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Anatomik Parametreleri Kullanan Cihazlar

1. İNSAN VÜCUDUNUN ANATOMİSİ

1.8. Anatomik Parametreleri Kullanan Cihazlar

A origem da common law remonta à Inglaterra medieval. Antes da conquista normanda, no ano de 1066, comandada por Guilherme, o Conquistador, o Direito inglês era bastante fragmentado e basicamente era constituído por uma série de costumes locais. Contudo, com a conquista normanda, tem inicio um processo de centralização do poder. Assim, a necessidade do rei em impor a sua autoridade por toda a Inglaterra abre caminho para o estabelecimento de um conjunto de regras que seria comum (common law) em toda a Inglaterra. Neste contexto, já no século XII, observa-se uma constante expansão das jurisdições dos Tribunais Reais, que, paulatinamente, foram ampliando suas competências sobre as antigas cortes senhoriais, que possuíam ampla discricionariedade para julgar mediante a aplicação dos costumes locais. Destarte que este direito, desenvolvido pelos Tribunais Reais, tinha como base normas de direito processual fazendo com que o sistema jurídico inglês se tornasse extremamente formal. Tudo pela inexistência, há época, de um conjunto de normas abstratas de direito material suficientemente abrangente.60

A expansão dos Tribunais Reais se deu através de um processo técnico utilizado para requerer a sua jurisdição. As pessoas poderiam solicitar a justiça do rei mediante a elaboração de um pedido que era analisado pelo Chanceler.61 Caso o pedido fosse fundamentado, uma ordem ao xerife ou a um senhor, chamada de writ, era enviada ao réu para dar satisfação ao queixoso e assim iniciava-se o processo. Com o passar do tempo os writs tornaram-se formas estereotipadas, passadas pelo Chanceler, mediante pagamento,

60 Tudo conforme MELLO, Patrícia Perrone Campos. Precedentes, pág. 13 e ss. 61 O Chanceler era um dos principais colaboradores do rei.

sem um exame prévio aprofundado, atraindo, assim, um maior número de litígios para as jurisdições reais. Neste contexto tentam os senhores feudais evitar a expansão dos Tribunais Reais, culminando com a elaboração do Statue of Westminster II (1285), que impede o Chanceler de criar novos writs, mas o permite a passá-los em casos semelhantes. Desde então o direito inglês tem como base a lista de writs. Até mesmo na atualidade a busca do writ adequado ao caso concreto se faz necessária.62

Neste contexto, as decisões judiciárias dos Tribunais de Westminster foram sendo catalogadas nos Years Books. Já no século XVI tais compilações eram impressas e passaram a constituir os chamados Law Reports¸ que são os documentos mais importantes dos juízes e advogados na Inglaterra a nortear a aplicação dos precedentes.63

A compreensão de que a common law foi desenvolvida pelos Tribunais Reais, sem um corpo significativo de normas abstratas de direito material, é relevante para entendermos a emergência da jurisprudência como foco irradiador de normas jurídicas de direto material no direito inglês. Assim, após a solução de um caso concreto, os Tribunais Reais passaram a adotar uma técnica indutiva peculiar, qual seja a construção de normas gerais e abstratas a partir da enunciação de normas individuais e concretas. Desta forma, desenvolveu-se o chamado stare decisis onde os juízes são obrigados a aplicar as normas construídas por suas cortes superiores, mediante o processo indutivo acima indicado. Com o passar do tempo, é interessante notar que este sistema ganhou tamanha força na Inglaterra que acabou por impor a obediência aos precedentes às próprias cortes que o haviam

62 Conforme GILISSEN, John. Introdução histórica ao direito, pág. 210. 63 Idem, pág. 211.

enunciado (auto-vinculação), engessando-as de certa forma por um lado, mas conferindo certeza ao direito por outro. Somente em 1966 é que o mais alto tribunal britânico, a Câmara dos Lordes (House of Lords64), atenuou esta regra e permitiu àquela corte a modificação e a revogação de seus precedentes.65

Neste contexto, na gênese da common law, parece ser diminuta a importância conferida à Dogmática. Trata-se de um direito eminentemente prático, o qual, a rigor, os juristas não eram formados pelas Universidades. Um direito de juízes e não de professores. Mesmo assim, não podemos nos esquecer de importantes doutrinadores ingleses como Bracton, Sir Edward Coke e Sir Willian Blacstone, autores de obras valiosas, sobre princípios de ordem geral nas quais comentam as decisões judiciais. Ademais, pouco a pouco, com a supressão do formalismo excessivo, a partir do século XIX, o papel da Ciência do Direito no sistema jurídico inglês vem se ampliando e ganhando novas funções, principalmente na formação dos juristas.66

Diante do exposto, somos levados a crer que na common law a comunicação estabelecida entre a Dogmática Jurídica e os aplicadores do direito não parece ter a mesma força e importância que encontramos na civil law. No entanto, não podemos subestimá-la. Como bem demonstrado por José Rogério Cruz e Tucci, antes mesmo da consolidação da regra do efeito vinculante aos precedentes, encontramos, na obra de Henrique de Bracton, uma notória preocupação com o problema dos julgados contraditórios, que poderia colocar

64 Recentemente, em 2005, por influência da Comunidade Européia, foi aprovada a Constitucional Reform

Act, onde foi criada uma nova Corte Suprema.

65 MELLO, Patrícia Perrone Campos. Precedentes, pág. 20 e ss.

em perigo a questão da certeza do direito.67 Ademais, ainda segundo o autor, a moderna teoria do stare decisis foi inicialmente cogitada na obra de um dos maiores juristas ingleses de todos os tempos, Sir Baron Parke J..68

Com a revolução gloriosa temos o fim da prevalência da autoridade real e a afirmação da supremacia do Parlamento. Este, após uma fase aristocrática, tornou-se democrático, mediante a transferência do poder à Câmara dos Comuns e a ampliação do sufrágio, em 1832. Tais fatos passaram a legitimar o desenvolvimento do direito através das leis. Ademais, o advento do Estado de bem-estar social fomentou o desenvolvimento de uma ampla legislação capaz de implantar uma série de rápidas mudanças sociais. Por último, temos a entrada da Inglaterra na Comunidade Européia forçando-a a adotar uma série de leis, principalmente no tocante aos direitos humanos (Human Rights Act, 1998) e ao estabelecimento de uma Suprema Corte independente do Parlamento (Constitucional Reform Act, 2005).69

Em suma, na Inglaterra, o stare decisis se impõe. Contudo, nos últimos anos, principalmente durante os séculos XIX e XX, observamos uma explosão legislativa naquele país, aproximando-o, de certa forma, do direito exercido na civil Law. Ademais, o seu ingresso na Comunidade Européia, que é basicamente formada por países de base romanista, também é um importante ingrediente na aproximação do direito inglês das estruturas típicas da civil Law.

67 TUCCI, José Rogério Cruz e. Precedente judicial como fonte do direito, pág. 153. 68 Idem, pág. 160.

Benzer Belgeler