• Sonuç bulunamadı

2. KURAMSAL TEMELLER VE KAYNAK ARAŞTIRMASI

2.2. Ameliyat İplikleri

2.2.4. Ameliyat ipliklerinin sınıflandırılması

Quando do nosso ingresso no curso de Arquitetura da UFPA, no ano de 1990, percebermos que o curso apresentava em sua grade curricular disciplinas cujas ementas tinham por base: o projeto de arquitetura; o planejamento urbano; o conforto ambiental e o desenho geométrico e artístico. Em síntese, era um curso lógico, racional e mecanicista, no qual sua relação com o campo das Ciências Sociais deu-se, apenas, com esporádicas disciplinas como Psicologia Aplicada a Arquitetura e Introdução a Educação.

Hoje percebemos que o então evidente “tecnicismo acadêmico” fez como que nos esquivássemos do mundo real; do entendimento acerca da identificação dos saberes e fazeres quer implícitos ou não, e dos elementos materiais ou imateriais que o compõem. Observamos que a reconstrução do conhecimento de si e do mundo em volta, mesmo sem fazer parte e sem dominar códigos culturais locais, adentra no campo antropológico a fim de descortinar a relação entre o nativo e sua paisagem de pertença, sendo esta última moldada em função da cultura local.

Nas relações entre dados pesquisados, em estruturas superpostas e intimamente interligadas, explicamos a prática da etnografia na arquitetura,

23Termo técnico cunhado pelas pesquisadoras Rocha e Eckert (2001, p. 8) “para definir

o OUTRO na interação de pesquisa de campo, (...), aportando uma consciência histórica a nominação”.

alicerçando o entendimento, a interpretação do objeto em estudo e sua relação com atores sociais, os quais ao interagirem têm suas ações descritas, interpretadas e compreendidas pelo pesquisador. Uma vez que na relação etnógrafo-nativo a familiarização deu-se após algumas interações no campo de investigação, não apenas coletando informações e sim “vivenciando” sua cultura e interiorizando-a para entendermos o significado de seus comportamentos.

Segundo Laplantine (2000, p. 150) quando se confrontaram ações do etnógrafo, do historiador e do sociólogo, inerentes a percepção de nuances que distinguem a aquisição de informações, percebemos que o historiador não concretizou o contato pessoal que o etnógrafo perpetrou, pois o historiador não se relacionou diretamente com membros da sociedade que estudou, mas sim selecionou e investigou testemunhos anteriormente obtidos. Acerca da sociologia, o sociólogo manteve uma distância do objeto em estudo, sendo sempre capaz de ter uma explicação e solução para qualquer problema apresentado. Essas dinâmicas de abordagem consideram a visão de mundo do Outro envolvido no estudo, porém não entram diretamente em contato com ele.

Na busca de dados, o etnógrafo não segue parâmetros rígidos de pesquisa, uma vez que todo achado, até imprevistos e erros, constituem-se em informações que o pesquisador leva em conta. O etnólogo atina exatamente a “detalhes” do cotidiano rejeitados pelo historiador e pelo sociólogo. A presente pesquisa deslocou ao centro de interesse das ciências sociais, explorando o que foi de mais habitual e mais fútil. No centro do método etnográfico adotado para a pesquisa, buscamos dados em grupos sociais menores e mais periféricos. De acordo com Laplantine (2000, p. 150):

A etnografia é antes a experiência de uma imersão total, consistindo em uma verdadeira aculturação invertida, na qual, longe de compreender uma sociedade apenas em suas manifestações “exteriores” (Durkeim), devo interiorizá-la nas significações que os próprios indivíduos atribuem a seus comportamentos.

Portanto, não existe nenhum território particular à etnografia, a qual estudou as formas de comportamento e a sociabilidade daquilo que não foi formalizado e institucionalizado. Esta abertura a novas áreas de investigação interdisciplinar tornou-se uma renovação de conceitos epistemológicos na prática científica.

Na dinâmica empregada durante a abordagem antropológica partimos do pressuposto de que no campo tudo deve ser considerado, mesmo sem possuir semelhanças com objeto em estudo. Dados e observações precisaram ser referenciados na sua multiplicidade, de modo que fossem relacionados com a sociedade na qual se inseriram.

A antropologia estuda, por intermédio de práticas simbólicas e cotidianas, o contexto no qual são difundidos os objetos e suas relações com o cenário social, a fim de que os atores, sob uma ótica mais abrangente, pudessem refletir acerca do valor que sua cultura, atual e passada, representa em relação aos contextos culturais. O nativo vive em seu lugar de pertença, cabe ao pesquisador desvendá-lo.

De acordo com Laplantine (2000), o método etnográfico objetiva o entendimento acerca de outras sociedades através do desprendimento de si mesmo a fim de poder confrontar e comparar diversos aspectos entre as sociedades estudadas. O pesquisador coleta dados e os critica minuciosamente para depois compará-los, não isoladamente, mas dentro de um sistema estruturado de relações entre si, onde o estudo de textos etnológicos produz informações tanto da sociedade do observador quanto do observado.

