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A Literatura de Cordel tem se inserido na sala de aula como recurso metodológico para estimular as percepções, a capacidade de criação e o discernimento do mundo, dando ênfase as expressões culturais brasileiras e despertando nos discentes a criticidade em relação ao meio em que vivem. Também pode ser uma ferramenta que motive o gosto pela leitura e preservação da poesia popular, produzindo o cordel através de oficinas e pesquisas escolares.

O Cordel pode ser empregado como um material didático que propicie o processo de ensino-aprendizagem em várias disciplinas, abordando vários temas que tratem de experiências humanas reais que ajudem o aluno a compreender sua realidade de maneira planejada e fundamentada em práticas educativas, ajudando discentes a comunicarem-se melhor através da oralidade e da escrita.

A Literatura de Cordel emerge como um recurso alternativo para possibilitar a compreensão de novas linguagens e realidades socias, uma vez que se apresenta de forma multidisciplinar e contribui para que o aluno tenha mais interatividade em sala de aula e desenvolva sua leitura sobre o mundo. Também auxilia de maneira significativa na construção da identidade do educando.

A poesia popular apresenta uma linguagem alternativa e representa o imaginário de um povo, tornando-se eficaz ao tentar promover a efetivação da aprendizagem. Através de planejamento, o folheto pode tornar-se um instrumento didático eficiente no processo de construção do conhecimento pois este pode aproximar as expressões tidas como populares da linguagem científica, de maneira contextualizada, utilizando o lúdico.

Cruzando os dados relacionados com as atividades que foram desenvolvidas pelos sujeitos envolvidos na investigação, observamos os alunos individualmente ou em grupo, trocando ideias, discutindo e apresentando suas opiniões. Constatamos a docente intervindo quando necessário, conforme registros de vídeo e do diário de campo.

Vygotsky (2007) apresenta a importância da interação entre sujeitos, considerando que um indivíduo quando está integrado com o meio, melhora suas relações interpessoais e estas viabilizam seu processo de construção do conhecimento.

Fino (1998) ao citar Hatano (1993), descreve as seguintes conjecturas seguidas pelos discentes quando estes estão em processo de construção do conhecimento:

a) os aprendizes são activos, gostam de ter iniciativa e de escolher entre várias alternativas;

b) os aprendizes são tão activos como competentes na tarefa da compreensão, sendo possível que construam conhecimento baseado na sua própria compreensão, ultrapassando esse conhecimento a informação disponibilizada pelo professor, ou indo mesmo além da própria compreensão do professor;

c) a construção de conhecimento pelo aprendiz é facilitada pelas interacções horizontais e pelas interacções verticais;

d) a disponibilidade de múltiplas fontes de informação potencia a construção de conhecimento (FINO, 1998, p. 5).

Analisando as atividades desenvolvidas com a utilização da Literatura de Cordel na turma do 5º ano da Escola Municipal Antônio Artur, observamos durante o processo de investigação como a poesia popular contribuiu para a construção do conhecimento e como os discentes foram estimulados a cooperarem durante a produção de poesias, pois conforme afirmou Papert (1994, p.38) os aprendizes necessitam entender e sentir “que estão engajados em uma atividade significativa e socialmente importante, sobre a qual eles concretamente se sentem responsáveis” para obterem uma aprendizagem significativa.

Sobre como as atividades em que se utilizou a Literatura de Cordel contribuiram para uma aprendizagem significativa dos discentes registramos o seguinte:

Quadro 6- As Atividades em que se Utiliza a Literatura de Cordel e o Processo de Aprendizagem Significativa

DIÁRIO ETNOGRÁFICO ENTREVISTAS IMAGENS DE VÍDEO

Após as atividades de rotina, a docente elogia aqueles que fizeram a tarefa de casa e pede que abram agora o livro de História. A docente relembra o assunto que já havia sido

trabalhado na semana

anterior “o ciclo do açucar no nordente e as invasões holandesas”.

Foi feita uma leitura de imagens e uma breve revisão de alguns acontecimentos ligados à época da invasão. Leituras

complementares foram

realizadas sobre a invasão da

Bahia, a invasão de

Pernambuco, a criação da cidade Maurícia e a traição de Calabar.

