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3.GEREÇ VE YÖNTEM

4.2. Analitik Bulgular

O trabalho coletivo ocorre nos assentamentos, mas em uma extensão muito limitada. Foi perguntado aos chefes das famílias pesquisadas sobre a realização da comercialização de sua produção em conjunto com outros assentados. Apenas 29,1% responderam que sim, conforme ilustrado no Gráfico 51.

Gráfico 51 – Comercialização da produção com outros assentados.

Fonte: Elaborado por Lívia Hernandes Carvalho.

A pequena produção rural familiar apresenta importantes aspectos, sendo sua reprodução socioeconômica muitas vezes inviabilizada devido às dificuldades desses pequenos produtores sozinhos se posicionarem no mercado, sendo a comercialização de seus produtos o objetivo mais difícil de alcançar.

29,1% 59,0% 11,9% Sim Não Não responderam

Nesse contexto, o associativismo rural pode ser um caminho alternativo, um instrumento de luta dos pequenos produtores, e pode ter um papel decisivo para inserir a produção dos assentados no circuito econômico e contribuir para que eles possam ter uma melhor remuneração como fruto de seu trabalho.

Verifica-se um percentual relativamente alto (70,9%) de participação dos assentados em associações ou cooperativas, conforme mostrado no Gráfico 52.

Gráfico 52 – Participação dos assentados em associações e cooperativas.

Fonte: Elaborado por Lívia Hernandes Carvalho.

Os assentados declararam que a associação na cooperativa foi um meio que encontraram para enfrentar a problemática da comercialização24 de seus produtos, sendo ela uma mediadora na venda dos seus produtos e dotando-os de maior poder na negociação com os compradores e atravessadores. Além disso, quando se escoa a produção coletivamente há maior facilidade para a inserção de seus produtos no mercado e assim obter uma renda que

24 Os dilemas da comercialização estão relacionados a vários fatores e em diferentes fases da atividade agrícola,

como o baixo rendimento por unidade de área (produtividade), ou a precária qualidade do produto; infraestrutura (condições de estrada, eletrificação, abastecimento de água potável e as condições de armazenamento); do grau de dispersão dos produtores; da maior ou menor eficiência das formas coletivas de venda dos produtos (grupos, associações e cooperativas). Esses fatores repercutem diretamente nas condições e possibilidades dos produtos. Assim, esses problemas da comercialização dão margem a argumentos de que uma parcela das famílias por não ter acesso aos recursos e às informações técnicas, não terem experiências agrícolas, não dispor de infraestrutura mínima de produção e por não ter uma formação que lhe habilite a administrar uma propriedade, não apresentam como principal dificuldade a comercialização, mas sim a produção. 70,9% 24,6% 4,5% Sim Não Não responderam

possa propiciar sua permanência na terra, luta diária desses assentados (FERRANTE; BARONE; DUVAL 2006).

Este trabalho mostra, no entanto, que apesar dos assentados terem alguma organização coletiva, ainda precisam desenvolver formas de gestão que lhes propiciem melhores resultados na compra e venda dos produtos, assim como na resolução de vários problemas que são comuns a todos. .

Constatou-se através dos depoimentos colhidos, que poucos têm consciência sobre a importância do trabalho coletivo para o desenvolvimento do assentamento e da consequente melhoria da qualidade de vida para todos. Quase todas as atividades funcionam apenas no núcleo familiar, e na prática continua prevalecendo o individualismo, conceito este bem diferente do que era seguido quando estavam acampados.

Concorda-se com Görgen e Stédille (1991), quando afirmam que muitos trabalhadores ocupam terra e não querem nem ouvir falar no trabalho coletivo, preferem o trabalho individual, a propriedade individual, porque na sua origem está a pequena produção; são filhos de pequenos proprietários, meeiros, arrendatários, agregados, etc., para os quais o modelo de desenvolvimento, que fizeram parte, foi sempre baseado no trabalho individual e, por isso, tendem a ter certa resistência ao trabalho coletivo.

Essa forma de produzir é considerada a mais atrasada, pois tudo é realizado de forma tradicional e desgastante. Nesse sentido, individualmente os assentados têm, maiores dificuldades para obtenção de crédito, para o aumento da produtividade e para o escoamento da produção, tornando-se mais difícil sair da condição de produtores de subsistência, como se apresentam na atualidade.

Pode-se destacar, nesse contexto, que a precariedade da organização e a falta do consenso pela prática conjunta das atividades influenciam diretamente na economia do lugar, pois com a união dos trabalhadores para realização do trabalho de forma coletiva, áreas maiores poderiam ser cultivadas em menor quantidade de tempo e com custo bem menor, fato que aumentaria a produtividade e a renda dos assentados no ato da comercialização.

Especificamente no tocante ao nível de organização dos assentados, a prática do trabalho coletivo, possibilita uma maior diversificação das atividades econômicas dos assentamentos e das práticas utilizadas pelos assentados, proporcionando avanços mesmo que de forma gradativa nas conquistas estruturais e sociais.

O êxito de uma organização depende da participação e ação coletiva de seus integrantes, analisando situações, decidindo sobre os encaminhamentos e atuando sobre estes em conjunto. “O trabalho coletivo é uma forma de juntar à grande ‘riqueza’, que é à força de

trabalho. Quanto mais força de trabalho juntar, mais ‘riqueza’ será acumulada. Por isso, existe aquele dizer popular para representar este pensamento: ‘unidos somos fortes!’” (GÖRGER; STÉDILLE, 1991, p. 158).

Por essa razão, entende-se que a atuação das instituições que prestam assistência técnica aos trabalhadores rurais deve ocorrer de maneira mais constante nos 30 assentamentos pesquisados e em toda a região de Andradina. Acredita-se que estes trabalhos devam estar necessariamente voltados para o reforço qualificado da conscientização dos assentados para a importância da adoção do método de atividades realizadas em conjunto, sendo que esta deveria ser uma das principais preocupações do INCRA ao desenvolver e implantar um projeto de assentamento, com vistas a sua viabilidade social, econômica e o seu consequente desenvolvimento.

Quando perguntados sobre se participam ou têm afinidade com algum partido político, 46,3% disseram que sim, 45,9% responderam negativamente e 7,9% não se manifestaram sobre esta questão, conforme ilustrado no Gráfico 53.

Gráfico 53 – Participa ou tem afinidade com algum partido político.

Fonte: Elaborado por Lívia Hernandes Carvalho.

Levantamento feito pelo IBOPE a pedido do jornal O Estado de S. Paulo, mostrou que os brasileiros estão menos interessados em partidos políticos. Dados divulgados mostram que, no final de 2012, 56% das pessoas diziam não ter nenhuma preferência partidária, contra 44%

46,3% 45,9% 7,8% Sim Não Não responderam

que apontavam preferência por alguma legenda. Em 1988, 61% apontavam preferência por algum partido politico.

Considerando apenas os assentados que responderam, cerca de 50% tem interesse ou afinidade por algum partido político, percentual superior ao do conjunto da população brasileira, conforme a pesquisa do IBOPE.

Benzer Belgeler