2. ASCE/SEI 41-13 'e GÖRE BİNALARIN DEPREM
2.2 Analiz Yöntemleri
N o. BISPOS
01 JOÃO BAPTISTA PRZYKLENK 213-14
02 JAIME DE BARROS CÂMARA 237-38
3 VICENTE MARCHETTI ZIONI 259
04 HELDER CAMARA – QUORUNDUM PATRUM PETITIO (HELDER + 13) 294-98
05 HELDER... QUORUNDUM PATRUM VOTUM (HELDER + 9) 298-99
06 VICENTE MARCHETTI ZIONI (resposta a Felici) e nota 2 300-01
07 PETITIO QUORUNDUM PATRUM – D’ELBOUX (+ 9 BISPOS DO PARANÁ) 333
08 ZACARIAS ROLIM DE MOURA – DIÁCONOS? 355
09 JAIME DE BARROS CÂMARA – prioridade para interventos coletivos 398
468Sobre estas intervenções por escrito, uma nota esclarece que ficaram perdidas nos arquivos das comissões conciliares e foram posteriormente recolhidas e publicadas no APPENDIX às AS: «Animadversiones, quae sequuntur, in archivis Commissionum conciliarium inventae sunt postquam ceterae iam in Acta Synodalia... editae fuerant ideoloque illis addendae sunt, sicut in notis signatur. Disponuntur juxta ordinem disceptationis et approbationis schematum». AS, Appendix, 353.
469Inácio Krause, da Congregação da Missão, nascido em Mielno na Polônia (09-06-1896), Bispo de Shunteh, Hsing-Tai, na China, consagrado (13-04-1944), expulso (11-04-1946) e residindo no Brasil, em Curitiba, Paraná.
470Nas Atas da Secretaria Geral do Concílio encontra se um material díspar: tanto votos, petições relativos ao encaminhamento prático de alguma questão, como troca de cartas entre algum padre conciliar e a Secretaria Geral.
O primeiro bispo brasileiro a tomar a palavra na Aula Conciliar, para um brevíssima observação, é Dom Manoel Pereira da Costa, bispo de Campina Grande, durante a III Congregação Geral, quando se discutia o texto da Mensagem ao Mundo471, por
parte do Concílio472.
A primeira intervenção coletiva no Concílio é obra de um bispo brasileiro, Dom Clemente Isnard OSB de Nova Friburgo, na VII Congregação Geral de 26 de outubro de 1962 (AS I/1, 489-90), 15 dias depois de iniciado o Concílio, mas apenas no quarto dia das discussões consagradas ao esquema da Liturgia, cujo debate fora iniciado na IV Congregação Geral do dia 22 de outubro473. As anteriores congregações gerais haviam
sido ocupadas pelas eleições para as Comissões Conciliares e para a elaboração e votação da “Mensagem ao Mundo”. O intervento de Isnard foi subscrito por outros 30 bispos brasileiros e aborda, entre outros, o tema, até então bastante tabu nos meios romanos, da língua vulgar na liturgia474. O prisma sob o qual Isnard desenvolve sua argumentação tornar-se-á uma das marcas registradas da orientação conciliar do episcopado brasileiro, a do bem pastoral do povo, de modo particular o dos mais simples: “Omnis catechesis in lingua tradi debet captui populi accomodata. Ante-missa vocatur Missa catechumenorum, proinde est vera et traditionalis catechesis constans orationibus, canticis et lectionibus. Ergo ante-missa celebrari debet in lingua populo adstanti cognita, quod plerique est lingua vulgaris. Nolumus aliis imponere usum linguae vulgaris in Missa. Qui voluerit linguam
471O texto publicado nas AS, I/1, encontra-se reproduzido em português: KLOP II, 313-315. 472 AS I/1, 244.
