TÜRK DİL KURUMU, (1988) Türkçe Sözlük, Türk Dil Kurumu Yayınları: 549, Ankara.
GRESSION ANALYSIS
5. Ampirik Analiz: Veri, Yöntem Ve Model
ENTRE AS PESSOAS NO TRABALHO
Neste capítulo iremos abordar algumas variáveis organizacionais, presentes nas
empresas capitalistas, e a sua influência no estabelecimento de processos competitivos ou
cooperativos entre as pessoas, no ambiente de trabalho.
A
razão de estarmos restringindo nosso escopo
àapenas algumas variáveis
organizacionais decorre, não só, da nossa falta de pretensão quanto a esgotar o assunto,
como também, da nossa crença em estar elegerido as mais relevantes e que mais influenciam
no estabelecimento dos referidos processos. Deste modo, nos limitaremos a abordar as
seguintes variáveis: a divisão do trabalho, a hierarquia, o poder e a autoridade.
Conforme mencionado no capítulo anterior, a distribuição de tarefas, isto é, a
divisão do trabalho já se fazia presente nas sociedades escravista e feudal, não sendo
portanto uma invenção da sociedade capitalista. Esta última, entretanto, inovou ao conceber
uma forma de divisão do trabalho que propiciou a transferência do controle sobre o produto
e sobre o processo de produção, que originalmente estavam nas mãos dos trabalhadores,
para as mãos do empresário.
Segundo Marglin ( 1996):
[No sistema corporativo 1 o artesão membro de uma guilda controlava o produto e o processo
de produção ( .. . ) üál na dh·isão do trabalho de tipo capitalista ( .. . ) a tarefa do trabalhador
tomou-se tão especializada e parcelada, que ele não tinha praticamente mais produto para vender e, em conseqüência, devia submeter-se ao capitalista para combinar o seu trabalho
com o dos outros operários e fazer, do conjunto, um produto mercantil (Marglin, 1996,
A adoção pelo empresariado da divisão capitalista do trabalho, a partir do
putting-out system20 , de acordo com Marglin (1996), teve como propósito inicial garantir
para si a coordenação das iniciativas individuais dos trabalhadores, necessárias à obtenção
de um produto comercial.
Posteriormente, segundo este mesmo autor, já no sistema de fábrica ifactory
system), a divisão do trabalho foi concebida de modo a atender, também, a outros interesses
específicos da classe empresarial, dentre os quais:
- o de assumir o controle sobre trabalho, que no sistema corporativo era
daresponsabilidade do próprio trabalhador; e,
- o de prescrever a natureza do trabalho e a quantidade a ser produzida,
que, no sistema corporativo, também eram determinadas pelo trabalhador.
Cabe aqui ressaltar que, embora os defensores da divisão capitalista do trabalho,
dentre os quais Adam Smith, em A Riqueza das Nações, Frederick Winslow Taylor,
emPrincípios de Administração Cientifica, e Henri Fayol, em Administração Industrial e
Geral, dentre outros, a recomende alegando razões de superioridade tecnológica, segundo
Marglin (1996), o real motivo da sua adoção pelos empresários foi que a mesma lhes
permitia obter maior lucro, a partir da exploração do fator de produção: trabalho humano.
Para Marglin ( 1996) a divisão capitalista do trabalho de fato não incorpora a
20 Sistema em que o capitalista distribuía aos artesãos, de quem comprava o produto acabado, a matéria
superioridade tecnológica alegada por Adam Smith, no primeiro capítulo de A Riqueza
dasNações.
Segundo Smith (1985):
Esse grande aumento da quantidade de trabalho que, em conseqüência da divisão do
trabalho, o mesmo número de pessoas é capaz de realizar, é devido a três circunstâncias
distintas: em primeiro lugar, devido à maior destreza existente em cada trabalhador; em
segundo, à poupança daquele tempo que, geralmente, seria costume perder ao passar de um
tipo de trabalho para outro; finalmente, à invenção de um grande número de máquinas que
facilitam e abreviam o trabalho, possibilitando a uma única pessoa fazer o trabalho que, de
outra forma, teria que ser feito por muitas (Smith, 1985, p.43)
.
