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BÖLÜM III ELEKTROMANYETİK TERS SAÇILMA PROBLEMİNİN ÇÖZÜMÜ 35

3.1.4  Altuzay optimizasyon yönteminin DBIM ve VBIM uygulaması

A maior empresa de criação de cidades desenvolvida por um povoado, uma nação ou um império em toda a história, foi a realizada pela Espanha na América a partir de 1492, que ‘encheu um continente de cidades traçadas reticularmente, com uma concepção não igualada pela metrópole’∗.

As primeiras cidades da América Latina de que se tem testemunho datam da época pre-hispânica. Cidades construídas em meio da natureza sem representar uma ameaça para o sistema ambiental que as circundava, organizações sociais que já apresentavam um espaço público organizado e uma estrutura urbana muito desenvolvida. Exemplos representativos dessas

construções citadinas são as cidades pré-colombianas que constituíam os impérios maia, inca e asteca. O desenvolvimento tecnológico apresentado pelas cidades pré-hispânicas, assim como o cotidiano de seus habitantes, foram registrados pelo pesquisador Luis Vitale (1983:41) com as seguintes palavras:

Em cada cidade aborígine havia muitas árvores, plantas, pastos, lagoas, riachos e outros componentes autótrofos que proporcionavam energia própria. A cidade indígena tinha entrada e saída próprias de energia. Esse tipo de cidade constituía uma unidade indissolúvel com o campo. A maioria dos habitantes da urbe se dedicava às tarefas agrícolas. Os indígenas se auto-abasteciam; não tinham necessidade de importar os alimentos essenciais, como se faz hoje em dia nas cidades modernas [...] O fato de que as cidades fossem o lugar de depósito da produção agrária mostra a íntima conexão entre a cidade e campo. [Trad. da autora]

Os europeus que chegaram à América do Sul entre os séculos XVI e XVII organizaram, em sucessivas expedições por terra, a repartição de reinos e encomendas, assim como a fundação de cidades sob o controle da Espanha. A força expansiva da ocupação espanhola nos territórios americanos respondeu a um processo paralelo de colonização e implantação de uma rede urbana. Na intenção de povoar o território americano, numerosas fundações espanholas aproveitaram os assentamentos indígenas pré-existentes implantando um plano de desenvolvimento que não considerava as condições culturais desses povos pré-hispânicos. A ocupação e o domínio europeus revelados no ato fundador do território latino-americano são considerados por José Luis Romero (2004:93) como um ato político, pois,

Os fatos repetiram-se muitas vezes de maneira semelhante. Um pequeno exército de espanhóis ou portugueses mandado por alguém que possuía uma autoridade formalmente inquestionável, e em geral acompanhado de um certo número de indígenas, chegava a

determinado lugar e, por escolha prévia mais ou menos cuidadosa do terreno, instalava-se nele com a intenção de que um grupo permanecesse definitivamente ali. Era um ato político que significava ao propósito – apoiado na força – de ocupar a terra e afirmar o direito dos conquistadores.

A fundação das cidades na América Latina era regida por normas específicas ditadas nas Ordenanzas de Felipe II e de Carlos V. Dessa maneira, o modelo clássico da cidade hispano-americana responde ao traçado em forma de tabuleiro de xadrez tipicamente européia estruturada da seguinte maneira: uma praça central da qual se originavam as ruas na forma de rede ortogonal. Ao redor da praça eram construídos os prédios mais importantes e, finalmente eram distribuídos os casarões, como pode ser observado até hoje na maioria das cidades latino-americanas. A modo de ilustração se reproduz a Ordenanza

de Carlos V datada em 1523:

E quando fizerem a planta do lugar, dividam-na por suas praças, ruas e solares a cordel e régua, começando da praça maior, e tirando a partir dela as ruas até as portas e caminhos principais, e deixando tanto espaço aberto que ainda que a população aumente consideravelmente, se possa sempre prosseguir e dilatar da mesma maneira. (In: CEHOPU, 1989) [Trad. da autora]

As primeiras fundações citadinas ocorridas em terras americanas foram as chamadas “cidades-fortalezas” (Romero, 2004:80), as quais tinham a função de fortes. Nelas os colonizadores se protegiam dos ataques indígenas e dos próprios europeus na disputa de terras. Portanto até finais do século XVI os fortes foram as primeiras fundações erguidas em território americano, como pode ser constatado no registro feito por Don Pedro de Valdivia20 no ano de

20

Pedro de Valdivia fundador de cinco importantes cidades chilenas: Santiago, Concepción, La Imperial, Valdivia e Villarica.

