2. Bölüm: Literatür
2.1. Anahtar Kavramlarla İlgili Açıklamalar
Os instrumentos de coleta de dados foram questionários, entrevistas individuais e autorrelatos.
Os questionários tiveram caráter exploratório, com intenção de se investigar as crenças que permeiam o processo de ensino e aprendizagem/aquisição de LE da terceira idade, principalmente com relação à “pseudoincapacidade” dos idosos. Inferimos acerca da existência dessas crenças e que, por vezes, elas não são verbalizadas nas salas de aula, tampouco em outros contextos, e que exercem influências significativas no referido processo. Outro intuito dos questionários foi de inferir possíveis motivos que levam ou levariam o aprendente da terceira idade a buscar o ensino de línguas, estando ou não inserido em ambientes de crenças que abordam a velhice de modo estereotipado. Dessa forma, elaboramos questionários que possibilitassem uma avaliação com maior confiabilidade dos dados, com a finalidade de extrapolar e/ou corroborar algumas percepções constatadas nas entrevistas.
Os questionários foram elaborados com duas partes: a primeira, com perguntas de cunho sociocultural. Inserimos esse questionamento sociocultural, compartilhando as ponderações de Jeremy (1991) e de Neri (1991) sobre os múltiplos aspectos da velhice:
122 Brasil depende de a quem e como ela é feita, o que aliás é verdadeiro em relação a qualquer pergunta. Não existe uma resposta única, porque o próprio fenômeno da velhice tem mú1tiplos significados, contextualizados por fatores individuais, interindividuais, grupais e socioculturais. O conhecimento científico, também contextualizado por esses fatores, desempenha um papel fundamental na atribuição de significados a esse objeto, à medida que justifica, explica e legitima determinadas práticas e atitudes em relação à velhice. (Neri, 1991, p. 33)
Essa parte dos questionários foi composta por uma combinação de questões abertas e de questões fechadas. As fechadas tiveram alternativas de múltipla escolha, sendo que em algumas, incluímos na alternativa “outros” um espaço para que os dados não previstos nas alternativas anteriores fossem registrados. Dessa forma, caracterizou-se como questionário misto, seguindo a categorização abordada por Vieira Abrahão (2006, p. 222): “o questionário misto, envolvendo questões fechadas e outras abertas, tem sido empregado com o propósito de levantar informações pessoais, curriculares, expectativas e mesmo crenças”.
A característica complementar e exploratória da segunda parte desses questionários nos fez utilizar somente perguntas abertas. “Os questionários construídos com itens abertos têm por objetivo explorar as percepções pessoais, crenças e opiniões dos informantes. Buscam respostas mais ricas e detalhadas do que aquelas obtidas por meio de questionários fechados.” (Vieira Abrahão, 2006, p. 222)
No processo de elaboração dos questionários também foram tomados alguns dos cuidados ressaltados por Vieira Abrahão (2006), tais como nível de linguagem, conhecimento dos informantes, brevidade, clareza das perguntas e extensão do instrumento.
Elaboramos oito tipos de questionários, categorizados pelas características dos participantes da pesquisa. As modalidades e respectivas descrições se deram da seguinte forma:
Questionário A1, voltado a aprendentes regularmente matriculados na UATI pesquisada, porém sem estarem matriculados nas aulas de línguas. Foram distribuídos e respondidos 15 questionários.
Questionário A2, focado em aprendentes regularmente matriculados na UATI, os quais haviam feito opção por uma língua estrangeira. Foram distribuídos e respondidos 12 questionários.
Questionário B, direcionado a professores da UATI, professores atuantes em diversas áreas do conhecimento, inclusive aos formados no curso de Letras.
123 Foram distribuídos 15; obtivemos 12 respondidos. Um professor alegou falta de tempo para responder e os outros dois outros não deram retorno.
Questionário C, destinado a alunos regulares de um curso de Letras com dupla habilitação, necessariamente cursando a disciplina de Linguística Aplicada. Havia uma expectativa inicial de que, pelo menos, 15 participassem da pesquisa, mas apenas 6 retornaram. Tivemos problema de uma greve instaurada durante o semestre em que foi realizada a coleta de dados com esse público e acreditamos que o baixo número de retorno se deva a tal fato.
Questionário D, voltado a alunos regularmente matriculados em outros cursos de graduação, tanto em bacharelado quanto em licenciatura. Para que pudéssemos ter uma visão holística da percepção dos estudantes do curso de graduação sobre o processo de aquisição de línguas da terceira idade, selecionamos oito cursos, sendo eles, três de licenciatura e cinco de bacharelado. Nas licenciaturas, demos preferência a cursos que, em sua matriz curricular, oferecem conteúdos que sejam relacionados à reflexão sobre a questão do processo de envelhecimento. São eles: Pedagogia, Biologia e Educação Física. Quanto aos cursos de bacharelado, buscávamos uma representação de várias áreas do conhecimento e, dessa forma, optamos pelos cursos de Administração, Engenharia, Direito, Comunicação Social e Serviço Social. De cada um dos oito cursos selecionados, convidamos dois alunos para representá-lo. Assim, distribuímos 16 questionários e recebemos todos devidamente respondidos.
