YAVUZ BÜLENT BÂKİLER’İN HAYATI VE EDEBÎ KİŞİLİĞİ
3. SANAT ve EDEBİYAT HAYATI
3.3. Aldığı Ödüller
McGuinness (2006) afirma que um sistema de escrita codifica a língua falada de uma forma permanente, de maneira que esta possa transcender ao tempo e
ao espaço. Num sistema de escrita o mais importante é a sua finalidade, pois estes permitem registrar coisas importantes, tais como regras, leis e muitas outras coisas. Além disso, um sistema de escrita simples e claro faz a civilização funcionar, pois esta não pode funcionar sem um sistema de escrita.
Morais (2013) afirma que quem ensina a ler em um sistema alfabético de escrita precisa saber como funciona o alfabeto. O autor destaca que o alfabeto latino é utilizado por muitas comunidades linguísticas, mas porque as línguas são diferentes, o número de letras não é sempre o mesmo. O número de letras do alfabeto, português do Brasil, é composto por 26 letras, incluindo as letras “k”, “w” e o “y”, que fazem parte do novo código ortográfico.
Maluf (2010) ressalta que as escritas alfabéticas, são sistemas de escrita fonográfica, que tem por base regras própria de notação, e sua primeira finalidade é expressar os sons da fala utilizando combinações entre as letras de sua base alfabética. E o avanço na aprendizagem da linguagem escrita só ocorre quando o aprendiz descobre que está utilizando um sistema de escrita que grafa sons da fala.
O ideal seria se todo modelo do sistema alfabético correspondesse cada letra a um som e que cada som correspondesse a uma letra, mas essa relação só se realiza em poucos casos. Na língua portuguesa do Brasil, são pouquíssimos os casos de correspondência biunívoca8 entre sons da fala e as letras do alfabeto. De acordo com Lemle (2006), temos uma subdivisão dos tipos de relação existentes em nossa língua entre sons da fala e letras do alfabeto. Encontramos três tipos de relação: a relação de um para um, isto é, correspondência biunívoca que ocorre entre as seguintes letras p, b, t, d, f, v, a em que soam de forma correspondente como [p], [b], [t], [d], [f], [v] e [a]. Outro tipo de relação existente são as relações de um para mais de um, determinadas a partir da posição, cada letra com um som numa dada posição e cada som com uma letra numa dada posição e a terceira relação, que seriam as relações de concorrência: mais de uma letra para o mesmo som na mesma posição (veja mais sobre essa questão LEMLE, 2006).
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De acordo com Lemle (2006, p.17) a correspondência biunívoca é aquela em que um elemento de um conjunto corresponde a apenas a um elemento de outro conjunto, ou seja, é de um para um a correspondência entre os elementos, em ambas as direções.
Segundo Rego (1995), a base de um sistema de escrita de natureza alfabética é o princípio de que as letras representem as unidades mínimas de som nas palavras, isto é, seus fonemas. Dominar as regras de correspondências grafofônicas possibilita ler palavras familiares como também palavras não familiares e, até mesmo, uma pseudopalavra.
De acordo com Morais (2013), não há tarefa mais urgente do que propiciar ao aluno a descoberta do princípio alfabético, pois o essencial é não esquecer que se quisermos um leitor fluente precisaremos mostrar qual é a chave da porta, para que ele possa utilizá-la e conseguir por meio do treino de operações, que exigirão precisão e rapidez realizarem o procedimento de decodificação das palavras escritas.
Gombert et al. (2000) afirmam que a aprendizagem explícita das correspondências grafofônicas se torna, então, necessária. E esta permitirá uma análise cada vez mais precisa das configurações ortográficas e fonológicas até o domínio do código, dando condições do aluno ler qualquer configuração ortográfica, mesmo se esta for bastante diferente das palavras escritas já encontradas.
Lemle (2006) considera que o primeiro passo para que o alfabetizando possa compreender o sistema de escrita é o entendimento de a escrita é a representação de sons e letras. Colaborando com essa percepção, a autora indica que o professor inicie a alfabetização com o ensino das consoantes p, b, t,
d, f, v e a vogal a, que representam, aonde quer que apareçam na palavra,
sempre a mesma unidade fonêmica. Num segundo momento dessa primeira etapa, a autora indica oferecer letras menos virtuosas, como por exemplo, a letra l que entraria nos contextos de fim de sílaba, em que soa com [u]; depois, a letra s, que apareceria em início e final de palavra ou sílaba e também, a letra m e n, que entrariam em ocorrências iniciais de sílaba, ou seja, nos casos em que sua articulação seja plena. E por fim, as vogais e, o somente quando acentuadas, evitando as situações em que soam como [i] e [u]. A autora destaca que não existe uma rigidez para manter o alfabetizando distante das complicações da escrita e das correspondências múltiplas da escrita, pois afinal, as palavras irão aparecer, por meio das experiências e vivências das crianças com a linguagem e
não seria sensato exagerar nesta seleção das letras. O importante é garantir que a criança perceba as relações entre os sons e as letras.
