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Anayasa Mahkemesinin Soruna YaklaĢımı

O método utilizado foi o de estudo de caso que conjuga várias vantagens, pois permite realizar inferências sobre relações causais baseadas em observações de um objeto de estudo durante certo período de tempo (MILES, HUBERMAN, 1994); possibilita o esclarecimento de múltiplas causas conjunturais em um estudo comparativo de casos (RAGIN, BECKER, 1992); é importante técnica em estudos intensivos e em profundidade em pequeno número de entidades sociais; e para minimizar possíveis problemas quanto a sua confiabilidade, reaplicação, e sua validade externa, maior atenção deve ser dada a sua validade interna e ao construto utilizado em sua prática (NUMAGAMI, 1998).

A pesquisa caracterizou-se por um estudo de caso em duas organizações policiais o que permite, segundo Ragin e Becker (1992), certos tipos de comparação na análise de um fenômeno social específico em algum tempo e lugar. Yin (1989) reforça que o estudo de caso também pode ser utilizado para testar hipóteses iniciais ou as relações entre algumas variáveis, sem relação direta de causa ou efeito.

Numagami (1998) argumenta que esse método possibilita a realização de inferências de relações causais com o acompanhamento da unidade de observação, permite o esclarecimento de causas múltiplas de determinado fenômeno, e auxilia, ainda, no entendimento geral de determinado modelo escolhido para análise. Eisenhardt (1995) ressalta que o estudo de caso é uma estratégia de pesquisa que foca no entendimento de uma dinâmica

dentro de parâmetros próprios. Yin (1989) destaca que o estudo de caso pode envolver um simples caso ou múltiplos casos, ou ainda diversos níveis de análise. Estudos de caso combinam geralmente métodos diversos de coleta de dados como pesquisa em arquivos, entrevistas, questionários e observação, com evidências de caráter qualitativo (como palavras), quantitativo (como números), ou ambos. Estudos de caso podem ser usados para descrever um fenômeno, testar uma teoria, ou gerar uma teoria (EISENHARDT, 1995).

O estudo de caso, desta forma, foi escolhido por permitir uma análise intensiva e em profundidade do objeto de estudo em questão (EISENHARDT, 1995; NUMAGAMI, 1998; RAGIN, BECKER, 1992; YIN, 1989). Com a opção metodológica pelo estudo de caso, levou-se em consideração as dificuldades de generalização de resultados, ainda que os achados da pesquisa sejam relevantes para a análise das organizações, principalmente instituições da importância das organizações policiais, pois proporcionam, segundo Numagami (1998), um diálogo reflexivo entre pesquisadores e profissionais da área que poderão gerar novos estudos com foco nesse tipo de organização, com base nos padrões gerais observados, os esquemas normativos adotados pelas organizações, ao utilizar os novos modelos de policiamento, e como essas ações podem ser sintetizadas dentro das complexas interdependências dos fatores estudados, nas relações entre o ambiente institucional geral, específico, e ambiente técnico no período e espaço pesquisados.

Nas peculiaridades das organizações policiais como objeto de pesquisa, encontram-se diversas dificuldades, como a baixa visibilidade das ações internas e as possíveis informações de cunho sigiloso e estratégico que poderiam ser observadas (HAGAN, 1997; KING, WINCUP, 2000). Esses obstáculos foram superados (na medida do possível), pelo acesso às instituições por meio de informantes qualificados das organizações policiais escolhidas para estudo, assim como pelos canais competentes e documentação das polícias estudadas.

A unidade de análise foi uma organização policial no Brasil, a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), em Belo Horizonte, e outra nos Estados Unidos da América, o “Metropolitan Police Department” (MPD), sediado em Washington, Distrito de Colúmbia10, com seus modelos de policiamento sendo o foco de pesquisa quanto a sua institucionalização.

Bayley (1999) identifica como maiores benefícios em estudos entre países, a extensão do conhecimento com a possibilidade de desenvolvimento de novas alternativas, o aumento de reflexões mais poderosas sobre o comportamento humano, o incremento da probabilidade de implementar reformas de sucesso, além de ganhos na perspectiva pessoal. Por sua vez,

10 Realização de pesquisa como participante do Programa de Doutorado com Estágio no Exterior (Bolsa “Sandwich”) promovido pela CAPES, na American University, em Washington, D.C., no ano de 2003.

Mawby (1999) delineia como problemas a dificuldade na disponibilidade de dados válidos, confiáveis e detalhados, a variação das definições entre países o que nem sempre é facilmente identificado e controlado; a impossibilidade de se tornar um “expert” sobre todos os lugares estudados, e, finalmente, a base sobre o que comparar como fator complexo. Além disso, obviamente há características comuns e distintas entre as organizações policiais nas diferentes sociedades, o que deve ser objeto de atenção do pesquisador.

Bayley (1994, p. 5) entende as dificuldades envolvidas em pesquisas internacionais, “ressaltando como obstáculos inerentes a esse tipo de investigação a língua estrangeira, custos financeiros, acesso às instituições, outros relacionados ao tipo de tópico a ser levantado, e sua metodologia”. Lynch (1995) afirma que outros aspectos limitadores para o pesquisador são a necessidade de entendimento de aspectos históricos, políticos, da legislação, economia, estrutura social, cultura, e a quantidade de conhecimento disponível localmente para a compreensão da realidade a ser estudada. Esses aspectos foram levados em consideração na realização da pesquisa desta tese para minimizar possíveis vieses na medida de suas possibilidades.