A sociedade é estruturada em condições históricas e culturais de uma determinada época, na qual a coleta etnográfica está diretamente ligada ao contexto social e temporal, ao qual pertence o pesquisador. A neutralidade do pesquisador não existe, uma vez que este é parte integrante do objeto em estudo. Logo, esse passa a fazer parte do estudo e sua presença em campo influenciou nas atitudes das pessoas estudadas e no entorno do ambiente. Ninguém permaneceu indiferente e a subjetividade, que fez parte da relação de troca, deve ser transposta na pesquisa.

Laplantine (2000) observou ainda que o fato do pesquisador ser colocado em contato com outra cultura o faz perceber seus saberes e fazeres, lançando um olhar “pra dentro de si mesmo”. O distanciamento em relação aos métodos usados pela outra cultura faz parte da pesquisa. Essa aproximação proporcionou um novo olhar, redirecionando-o a romper os limites da cultura da qual emergiu.

A prática da antropologia finalmente, baseada sobre uma extrema proximidade da realidade social estudada, supõe também, paradoxalmente, um grande distanciamento (em relação à sociedade que procuro compreender, em relação à sociedade à qual pertenço). (LAPLANTINE, 2000, p. 158).

Apresentamos a etnografia como ferramenta efetiva para coletar dados, não apenas de modo sistemático e "braçal", mas sobretudo de maneira intelectual, pois suas interpretações levaram a uma "descrição densa”, na qual conseguimos por meio da percepção e da interpretação de significados simbólicos, hierarquizar situações mediante uma real significância de um ato (GEERTZ, 1978. p. 15-20).

Na análise do etnógrafo, a explanação de dados apresentados foi uma busca pelo entendimento crítico de camadas da interação, sobrepostas e interligadas umas às outras, tornando a cultura um sistema simbólico passível de interpretações semióticas para o seu entendimento. De acordo com Max Weber (apud GEERTZ, 1978, p. 15) “(...) o homem é um animal amarrado a teias de significados que ele mesmo teceu”.

Geertz (1978) foi pioneiro em conceber a etnografia essencialmente como uma negociação política que marca o contato entre o pesquisador e o nativo durante a pesquisa de campo e a formalização textual da interpretação dos resultados da investigação.Rocha e Eckert (2001, p. 23), demonstraram que

a efemeridade de nossa passagem, entretanto, certamente nos impede de desvendar uma série de códigos locais, etiquetas, segredos, não ditos, gestos, olhares e ações que nos passam despercebidos, e que apenas uma continuidade da pesquisa de campo neste espaço pode elucidar.

Na descrição densa está o objeto da etnografia, sendo uma hierarquia estratificada de estruturas significantes em torno das quais os “gestos” foram produzidos, percebidos e interpretados, sem as quais eles não existiriam. Para Geertz,

Fazer etnografia é como tentar ler um manuscrito estranho, desbotado, cheio de elipses, incoerências, emendas suspeitas e comentários tendenciosos, escritos não com os sinais convencionais do som, mas com exemplos transitórios de comportamento moderno (GEERTZ, 1978, p. 20).

Tendo por base os estudos de Eckert e Rocha (2001), a prática das incursões realizadas na presente pesquisa ratificou as diferentes temporalidades e obstáculos implícitos no processo de uma etnografia em sociedades complexas, objetivando percebê-las a partir de símbolos e significados atribuídos por indivíduos que pertenceram aos lugares com a qualidade de modificar e de influenciar o tempo e o espaço, proporcionando uma cadência no cotidiano citadino, pois foi na cidade que percebemos como o homem retratou, através de símbolos, sua maneira de ver o mundo.

A etnografia de rua usada em estudos de Arquitetura foi uma estratégia de atingir a pluralidade humana por meio de atividades exercidas e materializadas pelo homem em suas construções. O meio urbano guarda entre suas ruas e edificações fundamentos emblemáticos de seus habitantes e suas maneiras de se viver em sociedade, as quais proporcionaram alterações na paisagem urbana. Coube ao etnógrafo “desvendar” o genius loci pesquisado.

Descrever a cidade, sob um tal ponto de vista, é conhecê-la como locus de interações sociais e trajetórias singulares de grupos e/ou indivíduos cujas rotinas estão referidas a uma tradição cultural que as transcende. Conhecer uma cidade é, assim, não só apropriar-se de parte de um conhecimento do mundo, ou seja, os saberes e fazeres dos habitantes e o que conheço desta experiência de pesquisa junto a eles, quanto desvendar o conhecimento na busca de situar meu próprio ser em relação ao ser do Outro na cidade. (ROCHA;ECKERT, 2001, p. 4).

Ao adentrarem em um cenário de pesquisa etnográfica, Eckert e Rocha (2001, p. 4) assinalaram que foi imprescindível o uso de instrumentos audiovisuais, auxiliando a assimilação “sobre a dinâmica das interações cotidianas e representações sociais “na” e “da” cidade”.