2.2. Hematolojik Kanserler
2.2.3. Lösemiler
2.2.3.1. Akut Myeloid Lösemi
A técnica da observação participante é definida por Minayo (2007) como “um processo pelo qual o pesquisador se coloca como observador de uma situação social, com a finalidade de realizar uma investigação científica.” (2007, p.70). Continua, afirmando que “o observador, no caso, fica em relação direta com seus interlocutores no espaço social da pesquisa, na medida do possível, participando da vida social deles.” Espera-se que através da participação da vida social de nossos interlocutores, consiga-se elucidar as dimensões dos acontecimentos que ultrapassam as possibilidades de esclarecimento via entrevistas.
Para coleta sistemática de informações, na observação participante foi utilizado o “diário de campo”, considerado por Minayo (2007) como “o principal instrumento de trabalho de observação”. Minayo nos lembra que o dispositivo “nada mais é que um caderninho, uma caderneta ou um arquivo eletrônico no qual escrevemos todas as informações que não fazem parte do material formal de entrevistas em suas várias modalidades”. As informações registradas no “diário de campo” foram utilizadas no processo de construção de sentidos durante a análise qualitativa.
Ao todo foram realizadas três visitas (dias 15 e 22 de abril e 22 de maio de 2009) para observação participante, na Oficina Terapêutica, hoje coordenada por Agentes Comunitários de Saúde. A última visita, não previamente programada, ocorreu para acompanhamento da festa de aniversário de 06 anos do dispositivo.
26 Formulário de Inscrição do I Seminário Estadual de Saúde Mental e Atenção Básica - 2006 (do qual faz parte o texto “Experiência da Unidade Básica de Saúde (UBS) Geraldina Augusta Braga, em Betim, MG”, apresentado na Introdução do presente trabalho) e o texto “Quebrando Preconceitos: Relatos sobre Parceria entre Agentes Comunitários de Saúde; Equipe de Saúde Mental e Comunidade”, assinado por Bispo, Souza, Nacif, Azevedo e 16 ACS (2006).
3.2.2.2 Entrevista
Segundo Minayo (1992) a entrevista é um instrumento privilegiado para coleta de dados pela possibilidade da fala ser reveladora de condições estruturais, de sistemas de valores, normas e símbolos de grupos determinados, em condições históricas, sócio-econômicas e culturais específicas. Tomando como elemento central a fala, temos também as práticas discursivas às quais nos remete Spink e Medrado (2004), propondo uma metodologia que investigue a maneira a partir da qual as pessoas produzem sentidos, e o modo como se posicionam, em suas relações sociais. Para tal o papel da entrevista seria fundamental:
"numa entrevista, as perguntas tendem a focalizar um ou mais temas que, para os entrevistados, talvez nunca tenham sido alvo de reflexão, podendo gerar práticas discursivas diversas, não diretamente associadas ao tema originalmente proposto. Estamos, a todo momento, em nossas pesquisas, convidando os participantes à produção de sentidos." (SPINK & MEDRADO, 2004, p.45).
As entrevistas aqui utilizadas seguiram o modelo semi-estruturado, baseadas em um roteiro flexível de questões que possibilitem a construção e circulação de sentidos (Anexos I e II), permitindo a abordagem de temas e objetivos predeterminados, sem, no entanto, se manter rigidamente preso a eles. Contrapondo o modelo semi-estruturado ao estruturado, Minayo (1992) nos lembra que “quando se trata de apreender sistemas de valores, de normas, de representações de determinado grupo social, ou quando se trata de compreender relações, o questionário (estruturado) se revela insuficiente.” (MINAYO, 1992, p. 121).
As entrevistas ocorreram ao longo dos meses de abril e maio de 2009. 3.2.2.3 Características da Amostra
Entendemos ser importante aqui caracterizarmos apenas o tempo de trabalho na unidade em questão de cada ACS e de cada técnico entrevistado.
Dos seis ACS pesquisados quatro vivenciaram o início da experiência e dois entraram posteriormente no serviço.
Dos quatro que vivenciaram o início da experiência, três ingressaram no serviço há aproximadamente nove anos e um há aproximadamente oito anos.
Os dois que entraram posteriormente no serviço o fizeram há aproximadamente quatro anos e meio.
Todos os ACS pesquisados continuam atuando na UBS Geraldina Augusto Braga, sendo que nenhum deles trabalhou anteriormente nesta profissão em outro serviço.
Os técnicos de nível superior trabalhavam na unidade pesquisada desde antes do início da experiência e ambos já haviam atuado em outros serviços.