O desafio foi criar um cordel sobre o assunto

Pesquisadora: Professora Iolanda, o que você admira na arte dos cordelistas? Professora: A capacidade de

colocar em versos

problemas, questionamentos sociais, situações que ele vivenciou. Porque o cordel ele traz muito da realidade do povo nordestino, por exemplo alimentação pra muitos filhos,

uma mãe, então são

problemas tratados de forma poética.

Pesquisadora: Os flagelos do nordestino?

Professora: Isso.

Pesquisadora: Em sua

opinião, por que o trabalho do cordelista é importante para a cultura brasileira? Não

O 5º ano teve aula de História sobre as Invasões Holandesas no Brasil. A atividade proposta pela professora Iolanda foi que a turma inteira criaria um cordel a partir de um monte dado por ela.

No vídeo 2

acompanhamos o início

dessa criação.

A professora já deu o mote e começa instigar os alunos a partir de perguntas para que eles continuem o verso com rimas.

Todos estão

copiando os versos

desenvolvidos no caderno. Os alunos falam ao mesmo tempo e todos querem ver suas sugestões no quadro.

discutido a partir de um mote dado pela professora.

A turma passa duas aulas discutindo, sugerindo, revisando sobre o assunto e quando o cordel é criado, há uma vibração por parte da professora e dos alunos.

(Observação nº 14,

11/06/2015)

nordestina, mas brasileira? Professora: Pra brasileira, olhando por um ponto de vista maior, seria pra mostrar que o nordeste não só tem fome. E cultura. Tem cultura de qualidade. (Entrevista a professora em 09/07/2015) Pesquisadora: Professora, como a senhora descreveria o comportamento e as atitudes dos seus alunos quando eles estão com o cordel em mãos? Muda alguma coisa?

Professora: Muda porque eles ficam praticando. Não é assim que lê. Fica um mostrando ao outro como é que tem que ser lido o cordel. Pesquisadora: Eles ficam

preocupados com a

entonação?

Professora: Com a

entonação, com o recitar, eles pedem pra ler antes em voz alta que é pra fazer a

entonação correta. Se

preocupam com o

conhecimento.

Pesquisadora: Seus alunos, a partir do uso do Cordel, tem apresentado melhorias? Em que?

Professora: Em memorizar porque o cordel fica. Como o cordel tem a questão musical. Tem a mistura musical, eles memorizam. Fica mais fácil. Então as vezes na prova eu vejo eles lembrando do

verso. Eles param um

pouquinho aí lembra ah! É assim e vai e consegue responder. (Entrevista a professora em 12/12/2015).

No vídeo 3 o processo de criação do

cordel continua. Duas

estrofes já foram criadas.

A professora

dinamicamente chama todos para colaborar, deixando claro que respeita as ideias sugeridas pelos aprendizes. (Transcrições dos vídeos 2 e 3 gravados em 11/06/2015)

A primeira situação demonstra os alunos motivados a criar uma poesia popular, trocando ideias e aprendendo a ouvir e respeitar outras sugestões. A professora está presente nesse processo e conforme descreveu Vygotsky (2007) ela intervém conforme as necessidades se apresentam, ou seja, nesse caso a aprendizagem ora se desenvolve de maneira independente, ora acontece com assistência da professora. O fato dos aprendizes encontrarem-se motivados e estimulados, não trata da inovação pedagógica, uma vez que não é perceptível uma quebra com o sistema tradicional.

A segunda colocação deixa os ideais pedagógicos da docente e quais são as suas percepções sobre as experiências vivenciadas em sala de aula com o cordel e suas possíveis consequências em relação a motivação para aprender. Não há a constatação da inovação pedagógica embora, as ações desempenhadas pela docente estejam intencionadas em romper com o tradicional conforme suas possibilidades.

Na terceira disposição, percebemos a interação e a cooperação entre os discentes e a docente na criação da poesia popular e constatamos a tentativa feita pela professora de criar uma situação de possibilidades de desenvolvimento da aprendizagem significativa. Fica clara tal situação ao observarmos a produção efetuada pelos aprendizes.

7.3.4 Como a Literatura de Cordel pode se caracterizar numa estratégia de

Benzer Belgeler