A sociedade foi assimilando as novas tecnologias e conseguindo aprender e conviver com elas ao longo das ultimas gerações que evoluíram juntamente com a modernização das mídias. Hoje, sabemos que podemos conviver com as mais diversas mídias através das tecnologias que, ao mesmo tempo em que podem facilitar nossas vidas, trouxeram uma enxurrada cada vez maior de informações e formas de acesso a qualquer conteúdo que nos interesse.
É um fato que a tecnologia e as mídias digitais modificaram a forma como nos relacionamos com a cultura da comunicação, mas também a vida foi se modificando e se adaptando a uma cultura digital que foi se tornando parte da vivência que temos da nossa realidade. De acordo com Santaella, (2010, p.104-104),
A natureza dessa cultura é essencialmente heterogênea. Usuários acessam o sistema de todas as partes do mundo, e, dentro dos limites da compatibilidade linguística, interagem com pessoas de culturas sobre os quais, para muitos, não haverá provavelmente um outro meio direto de conhecimento. Por isso mesmo, é também uma cultura descentralizada, reticulada, baseada em módulos autônomos. Materializa-se em estruturas de informação que veiculam signos imateriais, quer dizer, feitos de luzes e bytes, signos evanescentes, voláteis, mas recuperáveis a qualquer instante.
O termo cibercultura nasceu em 1984, através do livro Neuromancer de William Gibson, e passou a ser utilizado como um termo que representa a cultura eletrônica que, desde então, vem se desenvolvendo na medida em que a própria sociedade se desenvolve tecnologicamente. De acordo com André Lemos (2008, p.15), a cultura contemporânea, associada às tecnologias digitais cria uma nova relação entre a técnica e a vida social denominada cibercultura, a qual podemos dizer que desenvolve uma estética social sob nossos olhos, municiadas pela tecnologia dos ambientes digitalizados. Lemos (2008, p.17) afirma que:
As novas tecnologias parecem caminhar para uma forma de onipresença, misturando-se de maneira radical e quase imperceptível ao nosso ambiente cultural através do devir micro (tornar-se invisível) e do devir estético (tornar-se belo). Este movimento vai [...] aproximar a tecnologia contemporânea do prazer estético e do compartilhamento social.
Com o decorrer dos anos, a sociedade passou a utilizar/incorporar, de forma natural, as mídias digitais e seus possíveis recursos tecnológicos em suas atividades diárias. Não foi uma adaptação fácil e ainda não é para boa parte da população mundial fazer parte da cultura digital. A complexidade do relacionamento para os já habituados com ambientes como a internet não são percebidos devido os bons níveis de interação que os usuários mais acostumados apresentam. Mas se levarmos em consideração como visualmente era complicado para que um usuário comum conseguisse interagir com conteúdos online, principalmente se levarmos em consideração os níveis de qualidade visual que encontramos nos sites contemporâneos, percebemos que os usuários conseguem se relacionar e interagir de fato com o ciberespaço, como se estivessem interagindo com os ambientes físicos de nossas casas ou de um local físico no qual está acostumado a circular.
Precisamos sempre levar em consideração que apesar de toda a melhoria não apenas na visualidade dos sites, mas também na forma como navegamos e utilizamos os recursos dos ambientes online, a quantidade de informações e conteúdos é significativamente superior ao que encontramos no início da internet. Consequentemente é possível perceber que a sociedade se relaciona mais intimamente com a tecnologia e com os recursos proporcionados pelas mídias digitais, utilizando o ciberespaço como qualquer outro espaço que poderíamos utilizar em nossa vivência física, fazendo da cibercultura uma realidade comum a todos que dela desejam desfrutar, fazendo parte de ações socioculturais comuns a atos de cada indivíduo que interage com a sociedade e os recursos disponibilizados nela.
A atual cultura eletrônica não busca mais, como foi o caso da tecnocultura moderna, a dominação técnica da natureza e do social. Trata- se mesmo de uma atitude sociocultural que se expande sobre uma natureza já dominada e transformada em bits e bytes, em espectros virtuais do ciberespaço. Se a tecnocultura moderna foi a forma técnica que emergiu da dominação da natureza (Descartes e Bacon) e da domesticação energética do mundo (Heidegger), a cibercultura, por sua vez é a forma contemporânea da técnica que joga com os signos desta tecnonatureza construída pela astúcia da tecnocracia. É, ao mesmo tempo, ruptura e continuidade (LEMOS, 2008, p.18-19).
As mídias, antes da revolução digital que vivenciamos na contemporaneidade, não tinham um profundo relacionamento com a tecnologia. Esta quando possível, era empregada basicamente a partir dos meios de produção e disseminação dos conteúdos, sem que a sociedade tivesse a oportunidade de partilhar dessa técnica. Com o passar dos anos e do desenvolvimento dos meios de comunicação, a sociedade passou a ter acesso a uma diversidade de tecnologias, que foram sendo aperfeiçoadas na medida em que os níveis de interação entre mídia e usuários iam aumentando.