Atualmente os técnicos pesquisados não trabalham mais na UBS Geraldina Augusto Braga. 3.2.2.4 Estratégia de Entrada e Ética na Pesquisa
Antes de adentrar no campo de investigação, foi estabelecido contato com a Diretora Operacional de Saúde de Betim para explicitação dos objetivos da pesquisa e entregue em mãos uma carta de apresentação (Anexo IV) com dados do pesquisador. Após a concordância daquela, foi repetido o mesmo procedimento com a gerente da UBS Geraldina Augusto Braga. Após sua concordância, estabeleceu-se contato com a psicóloga da unidade para que agendasse uma reunião com o grupo de ACS. Nesta reunião foram apresentados os objetivos da pesquisa e as técnicas que seriam utilizadas para a coleta de dados. Houve conversa mais ampliada sobre a situação atual da experiência, sobre o Prêmio José César de Morais e outros assuntos. Neste momento as ACS presentes, com prontidão, marcaram as entrevistas.
Todos os entrevistados expressaram sua concordância em participar da pesquisa através de assinatura no “Termo de Consentimento Livre e Esclarecido” (Anexo III), elaborado sob as prescrições da Portaria 196/96 (regulamentação sobre a ética nas pesquisas) e apresentado ao Comitê de Ética da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Para resguardar o sigilo das informações e proteger os informantes, denominaremos no presente trabalho os quatro ACS já atuantes no início da experiência indistintamente como “ACS JA”. Aos que ingressaram em fase posterior, denominaremos indistintamente como “ACS”. Julgamos importante estabelecer diferenciação entre estes dois grupos de ACS, já que nem todos fizeram parte da gênese da experiência e que este fato poderia influir sobre o ponto de vista deles.
Os técnicos de nível superior serão simplesmente denominados de “TNS”, os dois. 3.2.3 Análise e Tratamento do Material Coletado
Ainda de acordo com Minayo (2007), esta etapa do ciclo da pesquisa se caracterizaria pela operacionalização de procedimentos para valorizar, compreender e interpretar os dados empíricos, articulando-os com a teoria que fundamentou o projeto ou com outras leituras. Para análise e interpretação dos resultados nos utilizamos da perspectiva da Análise de Conteúdo Temática.
O conceito central da Analise Temática, nos lembra Minayo (2007) é o tema. O tema comportaria um conjunto de relações que poderiam ser graficamente apresentados através de uma palavra, frase ou resumo. Bardin apud Minayo (2007) afirma que “o tema é a unidade de significação que se liberta naturalmente de um texto analisado segundo critérios relativos à teoria que serve de guia à leitura.” (2007, p. 86). Como no caso de nossa pesquisa, nos interessam, dentre outros objetivos, os sentidos das práticas em Saúde Mental realizadas por ACS, o trabalho com a Análise Temática se faria adequado por consistir na descoberta dos núcleos de sentido que comporiam a comunicação. A presença ou freqüência de aparição dos núcleos de sentido seria fonte de significação para o objetivo analítico.
Seguindo as recomendações de Minayo (2007), fizemos uma leitura inicial minuciosa de todo o material coletado, de forma a possibilitar a impregnação pelo conteúdo do material. Esta leitura inicial nos possibilitou ter uma percepção global do conjunto de informações, identificar particularidades do conjunto do material, elaborar os pressupostos iniciais norteadores da análise e interpretação, definir categorias iniciais de classificação e determinar os conceitos teóricos também norteadores da análise. Durante a análise propriamente dita, distribuímos trechos das falas (e dos textos) pelas categorias iniciais de classificação aqui denominadas temas (Acontecimentos Originários Locais, Cuidados em Saúde Mental por Agentes Comunitários de Saúde e Sentidos de uma Prática). Estes temas estavam diretamente relacionados com os objetivos da pesquisa. Classificadas assim as falas e os textos, promovemos um diálogo entre os diversos trechos dispostos em cada categoria, estabelecendo comparações. Desta forma pudemos, através de inferências,
identificar os núcleos de sentido apontados por cada um destes trechos, promovendo um diálogo destes com nossos pressupostos. Após, analisamos o conjunto composto pelos núcleos de sentido encontrados em todas as classes, buscando a ampliação das temáticas e novas possibilidades de reordenamento das falas sob outros eixos. Ao final do processo de análise, reagrupamos as partes das falas e textos pelas novas categorias construídas e elaboramos uma redação por cada uma, articulando os diversos sentidos dos textos com os conceitos teóricos orientadores da análise, entremeando partes dos textos como nossas conclusões, dados ou conceitos teóricos.
Elaboramos por último nossa síntese interpretativa, que permitiu a conclusão da compreensão sobre as práticas e os sentidos que compõem os objetivos do presente trabalho.
IV - INVESTIGAÇÃO DA EXPERIÊNCIA DOS AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE DA UBS GERALDINA AUGUSTO BRAGA.