2. PARABOLİK ÇANAKLI YOĞUNLAŞTIRMALI GÜNEŞ GÜÇ
2.2. Parabolik Çanaklı Yoğunlaştırmalı Güneş Güç Sistemlerinde Kayıplar
2.2.2. Alıcı Kayıpları
Nesta investigação, os instrumentos de pesquisa utilizados foram: observação, entrevistas semi-estruturadas, desenho e escrita conjugados à oralidade. Para justificar a escolha desses instrumentos, consideramos as argumentações de Gonzàlez Rey (2002), quando afirma que os instrumentos utilizados em uma investigação são relevantes, porque possibilitam a criação de diálogos entre os participantes da pesquisa. Para este autor:
O instrumento é uma ferramenta interativa (...) que não se limita às primeiras expressões do sujeito diante dele. Assim, com freqüência, (...) organizamos os diálogos, mais significativos que a informação proporcionada originalmente pelo instrumento (p.80).
Esses instrumentos foram utilizados de forma interdependentes e complementares, no sentido de integrar as informações conforme a figura abaixo:
Figura 01: Instrumentos e percursos de realização da pesquisa
Entrevistas semi-estruturadas Desenho e escrita conjugados à oralidade
Observação
Sala de aula Coordenação pedagógica Reuniões
Crianças Crianças Professoras Mães Sociais
Seguindo a natureza da pesquisa aqui descrita, seus dados foram sendo construídos ao longo do trabalho desenvolvido, isto é, os seus procedimentos foram construindo as informações. As observações se deram em situações naturais de convivência entre as crianças, entre elas e os adultos e os adultos entre si no âmbito do trabalho pedagógico da instituição de educação infantil. O mesmo pode ser dito em relação aos outros instrumentos: entrevistas e os registros das crianças: desenho e escrita conjugados à oralidade.
Nesse percurso de investigação, primeiro fizemos as observações. Nesse período as crianças também produziram algumas atividades específicas para esse estudo e, por fim, realizamos as entrevistas semi-estruturadas com gravação em áudio.
A seguir, trataremos do trabalho de cada instrumento especificamente.
a) Observação
Realizamos a observação direta para o conhecimento do funcionamento pedagógico da escola e da dinâmica de trabalho em sala de aula com as crianças. Para tanto, as experiências construídas num período de seis meses de convivência, no contexto pedagógico permitiram vivenciar diferentes formas de relacionamento existentes entre as pessoas que ali estavam.
Essa convivência possibilitou, por meio de um contato direto da pesquisadora, apreender a lógica de acontecimentos dos fatos nos relacionamentos estabelecidos na instituição em análise. De acordo com Ludke e André (1986),
A observação direta permite que o observador chegue mais perto da “perspectiva dos sujeitos”, um importante alvo nas abordagens qualitativas. Na medida em que o observador acompanha in loco as experiências diárias dos sujeitos, pode tentar apreender a sua visão de mundo, isto é, o significado que eles atribuem à realidade que os cerca e às suas próprias ações (p.26).
Em tais observações, registramos diariamente, em protocolos criados para a constituição de evidências de relacionamentos entre as crianças em situação de
abrigamento. Em particular buscamos o registro de como eles são constituídos no trabalho pedagógico de uma instituição de educação infantil.
Nesta perspectiva, as observações foram feitas no espaço da instituição de educação infantil, onde vivenciamos diferentes contextos e situações pedagógicas, assim como, tivemos contato direto com as crianças e os profissionais que nela trabalham.
Portanto, para os objetivos dessa pesquisa interessou-nos os registros diários capazes de descrever os acontecimentos ocorridos nos relacionamentos entre as crianças, entre elas e os adultos e os adultos entre si. Esses registros foram feitos sem roteiro pré-definido. Ademais, de modo proposital, a pesquisadora tornou-se, também, participante da pesquisa junto com as crianças, profissionais da educação infantil e mães sociais.
Tal imersão favoreceu o entendimento das percepções e sentimentos de pertencimento. De fato, esses não podem ser produzidos a priori. São, isso sim, construídos nas relações que estabelecemos com o outro, pelas diferentes formas de convivência. De tal modo que, após cada observação, foram feitas análises parciais das informações do dia, tendo em vista as experiências vivenciadas e a sua relação com os objetivos da pesquisa.
A ordem e os ambientes observados estão postos na figura abaixo:
Figura 02: Ambientes observados no processo de pesquisa
Conforme expresso nessa figura, no percurso metodológico de realização da pesquisa, observamos primeiro os relacionamentos construídos no ambiente de sala de aula, envolvendo crianças e crianças e crianças e adultos. Depois, vivenciamos
Observação
observamos o trabalho da coordenação pedagógica que acontecia de duas formas: coordenação individual, realizada pela professora de cada turma para a elaboração do planejamento de sua turma, e também, a coordenação coletiva com todas as professoras. Um terceiro objeto das observações foram as reuniões comas famílias.
O processo de observação aconteceu no período de 6 meses, tendo início em agosto de 2006 até fevereiro de 2007, quatro vezes por semana, em dias alternados entre as turmas do Maternal, Jardim I e Jardim II.
A opção por fazer as observações em períodos distintos favoreceu a compreensão do processo pedagógico voltado para o trabalho com as crianças e, em especial, o tempo e a forma de construção das ações de cuidado e educação implementados na instituição de educação infantil. O nosso olhar voltou-se para os relacionamentos constituídos entre as crianças e entre elas e os adultos e os adultos entre si.
b) Entrevista semi-estruturada
A opção pela realização da entrevista priorizou a perspectiva de diálogo e de ampliação das possibilidades de compreensão do contexto observado. As entrevistas foram realizadas com as professoras regentes que trabalhavam nas turmas do Maternal e do pré-escolar, as crianças, as mães sociais e a coordenadora pedagógica.
