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BEEN ANALYZED IN THE CEMENTED HIP PROSTHESIS OPERATIONS THAT IN OLD PATIENTS

Depois da implementação do IRBr, o ingresso à carreira começou a ocorrer por meio de duas metodologias diferentes, alternadas sem padrão e sem critério aparente, ao longo dos anos: aprovação em concurso público direto (criado diretamente pelo IRBr) e seleção dos candidatos aprovados no “Curso de Preparação à Carreira de Diplomata” (CPCD), oferecidos pelo IRBr, cuja entrada se dava por meio de exame vestibular, também a cargo do IRBr. No mesmo decreto de 1946, foi criado também sob responsabilidade do IRBr o “Curso de Aperfeiçoamento de Diplomatas” (CAD), inicialmente obrigatórios aos diplomatas que almejassem a primeira remoção para o exterior e consequente promoção. Em 1946, portanto, foi admitida a primeira turma de novos agentes do campo selecionados com base nessas novas regras. Auxiliares que já haviam sido contratados em consulados e embaixadas antes da criação do IRBr retornaram ao país para fazerem os exames finais do CPCD. Se aprovados, não precisariam passar pelo curso em si e já ingressariam na carreira. Foram criados também no IRBr os “Cursos Especiais” (CE) e os “Cursos de Extensão” (CEx). Os primeiros tinham por finalidade “o aperfeiçoamento e a especialização de funcionários do Itamaraty, não integrantes da carreira de Diplomata” (CASTRO, 2009, p. 409), e os segundos destinavam-se ao “aperfeiçoamento cultural de pessoas pertencentes ou não aos quadros do Ministério das Relações Exteriores” (Op. cit.). O IRBr, então, estabelecia-se como instituição de referência de inculcação de novos e antigos agentes do campo dos diplomatas. A partir de 1946, para se tornar diplomata, o pleiteante precisava: ser brasileiro nato (do sexo masculino); se casado, a cônjuge deveria ser pessoa de nacionalidade brasileira; ter no mínimo 20 e no máximo 35 anos de idade; ter certificado de aprovação no “Curso de Preparação à Carreira de Diplomata” do IRBr; provar quitação com as obrigações militares; apresentar atestado de idoneidade moral, constante de folha corrida ou de cinco cartas de referências de antigos professores, chefes ou empregadores, com firmas reconhecidas; apresentar atestado de vacinação

antivariólica, apresentar prova de sanidade e capacidade física e formulário de investigação social (Op. cit.).33

Em 1948, entrou em vigor o segundo regimento do IRBr, que consolidava a instituição como sendo de controle hegemônico dos agentes do campo dos diplomatas. Esse segundo regimento completou o primeiro no quesito de sua estruturação administrativa. Depois desse regimento, o IRBr ficou organizado com uma direção, uma secretaria e três seções: Administração, Técnico-pedagógica, Pesquisa e Publicações. O cargo de diretor do IRBr deveria ser nomeado pela Presidência da República, com prévia indicação do Ministro de Estado e deveria ser um diplomata de carreira. A secretaria e a seção de administração teriam uma chefia necessariamente de diplomata, a primeira indicada pelo Ministro e a segunda pelo Diretor do IRBr. A seção de Pesquisa e Publicações deveria ter um diretor preferencialmente diplomata, e a seção Técnico-pedagógica deveria ter direção de especialista contratado. Ambas seções também teriam suas chefias indicadas pelo Diretor do IRBr. Nesse regimento foram definidas todas as atribuições da direção e chefia do IRBr, uma delas era a publicação do relatório anual de atividades do IRBr. Como característica da carreira diplomática, esse regulamento era muito explícito quanto à subordinação à hierarquia do campo das ações dos diplomatas ligados ao IRBr, principalmente no que se refere a publicações e emissão de opiniões públicas.