473A preocupação para que o Concílio privilegiasse as intervenções colegiadas foi apresentada ao Conselho de Presidência do Concílio por Dom Jaime de Barros Câmara, ainda durante o primeiro período conciliar, sob a forma de petição, em nome de muitos bispos brasileiros, pedindo que as coletivas precedessem as individuais: «Petitio ad Concilium Praesidentiae Concilii Vaticani II: Eo fine ut praeferentia Praesidentiae Concilii pro manifestationibus collectivis, seu unius episcopi nomine plurium, iterum exprimatur, plures episcopi ex Brasilia desiderium suum patefaciunt ut in unaquaque Congregatione Generali, emimentinissimi Cardinalibus exceptis, prius loquantur Patres Conciliares qui nomine plurium observationes facere volunt et postea ii qui solummodo nomine proprio sermonem facere intendunt.» AS VI – Acta Secretariae Generalis Pars I, Periodus I, 398
474O intento persistente da Cúria Romana, de se eliminar da discussão conciliar o tema do latim, teve como manobra mais espetacular a publicação por João XXIII, em 22 de fevereiro de 1962 da Veterum Sapientia (Oss. Rom. 24-021962 – tradução portuguesa na Revista da CRB, Ano VIII, No. 83, pp. 257-262. Ali se afirmava: «Não só universal, mas também imutável deve ser a língua usada pela Igreja, pois, se as verdades da Igreja Católica fossem confiadas a algumas ou a muitas línguas modernas, nenhuma das quais tivesse mais autoridade que as outras, de certo aconteceria que, variadas como são, a muitos não ficaria patente com suficiente precisão e clareza o sentido dessas verdades e, doutro lado, não haveria nenhuma língua que pudesse servir de norma comum e constante, sobre a qual regulasse o sentido exato das outras línguas. [...] Dado pois que a igreja Católica, porque fundada pelo Cristo Senhor, supera em dignidade todas as sociedades humanas, é justo que ela se sirva não de uma língua não vulgar, mas repleta de nobreza e majestade». Revista da CRB, art. cit. pp. 258-259. Sobre os debates na Aula Conciliar acerca do uso do latim ou do vernáculo na liturgia, veja, ALBERIGO, História II, pp. 120-127.
latinam semper et in omnibus servare, etiam forsitan contra logicam et rationes pastorales, eam servare poterit.
Desideramus, uti pastores animarum, consulere bono spirituali nostrarum ovium. Enixe rogamus ut nobis viam apertam relinquant”475.
Na Congregação seguinte, a VIII de 27 de outubro, nova intervenção coletiva, a segunda do Concílio, de Luiz Gonzaga da Cunha Marelim, bispo de Caxias no Maranhão, subscrita por outros quatro bispos brasileiros476.
Durante o I Período, uma única vez, um bispo brasileiro, o Abade Nullius do Rio de Janeiro, Martinho Michler OSB, que de fato era alemão de nascimento, assina intervenção de outro bispo estrangeiro, a de Benno Gut OSB, suíço, abade geral da Congregação Beneditina.
João XXIII exprimiu várias vezes o firme propósito de assegurar a mais ampla e irrestrita liberdade de expressão por parte dos padres conciliares, aos quais entregava o destino do Concílio, para que “o trabalho comum corresponda às esperanças e necessidades dos vários povos”. Ante a multiplicação porém de intervenções individuais, por vezes repisando tópicos já amplamente tratados por outros padres conciliares, o episcopado brasileiro foi dos primeiros a se manifestar, secundando a preferência do Conselho de Presidência, e pedindo prioridade das intervenções coletivas sobre as individuais, salvaguardado o direito de os Cardeais intervirem, por primeiro, em nome próprio ou de muitos477.
Assinalo aqui que o índice geral onomástico do Concílio contém por vezes, falhas como, por exemplo, a de oito nomes de bispos brasileiros que assinam a intervenção de Francisco Austregésilo de Mesquita Filho, bispo de Afogados da Ingazeira, consignada por escrito (AS I/2, 203)478 e cujos nomes não constam do índice final. Igualmente na
intervenção consignada por escrito por Dom Clemente Isnard (AS I/2, 238-40), aparece
475AS I/1, 489. 476AS I/1, 496-97.
