5.1. Estudo 1. Efeito agudo e crônico do TP realizado com diferentes IR entre as séries nas respostas neuromusculares de idosas treinadas.
A aderência ao protocolo de treinamento foi alta, com as participantes comparecendo em 99,0% das sessões. Somente uma participante se ausentou de cinco sessões. Nenhum evento adverso relacionado com o programa de TP foi observado. O ICC (R) para o teste de 15 RM foi de 0,90 (IC 95%; 0,76 – 0,96) no momento pré-treinamento e de 0,94 (IC 95%; 0,86 – 0,97) no momento pós- treinamento. Os ICCs (R) da CVM e TDFP do nosso laboratório são de 0,94 (95% CI; 0.85– 0.97) e 0,84 (95% CI; 0.63–0.93), respectivamente (GURJÃO et al., 2009).
O volume total de treino semanal e a soma das oito semanas de treinamento de ambos os grupos (G-1 min e G-3 min) é apresentado na figura 9. Em comparação com a 1ª semana, aumentos significativos (P < 0,05) no volume total de treino foram observados na 3ª, 5ª, 6ª, 7ª e 8ª semanas para o G-1 min e na 2ª, 3ª, 4ª, 5ª e 6ª semanas para o G-3 min. Entretanto, diferenças significativas não foram observadas (P > 0,05) entre os grupos no volume total de treino semanal e na soma das oito semanas de treinamento.
Figura 9. Médias e desvios-padrão do volume total de treino semanal e da soma das oito semanas
de treinamento para os grupos que treinaram com intervalo de recuperação de um minuto (G-1 min; n = 10) e três minutos (G-3 min; n = 11), em idosas treinadas. *Diferenças estatisticamente significativas (P < 0,05) quando comparado com a primeira série.
Na figura 10 estão apresentados os valores do TTER semanal e a soma das oito semanas de treinamento do G-1 min e G-3 min. Em comparação com a primeira semana, aumentos significativos (P < 0,05) no TTER foram observados na oitava semana para o G-1 min, e na segunda, terceira e quarta semanas para o G-3 min. No entanto, diferenças significativas (P > 0,05) entre os grupos não foram observadas no TTER semanal e na soma das oito semanas de treinamento.
Figura 10. Médias e desvios-padrão do tempo total de execução das repetições (TTER) semanal e
da soma das oito semanas de treinamento para os grupos que treinaram com intervalo de recuperação de um minuto (G-1 min; n = 10) e três minutos (G-3 min; n = 11), em idosas treinadas. *Diferenças estatisticamente significativas (P < 0,05) quando comparado com a primeira série.
5.1.1. Respostas neuromusculares agudas
Na tabela 1 são demonstrados os resultados isolados de cada grupo e momentos, para o NR, TTER, TTER/NR por série e o total de cada variável das sessões realizadas com os diferentes IR. Para o G-1 min, nos momentos pré e pós- treinamento, interações Condição x Momento significativas (P < 0,05) foram observadas para o NR (FВ1,20Г = 8,45, Kp2 = 0,32 e FВ1,20Г = 21,58, Kp2 = 0,54; respectivamente), TTER (FВ1,20Г = 4,12, Kp2 = 0,19 e FВ1,20Г = 11,84, Kp2 = 0,40; respectivamente). Para o TTER/NR, interação Condição x Momento significativa foi observada apenas no momento pós-treinamento (FВ1,20Г = 5,38; P < 0,05; Kp2 = 0,23). Para o G-3 min, nos momentos pré e pós-treinamento, interações Condição x Momento significativas (P < 0,05) foram observadas para o NR (FВ1,20Г = 15,61, Kp2 = 0,44 e FВ1,20Г = 25,90, Kp2 = 0,56; respectivamente), TTER (FВ1,20Г = 7,82, Kp2 = 0,28 e
FВ1,20Г = 19,26, Kp2 = 0,49; respectivamente), e TTER/NR (FВ1,20Г = 3,86, Kp2 = 0,16 e FВ1,20Г = 7,17, Kp2 = 0,28; respectivamente).
Nos momentos pré e pós-treinamento, o G-1 min e G-3 min apresentaram reduções significativas no NR da primeira para a segunda e terceira séries quando as sessões foram realizadas com IR-1 e IR-3. Diferenças significativas no NR entre as sessões de teste foram observadas na terceira série somente para o G-1 min no momento pré-treinamento, e na segunda e terceira séries no momento pós- treinamento para ambos os grupos. Para ambos os grupos e momentos, o NR total da sessão realizada com IR-3 foi significativamente maior quando comparada com a sessão IR-1. Em ambos os momentos, as sessões de teste realizadas com IR-1 e IR-3 apresentaram reduções significativas no TTER na segunda e terceira séries. O TTER total do G-1 min e G-3 min foi significativamente maior para a sessão realizada com o IR-3 em comparação a sessão IR-1 em ambos os momentos. Para ambos os momentos, o G-1 min e G-3 min apresentaram aumentos significativos no TTER/NR nas duas séries subseqüentes somente na sessão realizada com IR-1.