Contrapondo-se ao primeiro argumento de Smith, que imputa
àdivisão capitalista
do trabalho a virtude de propiciar o aumento da destreza do trabalhador, Marglin ( 1996)
sustenta que somente nos casos em que as qualificações do trabalhador ultrapassem um
determinado nível de complexidade, no qual se tome mais dificil o seu aprendizado, é que a
produção em especialidades separadas se justificaria.
Com relação ao segundo argumento de Smith, referente a economia de tempo,
Marglin (1996) afirma que a mesma não se deve
àespecialização mas
àseparação das
tarefas e a duração de uma atividade.
Assim, de acordo com Marglin (1996):
Para compensar 'o tempo que é habitualmente perdido ao passar de um tipo de trabalho
para outro', bastará continuar uma única e mesma atividade o tempo suficiente para que o
período de implantação tome-se uma porção insignificante do tempo de trabalho total. A
economia de tempo exigiria, quando muito, que cada operário mantivesse uma única
atividade durante vários dias (Marglin, 1996, p
.
45).
Já no que conceme ao terceiro argumento de Smith, que se refere a invenção de
máquinas para facilitar e abreviar o trabalho, Marglin (1996) acredita que a divisão
capitalista do trabalho, impondo ao operário tarefas monótonas, isoladas de conteúdo e
desprovidas de sentido, na realidade, não contribui mas, muito pelo contrário, enfraquece a
sua propensão para a invenção.
Da mesma forma que a divisão capitalista do trabalho, a hierarquia e a
organização hierárquica da produção não se estabeleceram, na empresa capitalista, com o
propósito de contribuir para a eficácia técnica. O real motivo para sua adoção foi assegurar
a acumulação de capital.
Segundo Marglin (1996):
Interpondo-se entre o produtor e o consumidor, a organização capitalista permite gastar,
para a expansão das instalações e melhoria dos equipamentos, muito mais do que fariam os
individuos, se pudessem controlar o ritimo de acumulação do capital ( ... ). A função social
do controle hierárquico da produção consiste em permitir a acumulação do capital ( ... ). As
sociedades aquisitivas - pré-capitalistas ou socialistas - criam instituições graças às quais as
coletividades determinam a taxa de acumulação. Na sociedade capitalista moderna, a taxa
de acumulação é determinada principalmente pela grande empresa, o truste. Sua hierarquia
( ... ) decide qual parte das receitas será destinada ao aumento dos meios de produção. Na
falta de controle hierárquico da produção, a sociedade deveria ou criar instituições igualitárias para assegurar a acumulação de capital, ou contentar-se com o nível de capital já acumulado (Marglin, 1996, p.4 1-42).
Embora não tenham sido criadas pelos capitalistas, a hierarquia e a organização
hierárquica do trabalho, no sentido de atender
àinteresses específicos dos mesmos,
incorporaram com a implantação do sistema de fábrica, características distintas daquelas
que apresentavam nas sociedades pré-capitalistas.
Marglin (1996) aponta três diferenças básicas entre a hierarquia capitalista e a
pré-capitalista. São elas:
- na hierarquia pré-capitalista tanto quem ocupava o ápice quanto a base era
um produtor. O mestre artesão não se limitava a indicar o que o aprendiz
deveria fazer, isto é, trabalhava junto com ele. Já na capitalista os
superiores hierárquicos não participam diretamente da produção;
-a hierarquia pré-capitalista era linear e não piramidal.
A
partir de um certomomento o aprendiz seria companheiro e, da mesma forma, um dia um
companheiro se tomaria mestre. Nas empresas capitalistas são
extremamente raros os casos em que trabalhadores, admitidos na base,
conseguem alcançar o topo da pirâmide hierárquica�
- no sistema corporativo, o artesão se relacionava diretamente com o mercado, sem intermediários, vendendo um produto e não a sua força de trabalho. Deste modo, detinha o controle tanto sobre o produto como sobre o processo de trabalho.
