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ALANLAR BAZINDA ATAMA YAPILACAK İL KONTENJANLARI (İLK ATAMA)

Mühür – Kaşe – İmza Muvafakat Vermeye Yetkili

ALANLAR BAZINDA ATAMA YAPILACAK İL KONTENJANLARI (İLK ATAMA)

“Um homem com uma dor é muito mais elegante caminha assim de lado como se chegando atrasado

andasse mais adiante carrega o peso da dor como se portasse medalhas uma coroa um milhão de dólares

ou coisa que os valha ópios édens analgésicos não me toquem nessa dor ela é tudo que me sobra sofrer, vai ser minha última obra." Paulo Leminski

Como até agora se foi explicitando, uma educação preventiva deve começar logo cedo porque as crianças têm condições emocionais e cognitivas que lhes permitem entender e participar da vida, desde logo. Para tanto, têm papel relevante, junto às crianças, seus pais e os professores, considerando que ambos ensinam aprendendo e aprendem ensinando – e não se trata de um simples jogo de palavras. Nesta proposta, nos baseamos nos princípios da redução de danos e na noção de vulnerabilidade.

Neste capítulo, objetivamos acrescentar alguns conceitos psicanalíticos, complementares ao material desenvolvido neste trabalho, e reuni-los a argumentos já mencionados, para que possamos completar o direcionamento rumo à comprovação das hipóteses levantadas no início desta pesquisa. A articulação da contribuição da psicanálise à educação evidencia a relevância do entristecimento, considerando seus componentes ligados ao processo de maturação, à angústia, à melancolia, ao mecanismo do recalcamento e, ainda, ao masoquismo e ao sentimento de culpa. Entrar em contato e aprender a lidar com o entristecimento é um aprendizado que deve ser iniciado precocemente, nas escolas.

Parece-nos relevante a temática ligada à angústia e a suas implicações na formação de sintomas psíquicos, às dores decorrentes da passagem do tempo, da

finitude da vida. O uso de drogas, então, pode aparecer como uma forma de sedação das tristezas, como uma solução para o grande incômodo desses conflitos. É sobre tudo isso que trataremos neste capítulo.

Recordemos que os processos de maturação estão relacionados com os movimentos que visam à independência do ser humano, o desapego, sem esquecer, por outro lado, que não há possibilidade de um completo estado de independência. “Seria nocivo à saúde o fato de um indivíduo ficar isolado a ponto de se sentir independente e invulnerável. Se a pessoa está viva, sem dúvida há dependência!” (WINNICOTT, 2005, p. 03).

Ainda o mesmo autor (op. cit., p. 06) indica que, dentro da maturidade que se deseja para qualquer ser humano “é saudável ter seis anos aos seis anos de idade, e dez aos dez”, ou seja, as crianças possuem um tempo correto para se desenvolver e passar a assumir uma forma mais independente de vida, mas querer “pular” etapas do desenvolvimento não é uma vantagem, pelo contrário, pois é exatamente quando o trágico se faz patológico, porque a criança que pula etapas precipita, apenas, a própria dificuldade de viver um dia depois do outro. É importante que uma criança possa ser criança e seja compreendida como tal, tratada como tal, que ela tenha direito a ser quem ela é, naquela etapa dos seus desenvolvimentos cognitivos, físicos e, sobretudo, psíquico-emocionais.

Falamos, agora, em desenvolvimento psico-emocional, falamos em independência e maturidade. Ora, estas últimas se inserem no trabalho continuado de educação psíquica e este não seria possível, sem a capacidade cognitiva. Como já se falou anteriormente, as crianças são bastante capazes de entender tudo o que se passa ao seu redor e podem aprender desde muito cedo. Mas, sabemos também que o crescer e desenvolver-se de forma satisfatória não segue uma trilha simples, não é uma linha reta sem percalços e desafios. Ou seja, o desenvolvimento emocional do ser humano, desde a infância até a vida adulta, é cheio de idas e vindas e de dificuldades. Mesmo porque crescer, pensar, sentir, compreender o que se está passando e fazendo, gera sofrimento e isso dói.

