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Kuzey Anadolu Fay Zonundaki Depremlerin İlk Hareket Analizi Sonuçları Kuzey Anadolu’da meydana gelen ilk hareket analizi 2 her şiddetli ve yıkıcı

4. BULGULAR ve TARTIŞMA bölümündeki çizelgeler:

3.1 Kuzey Anadolu Fay Zonundaki Depremlerin İlk Hareket Analizi Sonuçları Kuzey Anadolu’da meydana gelen ilk hareket analizi 2 her şiddetli ve yıkıcı

A clínica pública exige uma ampliação da escuta onde as falas serão recolhidas nos momentos e contextos mais diversos, tornando o caso algo sobre o qual a equipe se debruça e o analista, entre os outros trabalhadores da saúde mental, se posiciona com seu saber. O endereçamento do sintoma ou da queixa podem se fazer em direção à pessoa do analista, e assim ser trabalhado no contexto da transferência, mas se esse endereçamento não se faz o trabalho de leitura do caso não se dispensa. A criança e os adultos que a acompanham trazem uma série de questões que serão ouvidas, formando a problemática sobre a qual as tramas do caso se tecem, é nessa construção discursiva do caso que o analista trabalha, mesmo num contexto dispersivo. Se os pacientes chegam à instituição falando de suas questões a “qualquer um” é importante haver um lugar de endereçamento onde possam confluir as suas falas, porém, a figura do analista não é necessariamente o alvo central de confluência destas falas, havendo na instituição uma miríade de possibilidades de endereçamento. (ZENONI, 2000)

Ao analista compete ouvir esta polifonia na multiplicação das falas e poder trabalhar sobre o caso mesmo sem que sua figura se coloque em posição central no endereçamento dos pacientes.

A especificidade da prática em instituições, em relação à prática de atendimento individual, deixa de ser unicamente devido a logísticas ditadas, é preciso também ser elevado para o conceito de funcionamento da equipe . A prática entre "vários" não só reflete um certo estilo de relacionamento profissional que combina a affectio societatis e a responsabilidade de todos, é também uma construção da clínica que leva em conta o impacto de um real

como trans-disciplinar no qual cada interventor está em causa.5(Zenoni, sem

data)(tradução nossa)

Como citamos anteriormente as demandas da criança não necessariamente cumprem um endereçamento específico a alguém, na instituição, essa característica amplia as dificuldades de trabalho, pois a quantidade e variedade de profissionais que existem nesse espaço, faz com que a queixa do paciente se pulverize. Entre vários saberes e “especialidades” circula na instituição o que é dito pelos pacientes, convocando um olhar da equipe, que evitando um consenso unificador, deve dialogar com suas diferenças, para não haver apenas discórdia, mas sobretudo, para que a concordância entre os profissionais não seja um fator redutor na multiplicidade das perspectivas sobre o caso.

O diálogo entre os saberes é o pressuposto básico do atendimento multidisciplinar, ao analista entre vários também cabe problematizar a queixa e torna-la um caso sobre o qual se discute e pensa, é um dos papéis do analista diante da equipe dar contornos às falas, sintomas e angústias que são trazidos, para que um olhar se faça e o sofrimento seja visado apontando para uma perspectiva de tratamento, é parte do trabalho construir o caso (Alencar, 2013), elevando as queixas dispersas à altura de demandas, para que na instituição a falta de resposta direta ao paciente não seja lido como negligência.

O fluxo de pessoas nas instituições públicas de saúde mental também é algo que deve ser levado em conta, devido à rotatividade, tanto de pessoas atendida quanto de profissionais que são contratados e se desligam do serviço A cada ano se constitui um dinamismo onde cada saber, prática, solução ou problema que surge seja tratado a partir resoluções momentâneas. Uma transmissão que se torne perene é um esforço que deve, ao mesmo tempo, visar um referencial que dê preparação e ferramentas para o trabalho, mas que não cerceie a criatividade e a espontaneidade de pensar soluções para cada caso em seu contexto.

