KAMU-ÖZEL SEKTÖR İŞBİRLİĞİ YÖNTEMLERİ
B. Altyapı Gayrimenkul Yatırım Ortaklıkları
O setor primário abrange, entre outros, a agricultura, sendo essa atividade de grande importância cultural, social e financeira para o país. Dentre as culturas de maior impacto estão as de soja, milho, e cana-de-açúcar devido aos altos níveis de produção, e de café, especialmente com relação às possibilidades de ganho no beneficiamento. A cafeicultura pode ser considerada uma das atividades com maior importância histórica, econômica e social para o desenvolvimento do Brasil (CRUZ; MATTIELLO, 2005). Devido às condições climáticas favoráveis encontradas no Brasil, a produção do café se espalhou rapidamente, após o ano de 1727, quando o primeiro plantio se deu no estado do Pará, na região sul brasileira. No entanto, foram as plantações no sudeste do país que fizeram com que a cultura do café fosse reconhecida (ABIC, 2016).
A produção do café é oriunda de aproximadamente 300 mil produtores em todo o território nacional, gerando mais de oito milhões de empregos no país, aumentando o acesso à saúde, educação e programas de inclusão digital que capacitam jovens e adultos (MAPA, 2016). A cafeicultura no país é bastante dispersa geograficamente e com a maior parte dos
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produtores sendo caracterizada como de pequeno porte, sendo que, desses, 70% possuem propriedades com menos de 50 hectares (CRUZ, MATTIELLO, 2005).
O país é considerado o maior produtor e exportador de café no mundo, o que corresponde a 30% do volume do grão vendido no mercado internacional (MAPA, 2016). As exportações de café em 2015 foram de 37,12 mi de sacas de 60 kg, proporcionando um valor correspondente a US$ 6,15 bi para o saldo da balança comercial (7% do agronegócio nacional). Além disso, esse montante ficou em quinto lugar no ranking de exportação de bens do agronegócio, ficando atrás apenas do complexo da soja, carnes, bens florestais, complexo sucroalcooleiro, respectivamente. Os principais países importadores foram União Europeia, EUA, Japão, Canadá, Turquia, México, Argentina, Rússia, Coreia do Sul, Venezuela, Líbano, Austrália, Noruega, Síria e Chile, entre outros (MAPA, 2016).
No Brasil, a cafeicultura possui algumas particularidades que não são convencionais nos demais países produtores. De acordo com o MAPA (2016), a cafeicultura brasileira pode ser considerada uma das mais exigentes do mundo em relação a questões sociais e ambientais, havendo uma preocupação em garantir a produção de um café sustentável.
Além disso, a atividade cafeeira se desenvolve mediante rígidas legislações trabalhistas e ambientais, que visam respeitar a biodiversidade e todas as pessoas envolvidas na cafeicultura. Entretanto, apesar da rigidez das legislações ambientais, os problemas trabalhistas acerca da produção e manejo são ainda objeto de atenção por parte do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE, 2016), que estima que em algumas regiões, pode haver até 61% dos trabalhadores na informalidade, o dobro da média que se tem na área urbana.
Conforme mostra a Figura 9, a produtividade da área plantada do café tende a ser superior em um ano e inferior no seguinte, apresentando sazonalidade (estimativa dos resultados da safra 2015):
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Figura 9 – Produção de café no Brasil em mil sacas beneficiadas
Fonte: Elaborado pela autora a partir do Relatório da Safra de café - CONAB (2016).
A Figura 9 destaca a produção na região sudeste, com produção muito superior às demais regiões brasileiras. No entanto, somente a produção de Minas Gerais representa uma parcela superior à 50% de toda a safra nacional, sendo atualmente o principal estado produtor. Dada a importância do estado de Minas Gerais para a produção de café no país, a próxima subseção explora a questão da cafeicultura em suas mesorregiões (CONAB, 2016).
A importância de Minas Gerais no cenário nacional da cafeicultura se acentuou principalmente após o reconhecimento das áreas do estado com melhor aceitação pela cultura em meados do século XX. Isto porque, os até então maiores produtores Paraná e São Paulo, além de terem perdido parte da produção, devido a problemas climáticos inesperados com geada, tiveram ainda que lidar com a apresentação do Plano de Renovação e Revigoramento dos Cafezais liderado pelo IBC - Instituto Brasileiro do Café, que motivou a inclusão de áreas produtivas extensas no cerrado mineiro.
Desde então, a cafeicultura vem sendo considerada atualmente como uma das áreas mais dinâmicas da agricultura no estado (PELEGRINI; SIMÕES, 2010). Isso porque, conforme os autores, a cafeicultura passa por um processo de transformações e reajustamento, como decorrência de uma reestruturação tecnológica, de processos migratórios de mão de obra e de impactos de oscilações cambiais.
No setor cafeeiro estima-se que existam mais de 90 cooperativas que participam, em média, de 28% das transações para o cultivo do grão (BIALOSKORSKI NETO, SOUZA, 2004). Wilkinson (2009) afirma que a produção cafeeira proporciona inovações especialmente
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no aspecto organizacional, fomentando novas empresas de bens e serviços (em conjunto com cooperativas e grandes produtores) que fornecem sistemas de produto-serviço vinculados aos aluguéis, à prestação de serviços e à terceirização. (WILKINSON, 2009)
O perfil do produtor de café e das cooperativas agropecuárias que lhe dão suporte também têm se modificado com o passar dos anos (BARA, 2015), passando a ser mais competitivo, visualizando a lavoura como um negócio lucrativo, que deve primar pela qualidade do grão e, com isso, oferecer melhores retornos ao investimento.