“A vida de um indivíduo saudável é caracterizada por medos, sentimentos conflitivos, dúvidas, frustrações, tanto quanto por características positivas. O principal é que o homem ou a mulher sintam que estão vivendo sua própria vida12, assumindo responsabilidade pela ação ou pela inatividade, e sejam capazes de assumir os aplausos pelo sucesso ou as censuras pelas falhas. Em outras palavras, pode-se dizer que o indivíduo emergiu da dependência para a independência ou autonomia.” (WINNICOTT,2005, p. 10)

Vai-se percebendo que a maturidade do psiquismo humano implica, ao mesmo tempo, num amplo processo de integração e de autonomia, e que o desenvolvimento saudável inexiste enquanto possibilidade, se não houver espaço para sofrimento e dúvidas. O fato de um adulto não parar de se desenvolver psíquica e emocionalmente, é algo bastante saudável. No entanto, esse movimento incessante, que obriga o ser humano a ter que lidar com o trágico e com a morte, no cotidiano, é algo muito difícil e desafiador. O abuso de drogas e as compulsões nos livram do contato com o profundo, com o finito e com a ignorância. Boicotam a curiosidade e embotam o sujeito, tornando-o, apenas, mais um na multidão daqueles que não querem ou não sabem pensar e, com isso, vão gerando um ser pensante a menos, na sociedade.

Desde muito cedo, o processo de amadurecimento faz com que o bebê vá se relacionando com o mundo e com os objetos e comece sua trajetória de ser pensante. Porém, o mundo deve ir sendo apresentado ao bebê, via adultos, de modo satisfatório. “A mãe que consegue funcionar como um agente adaptativo apresenta o mundo de forma a que o bebê comece com um suprimento da experiência de onipotência, que constitui o alicerce apropriado para que ele, depois, entre em

acordo com o princípio da realidade” (WINNICOTT, 2005, p. 13). Essa onipotência

inicial e segurança de afeto do bebê irão auxiliá-lo a ir aceitando a sua realidade. Mas o contato com o mundo real quase nunca é fácil: com ele aparecem, o finito, as faltas e perdas e com eles, um sentimento de grande tristeza ou até de depressão. Vê-se, então, a relação (paradoxal) existente entre saúde e doença, já

que o emocional complica a saúde física. Em verdade, “ninguém poderia dizer que a

palavra ‘saúde’ é sinônimo da palavra ‘fácil’” (WINNICOTT, 2005, p. 08).

“A saúde [que] é inerente à capacidade de se sentir deprimido, sendo que o humor deprimido está próximo da capacidade de se sentir responsável, de se sentir culpado, de sentir arrependimento e de sentir alegria quando as coisas correm bem” (WINNICOTT, 2005, p. 17). Sendo assim, a tristeza, a depressão podem converter-se

em algo enriquecedor para o ser humano. No caso dos estudantes, a tristeza frente às dificuldades, embora vá denotando a própria limitação do ser humano, bem administrada, pode instigar-lhe a curiosidade, levá-lo até a voltar-se sobre o assunto e aprofundá-lo, trazendo-lhe crescimento e integrando-se em seu processo de amadurecimento.

“Não temos que desenvolver nada de específico além de uma certa melancolia para sermos a coisa humana, simbólica, vaga, vacilante e frágil. Isto implica, na verdade, que sejamos capazes de suportar altíssimas doses de tristeza. Tristeza, que é própria ao manejo com os símbolos. A razão, se alguém quiser dizê-lo com rigor e justiça, é triste. (...) Não há mais o que esconder, somos um poema triste! E isso é bom!” (TOMAZELLI,2003, p. 137- 138)

É ainda esta desejada maturidade que, tornando o ser humano mais desenvolvido, o leva a lidar com a fragilidade e as incertezas, com um lado obscuro e sombrio, que não é bem vindo algumas vezes, e que, em outras, procuramos negar, afastar, fingir que não existe. E que nos leva ao contato com o luto. Enfim, psicologicamente falando, é mais desenvolvido o ser humano que pode simbolizar os fatos e ações incompreensíveis, sem ter que recorrer aos atos e às repetições monótonas e, menos ainda, à onipotente segurança imaginária que pode ser transmitida pelas certezas e verdades absolutas (que são antes juízos morais, que observações pessoais da realidade e dos limites de sua compreensibilidade). Não se trata de algo tão simples, mas de um caminho sinuoso, e que depende imensamente do papel desempenhado pelos adultos junto às crianças, pelos pais e, evidentemente, pelos professores. Ser mais saudável, do ponto de vista psíquico,

implica tolerar algum grau de dor, tolerar o surgimento de alguns sintomas de doença, como possibilidade, mesmo, de conseguirmos lutar para recuperar a saúde.