No que se refere à relação do campo com o campo político fora do âmbito do IRBr, é importante pontuar que em 1959 foi criado o Serviço de Relações com o Congresso, que, hoje, é a Secretaria de Assuntos Legislativos. Um braço do Itamaraty no Congresso Nacional, assessorando legisladores em viagens e assuntos relacionados à política externa, assim como aproximando os diplomatas das comissões internas do congresso referentes à política externa. Esse órgão tem seus membros nomeados pelo Ministro e só podem ocupar seus cargos diplomatas de carreira. Em 1960, foi criado no IRBr, o Curso de Altos Estudos (CAE), o qual, mais tarde, se tornaria quesito obrigatório para diplomatas conseguirem a ascensão máxima na carreira, o status de embaixadores. Entretanto, o CAE só viria a ser implementado em 1977 quando da criação da carreira de Conselheiro, com intermediária entre as carreiras de secretários e ministros, formando, então, a atual configuração dos cargos que compõem a carreira dos diplomatas.

Em 1961, foi implementada o que ficou conhecida como uma das maiores reformas administrativas no Ministério. Essa reforma foi elaborada por comissões internas ao

33 Em 1954, foi readmitida a possibilidade de mulheres pleitearem a entrada na carreira. Em 1959, os candidatos casados com estrangeiros passaram a ser admitidos mediante a autorização do Ministério.

Ministério desde 1951 e teve seu relatório final pronto em 1953. Exemplo empírico de imbricação do campo dos diplomatas com o campo político é o fato de que essa reforma só não foi implementada antes de 1961, em função das sucessivas crises vividas no campo político do país, as que levaram ao suicídio de Vargas (1954) e período posterior: “Nessa conturbada fase da vida política da nação, e de mutações na alta administração do país, não poderia haver atmosfera propícia para que prosperasse a tão esperada Reforma do Itamaraty” (Op. cit., p. 457).34

O objetivo dessa reforma era adaptar o Ministério às rápidas mudanças que estavam acontecendo na organização política brasileira e mundial do período pós-Segunda Guerra Mundial. Essa grande reforma administrativa é comparada apenas a outro processo parecido de organização administrativa que o serviço diplomático brasileiro havia passado há então um século, nas primeiras regulamentações administrativas de 1851-1852 (CASTRO, 2009, p. 451-52). O relatório apresentado em 1953 foi a base de várias medidas administrativas adotadas ao longo dos anos que se seguiram, porém o caráter de reforma foi adotado apenas em 1961, com o fim das atividades do “grupo de trabalho da reforma”, comissão montada para essa finalidade. No relatório dessa reforma, quanto ao assunto principal deste pesquisa, estava presente a recomendação de “formação, valorização e melhor recrutamento do diplomata” (Op. cit., p. 454). Com isso, o IRBr se organizou com os seus cinco cursos: CPCD, CAD, CAE, CE, CEx. O acesso ao campo continuou a ser feito por responsabilidade do Instituto e as nomeações de ministro e embaixadores continuaram a ser feitas pela Presidência de República. Nessa reforma também foram criados os cargos de Oficial e Auxiliar de Chancelaria, que ficaram regulados “pelo Estatuto dos Funcionários Civis da União, leis complementares e, subsidiariamente, pelas disposições do Regulamento aplicável à carreira de Diplomata” (Op. cit., p. 476), ou seja, são funcionários do MRE, mas que não fazem parte da carreira institucional da diplomacia.

