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Ao constatar que não havia estudos que analisassem o uso de indicadores de produção enxuta para refletir as mudanças no caminho para a produção enxuta, Sánchez e Pérez (2001) elaboraram um módulo de chek-list com 36 indicadores (quadro 12) encontrados na literatura e depois o introduziram e testaram em empresas de manufatura.

Quadro 12 – Práticas e indicadores enxutos.

Prática: Eliminação de atividades de valor zero

Indicador Descrição

- EF1 Porcentagem de peças comuns nos produtos da

companhia

- EF2 Valor do trabalho em progresso relacionado às

vendas

- EF3 Rotação do estoque

- EF4 Número de vezes e a distância que as peças são

- EF5 Total do tempo necessário para trocas de ferramentas (total de tempo de set up’s)

- EF6 Total do tempo necessário para as trocas de

ferramentas (total de tempo de set up’s) Prática: Melhoria contínua

Indicador Descrição

- MC1 Número de sugestões por empregado e por ano

- MC2 Porcentagem de sugestões implantadas

- MC3 Economia e/ou benefícios a partir das sugestões

- MC4 Porcentagem de inspeções ocasionadas devido

ao controle autônomo de defeitos

- MC5 Porcentagem de peças defeituosas ajustadas

pelos operários de linha de produção

- MC6 Porcentagem de tempo que as máquinas ficam

paradas devido ao mal funcionamento

- MC7 Valor de descartes e retrabalho em relação às

vendas

- MC8 Número de pessoas dedicadas principalmente

ao controle da qualidade

Prática: Equipes multifuncionais

Indicador Descrição

- EQ1 Porcentagem de trabalhadores nas equipes de

trabalho

- EQ2 Número e porcentagem de tarefas executadas

pelas equipes

- EQ3 Porcentagem de tarefas executadas pelas

equipes

- EQ4 Frequência média de rotação de tarefas

- EQ5 Porcentagem de líderes de equipes que foram

eleitos por seus companheiros de equipe

Prática: Produção e entrega JIT

Indicador Descrição

- P1 Lead-time dos pedidos dos clientes

- P2 Porcentagens de peças entregues no tempo

certo pelos fornecedores

- P3 Nível de integração entre a entrega do

fornecedor e o sistema de informação da produção

- P4 Porcentagem de peças entregues no tempo

certo entre as seções na linha de produção

- P5 Tamanho dos lotes de produção e entrega

Prática: Sistema de informação flexível

- S1 A frequência com a qual a informação é dada aos empregados

- S2 Número de reuniões da alta gerência com os

empregados

- S3 Porcentagem de procedimentos que são

registrados por escrito na companhia

- S4 Porcentagem de equipamento de produção que

é integrado ao computador

- S5 Número de decisões que os empregados podem

realizar sem supervisão

Prática: Integração dos fornecedores

Indicador Descrição

- I1 Porcentagem de peças co-projetadas com os

fornecedores

- I2 Número de sugestões realizadas pelos

fornecedores

- I3 Frequência com a qual os técnicos fornecedores

visitam a companhia

- I4 Frequência com a qual os fornecedores da

companhia são visitados por técnicos

- I5 Porcentagens de documentos que são trocados

com os fornecedores por meio de troca de dados eletrônicos (ED1) ou intranets

- I6 Média do tamanho do contrato com os

fornecedores mais importantes

- I7 Número médio de fornecedores das peças mais

importantes Fonte : Adaptado de Sánchez e Peres (2001)

A Figura 11 apresenta a estrutura básica do modelo de análise de acordo com os princípios enxutos mais comuns encontrados na literatura. São seis grupos de indicadores e cada um deles deriva das práticas de produção enxuta básicas as quais contribuem para a melhoria do desempenho da empresa. Segundo os autores, nenhuma companhia implantou-as todas ao mesmo tempo e sim, passo a passo. Entretanto, eventualmente, alguma poderá adotar todas elas. Portanto, os autores concluem que se faz necessário o uso de um cheklist para analisar as empresas no caminho para a produção enxuta.

Figura 11 – Modelo de Produção Enxuta.

Sistema de informação flexível

Eliminação das atividades de valor zero

Equipes multifuncionais

Melhoria

contínua Integração dos

fornecedores

Produção e entrega Just in

time

Fonte : Adaptado de Sánchez e Pérez (2001)

O trabalho de Sánchez e Pérez (2001) possui três objetivos: avaliar o uso de indicadores de produção enxuta, analisar algumas relações entre o uso desses indicadores, e estudar a influência que os objetivos da manufatura da companhia têm sobre o uso dos mesmos indicadores.

No primeiro objetivo, a avaliação é obtida por meio da medição do grau de uso de cada indicador em função de uma escala de Likert de cinco passos: 60% dos indicadores foram usados por mais da metade das companhias pesquisadas e 17% foram usadas por 75% das companhias. Como se esperava, os resultados mostraram que a média do uso e o grau de importância da maioria dos indicadores eram significantemente maiores nas grandes companhias do que nas pequenas e médias. Por exemplo, os sistemas de informação flexível ou a produção JIT requeriam recursos que as empresas menores não podiam suportar.

O segundo objetivo demonstrou que os mais fortes pares de relacionamentos foram as visitas técnicas e a assistência para os fornecedores; a porcentagem de empregados nas equipes de trabalho, como também o numero de porcentagens de tarefas acompanhadas pelas equipes; e a modularidade e o envolvimento do fornecedor no projeto do componente. Outros pares de indicadores foram relacionados positivamente, porém sendo menos significantes.

O terceiro objetivo do trabalho foi analisar a influência do foco da manufatura das companhias no uso dos indicadores da produção enxuta.

 Qualidade;

 Lead time;

 Flexibilidade;  Custo.

Apesar do tamanho e da idade da companhia terem sido também incluídos como sendo variáveis independentes, somente os objetivos da manufatura apresentaram-se como sendo variáveis explanatórias para a maioria dos indicadores.

Os objetivos foram alcançados pela análise descritiva do trabalho e, de acordo com esses resultados, foi proposto que alguns indicadores deveriam ser incluídos no sistema de informação da manufatura das companhias.

Benzer Belgeler