• Sonuç bulunamadı

ALIŞTIRMALAR Alıştırma 3.1

 

Ao longo deste estudo foi possível observar o percurso histórico do magistério no Brasil, as relações despretensiosas do Estado perante a formação em pedagogia e as consequências disto na construção do curso nas Universidades públicas e particulares. Acompanhamos a relação histórico-filosófica da técnica e da ciência como ideologia, apontando como a tecnologia passou a permear a cultura e a educação, até desvelar-se em uma política governamental liberal.

Diante de tais implicações analisamos uma turma de formandos em pedagogia a distância pelo Programa UAB-UFSCar e com base nisto, foram apontadas as contradições na formação docente a distância, no que tange as relações pedagógicas em relação a autoridade, a autonomia e corpo, buscando compreender quem são estes formandos, suas expectativas e o que causou a desistência de tantos alunos neste percurso.

Rodrigo Duarte, no prefácio à Obra de Adorno (2008), baliza que na sociedade capitalista, as pessoas são consideradas peças facilmente substituíveis e que, por tal fato, pairam sobre elas, de forma velada, a possibilidade de demissão. Será que tal medo configura-se em uma dos fatores para a busca pela especialização na formação? Duarte aprofunda sua análise, destacando que para Adorno (2008)

(...) os sonhos são um mecanismo absolutamente fundamental na vida psíquica dos indivíduos considerados normais, já que os afasta do perigo de ataque pelo material instintual, uma vez que o transforma em representações imagéticas internas, absorvíveis pelo seu caráter de idealidade. Entretanto, quando os sonhos não são produzidos pelo

próprio indivíduo, mas “fabricados” externamente, o resultado não é o restabelecimento do equilíbrio psíquico, mas a geração artificial de uma dependência psicológica que vem ao encontro dos interesses

psicológicos do sistema econômico”. (DUARTE, 2008, p. 20). (grifos meus).

Destarte, a Indústria Cultural acaba por impor a especialização educacional como forma de alcançar melhores condições econômicas e sociais, o que muitas vezes,

pode acarretar na busca por uma educação instrumental, esquecendo-se do potencial crítico e reflexivo desta.

Diante da supremacia da técnica, na sociedade da sensação,

Assim como, nas comunidades secundárias, as pessoas não mais “vivem juntas”, e tampouco conhecem a si mesmas diretamente, mas relacionam-se umas com as outras mediante processos sociais intermediários objetivados (por exemplo, a troca de mercadorias), também as pessoas que respondem ao estímulo que investigamos aqui24 parecem de alguma forma “alienadas” da experiência na qual poderiam afirmar que suas decisões estão baseadas” (p. 33).

 

A reificação dos indivíduos ocorre quando há subserviência destes à técnica, a qual, ao mediar as relações humanas, age de forma coercitiva. Devemos, neste sentido, resistir ao movimento crescente da mediação social pela técnica, não de forma a recusar totalmente tais meios de comunicação, mas utilizando-os de forma a buscar a reflexão sobre os danos do uso contínuo e desenfreado, valorizando as mediações presenciais como forma de manutenção da afetividade e das relações sociais, as quais buscam resgatar os movimentos culturais e a expressão criativa.

O distanciamento social deve ser evitado e questionado sempre que possível. Mill em entrevista a pesquisadora em questão, apontou como o futuro da EaD na UFSCar,

Nós queremos em dez a quinze anos, é a proposta da SEaD, isto não é escrito, mas é um trabalho feito pela reitoria conosco, nós queremos desmanchar a divisão que existe entre educação presencial e educação a distância. Nós queremos uma disciplina oferecida e que o aluno posso optar em fazê-la virtual ou a presencial, isto para os alunos matriculados no presencial e no virtual também, valerá para qualquer um. Essa é a ideia lógica da Educação a Distância no mundo todo. (Arquivo pessoal da pesquisadora – entrevista de Daniel Mill).

 

Para o gestor e pesquisador de Educação a Distância, existem meios de implantar esta visão de educação e isto possibilitaria que disciplinas que carecem das relações pessoais possam ser cursadas presencialmente, assim como outras possam ser realizadas a distância.

       24

Referindo-se sobre o estímulo das pessoas sobre o horóscopo. Para maiores informações, ver Adorno (2008).