Apesar das competências de cada profissional serem específicas, as responsabilidades são partilhadas, há uma inter-responsabilidades da equipe multidisciplinar sobre o caso. Segundo Zenoni (2003) não se trata do analista se colocar como exceção no campo institucional, mas de modificar esse campo trabalhando entre

5 “La spécificité de la pratique en institution, au regard de la pratique de l’entretien à deux, cesse donc d’être uniquement due à des nécessitées logistiques, d’ailleurs inéliminables, pour être élevée au rang de concept du fonctionnement de l’équipe. Opérer «à plusieurs» ne traduit pas seulement un certain style de lien professionnel, qui concilieaffectio societatiset responsabilité de chacun, mais correspond aussi à une construction de la clinique qui prend en compte l’incidence d’un réel pour ainsi dire trans-disciplinaire par quoi chaque intervenant est concerné.”

vários, produzindo uma transmissão a partir de seu saber. Consideramos pertinente que o analista trabalhe produzindo uma transmissão e constituindo a direção política do tratamento com suas intervenções e pontuações no caso.

Na instituição, a questão não é apensa as condições de possibilidade para a prática de um psicanalista fora do seting, mas as condições de possibilidade de uma prática entre vários, analistas ou não[...] (Zenoni, sem data)(tradução nossa)6

A quantidade de interferências e atravessamentos presentes tanto na escuta da criança quanto no trabalho institucional nos exige sempre atuar em interface com outros saberes, assim pretendemos apontar a posição possível ao analista diante das principais questões que surgem nesta interface, pois, assim como há saberes que podem se alinhar aos princípios e à ética da psicanálise, há tantos outros radicalmente incompatíveis.

O limite da perspectiva multidisciplinar está no fato de que os diferentes campos teóricos que se quer reunir pressupõem concepções de “ser humano” incompatíveis e mesmo mutuamente excludentes. Assim, os campos teóricos diferenciados fazem furo no ideal de clínica proposto pela multidisciplinaridade. (VORCARO, 1999, p. 109).

Porém, tal incompatibilidade pode se firmar como profundamente frutífera se for reconhecido o ideal da “harmonia multidisciplinar” como uma ficção necessária para o trabalho institucional, desta forma a consistência imaginária do ideal unificador da multidisciplinaridade atuaria como um mínimo denominador comum entre os profissionais.

As adversidades entre os saberes são próprias da constituição deste campo, por isso não se deve sucumbir diante dos conflitos entre as diversas posições que se marcam na prática dentro da instituição; nem se deve aderir à ficção de harmonia tomando como objetivo irredutível apaziguar as tensões.

As múltiplas determinações que se desdobram diante de cada questão e as diversas leituras teóricas que tentam dar conta de uma parte da problemática constituem o que podemos colocar como um campo dispersivo de saberes. Há uma sobre determinação dos

6 Dans l’institution, la question n’est pas celle des conditions de possibilité de la pratique d’un psychanalyste hors du cabinet, mais celle des conditions de possibilité d’une pratique à plusieurs, analystes ou pas, que la psychanalyse oriente. Dès lors, il est logique que celui qui considère que l’application de la psychanalyse s’arrête à l’entretien avec un psychanalyste s’abstienne de travailler dans une institution psychiatrique. Mais il doit alors savoir qu’il abandonne le terrain à des thérapeutiques qui ne connaissent

problemas, seus constantes deslocamentos e as diversas teorias que tentam apreende-los formam uma dinâmica a que o psicanalista pode apreender, afinando sua escuta para o novo campo para, então, responder a partir de uma posição com seu saber.

A linguagem não dá conta de viabilizar a comunicação entre os profissionais, e para além uma alteridade ou um puro Real, o que o simbólico não dá conta de expressar é o jogo político que, malgrado a intenção ou a consciência, se faz entre cada corrente teórica na atuação dos profissionais. Os recursos da técnica psicanalítica que se construiu no setting tradicional, podem até determinado ponto amparar a atuação do psicanalista no trabalho em saúde mental, porém algo novo surge nesse campo, o que exigem reflexão, para assim organizar alguns princípios de uma clínica política (ROSA, 2013).

O trabalho no campo da saúde mental se faz levando em conta os laços sociais que o paciente estabelece e os que se rompem. Trabalhar com a lógica do território pressupõem tanto a realidade física do local de trabalho, do bairro onde a instituição se encontra e seus recursos, quanto o “território psíquico” do sujeito, seus convívios. No caso das crianças a relação com a instituição escolar se destaca, e, muitas vezes é com os profissionais desta instituição que devemos manter intercâmbio, como se eles constituíssem uma extensão da equipe, com todos os percalços e composições positivas que esse intercâmbio pode revelar.

O trabalho clínico com a criança convoca o analista a trabalhar entre instituições, principalmente entre a instituição de saúde mental e a escola, é parte do trabalho analítico pensar e promover essa articulação interinstitucional visando a rede que se forma entre os aparelhos (Alencar, 2013)

Benzer Belgeler