“A impressionante força de nossa fantasia – raramente reconhecida pela pesquisa científica – e a impossibilidade de lidar com a verdade se somam de modo grave, instituindo a compulsão a usar o mentir como defesa contra os elementos depressivos trazidos pela ignorância e contra os elementos persecutórios trazidos pela chegada da idéia nova ou da idéia melancólica.” (TOMAZELLI,2003, p. 182)

Partindo do princípio de que prevenir é chegar antes e considerando-se as atividades preventivas como ações de cunho educativo, por que não ir criando, no ser humano, desde cedo, uma estrutura interior mais firme, que lhe permita ir conquistando as tão desejáveis melhores opções de vida, no futuro. Por que não começar esse instigante trabalho já na infância? Por que não levar a sério uma criança desde pequena? Com ações que se desenvolveriam nesta fase infantil, de forma constante, continuada, pois que, bem sabemos, também nestes casos, não há fórmulas mágicas e verdades absolutas (TAVARES-DE-LIMA, 2003).

Esta pesquisa mostra que, em diferentes formas de adição e de comportamentos compulsivos, o que está faltando é o uso da reflexão, que possibilita a dura entrada em contato com a ordem da tristeza e do luto. Novamente TOMAZELLI

(2003, p. 185) alerta: “Sem o afeto da tristeza não pode haver cognição, sem intuição e inconsciência não pode haver conceito, sem sonho não pode haver pensamento, nem tempo, nem espaço”.

Para o mesmo autor, TOMAZELLI (2003), ainda, “conhecer é fazer luto”. Para

ele, a aquisição de conhecimento passa por um momento em que se quer evitar o conhecer e recusar o aprendizado. Há uma rejeição ao contato com a intimidade, que é dolorosa. Trata-se de um paradoxo entre a pulsão do conhecer e o horror do conhecimento. Entre o desejo de descobrir e a dificuldade na compreensão, sobretudo quando o conhecimento ocorre numa experiência emocional desgastante, “que não pede licença”, que é um verdadeiro atropelo.

A criança que, desde pequena, foi tomando contato com passagens tristes, ou apenas difíceis de seu dia-a-dia, sem fazer drama, mas sem fugir delas, já estava preparando o seu psiquismo para dificuldades maiores. E a grande meta das ações redutoras de vulnerabilidade, no meu entender, se apóia justamente no tentar compreender o ser humano como um psiquismo em constante formação e transformação, em que se avaliam constantemente os impulsos que o atingem, quer do exterior, quer no seu mundo interno. Os estímulos angustiantes que atingem o ser humano são geradores de vulnerabilidades, que devem ser observadas e trabalhadas. São várias as razões que podem gerar sensações de angústia, em nossas vidas. Uma delas, presente no nosso caso, é a angústia do não saber.

Ao mesmo tempo em que, onipotente, o ser humano tenta conhecer tudo, certificar-se de que possui amplo controle do mundo e das situações em que está inserido, tenta defender-se de algo muito potente, a angústia do não-saber. Trata-se, evidentemente, de uma tentativa ilusória, no entanto capaz de produzir quadros de insanidade e de perturbação psíquicos. Na maioria das vezes, a realidade difícil acaba por impor-se e o sofrimento é quase inevitável. Então, vamos desenvolvendo formas psíquicas de proteção, que envolvem a aceitação da degradação ética das repostas comportamentais (o uso de risco da droga, por exemplo), sintomas psíquicos em geral, como meio de nos defendermos da angústia. Como uma pessoa que, por ficar exposta ao sol durante muitos anos, pretendesse criar uma camada de proteção à pele.

Também geradora de grandes angústias em nossa existência é a impossibilidade de se conseguir prever todos os acontecimentos. E a nossa própria finitude. A falta de controle das situações pode ser bastante incômoda. Somos seres finitos, em termos de tempo de existência, e podemos ter amplas possibilidades de transformações ao longo da vida. Podemos transformar o mundo e a nós próprios, por meio de nossas ações. Há, sempre, uma série infinita de possibilidades na vida; isso é um demonstrativo de nossa ampla liberdade, mas também é, muitas vezes, exatamente a causa de nossas grandes angústias. Usando nossa liberdade,

podemos resolver, sozinhos, vários problemas, mas, é preciso arcar com o resultado de nossas próprias, boas ou perigosas, opções.