Assim, foi possível, na perspectiva do diálogo com os participantes da pesquisa, obter informações que possibilitaram ampliar o nosso foco de discussão.
Nas palavras de González Rey (2002):
A entrevista, na pesquisa qualitativa, tem sempre o propósito em converter-se em um diálogo, em cujo curso as informações aparecem na complexa trama em que o sujeito as experimenta em seu mundo real. Surgem inumeráveis elementos de sentido, sobre os quais o pesquisador nem sequer havia pensado, que convertem em elementos importantes do conhecimento e enriquecem o problema inicial planejado (p.89).
As entrevistas partiram do contexto de observação diante dos acontecimentos das situações de convivências entre as participantes e, também, mediante as conversas informais realizadas no ambiente em análise.
Assim sendo as entrevistas aconteceram em um ambiente de diálogo de forma que as pessoas entrevistadas demonstraram-se seguras diante das questões levantadas a respeito dos relacionamentos vivenciados no cotidiano pedagógico da instituição.
A opção de incluir essas entrevistas justifica-se pelo entendimento de que a criança é uma protagonista das relações entre pessoas da família e entre as profissionais da instituição de educação infantil. Isso nos levou a perceber a necessidade de valorizar também as conversas com as demais pessoas com elas convivem: professoras e coordenadora da instituição de educação infantil e as mães sociais do abrigo.
Tendo-me inserido no contexto investigado, pude compreender dessa experiência aquilo que Ludke e André (1986) falaram sobre a inserção da pesquisadora no ambiente em análise. Segundo as referidas autoras, essa possibilidade faz com que: “o universo próprio de quem fornece as informações, as opiniões, as impressões, enfim o material em que a pesquisa está interessada (...) esteja ao lado do respeito pela cultura e pelos valores” (p.34).
Na figura abaixo, apresentamos a ordem em que as entrevistas semi- estruturadas foram realizadas com gravação em áudio e transcrição literal dos protocolos específicos:
Figura 03: Percurso de realização da pesquisa
Observação Crianças Professoras e coordenadora pedagógica Mães Sociais Entrevistas semi-estruturadas
Após três meses de observação, iniciamos o processo de entrevistas. A partir dos relacionamentos observados e dos sentidos que elas tinham na organização e implementação do trabalho pedagógico, as mães sociais foram as primeiras a serem entrevistadas. Em seguida entrevistamos as professoras e, por fim, conversamos com as crianças em diferentes momentos e situações para melhor apreender os sentidos que estavam atribuindo às questões investigadas.
c) desenho e escrita conjugados à oralidade da criança
O termo expressão individual é discutido por González Rey (2002) na definição dos instrumentos de investigação como uma técnica de representação de determinadas questões que tenham sentido para o pesquisado e promovam um diálogo com a pesquisadora em diferentes situações. Nas palavras do autor:
O uso de instrumentos escritos ou de expressão individual compreende, entre outros, o uso de desenhos, (...) de situações experimentais de diferentes características, assim como de situações de conflito ou execução que o sujeito deve resolver (...) e representa um espaço de diálogo entre o pesquisador e o sujeito pesquisado, sem o qual o instrumento pode não obter nenhum sentido para quem responde a ele (p.91).
O trabalho com as diferentes formas de expressão das crianças se constituiu um momento muito importante para a compreensão de diversas relações na construção dos pontos de vistas das pessoas que fazem o trabalho pedagógico na educação infantil.
Sob o mesmo ponto de vista, trabalhamos com o desenho e a escrita de uma carta de maneira que esse processo foi conjugado à oralidade das crianças porque consideramos que, as produções das crianças enriqueceram um contexto de pesquisa e, neste caso, foram ao encontro do estudo acerca dos relacionamentos. Observamos nesse período que esses relacionamentos podem ser expressos pela criança nas mais diversas linguagens.
Dessa maneira, os desenhos e a escrita foram construídos em diferentes situações de brincadeiras com envolvimento coletivo e individual com sete crianças residentes no abrigo, para que elas pudessem, de maneira espontânea e
contextualizada, expressarem-se autonomamente acerca dos relacionamentos vividos na casa- lar e na instituição de educação infantil. Tal contexto foi constituído por meio do trabalho com a linguagem oral da criança (RIZZOLI, 2005).
De conformidade com esse entendimento, propusemos uma seqüência de atividades que está expressa na figura abaixo:
Figura 04: Linguagens da criança a serem trabalhadas na pesquisa
Conforme representado nesta figura 04, as crianças participaram da pesquisa em duas situações de pesquisa diferentes embora complementares: a entrevista realizada após os registros individuais por meio do desenho e a produção de uma carta. Todos esses momentos estiveram contextualizados por meio de brincadeiras.
Antes de mais nada, essa experiência demonstrou o quanto a perspectiva das crianças aponta um olhar sensível às convivências estabelecidas entre elas e os adultos. Apesar de ter sido difícil o trabalho de entrevista com as crianças, pudemos apreender que os sentidos que elas dão às situações, sentimentos, posturas, atitudes, objetos, retratam, na maioria das vezes, distanciamento e resistência ao que os adultos esperam dela.
Essa experiência de pesquisa com criança realizou-se em virtude da convivência estabelecida entre a pesquisadora com as crianças e as professoras no contexto de trabalho pedagógico da instituição de educação infantil ao longo dos
Desenho Escrita de uma carta
Formas de Expressão