Şimdi Nasıl Bir Sosyal Bilim Kurmalıyız?
2. Analitik Bir Yapı Taşı Olarak Devlet
Com base em Kövecses (2005; 2002), vimos que as metáforas conceptuais convergem ou, como diz Feltes (2007), produzem modelos culturais, que operam no pensamento. Tais estruturas são tanto culturais como cognitivas, e são, também, representações mentais, específicas de aspectos de mundo.
Quanto a esse respeito, Lakoff e Johnson (2002) mostram que, nas e através das metáforas, estão os valores culturais, embora não independentes da sociedade, que formam um sistema coerente com os conceitos metafóricos, que orientam a vida cotidiana. Os autores ainda esclarecem que tais valores apresentam conflitos, pelo fato de haver na sociedade valores diferenciados. Desta feita, esses conflitos são refletidos e refratados na metáfora.
Com base na pesquisa de Feltes (2007), pautada na teoria de D’Andrade (1995), especialista em Modelos Culturais Humanos, pudemos compreender que um Modelo, em sociedade, consiste em um conjunto de elementos que se ajustam para representar algo. Para esse pensamento, todo esquema de base cognitiva serve como um modelo cultural, mesmo que simplificado, no sentido de representar algum objetivo, ou um evento; e uma das propriedades desse esquema é organizar esse evento de modo abstrato, a partir da experiência.
Diante disso, a mesma Feltes nos mostra como Quinn (1997, p.4) define os Modelos Culturais:
[...] são pressupostos modelos de mundo aceitos que são amplamente compartilhados (embora não necessariamente com a exclusão de outros modelos alternativos) pelos membros de uma sociedade e que desempenham um papel enorme em seu entendimento do mundo e seus comportamentos nele.
Pensando lakoffianamente, entendemos que tais modelos são utilizados para realizar atividades cognitivas diversas. Conforme tais definições quinniana, explica Feltes (2007) que se trata de esquemas cognitivos culturalmente formados, que têm forma motivacional, com objetivos conscientes e inconscientes; são apre(e)ndidos como padrões internalizados à luz da cultura e da subcultura, considerando também padrões de pensamentos e sentimentos, mediados a partir da interpretação da experiência vívida, e da reconstrução de memórias.
Diante desse exposto, é mister colocar a questão: como linguísticas de base
cognitiva e antropólogos pensam a questão desses modelos? Iniciemos uma
resposta colocando a ideia de que as implicações desses modelos, para os linguistas, focam a busca do fenômeno da significação/sentido, a partir da metáfora, da polissemia, da lexia entre outros fenômenos linguísticos.
Nesse sentido, avaliemos as considerações de Alves (1998, p.123), como linguista, de base funcionalista e cognitivista, que se preocupou com tais modelos, só que, para sua interpretação, diante de seu objeto de estudo, utilizou-se das Construções Lexicais Complexas - CLCs. Para tanto, interfaceou-as com o pensamento da Representação Social, aplicando-o em seu corpus. Nesse sentido, vemos que os modelos culturais têm a chave para compreender o uso linguístico e as expressões linguísticas que suscitam a construção metafórica no evento de comunicação.
Pela visão dos antropologistas, pensamos que vai de encontro aos procedimentos de análises de base Linguística, uma vez que esses antropólogos refletem tais modelos avaliando em direção a um pensamento mais antropológico, por exemplo, enfocando mais a cultura e seu papel, como uma tarefa não-linguística, e avaliando o comportamento humano social e respectivos valores com base na cultura pela Cultura em si.
Quanto a nossa postura, de base cognitiva experiencialista, diante da pesquisa em crônicas de jornais impressos, documentos vivos da história de uma gente de uma comunidade e de uma subcomunidade, como: a Paraíba Província e Estado confederado, é que pensamos que o uso linguístico são as fontes para reconstruir os modelos culturais. Isto por acreditarmos que, a análises das expressões metafóricas, além de adentrar o comportamento linguístico e outros comportamentos socioculturais, permitem a compreensão da organização do conhecimento cultural, dos mais ricos, no que diz respeito às pistas para o linguista, assim como constam fontes de bases ecléticas de dados possíveis da experiência de mundo desse falante. Por exemplo: nas metáforas eliciadas nos gêneros textuais – práticas sociais com linguagem – está a estratégia de reconstruir a organização desse conhecimento compartilhado, no caso: Cronista e Leitor dos jornais aqui pesquisados, porque os consideramos pessoas concretas, que registraram suas reais experiências e pontos de vista, quando discutiram algum fato social.
A título de exemplo, pegamos emprestado de Alves (1998) o entendimento da questão dessa Representação Social, ou simbologias Sociais para aplicar nas metáforas, veiculadas nas crônicas de nosso corpus, o item Modelo Cognitivo Idealizado Culturalmente. Tais crônicas poderão fornecer pistas para se entender as questões discutidas na Paraíba dos séculos XIX e XX.
(In: O NORTE. Realmente descobriram o Brasil. C.1 p.6, Parahyba do Norte, 04 de abr de 1936.)