Este estudo buscou levantar o debate sobre as contradições desta modalidade, a fim de promover reflexões críticas, para em decorrência destas, buscar mudanças. O debate acadêmico sobre Educação a Distância está, atualmente, bem polarizado, ou se crítica ferrenhamente a modalidade, muitas vezes, desvalorizando o que vem se consolidado, ou se defende, sem que haja contudo, um debate que traga à tona as contradições da modalidade e as consequências para a formação. Porém, cabe buscar as devidas reflexões sobre a lógica a qual estão determinados os fatos, na tentativa de criar pontos de flexão e melhoras, principalmente no que diz respeito à formação de professores e ao olhar crítico sobre este processo na relação com a sociedade.

A análise aqui explanada sobre o poder da ideologia buscou apontar como esta incessantemente procura administrar o tempo livre dos indivíduos, ocupando-os com a imposição de desejos de consumo, bem como por imposições imagéticas, baseadas na racionalidade instrumental e na elevação da ciência e da técnica como fim a ser almejados por todos, modificando a relação dos indivíduos com o trabalho e com as relações pessoais de afetividade, de modo que estas passaram a ser reificadas pela mediação com as tecnologias.

Durante as análises da uma turma de pedagogos do curso de pedagogia a distância, foi apontando como o excesso de direcionamento do pensamento humano, se objetiva em atividades com comandas que sistematizam passo a passo como o aluno deve proceder para cumprir o que foi determinado. Assim sendo, foi apontando que tal direcionamento contribui para a compulsão, para a falsa impressão do que seja autonomia, a qual se distancia da autonomia de fato, propagando-se a ideia de formação, quando na verdade se estabelece uma semiformação, na medida em que as relações pedagógicas não se completam e a reflexão crítica se obstaculiza nas dúvidas não atendidas, no diálogo assíncrono não acabado, na ausência da afetividade, do “olho no olho” e, por conseguinte, da confiança de que o profissional que está nos formando possui um compromisso com a formação.

Tais obstáculos se materializam no autodidatismo, na solidão em meio às técnicas e na crença de que por meio destas se resolvem os problemas encontrados, pois as dúvidas podem ser sanadas com um “clic” e uma busca avançada no Google e o obstáculo da ausência da aula, da figura do professor se concretiza na “liberdade” de transcendê-los por meio da técnica.

Quais as implicações da descrença no outro que a formação a distância propaga? Dificilmente ter-se-á uma conclusão acertada, pois à reflexão é inerente aos indivíduos, na medida que ao defrontar-se com o medo e a insegurança, busca-se o esclarecimento. Há que se preocupar em alcançar tal reflexão e eliminar a heteronomia da educação, pois como apontando por La Boétie (1987) e HorKheimer (1990), se os homens forem educados para se conformar, muito provavelmente se acostum com a adaptação ensinada.

No entanto, não cabe a este estudo apontar somente os problemas e riscos da formação a distância. Os alunos analisados apontaram a preocupação de se estudar o seu processo de formação e por diversos momentos apontara, com clareza as contradições de sua formação, revelando-se serem contrários a estas. Aí está o gérmen, portanto, para a autorreflexão crítica considerada por Adorno (2010) Com base na compreensão destas contradições que devemos repensar a modalidade a distância em relação ao que está posto, pois a ideologia da técnica e da ciência não foi encarada pelos discentes pesquisados como algo natural.

A formação concretizada em conhecimentos técnicos tende a empobrecer, segundo Adorno (1995), a experiência formativa, pois limita o pensamento a reações positivas impostas pela sociedade da técnica. O caminho apontado por Adorno (1995a) seria fortalecer o conhecimento universitário por meio da sociologia e do conhecimento vinculado à pesquisa histórica, à reeducação dos indivíduos com base na experiência de olhar o passado como forma de embasar a reflexão, a autorreflexão crítica.

Destarte, a UAB precisa encontrar meios para discutir os problemas e contradições da formação a distância, pois disto depende a formação cultural, uma vez que a autorreflexão crítica auxiliará no evitamento do totalitarismo presente no ambiente virtual, presentificado pelo direcionamento exaustivo e controle do tempo. Para Adorno (1995d),

Quem é severo consigo mesmo adquire o direito de ser severo também com os outros, vingando-se da dor cujas manifestações precisou ocultar e reprimir. Tanto é necessário tornar consciente esse mecanismo quanto se impõe a promoção de uma educação que não premia a dor e a capacidade de suportá-la, como acontecia antigamente. (p. 128-129).

Como observado ao longo do estudo, e destacado por Adorno (1995f), uma educação que pretenda ser emancipatória precisa assegurar tempo para o pensamento, portanto, deve prescindir de práticas educacionais que reflitam, não apenas teorias, mas relações.

 

Benzer Belgeler