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7. ANALİTİK ÇALIŞMA
Penrose (1995) resgata a obra inicial de Coase (1937) sobre a natureza da firma no seu trabalho sobre o crescimento da firma. Na sequência, Chandler desenha os primeiros estudos sobre estratégia e estrutura sob o prisma da história da empresa industrial americana.
Para Penrose (1995), apesar do pioneirismo de Richardson, G.B. (1972) ao publicar “The Organization of Industry”, a abordagem neoclássica da teoria da firma adotada falha ao não contemplar as instituições. O escrito de Richardson, G.B. (1972) utiliza vocabulário e técnicas matemáticas sofisticadas para trabalhar a alocação ótima de recursos, os mercados perfeitamente competitivos, o ótimo de Pareto, dentre outros. Com isso, a economia industrial situava-se na fronteira da economia aplicada. Penrose (1995) defende que a contribuição de diversas áreas de formação no ensino de economia nas escolas de negócios tornava a disciplina menos “científica” pela falta de uma “sólida” fundação teórica integrada.
Enquanto, os economistas se ocupavam dos aspectos macro e microeconômicos das firmas na construção de modelos e testes estatísticos, porém a firma, como organização, era vista como irrelevante.
A falta de equilíbrio conceitual fazia com que os economistas não pudessem prever as reações da economia às turbulências externas e nem supor que a eficiência superior nos mercados competitivos era possível sem a existência do equilíbrio perfeito, caberia, então, pensar no que havia dentro das firmas. Por isso, Penrose (1995) defende a integração de diferentes abordagens.
Teece (1984) argumenta que a estratégia empresarial tem como cerne o uso das capacidades das firmas, frente ao ambiente onde atua como forma de obter o melhor desempenho. Com isso, a alocação de recursos dependeria de uma série de princípios econômicos que guiariam a decisões estratégicas. As estratégias de investimento, estrutura organizacional e cultura organizacional estariam atreladas aos recursos e capacidades das firmas e suas interações em curto prazo e longo prazo. Isso ocorre em função de alguns fatores de produção serem considerados “semipermantes”, impactando nos custos de recontratação (falhas de mercado).
Contudo, segundo Teece (1984), na estratégia empresarial estaria implícito que os recursos são imóveis e heterogêneos, contradizendo as teorias microeconômicas das firmas e a lógica de desenvolvimento dos mercados. Além disso, a teoria econômica não tem por objetivo descrever como as decisões são tomadas, mas está focada nas questões normativas de políticas públicas. Outros pontos sustentados pelos estrategistas são a tentativa de prever a as decisões de unidades individuais e o foco no desenvolvimento de ferramentas especializadas para a análise estatística de do comportamento de populações de atores econômicos, enquanto para os economistas a visão das unidades individuais não existe.
Destaca-se que as diferenças entre a estratégia empresarial e a economia são muitas, exceto pela noção de que os mercados funcionam com condições de informações altas. Teece (1984) resolve então contestar o paradigma do comportamento racional compreendido por ele como mecanismo econômico parte de um “mundo imaginário”, o qual não seria possível de ser operacionalizado no mundo real. O autor destaca algumas áreas que suscitam dúvidas, a saber:
• tratamento do know-how tecnológico e organizacional – tomo como pressuposto que a tecnologia é dada, ignorando a possibilidade de adoção pelo gestor de melhorias inovadoras na forma de fazer as coisas, assim como
a característica tácita destes conhecimentos e sua transferência sem envolvimento.
• foco em análises estáticas – apesar da sua característica dinâmica, a estratégia empresarial tem que lidar sempre com o equilíbrio, eminentemente estático, por isso as comparações estáticas são utilizadas para tentar tratar temas dinâmicos.
• foco no equilíbrio – as análises econômicas empregam largamente análises de equilíbrio, o qual é fictício. Assim como Richardson, G.B. (1972), Teece (1984) defende que o equilíbrio de produção e troca não pode ser visto como uma configuração na qual uma economia competitiva hipoteticamente perfeita tenda a gravitar e se manter. Com isso, as empresas necessitam conhecer os planos de investimento de suas concorrentes. A questão do equilíbrio tira o foco do gestor dos problemas relativos aos processos.
• inadequação da Teoria da Firma – as firmas são representadas como fatores de produção ou conjuntos de produção, no que se refere a insumos e produtos, ignorando os limites da firma no que tange os graus de integração vertical, lateral ou horizontal. Além disso, a teoria não contempla a estrutura interna da firma.
• Supressão do empreendedorismo – todas as áreas das ciências sócias contemplam o empreendedorismo, exceto a economia em função do pressuposto do acesso à informação que transforma a tomada de decisão em regras matemáticas mecânicas para a otimização.
• Mercados estilizados – na teoria neoclássica os agentes e mercados são vistos de forma impessoal, desconsiderando as bases institucionais das estruturas de mercado, ao exemplo dos efeitos da reputação, experiência e relações de confiança.
• Atributos dos tomadores de decisão – são vistos como hiperracionais, com expectativas racionais.
• Comportamento do custo – enquanto na microeconomia os custos tendem a crescer em curto prazo com o aumento da produção (lei dos retornos decrescentes), na “função progressiva” os custos unitários decrescem com o crescimento do volume devido aos efeitos de aprendizagem.
Pode-se concluir que teoria microeconômica ortodoxa é útil para o entendimento de problemas econômicos e políticos, mas pouco eficaz na compreensão da estratégia empresarial por bloquear a visão periférica (TEECE, 1984).
Dunning (2003) e Barney e Hesterly (1997) defendem uma opção intermediária: a economia das organizações. Esta abordagem difere das outras análises organizacionais por fazer uso de elementos típicos da economia, como modelos e pressupostos abstratos, gestores que maximizam lucros, e análises de equilíbrio, de forma matemática e técnica, simultaneamente. A similaridade com as demais linhas de organizações é o interesse pelas empresas, diferente da economia que foca na estrutura, no funcionamento e nos impactos sobre o mercado. Por outro lado, a economia das organizações partilha com a economia o interesse na relação entre competição e organizações. Ressalta-se nesta abordagem uma dupla visão envolvendo competição e cooperação, pautada em quatro correntes de pesquisa: economias de custo de transação, teoria da agência, administração estratégica, e economias de cooperação.