A figura 11 apresenta a sustentabilidade das repetições das sessões de teste utilizando os diferentes IR, isoladamente de cada grupo (G-1 min e G-3 min) e momentos (pré e pós-treinamento). Nos momentos pré e pós-treinamento, interações Condição x Momento significativas (P < 0,05) entre as sessões de teste realizadas com diferentes IR foram observadas para o G-1 min (FВ1,20Г = 7,05, Kp2 = 0,28 e FВ1,20Г = 12,81, Kp2 = 0,42; respectivamente) e G-3 min (FВ1,20Г = 10,13, Kp2 = 0,34 e FВ1,20Г = 24,96, Kp2 = 0,55; respectivamente). Para ambos os grupos e momentos, as sessões realizadas com IR-1 e IR-3 apresentaram reduções significativas (P < 0,05) na sustentabilidade das repetições da primeira para a segun- da e terceira séries. Entretanto, a sustentabilidade das repetições foi significativamente maior (P < 0,05) para o IR-3 na segunda e terceira série quando comparado ao IR-1.
G-1 min (n = 10)
Pré - treinamento Pós - treinamento
1ª série 2ª série 3ª série Total 1ª série 2ª série 3ª série Total
NR
IR-1 14,1 ± 1,0 7,6 ± 1,4a 6,5 ± 1,3a,b 28,2 ± 2,0b 14,1 ± 1,2 7,1 ± 1,3a,b 6,9 ± 1,2a,b 28,1 ± 2,7b IR-3 13,9 ± 1,0 9,9 ± 1,4a 9,1 ± 1,4a 32,9 ± 2,8 14,3 ± 0,9 11,1 ± 1,4a 10,1 ± 0,7a 35,5 ± 2,3 TTER (s) IR-1 34,3 ± 5,2 20,9 ± 4,7a 17,8 ± 3,2a 73,1 ± 10,2b 32,1 ± 4,6 17,9 ± 2,8a 17,4 ± 1,9a 67,4 ± 6,3b IR-3 34,7 ± 5,5 25,5 ± 2,9a 24,3 ± 4,9a 84,5 ± 11,0 32,0 ± 3,4 24,8 ± 2,6a 23,6 ± 3,1a 80,4 ± 8,0 TTER/NR (s.R-¹) RI-1 2,4 ± 0,3 2,8 ± 0,4a 2,8 ± 0,4a 2,6 ± 0,3 2,3 ± 0,2 2,5 ± 0,3a 2,6 ± 0,4a 2,4 ± 0,2 RI-3 2,5 ± 0,4 2,6 ± 0,5 2,7 ± 0,4 2,6 ± 0,4 2,2 ± 0,3 2,2 ± 0,2 2,3 ± 0,2 2,3 ± 0,3 G-3 min (n = 11) Pré - treinamento Pós - treinamento
1ª série 2ª série 3ª série Total 1ª série 2ª série 3ª série Total
NR
IR-1 14,0 ± 1,7 7,9 ± 1,9a 7,0 ± 1,3a 28,9 ± 4,3b 14,1 ± 0,7 6,9 ± 1,4a,b 6,6 ± 0,8a,b 27,6 ± 2,5b IR-3 13,9 ± 1,4 10,7 ± 1,4a 9,8 ± 2,0a 34,4 ± 4,2 14,0 ± 0,9 11,1 ± 2,1a 9,8 ± 1,9a 34,9 ± 4,1 TTER (s) IR-1 33,0 ± 6,1 20,0 ± 4,2a 17,7 ± 3,3a 70,7 ± 12,3b 30,3 ± 3,1 16,7 ± 2,5a 15,9 ± 2,9a 62,8 ± 7,7b IR-3 33,4 ± 5,9 25,9 ± 5,0a 23,5 ± 4,6a 82,9 ± 14,5 30,6 ± 5,0 24,0 ± 4,4a 21,7 ± 3,3a 76,3 ± 11,6 TTER/NR (s.R-¹) RI-1 2,4 ± 0,3 2,6 ± 0,5a 2,6 ± 0,4a 2,5 ± 0,4 2,2 ± 0,3 2,5 ± 0,4a 2,4 ± 0,4a 2,3 ± 0,3 RI-3 2,4 ± 0,3 2,4 ± 0,4 2,4 ± 0,5 2,4 ± 0,4 2,2 ± 0,3 2,2 ± 0,4 2,3 ± 0,4 2,2 ± 0,4
aDiferenças estatisticamente significativas quando comparado com a primeira série (
P < 0,05); bDiferenças estatisticamente significativas quando comparado ao
Figura 11. Médias e desvios-padrão da porcentagem de repetições por série das sessões realizadas
com intervalo de recuperação (IR) de um (IR-1) e três (IR-3) minutos, nos momentos pré e pós- treinamento para os grupos que treinaram com IR de um minuto (G-1 min; n = 10; Figura 11A) e três minutos (G-3 min; n = 11; Figura 11B), em idosas treinadas. *Diferenças estatisticamente significativas (P < 0,05) quando comparado com a primeira série; #Diferenças estatisticamente
significativas (P < 0,05) quando comparado com o IR-1.