477«Eo fine ut praeferentia Presidentiae Concilii pro manifestationibus collectivis, seu unius episcopi nomine plurium, iterum exprimatur, plures episcopi ex Brasilia desiderium suum patefaciunt ut in unaquaque Congregatione Generali, eminentissimis Cardinalibus exceptis, prius loquantur Patres Conciliares qui nomine plurium observaciones facere volunt (itálico no texto) et postea ii qui solummodo nomine proprio sermonem facere intendunt». CÂMARA Jaime de Barros, cardeal arcebispo do Rio de Janeiro: ao Conselho de Presidência do Vaticano II (sem data, mas arrolada na documentação da Secretaria Geral do I período conciliar) – AS V, 1, 398.
478Os bispos que assinaram foram: Walmor Battú Wichrowski, VT Felbes; Emmanuel, ep. Campinensis Grandis; David, ep. S. Ionnis in «Brasilia; Manuel Taveres (sic, no lugar de Tavares), bispo de Caicó; Gentilis, ep. Mossorensis; Clemens Ioseph Carolus Isnard O.S.B.; ep. Neo-Friburgensis; Iosephus, ep. Garanhunensis; Jorge mrcos, ep. S. Andreae.
apenas o nome de Dom Luiz Gonzaga Marelim que subscreve o parágrafo final da intervenção, mas são omitidos 20 outros nomes, incluindo o de Marelim479, que subscrevem o conjunto da intervenção, anterior ao parágrafo final. Cochilos de revisão, mesmo num trabalho tão acurado e preciso como o das Atas Conciliares, confirmam a velha expressão latina de Horácio, o mais primoroso cultor da língua latina, e por isso mesmo apelidado de “Sublime” que se indignava ao descobrir deslizes no próprio Homero. Desculpa-o, porém, dizendo, que num poema tão grande, como a Ilíada, tinha o grande Homero direito a cometer algum cochilo: Quandoque bonus dormitat Homerus480.
Em outros ocasiões, repete-se a omissão ou há confusão entre nomes. A principal causa da confusão é o uso cambiante dos nomes dos bispos, grafados sucessivamente em português, latim, italiano e, no caso de bispo estrangeiros no Brasil, ainda em suas línguas natais: alemão, holandês, francês, italiano, inglês etc. Deve estar ainda por detrás, o laborioso e por vezes insano trabalho de se decifrar as assinaturas de mais de três mil padres conciliares, provindos de quase todos os países e línguas, onde facilmente um “o”, se transforma em “e” ou “u” ou ainda uma vogal é acrescentada ou suprimida. É freqüente a oscilação entre “Manoel” e “Manuel”; “Diego” ou “Diogo”; “Gouveia” e “Gouvêa” e, assim por diante! Nada que facilite o trabalho do pesquisador!
No primeiro período, da parte dos padres brasileiros, houve 20 intervenções orais (2 das quais coletivas) e 31 escritas (8 das quais coletivas), num total de 51 intervenções, 10 das quais, ou seja, 19,62 % coletivas.
A estas, devem ser acrescentadas outras 9 depositadas na Secretaria Geral do Concílio e recolhidas nas Atas desta Secretaria. Destas, 3 são coletivas e as restantes individuais.
