6. REFRAKTERLER
6.3. Alümina-Silikat Refrakter Malzemeler
O primeiro trimestre de 2011 foi o período que ocorreu a última exportação de camarão marinho do Brasil. No mês de março, a empresa Camanor, localizada no município de Canguaretama/RN enviou o último contêiner de camarão destinado ao mercado externo devido a sua parceria com a rede Carrefour na França. Desde então, toda a produção de camarão marinho do Brasil tem sido consumida pelo mercado interno. Esta reconfiguração da distribuição do camarão brasileiro, e em especial, o camarão potiguar, será melhor analisada no capítulo sobre a Circulação da carcinicultura.
Por isso que, segundo o Censo Aquicola de 2011, duas empresas ainda afirmaram exportar parte da sua produção. O centro de processamento da Camanor afirmou exportar cerca de 9,2% da sua produção, enquanto os 93,8% restantes, foram consumidos internamente. Por sua vez, a empresa Produmar Exportadora de Produtos do Mar, teve o mercado externo como principal mercado para o seu
produto, pois exportou cerca de 80% da sua produção, ficando os 20% restantes, distribuídos no mercado interno.
Os demais centros de processamento tiveram toda a sua produção voltada para o mercado interno, o qual a venda no atacado foi indicada por todos como sendo a principal forma de comercialização dos seus produtos. No mercado interno, o Censo Aquicola de 2011 pediu para que o responsável pelo centro de processamento atribuísse um valor de 1 a 5 para cada região consumidora do seu produto, sendo a ordem crescente atrelada a maior quantidade comercializada com aquela região. Sendo assim, a Região Norte foi a que mais recebeu o valor 5, indicando assim que, essa região é o principal destino da produção dos seguintes centros de processamento: Camanor, Norte Pesca, Pescados da Cruz, Produmar e Anequim. As demais regiões em ordem de importância quanto ao principal destino da distribuição do camarão pelos centros de processamento do Rio Grande do Norte são: Região Centro-Oeste, Região Sul, Região Nordeste e por último, a Região Sudeste.
A distribuição do produto comercializado pelos centros de processamento mostra um comportamento bastante diferente daquele praticado pelas fazendas de camarão que vendem diretamente seu produto sem necessariamente, passar pelas unidades de processamento. Estas, como vimos anteriormente, tem o mercado da Região Nordeste, como principal centro de consumo, sobretudo, entre os micros e pequenos produtores. Porém, mesmo entre os médios e grandes produtores, a Região Nordeste figurou entre os principais destinos das suas respectivas produções. Comportamento bem diferente dos centros de processamento, os quais têm direcionado o produto com maior valor agregado para a Região Norte e Centro- Oeste, principalmente.
5 OS CÍRCULOS DE COOPERAÇÃO DA CARCINICULTURA NO RIO GRANDE DO NORTE
Os capítulos anteriores foram dedicados à análise dos diferentes segmentos da carcinicultura, apresentando as topologias e tipologias das empresas presentes nas diferentes etapas, as quais o camarão perpassa até alcançar o estágio necessário para chegar ao mercado para ser consumido..
Esta análise nos permitiu identificar o aprofundamento da divisão territorial do trabalho a partir do circuito espacial de produção da carcinicultura, resultado da manifestação do meio técnico-científico-informacional na atividade de cultivo de camarão marinho, expresso no surgimento de diversos segmentos agindo em solidariedade.
O aprofundamento da divisão territorial do trabalho na carcinicultura promoveu um aumento nas trocas materiais entre as diferentes etapas da carcinicultura, além de uma conjunção de diversas empresas em um mesmo movimento, elaborando uma rede de relações estabelecida ao longo do processo produtivo, que por sua vez, atingiu uma topografia regional e nacional que abrangeu uma multiplicidade de lugares e agentes. Este aspecto atual da atividade de cultivo de camarão pode ser observado nas trocas entre os laboratórios de larvicultura, entre os laboratórios de larvicultura e as fazendas, entre as fazendas e as indústrias de beneficiamento, entre as fazendas e as fábricas de ração, entre os principais segmentos da carcinicultura e as fábricas de produção de insumos e equipamentos, bem como, entre as fazendas e os mercados consumidores produtivos e consumptivos.
Entretanto, segundo Castillo e Frederico (2010, p. 464) “se por um lado, as diversas etapas do processo capitalista se tornaram cada vez mais dispersas no espaço”, prosseguem os autores, “por outro, estão cada vez mais articuladas pelas políticas das empresas, (...) através da modernização e da expansão das redes técnicas de informação, portadoras de ordens, mensagens, capitais”. Por sua vez, Santos e Silveira ([2001] 2008, p. 144) afirmam que “esse movimento é comandado, sobretudo, por fluxos não obrigatoriamente materiais, isto é, capitais, informações, mensagens, ordens”. Para os autores, “essa é a inteligência do capital, reunindo o que o processo direto da produção havia separado em diversas empresas e lugares,
mediante o aparecimento de verdadeiros círculos de cooperação”. Estes, por sua vez, no entendimento de Castillo e Frederico (2010, p. 464-465):
[...] tratam da comunicação, consubstanciada na transferência de capitais, ordens, informação (fluxos imateriais), garantindo os níveis de organização necessários para articular lugares e agentes dispersos geograficamente, isto é, unificando, através de comandos centralizados, as diversas etapas, espacialmente segmentadas, da produção.
No interior dos circuitos espaciais produtivos, ocorre uma multiplicidade de círculos de cooperação, gerados através das relações estabelecidas entre as empresas, entre as empresas e os poderes públicos locais, regionais e nacionais, entre empresas, associações e instituições, entre outras. Dessa maneira, bem como ressaltam Castillo e Frederico (2010, p. 465), “é necessário, por tanto, analisar as especificidades dos círculos de cooperação estabelecidos e as respectivas escalas de poder dos diferentes agentes”.
Na carcinicultura, os círculos de cooperação são sensivelmente percebidos nas relações estabelecidas entre os segmentos da atividade durante o processo de produção, bem como, entre produtores e associações, instituições e produtores, além do Estado e os produtores.
Entre os segmentos da carcinicultura, destaca-se o acompanhamento técnico praticado pelos laboratórios de larvicultura e pelas fábricas de ração junto às fazendas de engorda. Por sua vez, a relação existente entre a Associação Brasileira de Criadores de Camarão (ABCC) com os produtores é de suma importância para a atividade, haja vista, o papel de intermediação desenvolvido pela associação entre o Estado e os interesses dos produtores. Já a relação entre produtores e instituições se dá, principalmente, pela normatização da atividade envolvendo instituições nacionais e internacionais. Por fim, o círculo de cooperação estabelecido entre o Estado e os produtores ocorre, a priori, em dois níveis institucionais, no estadual através dos benefícios fiscais e a nível nacional por meio do fornecimento de crédito.