A
institucionalização da divisão capítalista do trabalho e da hierarquia capitalista,em substituição àquelas que vinham sendo adotadas na vigência do sistema corporativo, impactou, não só, as relações de produção, como também, as relações sociais de produção, face a reconfiguração dos critérios que passaram a determinar a distribuição da autoridade e do poder, dentro das organizações.
Segundo Marglin ( 1 996), o segredo do sucesso da fábrica e a sua adoção, não decorreu, a princípio, da superioridade tecnológica das grandes máquinas, mas sim da transferência do controle do processo de produção, das mãos dos trabalhadores, para as mãos dos capitalistas, que passaram a impor disciplina e a fiscalizar os primeiros.
A
partir do momento em que os empresários conquistaram o controle sobre oprocesso de produção, tomava-se necessária uma estrutura organizacional que contemplasse, além dos trabalhadores, vinculados exclusivamente aos processos produtivos,
um
quadro administrativo21
que garantisse a dominação do capital sobre o trabalho.Em
função disso, as organizações produtivas passaram a ser constituidas por três grupos
distintos: um formado pelos capitalistas, um formado pelos representantes dos capitalistas e
o outro pelos operários.
A fim de que o quadro administrativo pudesse cumprir as atribuições que lhe
foram conferidas pelo capitalista - que consistiam, fundamentalmente, na redução de custos
e na maximização da produção através da imposição de disciplina, fiscalização e controle -
fez-se necessário o estabelecimento de novas formas de exercício da autoridade e
distribuição do poder entre as pessoas no trabalho,
emsubstituição aquelas que
caracterizavam os modos de produção anteriores.
Neste sentido, segundo Braverman (1981):
Nas oficinas do 'mestre'medieval o controle baseava-se na obediência, que os costumes da época exigiam dos aprendizes e diaristas, ao homem que os contratava para o servirem.
Mas, na fase posterior da economia doméstica, a unidade familiar industrial era controlada
pelo tecelão, apenas na medida em que ele tinha que completar certa quantidade de pano, de
acordo com determinado padrão. Com o surgimento do moderno grupo industrial em
grandes fábricas, em zonas urbanas, todo o processo de controle passou por uma revolução
fundamentaI. Era agora o proprietário ou gerente de uma fábrica, isto é, o
'empregador'como veio a ser chamado, que tinha de obter ou exigir de seus 'empregados'
um nível de obediência e de cooperação que permitisse exercer controle. Não havia interesse
pessoal no êxito da empresa a não ser na medida em que permitisse um meio de vida.
(Braverman, 1981, p.68-69).
Deste modo, a autoridade22 do mestre-artesão alicerçada em um pode� há muito
tempo estabilizado, decorrente, principalmente, da tradiçã024 e do conheciment02S , que
caracterizava as relações sociais de produção na vigência do sistema corporativo, foi
22 Baseada na crença da legitimidade do poder, segundo Bobbio (1993, p.90).
23 Com relação à variável poder , neste trabalho, sentimos a necessidade de não associá-la exclusivamente
aos tipos de dominação definidos por Max Weber (1994, p.141). Neste sentido, adotamos também a tipologia proposta por Rosa R. Krausz (1991).
24 Isto é, associado à dominação tradicional, segundo a tipologia estabelecida por Weber (1994, p.141).
25 Poder decorrente do conhecimento que o sujeito detém, segundo a tipologia adotada por Krausz (1991,
substituida pela autoridade derivada de um poder legaf6 atribuído aos representantes do
capital, isto é, um poder de posiçã027 .
Consistindo na capacidade ou possibilidade de uma pessoa ou grupo de agir, de
produiir efeitos, de determinar o comportamento de outra pessoa ou grupo, o poder,
segundo Bobbio (1993), na esfera social, não é uma coisa ou a posse dessa coisa
masdecorre de uma relação entre as pessoas. Assim, a partir do momento em que uma pessoa,
ou grupo, não aceita se submeter às determinações de outrem, o poder deixa de existir.
o poder se utiliia de uma infinidade de meios, instrumentos e objetos, para a sua
prática, e pode ser exercido de várias formas, dentre as quais: pela persuação, pela
manipulação, pela ameaça de uma punição ou p'ela promessa de uma recompensa.