Apesar de toda a complexidade técnica que existe por trás da evolução tecnológica das mídias, a visualidade delas, através do ambiente da internet, é um dos grandes responsáveis por fazer de algo que seria incompreensível para a sociedade se tornar não apenas compreensível, mas uma realidade que por mais virtual que venha a ser está inserida numa vivencia diária e à disposição de quem se dispor a fazer parte e interagir através do ciberespaço.
De acordo com Lúcia Santaella (2010, p.105), a nova forma de cultura que vivenciamos hoje é descrita por um fervilhar de publicações impressas em uma enxurrada incessante de sites na internet exibindo uma semiodiversidade indescritível. Os estudos sobre cibercultura estão, sobretudo, voltados para as construções culturais e reconstruções nas quais as tecnologias atuais se baseiam e que, conversivamente, contribuem para desenvolver.
André Lemos (2003, p.12), define cibercultura “como forma-sociocultural que emerge da relação simbiótica entre a sociedade, a cultura e as novas tecnologias de base microeletrônica que surgiram com a convergência das telecomunicações com a informática na década de 70”. Podemos dizer, então, que o fenômeno da cibercultura não é algo que se criou do dia para a noite, mas, foi surgindo com os avanços tecnológicos, naturais e esperados pela população que busca modificar, melhorar ou até mesmo criar novas técnicas e aparelhos que alterem e melhorem suas vidas.
Para Lévy (2000, p.17), cibercultura, “especifica aqui o conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de modos e pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço”. Esses avanços e técnicas criados podem ser observados nos blogs, listas de discussão, fóruns e códigos abertos, que visam a interação entre os usuários e os media e oferecem ferramentas para a participação dos sujeitos na produção de notícias, ou seja, a forma de produção de conteúdo na web passa a ser multidirecional e sem filtros.
Lemos (2003, p.12), demonstra uma visão neutra sobre a cibercultura, tentando apenas mostrar as visões possíveis sobre o assunto sem apoiar ou criticar, se atento em evidenciar uma “fenomenologia do social”, ou seja, citando os lados positivos e negativos das “tecnologias contemporâneas”. Ele cita ainda que já vivemos a cibercultura, não o futuro, mas o nosso presente nos cartões inteligentes, celulares, palms, pagers, voto eletrônico, imposto de renda via rede entre outros. Ela é “a cibercultura contemporânea sendo consequência direta da evolução da cultura técnica moderna” (LEMOS, 2003, p.12).
Demonstra-se desta forma que a cibercultura não é um acontecimento que teve um marco inicial e nem terá reversão, pois, é uma série de formas de apropriações sociais midiáticas referentes à informática e tecnologia, como, por exemplo, a micro-informática, a internet e suas práticas sociais, o webjornalismo, as ciências da computação, etc. Como cita Lévy (2000,p.14), essa “nova conjuntura espaço-temporal”, cria uma nova visão para o tempo real, o “espaço de lugar”, ocorrendo a desmaterialização do lugar, somos como viajantes do espaço, sem local marcado, sem terra. Só através da cibercultura se pode ter essa “ampliação das formas e comunicação sobre o mundo”.
Porém, Lévy (2000, p.15), deixa claro que a cibercultura não veio para democratizar a cultura ou para diminuir as distancias entre as mídias e a sociedade, ou seja, não é ela que vai resolver os problemas sócio-economico-culturais dos países. “Não há mídia totalmente democrática e universal (a mídia impressa é lida por uma minoria e metade da população mundial nunca utilizou um telefone)”. No entanto, essa mudança traz melhorias. A população mundial convive atualmente com o aumento excessivo de informações que, cada vez mais, vem sendo veiculadas com maior rapidez, num maior fluxo e num tempo menor. Na maioria das vezes se torna impossível acompanhar tal fluxo. Desta forma, o autor defende a luta pela garantia do acesso aos meios tecnológicos a todos e esse acesso através do ciberespaço pode ser o caminho.