Deve-se incluir ainda troca de correspondência, como por exemplo, entre Dom Vicente Marchetti Zioni481, na época, bispo auxiliar de São Paulo, eleito para a
479Os nomes omitidos são: Fr. Henricus G. Trindade, of m, arch. Botucatú; Aloysius Philippus, [ep.] Urugunianensis; Avelar [Brandão Vilela], arch. Teresianus; Iosephus Thurler, ep. tit. Capitoliensis; Iosephus Vincentius Távora [arch. Aracajuensis]; Walmor Battù Wichrowski, VT Felbes; Antonius Baptista Fragoso; Ionnes de Souza Lima, AR Manaus; Augustus Petrò, VR Vaccariae; Alfonsus Maria, VT Azurensis; David [Picão], ep. S. Ioannis [São João da Boa Vista, SP]; Aloysius Philippus, Urugunianensis (o nome está repetido no texto); Emmanuel Pereira, ep. Campinensis Grandis; Carolus [Coelho], arc. Olindensis et Recifensis; Gentil [Diniz Barreto], bispo de Morroró; Manuel Traveres (Tavares), bispo de Caicó; Franciscus [Austregésilo de Mesquita Filho] , ep. Afogadensis; Mons. Iosephus Nicomedes Grossi, ep. Speleopolitanus a Bono Jesu (Bom Jesus da Lapa – BA); Iosephus [Adelino Dantas], ep. Garanhunensis.
480« De vez em quando, até o bom do Homero cochila!»
481 Carta de Vicente Marchetti Zioni, bispo auxiliar de São Paulo, a Pericle Felici, Secretário Geral do Concílio. São Paulo, 03-11-1962, AS VI/1, 259
Comissão Conciliar dos Seminários e Universidades Católicas, mas ausente do Concílio e o Secretário Geral do Concílio, Péricle Felici482. Zioni indaga como deveria proceder. A correspondência foi atravessada por outra do Cardeal Dom Jaime de Barros Câmara, arcebispo do Rio de Janeiro e presidente da CNBB, pleiteando a substituição de Zioni ausente, pela de Dom Pedro Manuel da Cunha Cintra, bispo de Petrópolis e já em Roma483. Dom Zioni foi mantido na função para a qual fora eleito e anuncia sua ida a
Roma para participar dos trabalhos de sua Comissão484.
Dignas de atenção são duas intervenções assinadas por Dom Helder Camara, que ao longo dos quatro anos, nunca interveio na Aula Conciliar, mas se valia constantemente de outros canais, para apresentar suas propostas. A primeira capitaneada por Mons. C.M. Himmer, era dirigida ao Secretário de Estado, Amleto Cicognani, com expresso pedido de que fosse submetida à apreciação do Papa João XXIII. Estava subscrita ainda por N. Edelby, Manuel Larrain, Alfred Ancel, Iulius Angerhausen, Laurentius Satoshi, Philippe Nguyen-Kim-Dien, Alessandro Olalia, Marcos Mc Grath, Thomas Cooray, Helder Camara, Raphael G. Moralejos, Bernardus Yago, Georgius Mercier. Juntava assim, nomes prestigiosos de bispos da Igreja dos Pobres, falando em nome da Europa, do Oriente Cristão, da África, Ásia, América Latina e do Norte. Citando o próprio Papa, a carta pede que o Concílio desloque seu olhar das questões internas da Igreja (naquele momento acabara-se de discutir na Aula o esquema da Liturgia e se estava no debate sobre as Fontes da Revelação), para os problemas do vasto mundo que aguardava uma palavra da Igreja: “Questi problemi (do mundo) di acutissima gravità stanno da sempre al cuore della Chiesa. Perciò, essa li há fatti oggetto di studio attento, ed il Concilio Ecumenico potrà
482Carta de Pericle Felici (Prot. N. 482 CV/62) a Vicente Marchetti Zioni. Cidade do Vaticano, 22- 11-1962. AS VI/1, 300-301.
483Dom Jaime enaltece os méritos de Dom Pedro Manuel a Cunha Cintra, como o de melhor conhecedor da situação dos seminários do Brasil, por ser seu visitador, e de bom entendedor das Universidades Católicas, por ter fundado a de Petrópolis: «Cum absens sit Excellentissimus Dominus Marchetti Zioni Vincentius, episcopus auxiliaris in S. Paulo (Brasilia) electus ad Commissionem pro Seminariis et Universitatibus, propono ut substitutum Excellentissimum Dominum da Cunha Cintra Emmanuelem Petrum, episcopum Petropolitanum, in Brasilia. Ratio est: Brasilia tot Seminaria et Universitates catholicas habet, et Dominus Cintra est episcopus qui, ut Visitator Seminariorum, melius noscit Seminaria in Brasilia. Insuper ipse in Dioecesi Petropolitana etiam Universitatem habet, ab ipso Exc.mo Domino fundatam». CÂMARA, Dom Jaime, Carta ao Cardeal Amleto Giovanni Cicognani, Secretário de Estado. Roma, 26-10-1962. AS VI/1, 237-238. Em nota de rodapé, está laconicamente consignado: «Exc.mus Marchetti Zioni non fuit substitutus», Ibidem, nota 1.
