6. TEKNİK GÜVENLİK KONTROLLERİ
6.1. A NAHTAR Ç İFTİ Ü RETİMİ VE K URULUMU
6.1.5. Anahtar Uzunlukları
Adriana Andrade Carvalho1
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1. Universidade Federal de Sergipe, Núcleo de Farmácia, Lagarto, SE, Brasil.
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Resumo
Dentre os conteúdos trabalhados no curso de Farmácia, pode-se citar a Bioquímica como conhecimento básico fundamental. Porém, existem dificuldades neste aprendizado, pela a mesma agregar conhecimentos complexos, pela falta de uma associação interdisciplinar com disciplinas específicas da Farmácia, além da baixa motivação discente. Neste foco, este estudo propôs compreender os aspectos positivos na aprendizagem da Bioquímica utilizando a Aprendizagem Baseada em Tarefas (ABT), com foco no metabolismo da glicose, por estudantes do 2o. Ano do curso de Farmácia da Universidade Federal de Sergipe, Campus Universitário Prof. Antônio Garcia Filho. O Projeto Político-Pedagógico do curso é baseado na utilização de Metodologias Ativas de Ensino-Aprendizagem (MAE). Trata-se de um estudo de natureza quantitativa e qualitativa, assentado nas MAEs com foco na ABT.
PALAVRAS-CHAVE: Ensino Farmacêutico; Aprendizagem Baseada em Tarefas; Metodologia Ativa de Ensino.
Introdução
A formação profissional é um assunto que tem sido discutido por diversos estudiosos de Educação, em todos os níveis de formação, com o pressuposto de que já não bastam informações para que crianças, jovens e adultos possam participar de modo integrado e efetivo da vida em sociedade
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(BERBEL, 2011). Atualmente, o modelo tradicional, utilizado na grande maioria das escolas e universidades, trabalha de forma que o estudante se torna dependente do docente na aquisição de saberes e mantenha uma postura quase sempre passiva (BERBEL, 2011; CESAR, 2010). Além disso, o conteúdo por si só não mostra-se mais suficiente para a prática profissional, embora as informações sejam imprescindíveis. Dessa maneira, torna-se premente uma abordagem ampliada e integrada dos currículos, priorizando a formação de competências e o estímulo à utilização de metodologias ativas de aprendizagem, criando profissionais com ampla visão do homem (CESAR, 2010).
Atualmente, na escola, o professor é o grande intermediador desse processo, e ele tanto pode contribuir para a promoção de autonomia dos alunos como para a manutenção de comportamentos de controle sobre os mesmos (BERBEL, 2011). As informações já consolidadas e disparadas pelo professor de forma unilateral forma hábitos, que são aprendidos para serem utilizados na ação. Porém quando conhecimentos são aprendidos, os discentes utilizam deles para guiar ações, com foco na autonomia e postura profissional. Quando ambos, hábitos e conhecimentos, combinados com a motivação, são satisfatórios, o sujeito percebe que foi ele quem causou a mudança desejada, gerando, assim, a aprendizagem (GUIMARÃES, 2003). Em decorrência dessa percepção, o comportamento pode ser intrinsecamente motivado, fixando metas pessoais, demonstrando seus acertos e dificuldades, planejando as ações necessárias para viabilizar seus objetivos e avaliando adequadamente seu progresso (SANTANA, 2012).
Quando trata-se de disciplinas mais complexas, segundo Pelizzari et al. (2002), a metodologia tradicional, com sua forma mecânica de aprendizado, não é considerada ideal, por não conseguirem correlacionar o que se está sendo aprendido com o conhecimento prévio e sua prática profissional.
