• Sonuç bulunamadı

3. GÖÇ EDEN KUŞLAR VE AKILLI SU DAMLALAR

3.1.4. MBO-IWD Algoritması Akış Diyagramı

O ponto de vista dos empiristas sobre a indução leva em conta a confiança das pessoas nas experiências de caráter observacional (o que é observado como similar). Mas, para Popper, tudo é decifração ou interpretação. Não teríamos algo como uma percepção direta e imediata das coisas, que pudesse funcionar como ponto de partida seguro e inquestionável. Para Popper, ao contrário, teríamos que aprender a decifrar as mensagens que nos chegam. Em relação a este posicionamento, afirma:

Quase tudo está errado na teoria de senso comum do conhecimento. Mas talvez o erro central seja a suposição de estarmos empenhados no que Dewey chamou a procura da certeza. É isto que leva à seleção de dados ou elementos, ou dados de sentidos, ou impressões de sentidos, ou experiências imediatas, como base segura de todo conhecimento. Mas, longe de ser isto, esses dados ou elementos não existem em absoluto. São inventos de filósofos esperançosos, que conseguiram legá-los aos psicólogos. Quais são os fatos? Quando crianças, aprendemos a decifrar as mensagens caóticas que nos chegam de nosso ambiente. Aprendemos a peneirá-las, a ignorar a maioria delas, a selecionar aquelas que são de importância biológica para nós, quer desde já, quer num futuro para o qual estamos sendo preparados por um processo de amadurecimento.(POPPER, 1975, p.68-69).

Em uma passagem de Conhecimento Objetivo o autor explicita que está “virando as mesas sobre aqueles que pensam que a observação deve preceder as expectativas e problemas”(POPPER, 1975, p.236). Afirma Popper que, por razões lógicas, a observação não pode ser anterior a todos os problemas. Em alguns casos poderia preceder o problema, como na situação em que alguma expectativa se frustra ou uma teoria é refutada; nesses casos, o problema seria uma conseqüência e viria após a observação. No entanto, não ocorreria o mesmo em outras situações, e para demonstrar, Popper pede licença à assistência que acompanhava a

conferência para realizar uma breve experiência. Pede então a todos os presentes que, com cooperação e dedicação, observem. Após alguns instantes, pondera que alguns, em vez de observar, sentiram um forte impulso para indagar “que quer que eu observe?”. E conclui que se isto aconteceu, a sua experiência foi bem sucedida, pois procurava demonstrar que, em geral, realizamos observações tendo por base indagações, expectativas e teorias. Como apoio para seu ponto de vista, cita Darwin: “Como é estranho que alguém não veja que toda observação deve ser pró ou contra alguma opinião [...]” (DARWIN apud POPPER,1975, p.237). E completa afirmando que “observai” e “observai esta aranha” não seriam imperativos claros, ao contrário de “observai se esta aranha sobe ou desce, como espero que fará”.

A confiança em experiências subjetivas de caráter observacional, segundo Popper, foi um traço comum entre muitos filósofos, como, Locke, Berkeley e Hume entre outros (POPPER, 1975, p.45). De acordo com Popper, não haveria nada de seguro, direto ou imediato em nossa experiência, pois temos que aprender, decifrar ou interpretar. E ao longo da vida aprendemos a decifrar tão bem que tudo parece “direto” ou “imediato”, como acontece com quem aprendeu o código Morse ou mesmo para quem, alfabetizado, está em condições de ler um livro. O “imediato” e o “direto” seriam, pois, resultado do aprendizado, como dirigir automóvel ou tocar piano. Exatamente por esses motivos, poderíamos cometer erros nas decifrações, em especial durante o período de aprendizagem, mas depois também, especialmente nos casos de situações novas ou insólitas. O que aparenta ser “imediato” e “direto” nos casos bem sucedidos de decifração não seria, em absoluto, garantia de funcionamento infalível, não haveria certeza absoluta, embora possa haver segurança suficiente para muitas finalidades práticas.

O que Popper critica como caráter subjetivista do conhecimento (essa confiança em certas experiências pessoais diretas e supostamente seguras) se constitui em um dos pontos principais da teoria do senso comum do conhecimento que ele critica:

A teoria do senso comum é simples. Se você ou eu quisermos conhecer alguma coisa ainda não conhecida a respeito do mundo, temos de abrir os olhos e olhar em redor. E temos de aguçar nossos ouvidos e ouvir ruídos, especialmente os feitos por outras pessoas. Assim nossos vários sentidos são nossas fontes de conhecimento – as fontes ou os acessos para nossas mentes [...] Nossa mente é um balde que primitivamente se acha vazio ou mais ou menos assim, e nesse balde entra material através de nossos sentidos (ou talvez por um funil para enchê-lo ou atingi-lo por cima), e se acumula, e é digerido. No mundo filosófico, esta teoria é melhor conhecida pelo nome mais nobre de teoria da tabula rasa da mente: nossa mente é

uma lousa vazia na qual os sentidos gravam suas mensagens.(POPPER, 1975, p.66).

Um dos pontos importantes desta teoria, criticado por Popper, é que o conhecimento é concebido principalmente como algo que está em nós (informações que nos atingiram e absorvemos). Haveria um conhecimento “imediato” e “direto”, espécies de elementos “puros” e “não adulterados” que teriam sido absorvidos e ainda não digeridos, conhecimentos “elementares”, “certos e seguros”.

O principal problema desta teoria seria que o conhecimento, concebido principalmente como algo que está em nós (ao invés de algo que tem uma existência objetiva), não se colocaria claramente à crítica. Sua alteração, em razão da profunda identificação entre conhecimento e organismo que conhece, se daria pelo método darwiniano de mutação ou eliminação do organismo. Entretanto, o conhecimento objetivo poderia ser alterado pela crítica da teoria lingüisticamente formulada. Ou seja, o organismo é preservado. Neste caso, característico dos seres humanos, as idéias e teorias é que são constantemente criticadas, avaliadas e alteradas, podendo inclusive ser abandonadas.

A esse respeito, Popper faz uma interessante comparação entre os procedimentos do homem e de outros animais. Graças ao mundo da linguagem e do conhecimento objetivo, acumulado por toda tradição cultural, ao homem seria possível discutir criticamente as suas idéias e teorias, o que possibilitaria descartar aquelas que poderiam implicar em prejuízo ou até risco para a sobrevivência. No entanto, o mesmo não seria possível para a maioria dos outros animais, que muitas vezes acabariam perecendo em função de seus hábitos e expectativas.

Benzer Belgeler