Numa segunda etapa da alfabetização, o professor deve expor a criança em situações de aprendizagem da língua que para cada som numa dada posição, há uma dada letra e que a cada letra numa dada posição, corresponde a um dado som. Neste passo, Lemle (2006) afirma ser de crucial importância à construção do conhecimento do alfabetizando a respeito do nosso sistema de escrita. De acordo com a autora, seria importante o professor propor atividades de pesquisa sobre a escrita das palavras, como no exemplo sugerido abaixo.
Vamos estudar a letra l. Que sons ela tem? Em lua e em sala, ela tem um som. Em sol e em papel, o som é outro. Vamos recortar todas as palavras em que aparece a letra l; vamos colar as palavras em que o som da letra é igual ao som que ela tem em lua, em uma metade da folha; vamos colar as palavras cujo l tem o mesmo som que aparece em sol, na outra metade da folha. O mesmo será feito com a letra c que tem som igual ao da palavra cinco e com a letra c que tem som igual ao da palavra casa (LEMLE, 2006, p.28).
E numa terceira etapa, possibilitar que o alfabetizando construa as partes arbitrárias do sistema de escrita, sobre a ortografia correta de uma palavra. Lemle (2006) aponta que o aluno ao final desta etapa, terá construído uma teoria sobre a correspondência entre sons e letras, como: para cada som numa determinada posição, há uma letra correspondente; a cada letra numa determinada posição, corresponde um dado som e que em determinados contextos, certos sons poder ser representados por mais de uma letra. Desta forma, a autora destaca que o professor poderá ajudar o aluno a construir o seu conhecimento ortográfico, na medida em que fornecer respostas corretas às perguntas que lhe são feitas a respeito da escrita, algumas vezes apontando as regras ortográficas, em outras explicações sugerindo um esforço na memorização da escrita de algumas palavras. Se as explicações forem bem dadas, poderão despertar no aluno certa curiosidade em relação à historicidade da língua e da comunidade que a utiliza. Outra proposta da autora é o professor conduzir o aluno, a saber, quais são os contextos em que duas ou mais letras concorrem na representação do mesmo som, incentivando-os a busca pela resposta com a pesquisa destas palavras. Como por exemplo, todas as palavras pronunciadas com o som [s] no meio de duas vogais, como em coisa, de acordo com diversas
representações ortográficas. Algumas vezes, esse som é escrito com s, outras vezes com z e outras, ainda, com x. Desta forma, cabe ao professor incentivar o aluno a pesquisar palavras como: casa, rosa, resumo; azul, cozinha, azeite e outras palavras como: exame, exemplo, exército.
Cagliari (2009) destaca que é possível ler o que está escrito, apesar de a escrita não ser o espelho da fala, isto é, da relação entre as letras e os sons da fala nem sempre ser correspondente. Isso ocorre devido ao fato de usarmos alguns recursos especiais da escrita para representar alguns sons da fala, como por exemplo, da utilização de duas letras que representam um som, os dígrafos (gu em guerra; qu em queijo), ou também quando usamos letra que não tem som nenhum na fala, mas que está presente na escrita, como, por exemplo, o h em
hoje; ou quando uma mesma letra pode estar relacionada com diferentes
segmentos fonéticos, como no exemplo , em que o x em próximo, exame, táxi; a letra m em mato, vem, tampa; ou até mesmo, quando um mesmo segmento fonético pode ser representado por diferentes letras, como, por exemplo, em [ᶴ]
em chá, caixa; [k] em casa, queijo; [s] em cedo, sapo, passeio. O autor, ainda destaca os sinais gráficos que conferem um valor sonoro especial a letras ou a conjuntos de letras, os chamados sinais diacríticos, que são o acento agudo, o acento grave, o til, o acento circunflexo e, ainda, o ponto de interrogação, o ponto de exclamação, o ponto final, as reticências, as aspas, sendo que nestes últimos os sinais modificam a entonação da fala.
Desta forma, é possível perceber a complexidade do sistema de escrita alfabético, do português do Brasil. Sabemos que são várias, as características presentes na língua escrita, sempre com o intuito de explicitar ao leitor a mensagem de forma clara e funcional. Na linguagem oral, temos outros recursos possíveis para interpretar a mensagem, os gestos, a entonação e a expressão, e a linguagem escrita, ao transcrever a mensagem deverá ser o mais fidedigna possível destas características. Como afirma Cagliari (2009), a escrita tem que criar, por meio das palavras, o ambiente não linguístico que serve de contexto para quem fala.