Neste contexto, o curso de Farmácia da Universidade Federal de Sergipe, Campus Universitário Prof. Antônio Garcia Filho, do município de Lagarto, SE, utiliza metodologias ativas de ensino-aprendizagem, como ABP (Aprendizagem Baseada em Problemas), Problematização (Método do Arco de Charles Maguerez) e POGIL (Process Oriented Guided Inquiry Learning). Atualmente mais uma metodologia de ensino foi implantada dentro das atividades do curso de Farmácia, a Aprendizagem Baseada em Tarefas (ABT), sobretudo para o trabalho de disciplinas mais complexas. A inclusão do tema da Bioquímica em cursos da saúde, inclusive da Farmácia, geralmente ocorre nos primeiros anos com um grande volume de informações, falhas nas estratégias entre o ensino teórico e prático, a coordenação insuficiente com outras disciplinas do ciclo básico do ciclo profissional, e pouca conexão com a proposta da formação do farmacêutico (MAGNARELLI, 2009). Propostas de programas construtivistas que favoreçam o trabalho em grupo parecem favorecer as ligações entre os diferentes intervenientes no processo de ensino e aprendizagem e o objeto do conhecimento, como na Bioquímica (MAGNARELLI, 2009). E foi nesta linha e na característica do Campus de Lagarto que foi lançado a
155 proposta de utilizar a ABT para o ensino do Metabolismo dos Carboidratos dentro do Módulo de Nutrição Humana e Doenças do Metabolismo.
Revisão de Bibliografia
Historicamente, a formação dos profissionais de saúde tem sido pautada no uso de metodologias tradicionais (pedagogia de transmissão), sob forte influência do mecanicismo de inspiração cartesiana-newtoniana, fragmentado e reducionista (FERNANDEZ-SAMACA, 2012; GALVÃO, 2009; MITRE, 2008). Essa fragmentação traz como consequência as subdivisões, não somente no currículo dos cursos com disciplinas estanques, como no próprio espaço físico das universidades, divididas em centros e departamentos com pouca comunicação entre si. Nesse sentido, o processo ensino-aprendizagem restringe-se, muitas vezes, à reprodução do conhecimento, no qual o docente assume um papel de transmissor de conteúdos (papel central), ao passo que, ao discente, cabe a retenção e repetição dos mesmos (papel secundário), prevalecendo uma atitude passiva, receptiva e reprodutora. Neste cenário o aluno torna-se um mero expectador, sem a necessária crítica e reflexão do seu próprio conhecimento, com consequente impacto na formação do seu perfil profissional (Mitre, 2008).
A necessidade de romper essa postura de mera transmissão de informações é um dos principais pontos de partida que explicam a ascensão das Metodologias Ativas de Ensino (MAE), destacando-se a Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) (FERNANDEZ-SAMACA, 2012). De fato, o processo educativo desse modelo é centrado no estudante, permitindo que este seja capaz de se tornar maduro, adquirindo graus crescentes de autonomia (MITRE, 2008). Porém, outros tipos de estratégias de ensino também permeiam esse princípio de autonomia discente, como a Problematização e a Aprendizagem Baseada em Tarefas (ABT) (LOPES, 2012)
Dentre os conhecimentos básicos presente no currículo dos cursos da Saúde, como a Farmácia, destaca-se a Bioquímica. Embora seja importante para o entendimento dos processos biológicos e patológicos, a aprendizagem dos conteúdos de bioquímica necessários para a formação dos profissionais da saúde não tem sido aproveitada satisfatoriamente por diversos acadêmicos (ALBUQUERQUE, 2012; PINHEIRO, 2009), seja pela a mesma ser ofertada nos primeiros semestres do curso, seja pela falta de uma associação transdisciplinar com a ligação entre seu conteúdo programático e com as das disciplinas específicas de cada curso e também seja pela motivação discente. Esse quadro torna não somente desmotivador o processo de ensino-aprendizagem da bioquímica como prejudica a aquisição do conhecimento por parte dos futuros profissionais (ABUQUERQUE, 2012).
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Atrelado a esse paradigma, muitas iniciativas têm sido desenvolvidas para tornar o ensino de Bioquímica mais atraente, interessante e sobretudo eficiente para diferentes públicos. Essas iniciativas procuram abordar a Bioquímica vinculando-a, desde o início, ao cotidiano e aos interesses dos diferentes profissionais, com exemplos do cotidiano, aplicações práticas e lançando de diversas estratégias de ensino. Todas apresentam resultados satisfatórios, tanto para o ensino quanto para o aprendizado, com consequente formação profissional mais elaborada (ALBUQUERQUE, 2012; GARRIDO, 2010; YOKAISHYIA et al. 2004).
Neste contexto, o curso de Farmácia da Universidade Federal de Sergipe, Campus Universitário Prof. Antônio Garcia Filho, situado no município de Lagarto, SE, traz como proposta, em seus Projetos Políticos-Pedagógicos de todos os cursos ofertados por esse campus, a utilização não somente de metodologias ativas de ensino (MAE) mas também uma proposta de currículo interdisciplinar e transdisciplinar.