Tanta diversidade faz com que a oferta por notícias aumente e ocorra assim uma maior cobertura e melhor interpretação de um mesmo fato que pode ser coberto e divulgado por vários meios e muitos sites, cada qual contendo um fato novo, bem como uma outra visão, outra análise ou interpretação sobre o ocorrido. Em Cibercultura (2000, p.54), Lévy define essa nova forma de divulgação dos fatos como algo que preza não só a publicação, mas a atualização constante, agregando mais qualidade nos meios digitais. Essa peculiaridade define “a notícia em tempo real como verdadeira notícia”, pois, divulga o fato assim que ele ocorre e pode ir sendo modificada, acrescentando detalhes ou corrigindo possíveis erros. Como bem afirma Levy (2000, p.130),
A cibercultura é a expressão da aspiração de construção de um laço social que não seria fundado nem sobre links territoriais, nem sobre relações institucionais, nem sobre as relações de poder, mas sobre a reunião em torno de centros de interesse comuns, sobre o jogo, sobre o compartilhamento de saber, sobre a aprendizagem cooperativa, sobre processos aberto e colaboração. O apetite para as comunidades virtuais encontra um ideal de relação humana desterritorializada, transversal, livre. As comunidades virtuais são os motores, os atores, a vida diversa e surpreendente do universal por contato.
A forma de compartilhar conhecimento, de se aprender cooperativamente, colaborando, trocando e criando informações em conjunto é a própria cibercultura. E para que isso exista é necessário que se crie uma pluralização de vozes, é preciso que o público construa isso, ou seja, contribua ativamente na rede. As novas tecnologias apenas impulsionaram essa cultura em rede no ambiente colaborativo, não a criaram e é desta forma que devemos prosseguir para o desenvolvimento dessa cultura.
André Lemos (2008) estabelece três leis fundadoras da cibercultura: a “liberação do polo de emissão”, com as novas ferramentas digitais, avanços tecnológicos (invenção de novas máquinas), novas vozes e discursos ganharam espaço no ambiente comunicacional (comunicação um – todos / todos - todos); o “princípio de conexão em rede”, “tudo comunica e tudo está em rede” ou “a rede está em todos os lugares” e o computador é a própria rede, interatividade e compartilhamento, o ciberespaço e cibercultura se misturam ao universo; a “reconfiguração”, o “novo” não significa aniquilar o “velho”, mas reconfigurar as dinâmicas e práticas sociais, recriar, ampliar e recompor.
Sobre as “leis”, a primeira da “liberação do polo de emissão” foi a que ocasionou um grande impacto sobre o jornalismo da web, pois, é ela que programa a alteração das vozes, ou
seja, altera o fluxo de comunicação na sociedade de massa. Antes, ocorria o processo unidirecional, com mensagens sem retornos, apenas “coladas” das mídias tradicionais, sem meios de alteração ou intromissão. Agora, o novo método é a comunicação multidirecional, todos se comunicam, comentam e há a possibilidade de se criar a notícia em conjunto. As demais, não menos importantes, ampliam a explicação da primeira. O “princípio da conexão em rede” evidencia que cada vez mais estamos online, conectados ao ciberespaço, construindo conhecimentos, trocando informações, nos “equipamos” com um “arsenal tecnológico” para sempre estar recebendo ou transmitindo informação. Atualmente é quase impossível encontrar alguém que não tenha um celular e que o mesmo seja utilizado apenas para fazer e receber ligações. O mesmo acontece com Ipod’s, mp3 players, câmeras digitais, aparelhos de GPS, etc. Cada vez menores e com mais funções. Essa necessidade de receber e enviar informações através desses novos meios é uma característica da cibercultura. Ninguém quer ficar de fora, todos querem permanecer conectados, em todos os lugares, estar sempre informado sobre o que está acontecendo no mundo.
Essa “reconfiguração” é uma ampliação da segunda lei porque nos mostra que o que era utilizado não deve ser esquecido ou ignorado, apenas renovado. O modo como nos comunicávamos, como nos informávamos, como recebíamos e transmitíamos informação apenas sofre uma modificação, não se extingue. Assim, as mídias tradicionais não devem ser deixadas de lado, ao contrário, deve andar lado a lado, em paralelo, com os novos meios. O ciberespaço deve ser uma ampliação do espaço real, e a cibercultura uma extensão da nova cultural atual.
Um dos estudos que certamente vem contribuindo com a reconfiguração das mídias para a realidade na web é a Arquitetura da Informação. De acordo com Camargo e Vidotti (2011), a AI passou a ser mais valorizada e reconhecida depois do surgimento dos sistemas de informação automatizados. O crescente aumento das informações e conteúdos foram peça fundamental para a contribuição da AI na implantação da qualidade na navegação dos usuários no ambiente digital da web.
A maior circulação de informações/conhecimento implica na necessidade de criação de estratégias de controle e medição desses recursos. Dentre essas estratégias, pode-se mencionar a arquitetura da informação, que se configura em uma alternativa que visa ao mapeamento e à medição dos insumos "informação e conhecimento". (CAMARGO; VIDOTTI, 2011, p.16).
Dessa forma compreendemos melhor a contribuição da arquitetura da informação para a cibercultura, mas ainda mais especificamente para estruturação e organização dos espaços digitalizados, facilitando a visualização dos ambientes e contribuindo para o relacionamento entre usuários e um portal como o UOL.
2 ESPAÇO E VISUALIDADE