A figura 12 apresenta o volume total das sessões de testes realizadas com os diferentes IR, isoladamente de cada grupo e momento. Para o G-1 min e G-3 min, as sessões de teste realizadas com IR-3 apresentaram volume total significativamente maior (P < 0,05), nos momentos pré (16,9% e 18,1%; respectivamente; figura 12A) e pós-treinamento (26,8% e 25,6%; respectivamente; figura 12B), quando comparada com a sessão IR-1.
Figura 12. Médias e desvios-padrão do volume total das sessões de teste realizadas com intervalo
de recuperação (IR) de um (IR-1) e três (IR-3) minutos, nos momentos pré e pós-treinamento com pesos, para os grupos que treinaram com IR de um minuto (G-1 min; n = 10; Figura 12A) e três minutos (G-3 min; n = 11; Figura 12B), em idosas treinadas. *Diferenças estatisticamente significativas (P < 0,05) quando comparado com o IR-1.
A figura 13 apresenta a CVM das diferentes sessões de teste (controle, IR-1 e IR-3), isoladamente por grupo e momentos. Para o G-1 min e G-3 min, não foram observadas interações Condição x Momento significativas (P > 0,05) para a CVM entre as sessões de teste em ambos os momentos, indicando que a CVM não é influenciada pelo IR empregado.
Figura 13. Médias e desvios-padrão da contração voluntária máxima (CVM) das sessões de teste
realizadas com intervalo de recuperação (IR) de um (IR-1), três (IR-3) minutos e controle, nos momentos pré e pós-treinamento com pesos, para os grupos que treinaram com IR de um minuto (G- 1 min; n = 10; Figura 13A) e três minutos (G-3 min; n = 11; Figura 13B), em idosas treinadas.
A figura 14 apresenta a atividade EMG do VL e VM das diferentes sessões de teste (controle, IR-1 e IR-3), isoladamente por grupo e momentos. Não foram observadas interações Condição x Momento significativas (P > 0,05) para a atividade EMG do VL e VM em nenhum grupo e momento.
Figura 14. Médias e desvios-padrão da atividade eletromiográfica (EMG) do vasto medial (VM) e
vasto lateral (VL) das sessões controle e de testes realizadas com intervalo de recuperação (IR) de um (IR-1) e três (IR-3) minutos, nos momentos pré e pós-treinamento com pesos, para os grupos que treinaram com IR de um minuto (G-1 min; n = 10; Figura 14A) e três minutos (G-3 min; n = 11; Figura 14B), em idosas treinadas.
5.1.2. Respostas neuromusculares crônicas
Na tabela 2 estão apresentados os resultados de diferentes expressões da força muscular (isométrica e isoinercial), nos momentos pré e pós-treinamento, para os diferentes grupos. Para a CVM e TDFP, nenhuma diferença significativa (P > 0,05) foi observada entre os momentos e grupos. Para as cargas absolutas do teste de 15 RM, somente o G-3 min apresentou aumentos significativos (P < 0,05; Kp2 = 0,44) no momento pós-treinamento quando comparado com pré-treinamento. No entanto, nenhuma diferença significativa (P > 0,05) foi observada nas cargas de 15 RM entre o G-1 min e G-3 min.
Tabela 2. Médias e desvios-padrão das diferentes expressões da força muscular dos grupos que
treinaram com intervalo de recuperação de um minuto (G-1 min; n = 10) e três minutos (G-3 min; n = 11), nos momentos pré e pós-treinamento, em idosas treinadas.