De acordo com a Resolução de número 20/2012/CONEPE da Universidade Federal de Sergipe o curso de Farmácia possui:
(...)uma estrutura curricular modular onde os componentes curriculares são considerados como recursos que ganham sentido em relação aos âmbitos profissionais visados, fugindo de uma visão de componentes curriculares meramente conteudistas. A estrutura curricular está constituída dos ciclos: Básico e Profissionalizante. A inter-relação entre os núcleos deverá possibilitar uma sólida formação direcionando-a para a atuação do profissional generalista
Vale frisar que o Primeiro Ciclo é desenvolvido integralmente com todos os demais cursos do Campus.
A cerca da metodologia de ensino utilizado no Campus de Lagarto, de acordo com a Resolução de número 20/2012/CONEPE da Universidade Federal de Sergipe, o Curso de Graduação em Farmácia do Campus Universitário Prof. Antônio Garcia Filho, utiliza
(...) para o desenvolvimento de suas atividades didáticas, metodologias ativas e/ou aprendizagem baseada em problemas (ABP), sendo que, para a obtenção das diversas competências necessárias a formação de um profissional farmacêutico, o desenvolvimento da aprendizagem foi distribuído entre os componentes curriculares denominadas blocos modulares compostos por módulos tutoriais, práticas de módulo, palestras e aprendizado auto-dirigido; desenvolvimento de habilidades e Práticas Ensino- Comunidade – PEC.
157 Os conteúdos inerentes a disciplina Bioquímica encontra-se distribuído em diversos módulos da grade curricular de Farmácia do Campus Universitário Prof. Antônio Garcia Filho, sendo retomado sempre que necessário. Há uma linearidade de conhecimento, porém seguido pela sua complexidade e integração entre o conteúdo de outras disciplinas, em um mesmo módulo, mantendo-se, assim, a interdisciplinaridade essencial da proposta do currículo que utiliza-se de metodologias ativas. Dentre os conteúdos inerentes a Bioquímica pode-se citar o Metabolismo de Carboidratos, abordado inicialmente no módulo Nutrição Humana e Doenças do Metabolismo.
Componente do módulo Nutrição Humana e Doenças do Metabolismo
O módulo possui 60h dividido em sete sessões tutoriais contendo seis problemas, três palestras e três atividades práticas. Semanalmente as horas são divididas em: dois momentos de 3h de sessões tutoriais (Aprendizagem Baseada em Problemas), um momento de 2h de Palestras (Teorização), um momento de 4h de Práticas de Módulo (Metodologias variadas) e 4h de Estudo Autodirigido.
O objetivo do módulo é introduzir aos alunos uma visão crítica e discursiva sobre metabolismo humano, doenças que o afetam e nutrição humana, sendo um módulo que agrega conhecimentos de Bioquímica, Bioquímica Clínica, Fisiologia, Patologia, Farmacologia, Nutrição Humana e Legislação Farmacêutica, além de aspectos sociais e humanísticos.
O metabolismo da glicose faz parte da segunda prática de módulo que constitui o módulo de
Nutrição Humana e Doenças do Metabolismo. Essa temática é abordada através da Aprendizagem
Baseada em Tarefas (ABT), um programa de ensino por processo. Diferentemente dos programas de ensino por produto, em que o conteúdo se destaca por ser o alvo da aprendizagem, um programa por processo não apresenta uma especificação prévia do conteúdo de ensino, mas atividades de aprendizagem que visam engajar os alunos na troca e na construção do conhecimento. Segundo Xavier (1999, p. 26),
[...] é a metodologia e não mais o conteúdo instrucional que se torna foco da atenção do professor, uma vez que são as atividades as responsáveis por maximizarem ou minimizarem as oportunidades de aprendizagem. Quando priorizamos as experiências de aprender ao invés do produto da aprendizagem, estamos admitindo que existem várias rotas ou caminhos para se chegar a ela, bem como diferentes resultados a partir da exposição dos alunos ao mesmo tipo de insumo.
