6.1. INTRODUÇÃO
A implementação de SGQ é um caminho interessante e consistente para que a construtora demonstre que gerencia bem o seu negócio e pode agregar maior qualidade e valor aos seus produtos. “A maior previsibilidade e confiabilidade dos processos tem gerado um clima de estabilidade no canteiro e, dessa forma, os engenheiros gastam menos tempo ‘apagando incêndios’, e voltam a atenção para outras atividades como melhoria da logística no canteiro e a introdução de inovações nos processos construtivos” (Andery e Vieira, 2003).
As empresas certificadas são as melhores fiadoras do método, como se constata por seus índices de satisfação, mas para que o sistema preserve sua credibilidade é essencial que todos os envolvidos cumpram sua parte no processo. Todos t
principal dificuldade, durante a implantação do programa, é fazer com que todos os colaboradores abandonem antigos hábitos e rotinas e assimilem a cultura da qualidade. Para isso, é necessário desenvolver ações de esclarecimento e treinamento em todos os níveis da construtora, que nem sempre se dispõe a investir
êm a ganhar, e principalmente o cliente, que é o foco e está na ponta do sistema, e o processo só pode ser aprimorado através das retroalimentações dos clientes. Para tanto, é necessário que ele conheça os seus direitos e os canais de reclamação disponíveis.
6.2. CONCLUSÕES GERAIS
O principal razão de ser do PBQP-H é a organização do setor, com a estruturação de um novo ambiente, mais favorável ao desenvolvimento tecnológico e à melhoria da gestão. O SGQ das empresas construtoras, além de criar novas ferramentas de organização e gestão, gera uma atmosfera propícia à inovação e ao avanço tecnológico, fortalecendo os laboratórios e a infra-estrutura de pesquisa. Não existe garantia da qualidade final do produto, mas toda a empresa se envolve com o objetivo de satisfazer o cliente, que é o foco central do programa.
na qualificação e trabalham no canteiro de obras. Entretanto, o surgimento de especialistas em treinamento de pessoal e acompanhamento dos procedimentos e registros nos canteiros vem ão dessa lacuna pelas empresas. Convém incentivar o trabalho esse novo profissional, cuja formação deve ser em Engenharia Civil, pois sua atuação
mas de qualidade, cumprindo- se assi
ra o setor, em termos de evolução tecnológica e concorrência mais saudável. Um bom exemplo é o do setor de aço para a
aço pronto vem apresentando sucessivas inovações, seja com novos equipamentos, que garantem maior segurança e rapidez ao process
caracterizam bem os refle
competitividade.
dos colaboradores, principalmente daqueles qu
facilitando a eliminaç d
junto a diversas construtoras facilita a difusão de inovações na gestão dos processos e gera inúmeros benefícios. Para as empresas, esta é uma possibilidade de se posicionarem no mercado com um SGQ consistente, sinônimo de tecnologias construtivas diferenciadas, materiais de qualidade, ausência de retrabalho, preços competitivos, respeito ao meio ambiente e satisfação do consumidor.
A qualificação das construtoras vai, aos poucos, induzindo a inserção de toda a cadeia produtiva da construção civil em progra
m um dos princípios do PBQP-H. A obrigatoriedade da qualificação dos fornecedores, por exemplo, tem gerado mudanças substanciais no setor, e a pontuação atribuída pelas construtoras vem propiciando um sensível avanço na qualidade dos materiais. O fornecedor passa ter a consciência de que, se não atender o cliente com a devida qualidade e presteza, certamente não será consultado nas próximas compras, e essa nova postura dos fornecedores traz vantagens sensíveis pa
construção civil, pois o sistema
o, ou com melhoria no seu sistema de gestão, que beneficiam também as construtoras. Seguindo o exemplo das construtoras, esses fornecedores também implantaram programas de qualidade e estão acreditados por certificações. Os fornecedores de concreto também aderiram às inovações e trabalham hoje com equipamentos de última geração e profissionais bem treinados, para assegurar atendimento no tempo exato e com tecnologia de ponta na dosagem e controle do material. Esses dois exemplos da cadeia produtiva da construção
xos positivos que a implantação do SGQ nas construtoras trouxe para os materiais de construção. O fornecedor que não inova, tanto em gestão de processos quanto na tecnologia dos materiais, está sendo alijado do mercado, pois seu concorrente, além de atender melhor o cliente, certamente reúne condições de maior
A adoção de um SGQ, entretanto, não garante por si só que a construtora resolveu todos os problemas. Podem ocorrer frustrações e decepções, se a empresa não der a devida importância à continuidade e ao acompanhamento dos processos, situação que se evidencia quando não há envolvimento da direção da empresa e os colaboradores não foram devidamente motivados. O envolvimento da direção e dos colaboradores com as metas globais é sempre o caminho mais seguro para que o programa de qualidade ganhe consistência e produza todos os resultados pretendidos.
O setor da construção civil ganha consistência também com a entrada no mercado de gestores novos com conhecimentos consideráveis em gestão de processos. Esses novos executivos têm catalisado a evolução da construção civil criando e difundindo processos até então desconhecidos.
Na avaliação das não conformidades, observadas nas auditorias, ficou patenteada a dificuldade que um considerável número de construtoras ainda tem com relação aos processos burocráticos. A maturidade quanto a esses procedimentos certamente ocorrerá em um período curto.
6.3. RECOMENDAÇÕES PARA TRABALHOS FUTUROS
Durante a realização da pesquisa que deu origem a esta dissertação, foi possível identificar alguns pontos que merecem ser abordados em futuros estudos:
a) preparação dos profissionais da construção civil para treinamento de colaboradores e acompanhamento dos procedimentos técnicos e de gestão do SGQ nas construtoras.
Considerando-se desejável que esses profissionais assimilem, em cursos de especialização, conhecimentos mais apurados sobre gestão de processos, auditorias de sistemas e consultoria, os estudos irão definir a grade de disciplinas que complementem sua formação.
b) avaliação dos Programas Setoriais da Qualidade nos segmentos da cadeia produtiva da construção civil.
Um estudo mais abrangente poderá identificar os setores da cadeia ainda carentes de programas de gestão da qualidade e os motivos pelos quais ainda não aderiram ao sistema.
c) aspectos positivos e negativos da implantação do SGQ nas construtoras.
pelo programa.
Estudos mais amplos e detalhados sobre o processo de implantação do sistema e seus resultados, tanto nas empresas que se consideram bem-sucedidas quanto naquelas que abandonaram ou se desinteressaram