484 «Per ragioni di necessità diocesane, delle quali a Nunziatura Apostolica in Brasile ne ha avuto anticipata notizia, non ho potuto partecipare al primo periodo conciliare. In questo momento sto esaminando i documenti che la Segreteria mi ha inviati, e prima dal 30 gennaio trasmetterò le mie osservazioni. Ho il piacere di farla sapere che partirò dal Brasile verso na fine di febbraio, per assistere alla seduta della nostra Comissione. Spero trovarLa a Roma nei primi giorni di marzo». Carta de Vicente Marchetti Zioni ao Pe. Mayer, secretário da Comissão dos Seminários, dos Estudos e da Educação Católica. 7-01-1963). AS V/1, 301.
offrire, con chiaro linguaggio, soluzioni, che son postulate dalla dignità dell’uomo e della vocazione cristiana”485. O grupo de bispos resume então esses problemas agudos de hoje em torno a quatro núcleos principais:
os problemas do exercício da justiça e da caridade, tanto pessoal como social, de modo especial em relação aos povos em vias de desenvolvimento;
os problemas da paz e da fraterna união de todos os povos que formam a grande família humana;
a evangelização dos pobres e daqueles que se encontram afastados; as exigências da renovação evangélica nos pastores e fieis da igreja.
Concluem, solicitando a constituição de uma Comissão ou Secretariado especial que se ocupe destas questões, para definir o ministério da Igreja “ad extra”486. Esta
petição está na raiz da formulação do célebre esquema XVII, mais tarde esquema XIII sobre a Igreja no mundo de hoje e que desembocou na Constituição Pastoral Gaudium et Spes, que esteve no coração da luta deste grupo. No pós-concilio, a sugestão de um Secretariado especial deu origem à Pontifícia Comissão Justiça e Paz.
A segunda petição, também com data de 21 de novembro, está encabeçada por Jean Baptiste Zoá, arcebispo de Yaoundé, na República dos Camarões, e assinada por Helder Camara, Petrus Veuillot, Michaël Darius Miranda y Gomez, Angelo Fernandes, P. Ngô-dinh-Thuê, Marco Mc Grath, Emmanuel Larrain, Maurice Baudoux, Thomas Cooray, bispos que gravitavam em torno ao Ecumenico, à Igreja dos Pobres, à CNBB (cujo secretário geral, Helder assina a petição), ao CELAM (cujo presidente Miranda, os dois vice-presidentes, Larrain e Helder e um dos membros, Mc Grath se somam aos demais). Enquanto a anterior moção visava os conteúdos que o Concílio deveria abordar, esta segunda ataca os problemas da agenda e do funcionamento da pesada e ineficiente máquina conciliar e pede:
que os Padres Conciliares tenham em mãos o elenco completo dos esquemas elaborados pelas Comissões preparatórias, acompanhados de um índice dos seus capítulos, para que possam ser devidamente estudados;
que se conheça a ordem dos esquemas a serem abordados na próxima sessão conciliar;
485João XXIII, Ecclesia Christi, Lumen Gentium. 11-09-1962.
