No município de Betim, os serviços de coleta de esgotos, apesar do grande aumento na
oferta entre os anos de 1991 e 2000, ainda cobrem um pequeno número de domicílios.
Todavia, o índice incremental de atendimento vem aumentando com rapidez: de 1970 a
1980, ele foi 18,9%, de 1980 a 1991, 46,7%, e de 1991 a 2000, 101,8%.
20A COPASA (antiga COMAG) é a concessionária dos serviços de abastecimento de água
em Betim desde 1971. Em 1982 tornou-se também responsável pela implantação do
esgotamento sanitário. Os termos do contrato de concessão seguiram o perfil político e
institucional da época em que foi firmado, com amplos direitos à concessionária, que, de
acordo com seu exclusivo critério, deveria elaborar os planos de prioridade para execução
das obras de saneamento. Não previa a participação municipal no setor ou o controle social
e, com conteúdo eminentemente financeiro, não abordava aspectos de bem-estar e
qualidade de vida.
Essas bases contratuais definiam a forma de atuação da Prefeitura de Betim no saneamento
básico, que, principalmente durante as décadas de 70 e 80, tinha um papel de mera
espectadora das ações da COPASA no município. Tal situação começou a mudar a partir
de 1993, quando, em setembro, a partir de levantamentos feitos pela equipe técnica da
Prefeitura e das prioridades definidas pela população por meio do Orçamento Participativo
e das Conferências Municipais de Saúde e Meio Ambiente, foi firmado convênio entre a
prestadora e a Prefeitura Municipal, originando o programa Betim: Saneamento Urgente −
o mais amplo cronograma de ações conjuntas em abastecimento de água, coleta e
tratamento de esgotos feito no município até então. Foram definidas responsabilidades,
metas e datas para ampliação das redes de saneamento básico e o atendimento de regiões
específicas sem acesso aos serviços. O convênio propunha soluções mais baratas do que as
convencionais para a coleta de esgoto, como o sistema condominial, e abordava um ponto
crítico do município: a ausência de tratamento de esgotos. O monitoramento e controle do
acordo seriam feitos por meio de relatórios mensais elaborados pela COPASA, contendo
informações técnicas, operacionais e financeiras, e por um grupo de trabalho formado com
representantes de ambas as partes. Com o Programa Betim: Saneamento Urgente, a
administração municipal voltou a interferir na gestão do saneamento básico, atuando
conjuntamente com a prestadora estadual e modificando procedimentos de gestão
arraigados pela cultura do PLANASA. Foram soluções encontradas no interior do próprio
contrato de concessão. Em setembro de 1997, para dar continuidade ao programa Betim:
Saneamento Urgente, um segundo convênio entre Prefeitura e COPASA foi firmado
(vigência até março de 2000), em que, além da ampliação das redes de abastecimento e
coleta, a ênfase foi o tratamento dos esgotos da cidade, que acabou sendo negligenciado
pela prestadora no convênio anterior. Restou definido que a concessionária deveria se
encarregar da implantação de oito estações de tratamento, bem como de seus respectivos
interceptores, cinco delas com início previsto até seis meses após a assinatura do convênio
(Cançado e Costa, 2008).
No dia 23 de março de 2000 foi assinado TAC entre o Ministério Público do Estado de
Minas Gerais, o Município de Betim e a COPASA. De acordo com esse TAC, a COPASA
se comprometeria a, no período de 31 de março de 2000 a junho de 2005, executar todas as
obras necessárias para a implantação do sistema de esgotamento sanitário do município
(coleta e tratamento), no valor total estimado em R$ 58.010.000,00 (cinqüenta e oito
milhões e dez mil reais). Entre as obrigações da COPASA, previa-se a construção de
interceptores, redes coletoras, oito estações de tratamento de esgoto, recuperação da lagoa
de estabilização existente no bairro Cidade Verde, implantação de até 40 quilômetros de
redes de esgoto coletoras por ano e execução das ligações domiciliares, em diversos bairros
do município de Betim. O descumprimento de quaisquer das cláusulas por culpa exclusiva
multa diária no valor de 200 salários mínimos, e o descumprimento de qualquer cláusula, a
partir da assinatura do termo de acordo, sujeitaria a compromissária ao pagamento de
multa no valor de 50 salários mínimos. Tais penalidades deveriam ser recolhidas ao Fundo
Municipal de Meio Ambiente, criado pela Lei Municipal n.º 3.274, de 20 de dezembro de
1999, o que garantia a permanência de todos os recursos em Betim.
A assinatura do TAC decorreu de um processo iniciado em 1993, quando foi instaurado
pelo Ministério Público Estadual inquérito civil para apurar a responsabilidade pela
ausência de ETEs na cidade, omissão que estaria causando sérios danos ambientais. A
investigação apurou que a responsabilidade seria da COPASA, o que serviu de base para
que o Ministério Público do Estado de Minas Gerais ingressasse, em 28 de novembro de
1997, com ação civil pública por danos causados ao meio ambiente em face dela (ACP
027.97.013.060-8), com o objetivo de compeli-la à obrigação de viabilizar e promover a
completa estruturação do sistema de esgotamento sanitário do município. Antes da
prolação da sentença, as partes compuseram-se, firmando o termo de compromisso, que foi
homologado judicialmente, colocando fim à demanda judicial. Todavia, diante do
descumprimento pela COPASA de obrigações pactuadas em tal termo de compromisso,
ingressou o Ministério Público com duas ações executórias (ação de execução de obrigação
de fazer e ação de execução por quantia certa contra devedor solvente) em face da
COPASA, ajuizadas em 30 de agosto de 2005 e ainda em trâmite na Comarca de Betim.
Em 1º de dezembro de 2004, novo contrato de concessão de serviços públicos de
abastecimento de água e esgotamento sanitário foi firmado entre o Município de Betim e a
COPASA, com prazo de vigência de 38 anos, contados a partir de sua celebração. Esse
contrato prevê a obrigação da concessionária de: I − operar, manter e conservar os
Sistemas Públicos Municipais de Abastecimento de Água e Esgotamento Sanitário,
garantindo à população suprimento adequado, continuidade e permanência dos serviços;
II − cientificar o Chefe do Executivo Municipal dos planos de prioridade que serão
elaborados para execução de todas as obras e serviços dos sistemas; III − fornecer
informações ao Município sobre qualquer obra ou atividade desenvolvida no seu território,
bem como sobre a qualidade e confiabilidade dos serviços (Cláusula Segunda).
Tal contrato impõe ao Município a obrigação de exigir, como requisito para a aprovação de
loteamentos e condição prévia para o parcelamento e/ou urbanização da área loteada, a
prévia implantação de projetos completos de abastecimento de água e esgotamento
sanitário, que deverão ser submetidos ao prévio exame e aprovação pela empresa
concessionária.
Belgede
II. TÜRK‹YE MUHASEBE FORUMU
(sayfa 24-200)