No mercado b2b, além de um relacionamento bem estruturado, Maglio e Spohrer (2008) afirmam ainda que os sistemas de serviços demandam a criação de esforço interdisciplinar, incluindo maior interação com pessoas, maior tecnologia, entre outros, de modo que a proposta de valor seja maior e a informação seja compartilhada a cada oportunidade. Um ponto relevante no cultivo do café em Minas Gerais é a existência de condições ambientais diversas, com ampla variedade de microclimas, zonas de transição entre vegetações e relevos diferenciados (PELEGRINI; SIMÕES, 2010). A Figura 10 evidencia a representatividade das regiões mineiras no cenário nacional. (BARA, 2015)
Figura 10 – Produção cafeeira em mil sacas beneficiadas (estimativa 2015)
Fonte: Relatório da Safra de café - CONAB (2016).
A Figura 10 destaca a produção de Minas Gerais, subdividindo-a em quatro principais regiões produtoras no estado. A maior região produtora é a região Sul e Centro-Oeste, sendo responsável por produzir quase metade do café do estado, seguida das regiões Zona da Mata
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(Zona da Mata, Rio Doce e Central) e do Cerrado (Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste), cuja produção é semelhante. A região do Sul e Centro-Oeste do estado, segundo Romaniello e Rezende (2011), comporta-se diferentemente das demais regiões produtoras de café; a demanda por tecnologias para cultivo do grão ocorre de maneira mais consistente, apesar de não ser a região mais mecanizada. Esses fatores, segundo os autores, remetem às diferentes características da região com relação à questão ambiental e da estrutura econômico-social dos cafeicultores. Tais diferenças refletiriam, ainda, na infraestrutura das propriedades rurais, nos sistemas de manejo utilizados, em aspectos sociais, e na composição do parque cafeeiro.( ROMANIELLO ; REZEND E, 2011)
No estado, após a região do Sul de Minas, que representa até 50% da produção, destacam-se as regiões da Zona da Mata e do Cerrado, que representam produção semelhante, mas mantêm características de produção distintas. A Figura 11 mostra a localização dessas regiões, evidenciando a representatividade de cada uma na produção nacional (CONAB, 2016 – Avaliação da safra 2014/2015).
Figura 11 – Regiões de nível de produção similar em Minas Gerais.
Zona da Mata Cerrado
28% da safra estadual. 15% da safra nacional.
21% da safra estadual. 11% da safra nacional.
Fonte: Elaborado pela autora.
Apesar de serem regiões produtoras de grande importância no estado de Minas Gerais, a Zona da Mata e o Cerrado possuem características distintas com relação ao desenvolvimento regional e participação de entidades de classe na produção. Considera-se que, devido a essa diferenciação, possam apresentar resultados divergentes na oferta de PSS, de nível de servitização dos fornecedores e de relacionamento com o cliente.
A mesorregião da Zona da Mata de Minas Gerais destaca-se na produção cafeeira, sendo as cidades na proximidade de Manhuaçu as maiores produtoras (Associação Comercial de Manhuaçu – ACIAM, 2014), com até 30 mil produtores de café (IBGE, 2013), composto
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principalmente por pequenos produtores. A região das Matas de Minas, formada pelos polos cafeeiros de Manhuaçu, Muriaé e Viçosa, produz aproximadamente 6 milhões de sacas, sendo que somente a área de Manhuaçu corresponde a mais da metade do total da região (3,3 milhões de sacas em 2011).
Dada a alta produção, a cidade de Manhuaçu, é a segunda na avaliação do PIB total, superando outras 140 cidades da Zona da Mata e ficando atrás apenas de Juiz de Fora (IBGE, 2013). Dados disponibilizados pela ACIAM (2014) afirmam que uma das principais características da produção da Zona da Mata que influencia fortemente no aumento dos custos de produção é o tipo do terreno. Na região existe predominância do terreno montanhoso, sobressaindo-se o plantio e colheita manuais. (ACIAM., 2014).
De acordo com o coordenador técnico da EMATER-MG (Regional de Manhuaçu), Paulo Roberto Vieira, em entrevista para a ACIAM (2014) na região existe cerca de 90 propriedades cafeeiras certificadas pelo Certifica Minas Café, programa do Governo de Minas Gerais, executado pela SEAPA, por meio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (EMATER) e do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), que estimula boas práticas de produção e de gestão para agregar valor ao café mineiro.
Em um outro extremo de produção, está a região do Cerrado de Minas Gerais, cuja principal característica é a alta mecanização das atividades na produção cafeeira. Pellegrini e Simões (2010) afirmam que, apesar da área de cultivo e produção total ainda em desenvolvimento, essa mecanização permite elevados índices de produtividade, além de favoráveis condições de meio: topografia, altitude, disponibilidade de água para irrigação e luminosidade. Dessa forma, a agricultura de precisão e sistemas mais sofisticados tecnologicamente podem ser empregados, bem como pode-se ter uma visão mais empresarial da produção agrícola (PELLEGRINI; SIMÕES, 2010).
Dadas a relevância e a diversificação entre as regiões do Cerrado e da Zona da Mata de Minas Gerais, optou-se pela avaliação da servitização nessas duas regiões.