oà pa aà disti gui à taisà aglo e adosà iados ,à da uelesà out os,à tipi a e teà espo t eos à PET‘ONE,à :à 105). Nos aldeamentos, passou a haver o estabelecimento da posse individual ou familiar da terra, não mais o seu domínio coletivo tribal, embora a terra tivesse um preço ínfimo. O termo aldeamento expressa, portanto, o fenômeno ocorrido dentro do processo de colonização, melhor que a ideia de aldeia, a qual se refere ao contexto da sociedade tribal anterior.
Tomando como referência o trabalho de Pasquale Petrone sobre os aldeamentos indígenas do alto do planalto paulista, podemos apontar já no século XVII aàe ist iaàdeàaldea e tosà o oàosàdeàPi hei os,àGua ulhos,àItape e i a,àM Bo ,à“ oà Miguel, Barueri, Carapicuíba, Escada, Itaquaquecetuba e São José. Estes aldeamentos surgiram em torno da área dos Campos de Piratininga e definiram-se em função do próprio processo de colonização: Pinheiros e São Miguel, por exemplo, surgiram em uma fase de choques entre colonos e indígenas. Outros, como Barueri, que foi criado no século XVIII, estiveram relacionados com a doação de terras. Houve, inclusive, aldeamentos que surgiram em função de outros aldeamentos, como é o caso de Itapecerica e Embu, denotando uma relação interna entre eles (PETRONE, 1995: 110- 122).
A população desses aldeamentos era composta majoritariamente por indígenas e mestiços, vivendo em comunidades pouco numerosas e habitando algumas poucas casas que comumente rodeavam a capela central. Junto aos aldeamentos, encontravam-se as terras de cultivo, nas quais se desenvolvia o roçado, uma agricultura que incorporava técnicas indígenas no intuito de produzir gêneros para o seu próprio consumo, comercializando-se eventualmente o excedente na cidade.
14 Aldeia, em Portugal, era o termo usado para designar o vilarejo, o povoado ou núcleo de
concentração no meio rural, portanto, forma de aglomeração de caráter oposto ao da cidade. O termo, no contexto da colonização paulista, passou a ser usado para designar o agrupamento tribal indígena PET‘ONE,à :à .à áàaldeiaài díge aà ,àe à o se u ia,àde t oàdaàpsi ologiaàdoà olo o,àaà o- cidade, não apenas porque é expressão da vida rural, mas sobretudo porque está longe de fornecer condições de prestígio que só a cidade, mesmo que modestíssimo embrião de aglomerado urbano, pode fo e e à áLF‘EDO,à .
33
Portanto, mesmo os aldeamentos jesuíticos consistiam em lugares de reprodução da mão-de-obra indígena (ALFREDO, 2004: 81). De modo geral, o século XVII:
(...) caracteriza-se pela extensa ocupação da mão-de-obra escrava indígena no cultivo das lavouras comerciais do planalto paulista que realizavam um circuito colonial interno, de abastecimento das áreas diretamente vinculadas ao exclusivo metropolitano. Desta maneira, a presença do indígena na lavoura era uma característica importante do período [para a realização de uma riqueza comercial] (ALFREDO, 2004: 81).
Esses aldeamentos se dividiam entre aldeias do padroado real e as aldeias jesuíticas: estas últimas, sujeitas à administração da Capitania e de seus termos, enquanto as primeiras eram administradas pelos missionários da Companhia de Jesus. Os jesuítas, a princípio, tinham ingerência sobre os aldeamentos de modo geral, até terem sido expulsos de Piratininga em 1640 por conta do conflito de interesses entre elesàeàosà olo os:à oàtipoàdeà elaç es que logo se estabeleceram entre o colono e o indígena não poderia satisfazer aos objetivos dos jesuítas, especialmente em face da i stituiç oàdaàes a atu aà o oàp ti aà oti ei a à PET‘ONE,à :à .à
Foi com base na discordância sobre a questão da escravização indígena que se deu o conflito entre colonos e jesuítas, que acabou culminando com a mencionada e puls oàdestesàúlti osàdasàte asàdeàPi ati i ga.à U aà ulaàdoàPapaàU a oàVIII,àdeà março de 1638, contendo graves penas e censuras a favor do indígena, foi o estopim ueàjustifi ou,àaà àdeàjulhoàdeà ,àaàe puls oàdosàjesuítasàdeà“ oàPaulo à PET‘ONE,à