Questionário E, elaborado para professores de línguas, estrangeira ou materna, sem experiência docente em UATIs. Selecionamos três professoras que atuam no ensino superior, quatro que têm suas atividades no ensino médio, dois atuantes no ensino fundamental e uma da educação infantil. Dois, dos dez questionários distribuídos, não foram retornados. Não tivemos respostas dos dois professores do ensino fundamental e nem suas justificativas para o fato de não terem respondido aos questionários.
Questionário F, voltado ao que estamos chamando de “corpo dirigente” da instituição de ensino na qual foi realizada a pesquisa. Esse corpo foi formado por Diretor Acadêmico da Faculdade, Diretor Administrativo da Faculdade, oito coordenadores dos cursos de graduação pesquisados (acima relatados),
124 Coordenador do Núcleo de Pesquisa e Iniciação Científica da Faculdade, Coordenadora da UATI pesquisada36, Diretor do Colégio, Coordenador do Ensino Médio, Coordenadora do Ensino Fundamental e Coordenadora da Educação Infantil. Foram distribuídos 15 questionários; porém, só recebemos 13 preenchidos. A Coordenadora da Educação Infantil justificou sua abstenção por motivos de excesso de trabalho. O outro questionário foi devolvido em branco e, devido ao fato de todos os questionários terem sido anônimos e elaborados de tal modo que seria impossível identificar o seu autor, visando manter a confiabilidade dos dados e total sigilo em relação aos participantes de pesquisa, ficou inviável saber quais deles não responderam.
Questionário G, direcionado ao que estamos chamando de “cidadão comum”, ou seja, pessoas que representem a sociedade de modo geral, que nunca tenham frequentado uma UATI e que tenham acima de 45 anos, visto que essa é a idade mínima elegível para ser um aprendente “em potencial” das UATIs. Neste caso, distribuímos 15 formulários, mas tivemos a solicitação de mais três participantes de pesquisas que fizeram questão de contribuir para o estudo. Assim tínhamos distribuído 15 formulários e obtivemos 18 respostas37.
Em virtude da diversidade de informações e para melhor visualizarmos a relação de questionários distribuídos e do número de respostas recebidas por nós, por modalidade, elaboramos o gráfico a seguir:
36 No caso, a coordenadora também é responsável pelo Curso de Educação Física. Optamos por apenas um questionário, posto que sua visão de crença e motivação não seria alterada respondendo como Coordenadora da UATI ou como Coordenadora do curso de Educação Física, já que não havia perguntas vinculadas ao curso. Os questionários estão disponíveis nos anexos desta tese.
37 Dois participantes responderam em folhas anexas aos questionários que haviam sido distribuídos a outro participante e um participante respondeu no mesmo formulário da G2. Respectivamente eles foram cunhados de G16, G17 e G3.
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6. GRÁFICO 1: RELAÇÃO DE QUESTIONÁRIOS DISTRIBUÍDOS x RESPONDIDOS
Com a intenção de minimizar possíveis distorções em virtude de termos utilizado um número considerável de questionários (prática não muito usual nas recentes pesquisas da Linguística Aplicada), pretendíamos ter por volta de 15 questionários para cada modalidade, sempre respeitando as contingências contextuais, visando o não favorecimento ou desmerecimento de nenhum público. Totalizamos 100 questionários respondidos dos 113 distribuídos. Mesmo não tendo atingido o montante esperado, conseguimos manter equidade no volume de dados coletados, conforme demonstrado no gráfico a seguir:
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7. GRÁFICO 2: QUANTIDADE DE QUESTIONÁRIOS RESPONDIDOS POR CADA GRUPO
Também pensando na importância da obtenção de registros que revelam uma perspectiva social ampla, tentamos distribuir os questionários em três áreas:
Terceira Idade (TI), composta por pessoas que de algum modo tenham algum envolvimento com a terceira idade, que não seja o seu próprio fator etário;
Linguística Aplicada (LA), composta por pessoas que de algum modo tenham algum envolvimento com a área da Linguística Aplicada; e, Visão Geral da Sociedade (VS), composta por pessoas que não estejam
vinculadas ao item TI ou ao LA.
