1. Hayatı
3.1. Dil Alanındaki Eserleri
O sentido do trabalho é um conceito complexo envolvendo um sistema dinâmico e multidimensional de valores individuais e sociais a respeito do que é o trabalho. A concepção sobre o trabalho sofreu transformações ao longo do último século, particularmente em função das mudanças tecnológicas observadas na era pós-industrial.
Biotecnologias, automação e redes computacionais globais representam alguns dos novos recursos que engendraram profundas transformações nos diversos setores produtivos. Com as novas tecnologias, o trabalho foi transferido em grande escala das mãos para as mentes (HOWARD, 1995), influenciando as peculiaridades da experiência humana, o que pode provocar mudanças em padrões do sentido do trabalho ao longo do tempo.
Se, por um lado, ao assumirmos a rigidez de um conjunto de valores, incompatibilizamos qualquer noção de mudança social, também não é possível assumir absoluta instabilidade deste conjunto, pois isso não seria compatível com a continuidade observada nas transações humanas. Assim, apesar de ser dinâmico em sua essência e construído socialmente ao longo de diferentes experiências associadas ao universo ocupacional, acredita-se que o sentido do trabalho para as pessoas tenha relativa estabilidade e esteja também associado aos seus valores em outras esferas da vida (NORD e BRIEF, 1990).
As implicações do sentido do trabalho para as organizações e sociedades são amplas, uma vez que ele parece determinar aquilo que as pessoas julgam ser legítimo no contexto ocupacional, o que estão ou não dispostas a tolerar, como os custos que as elites aceitam para direcionar as várias atividades do mundo do trabalho, até a facilidade com que indivíduos se dispõem a mudar hábitos para satisfazer os imperativos de novas tecnologias. Portanto, conhecer o sentido do trabalho para indivíduos e grupos, hoje, é um passo essencial para compreender o comportamento das pessoas no trabalho num mundo pós-moderno, no qual a dimensão profissional
ainda tem papel fundamental para a formação da identidade e para o bem estar das pessoas.
Ao pensarmos nas dimensões do trabalho e o sentido para a vida humana analisamos o mesmo pelas dimensões existencial, socioeconômica e psicossocial, considerando a dualidade do ser e suas representações. Ribeiro (2009b) esclarece que esta dualidade passa pelo significado do trabalho como emancipação (gerador de vida) e pelo trabalho como repetição, robotização (gerador de vazio existencial e doenças).
Na sua dimensão existencial, o trabalho manteria a vida ativa compreendida como a existência no mundo e a construção das relações sociais, constituindo uma das três atividades do homem segundo Arendt (1987 apud Ribeiro, 2009b): o trabalho (manutenção da vida); a obra (produção de algo novo); e ação (vida pública, política)37
. Estas três atividades fazem parte da vita activa: a vida humana. Arendt (1987) distingue labor, trabalho e ação pela maneira como essas atividades se realizam, “pelo espaço que ocupam na natureza ou no mundo, na esfera privada ou pública, pelo resultado obtido através da realização das mesmas e pela maneira como os homens se expressam a partir de cada uma delas” (WAGNER 2002, p.64).
Na sua dimensão socioeconômica, Ribeiro (2009b, p.4) aponta que, “segundo Marx (1980), o trabalho é um “processo em que o ser humano com sua própria ação impulsiona, regula e controla seu intercâmbio material com a natureza (p. 202)” indicando a relação entre o ser e a sociedade em uma relação recíproca e dialética. Na dimensão psicossocial do trabalho, Dejours (1999 apud Ribeiro, 2009b), acredita que o trabalho é o espaço de significação da experiência do contato de si mesmo com o real, emergindo limites humanos e, por outro lado, o conhecimento de uma vida ativa na relação com o mundo.
Na possibilidade de verificar o sentido do trabalho no segmento do futebol profissional no Brasil e seu papel na sociedade capitalista contemporânea é importante lembrar que o trabalho como atleta de futebol é apenas mais um dentre tantos outros.