G-1 min G-3 min Efeitos F P
15 RM (Kg) Pré 94,8 ± 18,6 92,4 ± 14,4 Condição 0,07 0,79 Pós 97,2 ± 18,7 95,7 ± 15,2a Momento 15,1 0,01 ∆% 2,5 3,6 Condição X Momento 0,42 0,52 CVM (N) Pré 937,0 ± 155,5 810,5 ± 129,2 Condição 3,46 0,07 Pós 977,6 ± 233,1 852,1 ± 132,7 Momento 2,45 0,13 ∆% 4,3 5,1 Condição X Momento 0,01 0,98 TDFP (N.s-1) Pré 3930,7 ± 958,4 3920,9 ± 775,1 Condição 0,01 0,98 Pós 3807,9 ± 1026,3 3801,6 ± 695,5 Momento 1,16 0,29 ∆% - 3,1 - 3,0 Condição X Momento 0,01 0,98
aDiferenças estatisticamente significativas (
P < 0,05) comparado ao momento pré-treinamento. Nota.
15 RM = 15 repetições máximas; CVM = contração voluntária máxima CVM; TDFP = taxa de desenvolvimento de força pico.
5.2. Estudo 2. Efeito agudo de diferentes IR entre as séries de exercício com pesos nas concentrações do GH, em idosas treinadas.
5.2.1. Respostas agudas do hormônio do crescimento
A figura 15 apresenta as concentrações do GH pré e imediatamente pós- exercício com pesos das diferentes sessões de teste, após oito semanas de TP, de toda a amostra analisada conjuntamente (G-1 min + G-3 min). Não foram verificados efeitos principais de Condição (FВ1,18Г = 0,10; Kp2 = 0,00), Momento (FВ1,18Г = 1,83; Kp2 = 0,05), e interação Condição x Momento (FВ1,18Г = 0,67; Kp2 = 0,02) significativos (P > 0,05), indicando que a utilização de diferentes IR não têm influência nas respostas agudas das concentrações do GH.
Figura 15. Médias e desvios-padrão das concentrações do hormônio do crescimento (GH), pré e pós-
exercício com pesos, em sessões realizadas com intervalos de recuperação de um e três minutos, em idosas treinadas (n = 19).
Na Figura 16 são apresentadas as concentrações do GH pré e imediatamente pós-exercício com pesos, das sessões de testes realizadas com os diferentes IR, de cada grupo analisado isoladamente. Para o G-1 min e G-3 min, interações Condição x Momento significativas não foram observadas (P > 0,05) entre as sessões de teste.
Figura 16. Concentrações do hormônio do crescimento (GH) pré e imediatamente pós-exercício com
pesos, das sessões de teste realizadas com intervalos de recuperação (IR; um e três minutos), após oito semanas de treinamento com pesos, para os grupos que treinaram com IR de um minuto (G-1 min; n = 8; Figura 16A) e três minutos (G-3 min; n = 11; Figura 16B) minutos, em idosas treinadas.
Na figura 17 estão apresentadas as concentrações do GH pré e imediatamente pós-exercício com pesos, de ambas as sessões de testes após o período de oito semanas de TP, somente das participantes que apresentaram elevações nas concentrações de GH em pelo menos uma das sessões de teste (respondedoras). Efeito principal de Momento significativo foi observado (FВ1,20Г = 12,05; P < 0,05; Kp2 = 0,27). Elevações nas concentrações do GH imediatamente
pós-exercício com pesos foi verificado somente para a sessão realizada com IR-1. Entretanto, interação Condição x Momento significativa não foi observada (FВ1,18Г = 0,67; P > 0,05).
Figura 17. Médias e desvios-padrão das concentrações do hormônio do crescimento (GH) pré e
imediatamente pós-exercício com pesos, das sessões realizadas com diferentes intervalos de recuperação (um e três minutos), somente das idosas que apresentaram elevações nas concentrações de GH em pelo menos uma das sessões de teste (n = 17).
Nenhuma diferença estatisticamente significativa (P > 0,05) foi observada no consumo alimentar das 24 horas anteriores (energia total e macronutrientes) entre as duas sessões de teste (Tabela 3).
Tabela 3. Médias e desvios-padrão do consumo total de energia e dos macronutrientes das sessões
realizadas com intervalos de recuperação de 1 (IR-1) e 3 minutos (IR-3), em idosas treinadas (n = 19).
Sessões
IR-1 IR-3
Energia total (Kcal) 1737,8 ± 616,6 1633,9 ± 621,3
Carboidratos (%) 68,0 ± 9,2 63,9 ± 7,7
Proteínas (%) 17,7 ± 5,8 20,6 ± 6,8
Lipídeos (%) 14,3 ± 4,8 15,4 ± 3,8
Ingestão carboidratos/MC (g.Kg-1) 3,6 ± 1,6 3,4 ± 1,4
Ingestão proteinas/MC (g.Kg-1) 0,9 ± 0,4 1,1 ± 0,5
6. DISCUSSÃO