Buscou-se identificar as organizações policiais que haviam passado por um estágio de implementação de novos modelos de policiamento. A escolha das duas organizações policiais foi intencional. Hagan (1997) expõe a seleção proposital como a que representa a opção por uma amostra baseada na necessidade e julgamento do pesquisador. Sua utilidade está baseada na possibilidade de presumir fenômenos e comportamentos similares no futuro para o mesmo tipo de população alvo.

A Polícia Militar do Estado de Minas Gerais (PMMG) foi escolhida pela sua relevância no cenário brasileiro, segundo Beato Filho (1999, p. 17) “uma das mais respeitadas da Federação”, e que passou por episódios marcantes como a greve dos policiais em 1997 reivindicando melhor remuneração, e introdução de novo modelo de policiamento. Alguns estudiosos estrangeiros também se debruçaram sobre as experiências da PMMG. Ward (2001) ressalta a relevância dessa instituição policial pela adoção de mudanças recentes em sua estratégia de gestão. Lion (2004), ao estudar o policiamento comunitário em Belo Horizonte, justifica sua escolha pela intensidade de modificações na organização policial mineira. Frühling (2004) ressalta que Belo Horizonte foi escolhida pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), juntamente com os programas de policiamento comunitário de Villa Nueva (Guatemala), Bogotá (Colômbia), e São Paulo (Brasil), dentre as experiências em andamento na América Latina sobre o policiamento comunitário, a fim de determinar tanto as dificuldades que têm enfrentado como suas potencialidades para serem reproduzidas por

outros países da região. O BID examinou os resultados de projetos de polícia comunitária que, por sua duração e quantidade de informações existentes, puderam organizar dados para avaliar esse esforço latino-americano.

Além disso, a instituição possuía no ano 2000, o segundo maior efetivo no país (36.580 policiais militares) de acordo com dados do Ministério da Justiça (BRASIL, 2002), ficando atrás apenas do Estado de São Paulo. Além disso, a PMMG tem sido uma das organizações policiais brasileiras que vem estreitando seus laços com instituições de ensino e pesquisa.11

A polícia militar é responsável constitucionalmente pelo policiamento ostensivo, realizando a prevenção e repressão, enquanto a polícia civil realiza as investigações, estando estabelecidas no nível dos Estados da federação, e subordinadas ao governador. A jurisdição da PMMG envolve todo o Estado de Minas Gerais, mas para fins desta pesquisa e melhores parâmetros de comparabilidade, optou-se pela análise da ação da polícia militar em Belo Horizonte, capital do Estado, núcleo pioneiro de implantação do policiamento comunitário.

A escolha do “Metropolitan Police Department” (MPD) justifica-se pela sua tentativa de absorver e aplicar novas tecnologias gerenciais para aumentar a efetividade no combate ao crime, a partir de meados de 1990, conseguindo um declínio da criminalidade, apesar de ainda ser uma das cidades com maior índice de homicídios em relação ao tamanho da população (USDOJ, 2003). A jurisdição do MPD restringe-se à cidade de Washington, Distrito de Colúmbia, Estados Unidos da América, sendo a capital do país. A escolha de uma organização policial norte-americana também pode ser justificada pelo grande número de estudos sobre o enfoque de novos modelos de policiamento realizados naquele país (BAYLEY, 2001a; CORDNER, KENNEY, 1996; FYFE, 1989; TONRY, MORRIS, 1992; WALKER, 1992), tendo sido destino de diversas visitas de policiais e acadêmicos brasileiros para o entendimento do funcionamento das organizações policiais (CERQUEIRA, 1997; DIAS NETO, 2000; SOARES, 2000a). Reforça esse tipo de escolha o destaque sob o ponto de vista organizacional que as polícias norte-americanas obtiveram na década de 1990 pela

11 Tavares-dos-Santos (2004) destaca que a reforma dos programas de policiamento no Brasil é marcada pela colaboração de redes acadêmicas, o que fortalece a interação entre as organizações policiais e as instituições de ensino e pesquisa. No caso da polícia em Minas Gerais, isso ocorre mediante uma relação pioneira entre a Polícia Militar de Minas Gerais e a Fundação João Pinheiro, que desde o início dos anos 1980 atuam em conjunto em estratégias de ensino e aprimoramento da concepção do ofício de policial. Essa parceria da PMMG foi ampliada posteriormente com a inclusão da Universidade Federal de Minas Gerais. Tal movimento de aproximação das organizações policiais com a academia expandiu-se por todo o país, como atestam as parcerias entre polícia e Universidade Federal do Rio Grande do Sul, desde 1992 no Estado do Rio Grande do Sul; no Rio de Janeiro, a Universidade Estadual do Rio de Janeiro e a Universidade Federal Fluminense; a Universidade de São Paulo com a polícia paulista; e a Universidade Federal da Bahia; Universidade Federal de Pernambuco e Universidade Federal do Pará em seus respectivos Estados.

sua tentativa de absorver e aplicar novas tecnologias gerenciais para aumentar a efetividade no combate ao crime, merecendo menções em livros da área organizacional como os de Micklethwait e Wooldridge (1998), Osborne e Gaebler (1994), e, Porter (1998), por exemplo. A cidade de Washington, D.C., também foi escolhida por ostentar nos anos 1980 e 1990 o título de cidade mais violenta do país, detendo um dos maiores índices de homicídios dentre os grandes centros urbanos dos Estados Unidos (“The Murder Capital”), conseguindo uma redução consistente deste tipo de crime a partir do final dos anos 1990, sendo assim, um ambiente em que há uma pressão pelo decréscimo dos níveis de criminalidade e violência.

Benzer Belgeler