O esporte faz parte da lógica capitalista ao ser compreendido como instituição (RUBIO, 2012). Produto de uma ruptura histórica, que surge na Inglaterra como uma
37Utilizamos a tradução dos termos labor (trabalho), work (obra) e action (ação) baseando-se na seguinte obra: ARENDT, Hannah. A Condição Humana. Tradução de Roberto Raposo; revisão técnica: Adriano Correia. 8ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2010.
prática de classes. Se, por um lado a burguesia concebia o esporte como ócio, como uma forma de passatempo, o proletariado prescindia-o como um meio de recuperação física. Assim, se pode explicar que o movimento sindical, desde seu início, reinvidicasse o direito ao tempo livre junto com a redução da jornada laboral. O esporte é entendido como consequência do desenvolvimento das forças produtivas capitalistas, produto da diminuição da jornada de trabalho, da urbanização e da modernização dos transportes.
O atleta profissional é um tipo de trabalhador que vende sua força de trabalho; é valor de troca regulado pelas leis da oferta e da procura do mercado. O amadorismo deixa de existir desde que o atleta profissional se tornou componente da matriz espetacularizada (DAMO, 2007).
A passagem do futebol amador ao profissional/empresarial é resultado e reflexo da hegemonia do mercantilismo na gestão esportiva. Este processo não consiste em uma simples remodelação do sistema esportivo, mas na transformação do mesmo em empresas mercantis. Podemos verificar este fato no exemplo do mercado de compra e venda de jogadores de futebol; em matéria publicada recentemente, o estudo de uma consultoria esportiva privada demonstra a distribuição entre clubes, das cinquenta maiores transferências de jogadores brasileiros. Os clubes espanhóis, Real Madrid e Barcelona lideram a lista. Porém, o que chama a atenção é que o Porto, clube português que vigorava na 15ª. posição entre os clubes compradores, aparece na 1ª posição no ranking dos clubes vendedores; isso também ocorre com outros clubes, como o Parma, da Itália. O Brasil fica somente na 3ª posição como vendedor, representando a globalização e o livre comércio do ‘mercado da bola’.38
A metamorfose do sistema esportivo, enquanto gestão e regularização, ocorre em função da economia política do mercado, levando à instauração de uma nova cultura organizacional onde se destaca a comercialização dos jogadores, processo que os converte em produto e commodities. Esta transformação cultural afeta valores e atitudes, crenças e percepções, normas e regras, compromissos e comportamentos sociais e laborais, identidades e identificações organizacionais e a ética profissional; bem como a responsabilidade social corporativa e as instituições envolvidas no sistema.
38 GONÇALVES, E. As 50 maiores transações com jogadores brasileiros. Disponível em:
http://globoesporte.globo.com/platb/olharcronicoesportivo/2012/01/10/as-50-maiores-transacoes-com- jogadores-brasileiros/#>. Acesso em: 19 Fev. 2013.
Os valores e normas impostos pelo novo modelo de organização e gestão dos clubes esportivos entram em tensão com elementos centrais da cultura esportiva e das tradições profissionais. Entre os aspectos mais destacados a esse respeito vigoram as demandas contraditórias recebidas pelos atletas quando são comercializados entre clubes e por isso, recebem críticas da torcida, da imprensa e, às vezes, da própria diretoria que o comercializou39. Veladamente, é exigido a
fidelidade ao clube e o ‘amor à camisa’, valores cultivados no período do amadorismo. Assim, o mundo do trabalho esportivo, gerido pelas leis capitalistas, obediência às demandas do mercado e da organização, aparece não só como um imperativo moral, mas também do sentido comum, da lógica do mercado e da legitimidade política. O modelo atual parece fértil para a instalação das relações verticalizadas de poder em um campo de forças sociais caracterizado pela alta capacidade de quem domina para induzir quem está dominado a locomover-se até a meta ordenada. Isto será possível?