Face à patente perda na qualidade de vida, que o sistema fabril impunha aos
trabalhadores, comparada com a que lhe era propiciada tanto pelo trabalho artesanal como
pelo trabalho no campo, os integrantes do quadro administrativo certamente não
conseguiriam, utiliiando simplesmente a persuação, convencê-los a assumir uma forma de
comportamento que, para atender aos interesses do patrão capitalista, viesse a ferir os seus
próprios interesses.
Esta situação foi verificada por Braverman (1981), conforme abaixo:
Dentro das oficinas, a gerência primitiva assumiu formas rígidas e despóticas, visto que a
criação de uma 'força de trabalho livre' exigia métodos coercitivos para habituar os
empregados às suas tarefas e mantê-los trabalhando durante dias e anos. Pollard observa
que 'havia poucas regiões do pais em que indústrias modernas, sobretudo as têxteis, instaladas em grandes ed.ificios, não estavam associadas com prisões, reformatórios e orfanatos ( . . . )'. Ele acha tão generalizado este e outros sistemas de coerção que é levado a concluir que 'o moderno proletariado industrial foi levado ao seu papel não tanto pelo atrativo ou recompensa monetária, mas pela compulsão, força e medo'.
As compulsões legais e uma estrutura informal de castigo no seio das fábricas foram
frequentemente ampliadas num completo sistema social que abrangia jurisdições inteiras
26 Isto é, associado à dominação legal, segundo a tipologia estabelecida por Weber (1994, p. 141).
27 Poder decorrente do lugar ocupado pelo sujeito na estrutura organizacional, segundo a tipologia adotada
( .. . ) Em seus primeiros esforços, os capitalistas ( .. . . ) tendo criado novas relações sociais de produção, e tendo começado a transformar o modo de produção, viram-se diante de problemas de administração que eram diferentes não apenas em escopo mas também em tipo, em relação às características dos processos de produção anterior. Sob as novas e especiais relações do capitalismo, que pressupunham um contrato livre de trabalho, tiveram que extrair de seus empregados aquela conduta diária que melhor serviria aos seus interesses (Braverman, 1981 , p.67-68).
Com o advento da fábrica, portanto, as formas de exercício do poder que
caracteriiam o autoritarismo28 se integraram às relações sociais de produção. A partir de
então, o autoritarismo foi definitivamente incorporado à gestão empresarial, não sendo por
acaso que a maioria dos teóricos da administração incorporaram em suas teorias elementos
explícitos ou subliminares, para reforçar a sua necessidade - como o fizeram Fredrick W.
Taylor e Henri Fayol, dentre outros - ou disfarçar a sua presença - como o fizeram Douglas
Murray MacGregor e Rensis Likert, dentre outros.
Neste sentido José Henrique Faria (1985) afirma que:
[O] máximo avanço da teoria administrativa em direção à democratização da gestão vai até as noções de alargamento e enriquecimento do trabalho e das estruturas matriciais, onde a participação nas decisões reduz-se às tarefas parceladas. Não se questiona a propriedade dos meios de produção e o controle do processo de produção, mas se enfatizam formas de manipulação, incu1camento, envolvimento no trabalho e na ideologia burguesa.
O que permanece sempre invariante nos diversos enfoques da Teoria Geral da Administração é toda uma concepção autoritária de gestão. A teoria administrativa é, assim, uma teoria da gestão autoritária das organizações (Faria, 1985, p. 186).
Uma vei conhecidos os pressupostos históricos que fundamentaram a divisão do
trabalho, a hierarquia, a autoridade e o poder, na empresa capitalista, passemos a avaliação
da influência dessas variáveis no estabelecimento de processos competitivos ou cooperativos
entre as pessoas, no ambiente de trabalho.
28 Bobbio (1993) define autoritarismo como: "( .. . ) uma situação na qual as decisões são tomadas de cima,