• Sonuç bulunamadı

Com relação a este item, torna-se relevante registrar a dificuldade em se obter informações pertinentes ao servidor e à própria universidade. A busca pelos documentos teve início em 9 de novembro de 2004, quando foram solicitados à Administração Superior, através de requerimento, os seguintes documentos: Relatório de Gestão nos anos de 2000 a 2003; Plano de Desenvolvimento Institucional – PDI; Plano Estratégico; Plano de Ação; Pesquisa de Perfil Socioeconômico do Servidor Técnico-Administrativo da UFC dos anos de 1998 e 2003, e, ainda, relatórios de registros funcionais, tais como: tipos de afastamentos com a relação de servidores que se encontravam nessa situação; servidores com ocorrência de guias médicas; devolução de funcionários; ocorrência de funcionários com processo administrativo disciplinar – PAD e, por fim, resultado das avaliações de desempenho.

É válido enfatizar que não foi possível obter, a contento, informações que permitissem pesquisar os servidores enquadrados, conforme os registros funcionais, nos seguintes casos: regularidades de afastamento para outros órgãos; absenteísmo médico por doenças crônicas, como pressão alta, depressão, estresse,

alcoolismo; servidores à disposição da Superintendência de Recursos Humanos; freqüência de rotatividade no trabalho; servidores com incidência no absenteísmo.

Em virtude da impossibilidade de se trabalhar com esse universo, optou- se por se fazer uma pesquisa por amostragem, retirada do conjunto de servidores técnico-administrativos, com uma amostra estratificada nos níveis de apoio, intermediário e superior.

Para tanto, buscou-se a assessoria técnica do Laboratório de Estatística e Matemática Aplicada – LEMA, com o objetivo de realizar a pesquisa e análise dos dados.

Os obstáculos e entraves burocráticos foram tantos que chegaram a ferir o que reza a Constituição Federal. “Todas as ações realizadas no serviço público seguem os princípios da administração pública, quais sejam: legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, eficiência e eficácia” (CF, 1988, EC 19/98).

Quando do início da pesquisa, tomou-se a decisão de não fazer pessoalmente a aplicação dos questionários. Tal decisão foi estimulada pelo seguinte questionamento: será que a presença do investigador não vai modificar o comportamento das pessoas que se pretende estudar? A resposta é afirmativa, e tais modificações são designadas por “efeito do observador” (BOGDAN; BIKLEN, 1994, p. 68). Diante do exposto, aliado ao fato da pesquisadora pertencer ao quadro de servidores da UFC e, ainda, estar envolvida com questões políticas relativas à categoria de nível superior, levantou-se a hipótese de que a presença da pesquisadora poderia influenciar de alguma maneira os respondentes.

Dessa forma, a aplicação dos questionários e tabulação dos dados, por indicação do LEMA, ficou sob a responsabilidade da Gauss – Empresa Júnior, do Departamento de Estatística e Matemática Aplicada da UFC.

Solicitou-se à Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação, por meio de requerimento, uma ajuda de incentivo à pesquisa, com base no item 4.9 do

Programa Institucional de Apoio à Pesquisa, constante no Plano de Desenvolvimento Institucional – PDI, relativo ao período de 2004/2007. Atendido o pleito, recebeu-se o incentivo financeiro para desenvolvimento e conclusão da pesquisa no âmbito da universidade.

A Gauss iniciou o processo de coleta de dados após elaboração de uma proposta de trabalho, em forma de contrato firmado entre as partes, constando o objetivo do estudo, a metodologia utilizada, o cronograma de atividades, o investimento do serviço, juntamente com um orçamento detalhado, a apresentação dos resultados, a validade da proposta e cláusula de confidencialidade.

Assinado o contrato de trabalho entre as partes, o que só veio acontecer em 16 de maio de 2005, em virtude dos acertos burocráticos, foram selecionadas cinco pesquisadoras do banco de dados da Gauss – Empresa Júnior, “com melhor capacitação e experiência nesse modelo de pesquisa”, conforme proposta de trabalho. Foi realizada uma reunião de treinamento pela investigadora com as cinco alunas do curso de estatística que iriam trabalhar como pesquisadoras. Nesse primeiro contato, foi explicado o objetivo da pesquisa. Procurou-se conscientizá-las da importância deste estudo, como também foram respondidas às perguntas e retiradas as dúvidas. Ficou decidido que cada pesquisadora seria responsável por 70 questionários.

Em função de atraso na aplicação dos questionários, a pesquisadora do projeto em questão decidiu por uma alteração na amostra, com uma nova margem de erro, ocasionada pela redução do número de respondentes. Apesar dos prazos, a pesquisa estendeu-se ainda por uma semana, para que os resultados do trabalho não fossem comprometidos, terminando no dia 20 de julho de 2005. Durante essa semana, a pesquisadora contratou mais dois pesquisadores, desta vez por indicação da Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis. Tal decisão acarretou o avanço significativo da quantidade de respondentes, subindo para 223 o total de questionários respondidos.

Cabe salientar que, paralelamente a esses entraves, a Gauss – Empresa Júnior também se deparou com grandes dificuldades para realizar a coleta de dados, dentre as quais a de encontrar os servidores no seu posto de trabalho. Durante o

processo, muitas vezes recebiam as seguintes respostas: “este servidor não trabalha mais aqui, saiu da universidade”; “posso responder, o fulano está trabalhando em outro setor”, ou ainda “o fulano encontra-se afastado”.

Esse problema ocorreu em virtude da tabela com os nomes e lotação dos servidores selecionados estar desatualizada, sendo necessário trabalhar não só com uma, mas com três tabelas de substituição.

Justificava-se ainda a ausência do servidor no seu posto de trabalho da seguinte forma: “venha no período da tarde ou (pela manhã), houve um problema, o servidor foi ao médico, ou ao dentista, ou à oficina, ou, ainda, à Reitoria”, ou “este servidor só trabalha à tarde, ou só trabalha pela manhã”.

Apesar da dificuldade para se conseguir autorização para o acesso às dependências do hospital e ainda de localização dos servidores no Hospital das Clínicas, principalmente os médicos, não houve prejuízo nesse sentido, apenas de tempo. A grande dificuldade aconteceu na Maternidade Escola, pois durante 60 dias tentou-se uma autorização, que culminou em desistência, em virtude de não se ter mais prazos para entrega e recepção dos questionários.

Em outras dependências da universidade, os gestores não permitiram a aplicação da pesquisa. As coletoras depararam-se com a seguinte situação: “para uma pesquisa desse porte, é necessário uma autorização do reitor, ele precisa tomar conhecimento do teor da pesquisa”.

Na próxima seção serão apresentadas a análise e a interpretação dos resultados da pesquisa documental e dos resultados obtidos no levantamento de dados.

Benzer Belgeler