7. SÖZLEŞMELER VE SÖZLEŞME UNSURLARI
7.12 Anadolu Kırmızı Buğday Vadeli İşlem Sözleşmeleri
Trazemos nesta seção uma exposição sobre a modalidade epistêmica irrealis de forma a aclarar a motivação de tê-la tomado como um dos grupos de fatores em nossa análise, bem como uma discussão sobre a validade de ela ser usada como uma variável independente nessa pesquisa fundamentada no arcabouço teórico funcionalista.
Ao nos propormos a tarefa de analisar a alternância das formas verbais em orações independentes dubitativas na codificação da valoração epistêmica do falante, nos deparamos com um questionamento inquietante: “o falante, categoricamente, possui dúvida, incerteza
sobre o dictum nessas construções?” Se a resposta for positiva, estará conforme com o que
prescreve a norma gramatical de que em enunciados sob escopo de advérbios de dúvida o conteúdo proposicional codifica as noções semânticas de incerteza, dúvida, hipótese etc. Ao revés, se não, necessariamente teríamos de considerar na análise o componente pragmático- discursivo que privilegia a interação falante-ouvinte e que a “proximidade proporcionada pelo fluxo conversacional na atividade comunicativa, distancia o falante do comprometimento com
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a) Pimpão (1999) em seu trabalho já se atinha a isso, considerando o caráter multiproposicional do discurso e prevendo em sua hierarquia os níveis da semântica lexical, semântica proposicional e o nível pragmático- discursivo. b) Para verificar as várias formas de codificação da modalidade conferir Neves (2006, p. 167 – 169).
a informação proposicional, minimizando os efeitos da subordinação característica do nível sintático-semântico” (PIMPÃO, 1999, p.113), onde teríamos contexto propício à alternância.
Nessa perspectiva, acreditamos que o falante, visando a um dado objetivo comunicativo e considerando a informação pragmática do seu ouvinte, pode valer-se de: estratégias que rompam com os paradigmas de uso da norma instituída de ordem sintático- semântica com vistas a causar um efeito em sua mensagem, prevendo certa recepção do ouvinte; uma estratégia discursiva para enfatizar um elemento na construção, bem como enfatizar uma dada função.
Nesse sentido, considerando a competência pragmática do falante e segundo o
princípio da polidez de Brown e Levinson (1987), pode-se sugerir que os enunciados
dubitativos sejam construídos como estratégia que visa à harmonia na interação, de atenuação sobre o dictum, de distanciamento da responsabilidade sobre o dictum, de modéstia, de
preservação da face do ouvinte, etc., sem que necessariamente implique que o falante tenha
incerteza, dúvida quanto ao conteúdo proposicional sob escopo dos advérbios modalizadores. Dessa forma, estaria em conformidade com a proposta de Givón (1995, 2001) em assentar as bases da modalidade em moldes comunicativos acerca do julgamento do falante e do ouvinte, pois teríamos, nitidamente no caso dos advérbios de dúvida, o descolamento entre as noções semânticas prototipicamente veiculadas por esses advérbios e a atitude valorativa do falante.
Essa afirmativa é coerente com o exposto, pois mesmo que o falante não tenha dúvida, incerteza sobre o que diz, ele assim o transmite ao ouvinte. Nesse sentido, para atingir dado efeito no ouvinte faz uso dos modalizadores com os quais demonstra não possuir evidências, convicção, devido à escolha de expressar-se usando os modalizadores de dúvida. O ouvinte poderá, ou prever essa estratégia do falante se a informação for inferível ou pressuposta (um exemplo prototípico, a ironia), ou, dada a fraca asserção, transmitida como incerta, possível, duvidosa, refutar, desafiar a veracidade do conteúdo proposicional veiculado. Esse desafio é até esperado pelo falante.