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Metodologia
Como forma de promover o aprendizado do metabolismo da glicose, foi utilizado a ABT. Para isso, um roteiro contendo atividades e tarefas sequenciais foi criado e entregue aos alunos. O roteiro continha os conhecimentos prévios necessários para a execução das atividades, o papel de cada discente (Líder, Secretário, Experimentador e Voluntários) pertencente ao grupo, as atividades que os alunos iriam desenvolver e as tarefas que seriam desenvolvidas individualmente durante 07 (sete) dias, ponto fundamental para a aquisição de conhecimento. O professor (tutor) apresentou-se a turma e introduziu o tema das atividades lançando a proposta aos discentes. Apresentou a metodologia ABT e ratificou o papel de cada discente neste processo. Após a explicação, o tutor retomou a sua postura de facilitador da aprendizagem acompanhando e guiando as atividades dos alunos. Essa atividade foi realizada por 36 alunos do 2 ano de Farmácia divididos em 5 subgrupos menores contendo 7 alunos cada. Após finalizada as atividades, os alunos plotaram os gráficos com os resultados adquiridos durante as atividades e foi iniciada uma discussão a cerca dos eventos bioquímicos visualizados, utilizando-se, apenas, conhecimentos prévios. Após levantamento de hipóteses e objetivos de aprendizagens, alunos seguiram uma sequencia de tarefas, durante uma semana, com o objetivo de promover o aprofundamento e a interpretação desses eventos bioquímicos observados.
As tarefas foram: Dia 01: ler sobre os objetivos de aprendizagem traçados; Dia 02: ler sobre os objetivos de aprendizagem traçados; Dia 03: ler e escrever os pontos importantes dos objetivos de aprendizagem traçados; Dia 04: escrever, sem olhar na literatura, o que lembra dos pontos importantes dos objetivos de aprendizagem traçados; Dia 05: fazer uma síntese do conteúdo; Dia 06: discutir com o grupo o conteúdo estudado; Dia 07: fazer uma síntese da discussão com o grupo. Após os 7 dias de execução das tarefas, os grupos tornaram-se a se reunir com a discussão dos eventos bioquímicos observados durante as atividades. Nesse momento o tutor continuou como facilitador do processo ensino-aprendizagem, guiando a discussão.
Para Avaliação da Aprendizagem, um questionário contendo 10 questões objetivas foi aplicado em 100% dos alunos antes e depois das atividades propostas como forma de avaliar a aquisição do conhecimento. Para avaliação do porcentual de erros e acertos, foi utilizado o programa Microsoft Excell® 2011.
Como forma de avaliar a impressão individual foi sorteado 10 alunos para entrevista semiestruturada. A entrevista foi realizada por uma terceira pessoa para que não houvesse interferência nas respostas e nem constrangimento. Os discursos foram organizados em termos comuns e avaliados quanto ao seu conteúdo.
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Resultado
Foi possível observar que houve um aumento da motivação (80% dos entrevistados) por parte dos alunos em compreender o assunto disparado, visto que os mesmos participaram de todo o processo de construção do conhecimento. Ao avaliar os resultados do pré-teste, foi possível observar que, das 10 questões, houve um porcentual de acertos de 34,18%, demonstrando conhecimento prévios frente aos assuntos abordados. Porém, após a realização das tarefas, o porcentual de acerto subiu para 65,82%, com um aumento de 31,64% (1,92 vezes) de acertos. Após entrevista semiestruturada, os discentes relataram motivação (80%); clareza no assunto (60%); sensação de autonomia na busca do seu conhecimento e execução das tarefas (80%) e estímulos para o trabalho em equipe (100%). A maioria dos alunos também relatou que houve maior clareza na compreensão do conteúdo (80%). Além disso, a evolução do conhecimento dos alunos foi constatada de acordo com a análise das hipóteses e discussões após a execução das tarefas e análise do mapa conceitual.
Conclusão
As tarefas propostas nesse trabalho implicaram em processos cognitivos como raciocínio, classificação, organização de informação, trabalho em equipe, liderança e, sobretudo na transformação da informação de uma forma de representação para outra. Foi possível observar que neste caso a tarefa faz o aluno progredir, ativando os processos de aquisição e principalmente construção do conhecimento. Porém, estudos são necessários para que metodologias ativas de ensino na saúde seja explorada e aplicada nas universidades como forma de formar profissionais habilitados e competentes no nosso país.
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