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2.5 Otomotiv Çelikleri

2.5.3 Alaşım Elementlerinin Çeliklerin Özelliklerine Etkisi

As relações de poder fazem parte da história das ONG´s, que surgiram no Brasil nas décadas de 1960 e 1970 como instituições que faziam frente ao poder do Estado e lutavam pela redemocratização do país. Na década de 1980, aconteceu um forte crescimento de ONG´s que passaram a lutar por políticas públicas para os seguimentos socialmente excluídos e pelas bandeiras dos Novos Movimentos Sociais (NMS), como falamos no primeiro capítulo.

A relação com as estruturas de poder, presentes em todas as organizações sociais, também faz parte da estrutura das ONG´s desde seu surgimento, mas o discurso de que existe uma luta contra o poder, como se ele fosse externo e não fizesse parte de suas práticas, mascara suas causas e relações e, como explica Peruzzo (1998), ao explicar a hegemonia em Gramsci, quanto mais invisível, mais eficaz torna-se a manutenção do poder.

Segundo Danziato, os representantes dessas entidades, apesar de não serem ingênuos quanto ao exercício do poder, avaliam que ele é “exercido, notadamente, pelas organizações vinculadas ao Estado” (1998, p.194), como se o poder fosse externo e não estivesse fortemente presente nas ONG´s.

Entendendo que o poder encontra formas específicas de atuação, engendrado nas relações estabelecidas num determinado campus social, concluímos que os atores sociais ligados às ONG´s, direcionados pelos discursos que veiculam, não estão imunes a desenvolver formas peculiares de exercício de poder, mesmo que seja meramente através da reprodução de um discurso que fundamenta suas práticas sociais e que se constitui mediante práticas discursivas (1998, p.25).

A questão dos discursos, da imposição de uma verdade inquestionável é outro ponto que deve ser discutido quando se fala em relações de poder nas Organizações Não Governamentais. A reprodução do discurso, que deve ser repetido e não problematizado pelos jovens, de que o trabalho infantil é danoso ao seu desenvolvimento, acaba gerando silenciamentos ou a sua mera reprodução.

Segundo Martín-Barbero (2002), a linguagem é uma das formas mais eficazes de dominação. Se a escola legitima a linguagem das classes dominantes

ao escolhê-la como padrão, o que fazem as ONG´s quando escolhem um discurso como o detentor da verdade para o benefício dos próprios jovens? O que sentem os pais ao ouvir que trabalho infantil é crime e que quem é beneficiado com esse trabalho é um “explorador”?

Será que a resistência inicial dos jovens em falar de suas vidas, da experiência no trabalho, era um silenciamento diante do discurso “padrão” que já dava as respostas antes das perguntas, que não problematizava as práticas dos jovens?

A força política do representante legal, articulador institucional ou diretor, para citar algumas das nomenclaturas comuns das ONG´s, e a reprodução de um discurso normalizador, que não abre espaço para questionamentos por parte dos jovens, são questões que fazem parte do contexto das ONG´s e devem ser discutidas de forma mais aprofundada.

Ainda num dos programas da série que discutia o que deveria mudar na Associação Curumins, outra profissional falou sobre a necessidade de inserir os outros funcionários nas discussões dos fóruns de defesa dos direitos de crianças e adolescentes de que a instituição participava.

O que eu acho que poderia acontecer é que outros funcionários, não só quem trabalha diretamente com a mobilização, mas os outros funcionários da recepção, os educadores, também pudessem estar envolvidos com as redes de proteção dos direitos das crianças e dos adolescentes. Não ficar limitado a dois ou três funcionários (Programa Na Boca do Trombone 1).

Dificilmente uma decisão ou discussão que está sendo debatida nos fóruns chega aos outros profissionais. O poder de decisão fica nas mãos de poucos ou de uma pessoa. Um dos problemas para a realização desse debate é a concentração de atividades dos projetos e a necessidade de gerar resultados rápidos para manter o financiamento.

As ONG´s têm se portado de forma pragmática, como tantos já reconhecem, cujos resultados talvez não tenham sido mais satisfatórios devido a uma necessidade de pararem um pouco para refletir não sobre a direção e sentido de suas práticas, que já estão

bem definidos, mas refletir a respeito dos instrumentos nos quais tais práticas se efetivam (DANZIATO, 1998, p.128).

Como as ONG´s trabalham com projetos, com tempo determinado para acabar e recursos reduzidos, existe um constante movimento para a renovação ou incorporação de novos projetos, demandando uma articulação permanente que, muitas vezes, é feita pela mesma pessoa por já possuir os contatos ou por ter influência entre os possíveis parceiros, como se costuma chamar os financiadores dos projetos.

Em alguns casos, o captador de recursos é também o representante da instituição nos principais fóruns, até porque as informações dos editais de projetos circulam nesses espaços e pela possibilidade de firmar parcerias entre instituições que participam dos fóruns.

O poder político que é exercido fora da instituição é firmado também dentro dela. Mesmos durante os debates e os momentos de diálogo e avaliação, é possível perceber o peso maior de algumas falas em detrimento de outras, mas as relações de poder, muitas vezes, não são assumidas abertamente, o que pode ocasionar, também entre os profissionais, o silenciamento de algumas falas.

Existe uma contradição entre a busca por processos democráticos e as relações de poder. A própria negação de que o poder é exercido na instituição e de que existe uma disparidade de forças pode representar a tentativa de afirmação dos ideais democráticos, participativos e de negação do poder hegemônico, princípios sob os quais foram criadas as ONG´s. Mas “o poder flui, porque não é uma propriedade, mas algo que se exerce” (MARTÍN-BARBERO, 2001, p.96).

As ONG´s precisam questionar se suas práticas não estão contradizendo seus princípios, avaliar seus espaços de participação e reconhecer que o poder existe, para começar a desvendar seus labirintos. Também os discursos precisam ser revistos. Os direitos das crianças e dos adolescentes precisam ser discutidos com eles, mas sem transmitir comunicados e, sim, dialogando.

Benzer Belgeler