A angustiante finitude e a noção de limite de tempo movem muitas das nossas ações e de nossos sentimentos. E com o amadurecimento, vamos percebendo que as coisas possuem um determinado tempo de existência, que tudo passa, tudo acaba. A noção de tempo começa a gerar sofrimento e é percebida, desde a infância, de forma até bastante acessível: um agradável desenho animado, na televisão ou no cinema, acaba. As sonhadas férias, o dia de aniversário, o Natal, tudo tem um fim. Tudo acaba. Em determinado momento do processo de maturação, reparamos que a vida também não é infinita. A angústia da perda dos parentes próximos, sobretudo dos pais, é um medo e dor fortíssima, para quase todas as crianças e que se vai relacionando, pouco a pouco, com a noção de que a vida não é para sempre.

FREUD (1915b), escrevendo sobre a transitoriedade, discute a idéia de que

tudo o que é perfeito e belo tende à decadência, e isso ocasiona dois impulsos na mente humana: um que conduz ao penoso desalento e outro que leva à rebelião contra o fato.

Porém, o autor (op. cit., p. 345) entende que é exatamente pela transitoriedade que o belo tem aumentado o seu valor. “O valor da transitoriedade é o valor da escassez no tempo. A limitação da possibilidade de uma fruição eleva o valor dessa fruição”. No mesmo artigo, Freud explica que a noção da transitoriedade da beleza está relacionada à antecipação do luto pelo fim de algo que é belo.

Comentando acerca da morte, das questões relativas à finitude de nossas vidas e, também, sobre a noção de futuro, COMTE-SPONVILLE (1997, p. 65) define: “A

morte só nos priva do futuro; é por isso que, para quase todos nós, ela nos priva do essencial”.

Imaginemos como seria a dor de uma paixão, se nos reconhecêssemos como seres infinitos, que viveriam para todo o sempre. Como seriam os sentimentos e as emoções? Como seriam as nossas ações cotidianas, se tivéssemos toda a

eternidade para realizar os nossos feitos? Talvez tudo pudesse ser adiado, infinitamente, até nunca começar. Provavelmente agiríamos mais de acordo com os princípios daquilo que gera prazer, desconsiderando as obrigações. Mas, ao percebermos que as coisas possuem um tempo limitado, surge a angústia que pode nos colocar em ação, visando o desenvolvimento, ou nos deixar paralisados, repetindo eternamente as verdades aprendidas, tentando estabelecer uma sensação de segurança eterna. Esse sofrimento pelo limite de tempo de que cada um dispõe pode ser decorrente ainda, das escolhas que fazemos. Será que estamos gastando o nosso precioso tempo de forma a não nos arrependermos, amanhã? Será que não deveríamos deixar de lado tudo o que planejamos para o dia de hoje, adiar tudo, e ir assistir, por exemplo, a um pôr de sol, ao cair da tarde?!

Sem a consciência diária de que a morte nos ronda, não construiremos nem um futuro que possamos deixar aos outros. É a certeza de que vamos morrer - e a solidariedade com que esta certeza nos une - que nos indica que não vale a pena ceder ao ato violento que brota espontâneo de nosso interior. O limite de tempo muda a forma de perceber as necessidades.

COMTE-SPONVILLE (op. cit., p. 68), sintetiza: “dizer sim à vida significa dizer sim

também à sua finitude, ao que ela comporta para nós, necessariamente, de fracassos e frustrações: dizer sim à vida significa dizer sim também à doença e à morte.”

Nos casos das crianças, tais noções irão aumentar-lhes as vulnerabilidades: é o momento de entrar com as ações preventivas que lhes podem diminuir as angústias e seus possíveis danos.

Avançando na compreensão central do psiquismo humano, chegamos ao mecanismo do recalcamento. NASIO (1999) se refere a uma barreira energética que

não permite que os conteúdos inconscientes atinjam o pré-consciente, de forma direta. Mas, a barreira não é intransponível e muitas vezes falha. Então, alguns conteúdos que foram recalcados ou estão inconscientes vão direto à consciência. Ao surgirem na consciência, permanecendo incompreensíveis ao sujeito, mas não

imperceptíveis, geram angústia. O autor cita o exemplo de sintomas fóbicos como substitutivos de representações inconscientes, por exemplo, a fobia por aranhas no lugar de amor inconsciente pelo pai. Quando a representação atravessa a barreira do recalcamento, ela se torna consciente e gera a angústia relacionada às aranhas.

