• Sonuç bulunamadı

3. KENT VE OTOMOBİL

3.2. Amerikan Kenti, Yollar ve Otomobil

O embasamento teórico desta pesquisa será mediado por dois modelos teóricos. São eles: o modelo de discrepância, de Provus (1971), e o da teoria da ação, de Argyris e Schön (1974) e Argyris, Putnam e Smith (1990). Como dito anteriormente, trata-se de uma pesquisa de caráter avaliativo, na qual se busca confrontar o real (teoria em uso) com o ideal (teoria manifesta). Os dois modelos fornecem condições de identificar o Conselho de Classe ideal e o real dentro do contexto de uma escola.

O modelo de Argyris tem o objetivo de captar o comportamento real e os mapas mentais do professor no Conselho de Classe e o modelo de discrepância que identificará as distâncias entre o ideal e o real deste Conselho.

No modelo de Provus, a discrepância descreve incoerências e erros que normalmente acontecem nas avaliações. Inicialmente, Provus tenta fazer uma análise da ineficácia da avaliação. Seu modelo aponta cinco estágios: 1) Modelo, 2) Instalação, 3) Processo, 4) Produto, 5) Custo. Em cada um desses, uma comparação é feita, entre a prática (real) e a teoria (ideal). A comparação mostra diferenças entre padrão e realidade; essa diferença é chamada discrepância. Antes de uma comparação ser feita, um padrão precisa ser estabelecido.

O Estágio de Avaliação 1 – Modelo – refere-se à elaboração do modelo do programa que se pretende utilizar em dada realidade. Tal modelo deve ser desenvolvido por um especialista, obedecendo a critérios de solidez e a uma significativa base teórica.

No Estágio de Avaliação 2 – Instalação –, compara-se o programa utilizado (real) com os dados e os processos propostos pelo novo modelo (ideal). O objetivo dessa comparação é determinar a extensão na qual o programa-modelo foi instalado. Por exemplo: ao se construir um sistema de bombeamento de água, precisa-se de um modelo detalhado da planta, a fim de adquirir conhecimentos específicos sobre o assunto, como o nível da água, localização da bomba e todos os detalhes sobre ela. Uma vez de posse do modelo, é possível construir tal sistema. Quando se compara a operação e o modelo, notam-se certas discrepâncias. Essas discrepâncias podem derivar de deficiências na instalação do sistema; ou deficiências no modelo. Em função desses erros, todo o sistema pode apresentar falhas estruturais, ocasionando sua ineficácia. Tomando ciência dessas diferenças, alguns ajustes deverão ser feitos.

É possível, da mesma forma, ajustar ambos, o modelo e a operação, de um programa de educação. Com base nas informações de discrepância apontadas, espera-se que se façam os devidos ajustes até que o modelo e a operação estejam de acordo. Uma vez que isso tenha sido feito, teremos um programa educacional estável, e a avaliação pronta para mudar para o Estágio 3.

No Estágio de Avaliação 3 – Processo –, é investigada a relação entre o processo iniciado a partir dos Estágios 1 e 2 e o produto provisório atingido. Assim, o modelo padrão (ideal) refere-se à sua proposta de qualificação e a realidade é o grau em que os produtos provisórios são alcançados.

No Estágio de Avaliação 4 – Produto –, compara-se o grau nos quais o produto final foi alcançado (realidade) com as especificações do modelo do programa padrão. No Estágio de Avaliação 5 – Custo –, será feita a análise do custo do programa em andamento (realidade) com o custo do modelo (ideal) a ser instalado. Na base da comparação, é possível tomar uma decisão política para continuar ou parar o programa.

Agora que se passou pelos cinco estágios da avaliação e se identificaram o padrão e a realidade de cada estágio, pode parecer que os estágios são relativamente independentes e realizados em seqüência. Esse não é o caso. Há uma grande dinâmica de ligação e movimento entre os estágios. Por exemplo, a comparação entre modelo e padrão no Estágio 1 pode mostrar muitas discrepâncias, na elaboração do projeto isolado. No Estágio 2, quando a operação do programa é comparada ao modelo, pode haver tantas discrepâncias que levarão a um número de comparações, seguidas de ajustes e novas comparações, para provar que a operação de programa é razoavelmente parecida com o modelo de programa.

O Modelo de Discrepância demonstra no Estágio 3 que um conjunto definido de processos não está produzindo os objetivos temporários específicos. A avaliação deve voltar

ao estágio de modelo para definir um novo conjunto de processos. Esses processos devem ser instalados e checados, e os objetivos temporários em questão devem ser novamente mensurados. Assim, se vê que os três primeiros estágios são interativos. Um trabalho de avaliação acontecerá indo e vindo pelos estágios, até que todos os padrões sejam alcançados. No Estágio 4, no entanto, continua-se monitorando a instalação do programa para obter a certeza de que este é o nível especificado, o programa é ajustado, e o produto final é mensurado, aplicando- se um modelo experimental ou quase-experimental. Finalmente, no Estágio 5, os resultados de trabalho do Estágio 4 serão usados para auxiliar a análise do custo-benefício.

Em resumo, a discrepância no modelo de avaliação usa os três primeiros estágios de avaliação para o desenvolvimento e a estabilização do programa e o quarto e quinto estágios para avaliação do programa.

Como mencionado anteriormente, o modelo de Argyris e Schöen (1974) surge de sua prática como pesquisadores, educadores e consultores, trabalhando com a teoria da ação. Esta se manifesta de duas maneiras: a teoria manifesta e a teoria em uso. A teoria manifesta é aquela que um indivíduo afirma seguir. A teoria em uso é aquela que se pode inferir das ações praticadas por aquele indivíduo. Por exemplo, quando questionado sobre como lidar com uma situação de desacordo com o cliente, um consultor administrativo disse que primeiro estabeleceria o que entendeu ser a essência da discordância e então debateria com o cliente sobre que tipos de dados a resolveriam. Essa era sua teoria manifesta. Porém, quando examinamos uma gravação do que o consultor realmente fez naquela situação, descobrimos que ele advogou seu próprio ponto de vista e dispensou o do cliente.

A diferença entre o que as pessoas dizem e o que elas fazem é uma história antiga e pode ser expressa no ditado: “faça o que eu digo, não faça o que eu faço”. Mas a distinção entre teoria manifesta e teoria em uso vai além desse conceito comum. Assim, pode-se

afirmar que há uma teoria que é consistente com o que as pessoas fazem, e é a isso que chamamos de teoria em uso. A distinção não é entre teoria e ação, e sim entre duas diferentes teorias: aquela que as pessoas adotam e a que elas usam.

Uma razão para insistir no fato de que o que as pessoas fazem é coerente com a teoria (em uso) que elas defendem, ainda que isso seja incoerente com a teoria manifesta, é para enfatizar que o que as pessoas fazem não é acidental. Não lhes “ocorre simplesmente”. Ao contrário, sua ação é planejada e, como agentes, elas são responsáveis pelo planejamento.

Como já visto no capítulo anterior, a teoria manifesta e a teoria em uso pode ser consistente ou inconsistente e o agente pode ou não estar consciente de quaisquer inconsistências. O agente é consciente da teoria adotada, por definição, visto que é a teoria que ele afirma seguir. Conforme enfatizam várias abordagens da investigação social, os seres humanos podem ser compreendidos por agir conforme regras que não conseguem estabelecer.

As teorias em uso são os mapas cognitivos, geralmente tácitos, pelos quais os seres humanos planejam a ação. Elas podem ser explicitadas por meio da reflexão sobre a ação, mas se deve observar que o ato de refletir em si é regido por teorias em uso.