486«Quorundum Patrum Petitio»: Carta de Mons. C.M. Himmer (e de 13 outros bispos), endereçada ao Papa João XXIII, por intermédio do Cardeal Secretário de Estado, Amleto Cicognani. Roma, 21-11-1962. AS VI/1, 294-298.
e quanta graça dariam ao Papa, se a tão importante constituição De Ecclesia, fosse a primeira a ser discutida no início da próxima sessão. 487
Observe-se que as duas petições são escritas nos dias de maior efervescência do primeiro período conciliar e na data mesma, 21 de novembro, em que João XXIII interveio no curso do próprio concílio, dando ouvidos ao voto da maioria que pedia que o esquema De fontibus revelationis, fosse retirado da pauta do concílio e inteiramente refundido488.
Helder apôs sua assinatura à muitas das intervenções coletivas do episcopado brasileiro ou latino-americano, às moções inspiradas pelo Ecumênico ou pelo grupo da Igreja dos Pobres, encaminhando por escrito suas observações, ou fazendo chegar diretamente aos moderadores, à Secretaria de Estado ou ao próprio Papa, suas sugestões ou propostas.
Muitas vezes valeu-se do canal da imprensa, para fazer chegar à Aula Conciliar ou mesmo ao Papa suas opiniões sobre o Concílio ou algum tema candente que estivesse na pauta dos trabalhos. Comentando a repercussão de uma sua conferência, dizia:
“Como vêem, para ajudar o Concílio, não preciso falar na Basílica. Ontem, tive pena de Cardijn: foi falar, em latim, dez minutos, foi um desastre. No Vaticano III, será diferente. O latim já terá sido piedosamente enterrado”489.
Uma inconfidência numa de suas cartas, dá conta sobre sua avaliação, custo/benefício, de uma intervenção de dez minutos em latim, na Aula Conciliar e uma entrevista para a imprensa internacional, com tempo mais dilatado, em língua vulgar:
“Ontem, com Francis Mayor (de Informations Catholiques Internationales), estivemos combinando minha ajuda ao Esquema 13: em lugar de intervenção na Basílica, palestra no C.C.C. (o antigo Centro de Informações Holandeses, hoje transformado em Centro de Informações Internacionais); em lugar de 10 minutos em latim, hora e meia de bate-papo, com jornalistas do mundo inteiro...”490.
487«Quorundum Patrum Votum», Carta de Mons. J. Zoá e de outros nove padres conciliares endereçada ao Papa, por intermédio do Cardeal Secretário de Estado de Estado, Amleto Cicognani, Roma, 21-11-1962. AS VI/1298-299.
488Sobre a tensão destes dias, o impasse na Aula Conciliar e a intervenção de João XXIII, cfr. História, II, pp. 235-250.
489HC Circ. IV/11, 20-21/09/1965. 490HC Circ. III/47, 20-21/10/1964.
Numa outra tirada sobre os jornalistas anotava: “Entre as duas sessões da tarde, virá à Domus Mariae, meu amigo Henri Fesquet, redator de Le Monde. Muitos Bispos o temem, por suas “indiscrições”. Conto a ele o que desejo que ele conte ao mundo. Há indiscrições que ajudam o Concílio. Para abrir certas brechas, por vezes, só um furo de imprensa”491.
Mas, há também indiscrições que podem trazer graves dissabores e um preço alto a pagar, como experimentou o próprio dom Helder:
“Há uma outra provação de pobreza que talvez rebente (entreguei o caso aos anjos). No Grupo de Pobreza, contei ao Pe. Paul Gauthier e a Marie Thérèse minha entrevista com o Papa. Ela contou a Henri Fesquet de Le Monde. Fesquet me escreve, dizendo que a conversa era bela demais para ficar oculta e avisa que Le Monde já a estava divulgando.
É evidente que se o jornal cair nas mãos do Papa, adeus confiança em Mgr. Camara... E talvez saia um desmentido...
Tudo aceito, em absoluto espírito de pobreza. Aceito, com alegria, como bela provação pelo Concílio”492.
491 HC Circ. IV/26, 5-6/10/1965. 492 HC Circ. III/17, 27-28/09/1964.
II - INTERVENÇÕES ORAIS NA AULA CONCILIAR OU POR ESCRITO DE