Com base nos dizeres, colocados nessa crônica, pudemos constatar que os esquemas mentais eliciam a ação, considerando-se a interpretação do fato social. Esses esquemas, construtos gerados dos significados culturais e motivados pelo objetivo do cronista, diante da realidade social e política da década de 1930 na
Paraíba, ou seja, no Brasil, é que se pode chegar às informações para os (sempre)leitores, acerca do estado de mundo, conforme João Barreto. Nesse evento, tentou fazer com que os leitores pudessem alcançar, a partir de seu objetivo: o valor da Parahyba, politicamente:
Pimentel Gomes disse e eu afirmo que só agora descobriram o Brasil verdadeiramente. A Parahyba actual foi uma das maiores descobertas, feitas nos últimos tempos, isto é, depois da Revolução de 1930.
Somente os anti-parahybanos é que desfructam lá fora uma posição, uma posição adquirida aqui, não se querem convencer da realidade [...] o conhecido progresso agricola da nossa terra. [...]
(In: O NORTE. Realmente descobriram o Brasil. Parahyba do Norte, 04 de abr de 1936.)
Assim, vimos que os mecanismos discursivos, como também metafóricos, de base ontológica: A REVOLUÇÃO DE TRINTA É UMA ENTIDADE, A PARAHYBA É UM RECIPENTE, motivaram os objetivos particulares daqueles sujeitos sociais: Pimentel Gomes e João Barreto a quererem mudar os valores sóciopolíticos e também culturais. Através da entidade, Revolução de 1930, é que o cronista pode partilhar o conflito dominante de base sociopolítico-cultural e mostrar por outra entidade coisa: RECIPIENTE: Parahyba, os que estavam presentes, dentro, os que “vestiam a camisa” daquela província naquele momento; e os que estavam ausentes, fora das questões reais, como: o progresso da agricultura parahybana. Tal construção metafórica a Paraíba ser um RECIPIENTE, também faz mostrar que ali, lá dentro, naquela sociedade havia divisão sociopartidária e sociopolítica: parahybanos versus anti-parahybanos perante a visão do província/estado, tendo como argumento o reconhecimento de progresso agrícola existente, porém não- reconhecido pelos próprios paraibanos, que estavam no sudeste do país, o Rio de Janeiro. Como prova disse, vejamos o discurso de Barreto:
[...] Agora tivemos a prova disto, não satisfeito com a camapanha de palestras, iniciaram a publicação pelos jornaes do Rio de artigos que motivaram um enérgico telegrama do deputado Gratuliano de Brito, reduzindo a nada as falsas instituições dos taes descontentes.
Em suma, defendemos com Feltes (2007) e Alves (1998; 2009) que os Modelos Culturais podem ser chamados de Esquemas Culturais, considerando a situação comunicativa. Conforme Lakoff e Johnson (2002), tais modelos surgem á medida que a base experiencialista do falante é compartilhada. Aqui procuramos pontuar apenas o objeto: construções metafóricas, uma vez que há estudos de base cognitivistas, interfaceados com a Antropologia.
Procuramos fazer uma leitura parcial dessa temática, com tendências ao pensamento de Lakoff e Johnson (2002), na tentativa de compreender o potencial da TMCI, discutida anteriormente. Diante da leitura, acreditamos que os modelos culturais podem vir de várias fontes, suportes, gêneros textuais, o que nos levou a identificar conceitos em nossas crônicas, que trazem e mostram que a vida em sociedade é um processo de interação entre (im)precisos entendimentos privados ou não, entre objetos ontologizados nas metáforas, entre eventos públicos.Tudo isso são fontes desses construtos idealizados cognitivamente.
4 ABORDAGENS HISTÓRICO-DIACRÔNICA E TEXTUAL DA CRÔNICA DO JORNAL IMPRESSO DA PARAÍBA: SÉCULOS XIX, XX
Neste capítulo, o estudo procurou abordar um percurso sócio-histórico das crônicas dos Jornais da Paraíba, século XIX e XX, com o propósito de buscar as primeiras crônicas nesses jornais, como uma forma de reconstituir tal documento de ordem histórica. Interessa-se aqui querer contribuir para história da Língua Portuguesa do Brasil, em especial, trazendo, à cena, a escrita paraibana, através de análises das construções metafóricas das crônicas veiculadas nos jornais da Paraíba. Trata-se de crônicas mais antigas e preservadas no Museu Histórico de João Pessoa - PB, A Fundação Casa José Américo de Almeida, um recorte no tempo, cuja cultura será conhecida através dessas construções metafóricas, estrategizadas e refletidas nas práticas discursivas, contextualmente localizadas: a História da Paraíba.
É mister esclarecer que há interesse em fazer uma contextualização do editorial jornalístico da Paraíba, isto por se tratar de um corpus histórico. A incursão será breve, no que se trata dos desafios do domínio do jornalismo para com a sociedade até os nossos dias. Essa pesquisa faz parte de um estudo histórico- linguístico do Programa de Pós-Graduação, o PROLING-UFPB. O nosso propósito de tal informação é refletir a configuração das práticas comunicativas e discursivas, assim como cultural, sócio-política de uma determinada região, no caso: a Paraíba. Há, também, interesse em refletir acerca das condições linguísticas e extralinguísticas para identificação do editorial no decorrer da circulação, em especial, porque trataremos das práticas discursivas em torno da metáfora do cotidiano, registradas na crônica.
4.1 CONTEXTUALIZAÇÃO SÓCIO-HISTÓRICA DA IMPRENSA DOS JORNAIS