A Política determina que os órgãos e entidades do Ministério da Saúde, relacionados à temática do idoso, promovam a elaboração ou a readequação de planos, projetos e atividades em conformidade com as seguintes diretrizes e responsabilidades:
I. Promoção do envelhecimento ativo e saudável. II. Atenção integral e integrada à saúde da pessoa idosa. III. Estímulo às ações intersetoriais, visando à integralidade da atenção. IV. A implantação de serviços de atenção domiciliar. V. O acolhimento preferencial em unidades de saúde, respeitando o critério de risco. VI. Provimento de recursos capazes de assegurar qualidade da atenção à saúde da pessoa idosa. VII. Fortalecimento da particiapção social. VIII. Formação e educação permanenete dos profissionais de saúde do SUS na área de saúde da pessoa idosa. IX. Divulgação e informação sobre a Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa para profissionais de saúde, gestores e usuários do SUS. X. Promoção de cooperação nacional e internacional das experiências na atenção à saúde da pessoa idosa. XI. Apoio ao desenvolvimento de estudos e pesquisas (Brasil, 2006c: 21-22).
Considerando que a organização da rede do SUS é fundamental para que as diretrizes dessa Política sejam plenamente alcançadas, cabe destacar o compromisso brasileiro com a “Assembleia Mundial para o Envelhecimento de 2002” (ONU, 2002), o qual se fundamenta em prover: (1) participação ativa dos idosos na sociedade, no desenvolvimento e na luta contra a pobreza; (2) fomento à saúde e bem-estar na velhice: promoção do envelhecimento saudável; (3) criação de entornos propícios e favoráveis ao envelhecimento; (4) recursos socioeducativos e de saúde direcionados ao atendimento ao idoso.
85 Os termos “capacidade funcional”, “Atividades da Vida Diária”, “dependência” e “fragilidade” serão adiante
apresentados: Sétimo Capítulo, página 200.
86 Uma de suas funções é orientar a população idosa residente no município sobre seus direitos, de forma abrangente,
nas áreas de Habitação, Saúde, Transporte, Trabalho, Assistência Social, Segurança, Lazer, Educação e Cultura (Brasil, 1988).
Em 2002 foram propostas a organização e a implantação de Redes Estaduais de Assistência à Saúde do Idoso (Portaria nº 702/SAS/MS, de 2002), tendo como base as condições de gestão e a divisão de responsabilidades definida pela NOAS 01/2002. Como parte da operacionalização dessas redes, são instituídas as normas para cadastramento de Centros de Referência em Atenção à Saúde do Idoso (Portaria nº 249/SAS/MS, de 2002) e as seguintes estratégias:
(1) Implantação da Caderneta de Saúde da Pessoa Idosa. (2) Edição e distribuição do Caderno de Atenção Básica – Envelhecimento e Saúde da Pessoa Idosa, no 19. (3) Realização do Curso de Educação a Distância em Envelhecimento e Saúde da Pessoa Idosa – EAD. (4) Elaboração do Plano Integrado de Ações de Proteção à Pessoa Idosa SUAS-SUS. (5) Edição e distribuição do Guia Prático do Cuidador. (6) Criação e implantação do Programa Nacional de Formação de Cuidadores de Idosos Dependentes na Rede de Escolas Técnicas do SUS (RET-SUS). (7) Publicação da portaria sobre Prevenção e Cuidado à Osteoporose e Quedas (Portaria no 3.213/GM de 20 de dezembro de 2007). (8) Ampliação do acesso à consulta no Programa Olhar Brasil (Portaria no 33/SAS de 23 de janeiro de 2008). (9) Fomento à Pesquisa na Área de Envelhecimento de Saúde da Pessoa Idosa. (10) Implementação do Programa de Internação Domiciliar (Portaria no 2.529/GM de 19 de outubro de 2006). (11) Fomento ao acesso e uso racional de medicamentos (Brasil, 2010: 33-38).
Em 2003, o Congresso Nacional aprova e o presidente da República sanciona o Estatuto do Idoso, que serve como instrumento que expressa e apoia a conquista dos direitos do segmento idoso, elaborado com intensa participação do segmento e de entidades privadas ou de interesse público. Do Estatuto, destacamos o Capítulo IV, que reza especificamente sobre o papel do SUS, ampliando a resposta do Estado e da sociedade às necessidades da população idosa.
Art. 15. É assegurada a atenção integral à saúde do idoso, por intermédio do Sistema Único de Saúde – SUS, garantindo-lhe o acesso universal e igualitário, em conjunto articulado e contínuo das ações e serviços, para a prevenção, promoção, proteção e recuperação da saúde, incluindo a atenção especial às doenças que afetam preferencialmente os idosos (Brasil, 2003: 05).
Seguiremos apresentando documentos que contemplam as estratégias para a operacionalização das redes de atenção à saúde do idoso, uma série de ações que visam, em última instância, prover as diretrizes da PNSI e responder às demandas do segmento. Descreveremos resumidamente, a princípio, os
conteúdos editados pela OMS, em 2005, na Política de Saúde “Envelhecimento Ativo”; em seguida, os subsídios técnicos elencados no “Caderno de Atenção Básica – 19: Envelhecimento e Saúde da Pessoa Idosa” (Brasil, 2007) e, por fim, a Política Nacional de Humanização (PNH), proposta do Ministério da Saúde que, dentre os incentivos, prioriza educação permanente de todos os atores e sujeitos que participam na produção da saúde (Brasil, 2007).
4. “Envelhecimento Ativo”: política de saúde mundial
A Organização Mundial da Saúde adotou o termo “envelhecimento ativo” para expressar “o processo de otimização das oportunidades de saúde... à medida que as pessoas ficam mais velhas” (OMS, 2005: 13), e definiu que durante o curso de vida (trajetória de vida), é fundamental garantir o acesso à saúde, à participação, à informação e à segurança para melhorar a qualidade de vida da população, especialmente dos mais velhos (OMS, 2008).
O envelhecimento ativo aplica-se tanto a indivíduos quanto a grupos populacionais. Permite que as pessoas percebam o seu potencial para o bem-estar físico, social e mental ao longo do curso da vida, e que essas pessoas participem da sociedade de acordo com suas necessidades, desejos e capacidades; ao mesmo tempo, propicia proteção, segurança e cuidados adequados, quando necessários. A palavra “ativo” refere-se à participação contínua nas questões sociais, econômicas, culturais, espirituais e civis, e não somente à capacidade de estar fisicamente ativo ou de fazer parte da força de trabalho (OMS, 2005: 13).
Essa política de saúde depende de uma diversidade de ações centradas em distintos condicionantes sociais que determinam se indivíduos, famílias e países estão em processo de envelhecimento ativo.