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8. GRÁFICO 3: ABRANGÊNCIA DOS QUESTIONÁRIOS
No decorrer da coleta de dados, entrevistas foram realizadas com aprendentes, professores, coordenadores e “cidadãos comuns” pesquisados. Em virtude do grande número de participantes de pesquisa não foi possível entrevistar todos. Realizamos 22 entrevistas, não estruturadas e semiestruturadas, visando atender os pressupostos qualitativos da pesquisa. Tomamos por base o modelo apresentado por Vieira Abrahão (2006):
As entrevistas semiestruturadas, por outro lado, são caracterizadas por uma estrutura geral, mas permitem maior flexibilidade. Neste tipo de instrumento, o pesquisador prepara algumas questões orientadoras ou procura ter em mente algumas direções gerais que orientarão o seu trabalho. Essas questões ou direções gerais são, então, utilizadas sem que se siga uma ordem fixa, o que permite a emergência de temas e tópicos não previstos pelo entrevistador. É um instrumento que melhor se adequa ao paradigma qualitativo por permitir interações ricas e respostas pessoais. Este tipo de entrevista tem a vantagem de permitir que as perspectivas dos entrevistadores e entrevistados componham a agenda da investigação. (op. cit., p. 223)
As entrevistas também surgiram de conversas informais, nas quais foram investigados tópicos pertinentes à pesquisa inseridos mediante indagação inicial. Essa modalidade de entrevista não estruturada encontra respaldo nas palavras de Vieira Abrahão (op. cit., p. 223): “temos as entrevistas não estruturadas ou informais, em que entrevistados e entrevistadores se
128 engajam em uma conversa livre com base nas questões e tópicos que orientam a investigação”.
Segundo Vieira Abrahão (2006), os autorrelatos são:
Relatos orais ou escritos de experiências pessoais. São construídos por meio de um número amplo de técnicas conversacionais, como entrevistas, discussões e conversas casuais ou por meio de relatos verbais escritos, como descrições pessoais e relatos de eventos da vida pessoal. (...) Esses relatos são intitulados por Woods de história de vida. Outros intitulam-nos de estórias, narrativas, biografias e autobiografias. (Vieira Abrahão, 2006, p. 224)
Por meio desse instrumento de coleta de dados é possível captar o percurso histórico da relação de ensino e aprendizagem vivenciada, explicitando de modo mais autônomo as ações, emoções, percepções e sensações decorrentes do processo da aquisição de uma LE.
O autorrelato foi solicitado por escrito, com a pretensão de deixar o participante o mais livre possível para escrever, sem que houvesse qualquer tipo de interferência da pesquisadora. Assim, essa reflexão foi solicitada por telefone ou e-mail, deixando de uma semana a quinze dias para que o participante a realizasse. Nosso objetivo foi obter um relato que refletisse a visão dos aprendentes acerca do seu próprio processo de ensino e aprendizagem de LE, sem que houvesse um direcionamento para as questões que julgávamos relevantes. A solicitação, verbal ou escrita, conteve a seguinte instrução: “Escreva sobre os motivos que te levaram a aprender uma língua estrangeira e relate essa sua experiência com o maior número de detalhes possíveis”. Foram solicitados e recebidos 10 autorrelatos.
Com o propósito de assegurar a confiabilidade e a validade da pesquisa, utilizamos uma gama diversa de instrumentos de coleta e seleção de dados – oito tipos de questionários, 22 entrevistas individuais com alunos, professores e coordenadores e cidadãos comuns, bem como 10 autorrelatos com participantes acima de 50 anos, os quais estão estudando ou estudaram até recentemente uma LE. Isso foi feito com o intuito de triangularmos os dados, processo que envolve número variado de fontes de coleta de dados, com a finalidade de cruzarmos as informações obtidas, gerando maior credibilidade nos resultados, visto que temos a convicção de que “nenhum instrumento é suficiente por si só, mas a combinação de vários instrumentos se faz necessária para promover a triangulação de dados e perspectivas”. (Vieira Abrahão, 2006, p. 221)
Desse modo, os autorrelatos e o questionamento sociocultural foram utilizados como ferramentas complementares, posto que os questionários e as entrevistas foram os dados primários principais no processo de análise e discussão de dados.
129 Ressaltamos que os três pilares desta pesquisa - crenças, motivação e competências do professor – foram investigados em todos os instrumentos de coleta de dados. Porém, devido à característica de cada grupo, a proporção focada em cada pilar foi equalizada. A seguir, apresentamos um quadro que evidencia os percentuais de cada pilar pesquisado nos grupos:
Questionários Crenças Motivação Competências
e entrevistas do Professor A1 40% 40% 20% A2 35% 50% 15% B 42% 42% 16% C 50% 35% 15% D 50% 50% - E 44% 31% 25% F 50% 50% - G 50% 50% - TOTAL 44% 43% 13%
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