Em 1975, já em período de ditadura militar, foi elaborado um novo regulamento para o IRBr. Como descrito por Cheibub (1985, 1989) e Lima (2015), a ditadura militar aumentou o protagonismo dos diplomatas na atuação do campo do poder e no campo político, dada a proximidade histórica dos diplomatas com os militares. O novo regulamento do IRBr aumentou o já grande controle do campo dos diplomatas sobre esta que se consolidava cada vez mais como a principal instituição de recrutamento e formação de diplomatas: definiu-se que o Ministro das Relações Exteriores teria a competência de aprovar os novos regimentos

34 A reforma virou lei apenas dois meses antes da renúncia de Jânio Quadros, evento que desencadearia outra sucessão de crises no campo político do país.

do Instituto, não necessitando mais passar pela aprovação da Presidência da República. A partir de então, as novas regras ao IRBr que viessem a ser estabelecidas seriam determinadas via portarias ministeriais. No novo regulamento, vale destacar que ficou estabelecido também que os candidatos à carreira diplomática que fossem aprovados nas primeiras fases do exame de entrada deveriam passar por “exames de sanidade e capacidade física e psíquica, avaliação de costumes e conceito corrente” (Op. cit., p. 605) antes de fazerem as provas finais. No mesmo ano, o ministério da educação reconheceu o CPCD como curso de graduação em nível superior, atribuindo ao IRBr o status de estabelecimento de ensino superior.

Em 1976, o IRBr se mudou do Rio de Janeiro para Brasília. Seis anos antes, os diplomatas como um todo já haviam sido alocados na nova capital federal, neste que foi um dos fatos marcantes para o campo dos diplomatas. Nas palavras de Moura (2007):

“Os diplomatas brasileiros deixaram suas casas no Rio de Janeiro, onde tinham relações, parentes, amigos e uma agenda cheia de festas, jantares, idas ao teatro e cinema com membros da ‘elite’ carioca, para morar em Brasília, todos na mesma quadra, longe de seus parentes e amigos de fora da carreira e sem restaurantes, cinemas, teatros ou mesmo uma elite estabelecida. Mais do que isso, o MRE fora retirado de sua casa, o Palácio do Itamaraty, que havia sediado desde 1899. Esse palácio, famoso por suas grandes festas havia ficado conhecido como a ‘Casa de Rio Branco’.” (p. 21-22).

Essa perda de referência territorial – entendendo “território” como a materialização do poder simbólico dos agentes no espaço social35 – para o campo procurou ser suprida com elementos que forjassem a tradição do Itamaraty na nova infraestrutura criada em Brasília. Como já mencionado, Moura (2007) descreve que esse movimento levou a criação de uma série símbolos e ritos que colaboraram para que o campo mantivesse e reforçasse sua identidade em um novo território, um espaço diferente ao qual esteve ligado desde a sua formação. Em sua obra, a autora faz uma descrição etnográfica do Dia do Diplomata, criado no ano em que o Itamaraty se mudou para Brasília, 1970, e comemorado todos os anos desde então, na data de aniversário de nascimento do Barão de Rio Branco. Trata-se, hoje, da mais importante solenidade dos diplomatas, dia da formatura das turmas do IRBr, quando são entregues prêmios e medalhas, sempre com a participação da Presidência da República, repleto de discursos que compõem o imaginário da “tradição da Casa”: “O Dia do Diplomata de 1970 transformou mudança em continuidade, um grande ‘evento cívico’ em uma ‘tradição’, ao mesmo tempo constituindo o que, hoje, é chamado de Palácio Itamaraty e

casa de Rio Branco como símbolos da unidade, identidade e posição privilegiada do corpo diplomático brasileiro” (MOURA, 2007, p. 22).

Esta mudança de território foi acompanhada de uma série de alterações na organização institucional do campo. No que se refere às regras de seleção de novos agentes, aconteceu progressivamente à ampliação do número de cidades espalhadas no país onde eram aplicadas as primeiras etapas do processo seletivo. Com isso, o número de candidatos inscritos no processo aumentou de uma média de 218 candidatos, entre 1970 e 1975, para quase 1.000, em 1979, quando as provas eram feitas em dez cidades, além de Brasília. Mais adiante veremos que essa mudança espacial do campo dos diplomatas significou um importante elemento de variação de perfil do agente do campo. Essa variação está ligada também a outros elementos de mudança do processo seletivo.

Benzer Belgeler