A partir do questionamento inicial exposto acima, surgiram alguns desdobramentos em nossas considerações: 1) Os enunciados com advérbios de dúvida possuem, todos eles, a modalidade irrealis subjacente, ou seja, todos são classificados como
irrealis? 2) Nesses enunciados, tanto a seleção dos advérbios de dúvida quanto das formas
verbais estariam relacionadas a um grau escalar de certeza epistêmica do falante? 3) Concebendo esse continuum da atitude valorativa do falante em enunciados dubitativos, seria mais prudente falarmos em um continuum do irrealis ou em um continuum circunscrito na
interface realis-irrealis já que se supõe uma oscilação do polo de certeza à incerteza? 4) Se há
irrealis subjacente à proposição sempre haverá valor de incerteza no julgamento do falante?
Buscamos orientar-nos na proposta de Givón sobre modalidade epistêmica vinculada ao contexto comunicativo. Podemos ver a representação da interação comunicativa nesse esquema representativo exposto em Pimpão (1999, p. 53):
O processo cognitivo desencadeado entre os participantes do ato comunicativo configura-se em um processo bi-direcional, perpassando: intenção comunicativa
=> estratégias linguísticas (falante) e estratégias linguísticas => intenção comunicativa (ouvinte).
Considerando-a na análise em enunciados dubitativos, a proposta givoniana nos afirma que a modalidade epistêmica é um submodo de irrealis e que os advérbios modalizadores epistêmicos (em especial os de dúvida como tal vez) instauram o irrealis sobre conteúdo proposicional que esteja sob seu escopo (GIVÓN, 1995).
Seguindo a lógica da proposta do autor norte-americano, deduz-se que todos os enunciados dubitativos (assim considerados dada a presença de advérbios e locuções adverbiais de dúvida) são por excelência codificadores do irrealis, pois a presença dos advérbios de dúvida permitem ao ouvinte, como visto acima, uma inferência pragmática de baixa asserção, de dúvida, incerteza, e, assim, desafiar e questionar a verdade do que é dito. Desse modo, cremos haver respondido ao questionamento 1.
Destarte, sabendo que o contexto situacional e as diversas situações de interação permitem ao falante, como já visto acima, fazendo uso de estratégias discursivas distintas, expressar diferentes graus de certeza em enunciados dubitativos. A esse caráter escalar dos graus de certeza em enunciados dubitativos, o consideramos um caráter escalar inerente do
irrealis nessas proposições, nomeando-o a identidade gradativa do irrealis. Cremos, assim,
ter respondido à questão 3. A questão 2 refere-se às hipóteses i e ii listadas acima em 2.1. Já quanto à questão 4, já dissertamos acima que partimos do pressuposto de que em enunciados dubitativos, ou seja, inerentemente irrealis, há um grau escalar que oscila entre certeza e incerteza epistêmica, portanto, se irrealis não necessariamente há incerteza epistêmica.
Objetivamos, portanto, fazer uma satisfatória colaboração, um aporte aos estudos que tratam a variável em foco no que diz respeito à hipótese de que em orações dubitativas há um valor escalar do epistêmico irrealis e que os advérbios e locuções adverbiais dubitativos
(tal vez, a lo mejor, quizá(s), acaso, probablemente, posiblemente, seguramente), assumindo a
função de modalizador, seriam uns especializados a codificar mais certeza e outros incerteza. Por conseguinte, a modalidade não está exclusivamente presa às formas verbais, pois é
favorecida a alternância com o indicativo, onde se prevê dentro da tradição normativa a presença do subjuntivo, veiculando uma mensagem com o mesmo valor de verdade na interação comunicativa. Nesse sentido, na apreensão da modalidade se deve considerar o contexto, tanto discursivo (caráter multiproposicional) como extralinguístico (pragmático).
Em suma, neste capítulo elencamos os principais pontos da Sociolinguística Variacionista que norteia a nossa pesquisa ao conceber a variação como algo inerente ao sistema linguístico que nos permite, assim, sistematizar o estudo do fenômeno variável subjuntivo/indicativo. E também expusemos os conceitos do Funcionalismo Linguístico que nos dão subsídios para a análise dos resultados.
Passaremos, na próxima seção, a uma apreciação de trabalhos que versam sobre a variável em foco.