1545 e reproduzido por José Luis Romero (2004:80) em América Latina: as

cidades e as idéias,

Ordenei que se fizesse um muro de um estado e meio de altura, formando um quadrilátero de mil seiscentos pés, que levou duzentos mil tijolos e uma vara de cumprimento por um palmo de altura, feitos pelas próprias mãos dos vassalos V.M., e eu com eles e com nossas armas às costas, trabalhamos desde o começo até que se acabou, sem hora de descanso, e quando havia ataque de índios nele se abrigavam as crianças e os equipamentos, e ali estava a provisão que tínhamos armazenado, e os peões ficavam na defesa, e os que estavam a cavalo saíamos a percorrer os campos e lutar com os índios, e defender nossos plantios.

Mais tarde, na luta contra os índios surgem as “cidades de fronteira” (Romero, 2004:81), que serviam para delimitar os territórios pertencentes aos indígenas. Nesse processo de conquista, quando os espanhóis faziam esforços para se estabelecer no território latino-americano, a fundação de cidades cumpriu um papel fundamental, pois eram o centro do domínio espanhol numa determinada região e constituíam locais de concentração de onde partiam grupos de conquistadores para dominar outros territórios. As cidades transformaram-se, então, no símbolo da estabilidade e da permanência espanhola em território americano.

Além da cidade-fortaleza e das cidades de fronteira, surgiu também a chamada “cidade-porto” (Romero, 2004:81), território que inicialmente tinha como única função ser ponto de escala para o abastecimento de embarcações. Com o tempo estes redutos foram ganhando importância, chegando a desenvolver um papel fundamental no comércio marítimo com a metrópole. A crescente concentração de serviços oferecidos nesses portos estimulou o desenvolvimento de uma estrutura citadina que foi fortalecendo-se com o progressivo estabelecimento de instituições como:

[...] o contingente militar de defesa, as indústrias navais de recuperação, os grupos mercantis, os escritórios administrativos governamentais e, naturalmente, toda a população subsidiária que um centro dessa natureza sempre atrai (Romero, 2004:81).

As cidades-portos devido a sua localização e prosperidade alcançada desenvolveram uma infra-estrutura diferenciada: edificação de castelos ou fortalezas e muralhas de proteção contra os ataques de piratas que viam nessas cidades fontes de riqueza.

Cidades-portos como Buenos Aires, La Habana, Valparaíso ou Rio de Janeiro, atingiram uma intensa vida cosmopolita graças ao desenvolvimento comercial que beneficiou tanto o mercado interno quanto o mercado externo de seus respectivos países. A intensa atividade portuária e marítima dessas cidades propiciou também um processo modernizador mais intenso e rápido se comparadas com outras cidades latino-americanas. Contudo, o povoamento dos centros urbanos, na maior parte das cidades na América Hispânica, foi um processo lento, razão pela qual até meados do século XX a maior concentração de habitantes estava na área rural e não na urbana, como afirma Alan Gilbert (1997:43) em La ciudad latinoamericana:

Até pouco tempo atrás uma alta porcentagem de pessoas vivia no campo. Somente a Argentina, o Chile, Cuba e o Uruguai tinham uma maioria de população urbana em 1950 e, em 1960 menos da metade dos latino-americanos viviam nas cidades. [Trad. da autora]

As cidades latino-americanas através dos tempos têm vivenciado processos de desenvolvimento díspares a pesar de pertencer a um mesmo continente e de compartilhar experiências históricas semelhantes.

Benzer Belgeler