Ao mesmo tempo, quando essas representações se tornam conscientes e consegue-se descarga para uma parte da energia pulsional, há um certo prazer. Trata-se de um prazer parcial e substitutivo, como adverte NASIO (op. cit., p. 26):

“A outra parte da energia pulsional, a que não transpõe o recalcamento, continua confinada no inconsciente e realimenta sem cessar a tensão penosa. Observemos que esse prazer deve ser compreendido como uma descarga, mesmo que essa descarga assuma a forma de sofrimento ou de uma angústia como no caso das fobias das aranhas.”

A angústia teria então, um caráter bastante “protetor”. Seria uma defesa do ego contra as exigências pulsionais, que visam uma descarga total. Frente a uma sensação de angústia, o sujeito poderia “optar” por algo mais concreto do que a intensa sensação angustiante, como no exemplo anteriormente citado, ao enfrentar uma fobia de aranhas.

A angústia tem relação direta com a formação dos sintomas, tanto quanto dos símbolos, que ocorrem, em maior ou menor grau, na vida de todos nós. É o caráter protetor da angústia: algumas pessoas simbolizam, outras somatizam e adoecem! O sintoma seria a simbolização de alguma outra coisa, muito mais intensa (angustiante), que não deveria entrar livremente na cadeia associativa do sujeito: o medo de aranhas, por exemplo, é um símbolo que surge no lugar de algo bem mais angustiante, que não vem à consciência do sujeito. Aliás, essa maneira de surgimento dos sintomas, como substitutos da angústia, ocorre, em geral, nas diversas formas de manifestação das doenças mentais.

Ainda de acordo com FREUD (1926), os estados de angústia poderiam ser

relacionados ao trauma de nascimento. A angústia surgiria originalmente, como reação a um perigo e seria reproduzida todas as vezes que o perigo ameaçasse

novamente. Fica mais fácil entender, dessa maneira, a famosa necessidade compulsiva pela repetição, (angústia - droga), nos comportamentos dos dependentes de drogas.

É sempre importante relembrar que a pulsão sexual se descarrega por meio de um objeto fantasiado, que pode ser uma coisa ou uma pessoa (até mesmo a própria pessoa). Entretanto, essa descarga nunca é absoluta, é sempre parcial, ou seja, a angústia nunca é completamente aliviada, nunca acaba.

Por outro lado, muitas vezes, pode-se acabar seguindo, como no caso do uso de risco de drogas, a satisfação rápida da vontade imediata, optando pela via psicótica ou via pulsional, dada a nenhuma certeza quanto ao dia de amanhã.

Mas, em outros sujeitos, o que pode ocorrer, muitas vezes, é de outra ordem, ou seja, que, precisando fazer escolhas mais urgentes, deixem para depois a realização de um grande prazer. Mas, se a capacidade de tolerar frustrações e de conseguir adiar a satisfação é sempre algo muito difícil de ser alcançado, por outro lado pode ir dando clareza quanto à motivação do próprio comportamento e evitar contrariedades futuras. Daí a importância da iniciação precoce da educação psíquica.

Mas, pode ocorrer também que, tentando defender-nos da sensação de dor das difíceis escolhas, muitas vezes busquemos nos afastar dessa ampla compreensão do tempo, do mundo e da existência. Seria como afastar a angústia e as dores tomando algo “mágico” que pudesse propiciar uma sensação de anestesia. É isso o que o uso de drogas pode representar, muitas vezes. Pode-se dizer que as drogas possuem esse fundo de ilusão, que, evitando momentaneamente a angústia, sustenta o seu dependente, numa relação de gravíssima dependência. E assim, o uso de risco de drogas, as dependências em geral, e algumas de nossas vivências afetivo-sexuais poderiam funcionar como respostas à sensação dolorosa da angústia.

COMTE-SPONVILLE (1997) relata um fato bem humorado sobre uma solicitação

mágicas pode atingir-nos em algum momento da vida, quando gostaríamos de poder

Benzer Belgeler