3. TRAFİK VERİ ANALİZİ VE ÖZELLİK ÇIKARTMA TEMELLİ SENSÖR
3.4. Akustik Tabanlı Sensörler
As respostas das Secretarias permitiram que se conhecesse melhor como os atores governamentais vêem e trabalham com o estabelecimento e o acompanhamento de metas e indicadores educacionais que refletem os passos da implementação do princípio do direito à educação de qualidade para todos. Todas as Secretarias respondentes declararam conhecer metas educacionais como o Ideb e as do Todos Pela Educação; ademais, todas declararam ter sistemas próprios de monitoramento da qualidade da educação. Esse crescente uso de metas e indicadores indica uma preocupação dos entes nacionais e subnacionais com a educação em geral e, sobretudo, com a qualidade do aprendizado ou da educação que está sendo ministrada nos
respectivos sistemas, o que é, sem dúvida, fator da maior importância para a aferição do cumprimento do direito à educação nos estados e no país.
Assim, pode-se dizer que o aprendizado dos alunos tem sido, em maior ou menor grau, e com maior ou menor sucesso, objeto da preocupação e foco do trabalho dos gestores educacionais. E se esta conclusão puder ser tomada como base para alguma generalização sobre o “estado da arte” nas demais Secretarias de Educação, pode-se inferir então que a definição de objetivos e metas, bem como o trato com indicadores educacionais, parecem ter entrado efetivamente na agenda governamental brasileira na área da Educação. Entretanto, alguns desafios e perspectivas para o uso de metas e indicadores educacionais foram mapeados, permitindo a formulação de propostas e sugestões que poderão subsidiar ações concretas, a serem endereçadas para diversos públicos-alvos, em prol da busca pelo cumprimento do direito à educação. Uma sistematização dos gargalos e encaminhamentos possíveis, relacionados ao uso de metas e indicadores educacionais, pode ser vista a seguir, na Tabela 12.
GARGALO ENCAMINHAMENTOS POSSÍVEIS Não foi sinalizado, em sua escala, standards
mínimos nacionais que devam ser alcançados por cada aluno em cada ciclo de aprendizagem ou série
Estabelecer standards mínimos nacionais que devam ser alcançados por cada aluno em cada ciclo de aprendizagem ou série, estabelecendo-se, também, níveis de aprendizagem Resultados são apresentados por meio do
desempenho médio dos alunos em uma escala que não é auto-explicativa
Tornar os resultados inteligíveis para os mais diversos públicos- alvo gerando, inclusive, subsídios para as mudanças
pedagógicas que devem acontecer em sala de aula. Não avaliam 100% dos alunos da rede pública
brasileira
Avaliar 100% dos alunos da rede pública, nas séries em questão.
Não permite que se identifique claramente os gargalos de aprendizado, por ser um indicador sintético que leva em consideração o desempenho médio dos alunos no Saeb/Prova Brasil em Língua Portuguesa e Matemática, e as taxas de aprovação.
Emitir mensagens claras, por meio do Ideb, sobre onde encontram-se os gargalos de aprendizagem e como endereçá- los.
As metas do Ideb são definidas por redes, e não por base territorial - não favorecendo a coordenação federativa no país.
Estabelecer metas por bases territoriais - enviando-se, assim, um sinal para os entes federativos de que a coordenação entre eles é importantíssima para a melhoria da educação no país. Como só avalia os alunos que estão no sistema
educacional, deixa de fora um importante
componente do direito humano à educação: o direito de todos a uma educação de qualidade.
Cruzar também com os componentes do Ideb o percentual de alunos que está no sistema educacional, apontando que os milhões de crianças e jovens que não estão no sistema definitivamente não têm seu direito à educação respeitado. Metas do Ideb foram criadas pelo governo federal e
apresentadas aos entes federativos - não tendo sido negociadas nem de forma bilateral, nem envolvendo uma coordenação federativa.
Construir um ajuste fino entre os entes federativos, para que o Ideb seja alcançado por meio de esforços conjuntos, e que ele não seja deslegitimado por estados que possam ter se sentido na obrigação de assinar o Plano de Metas Compromisso Todos Pela Educação.
Não existe indicador adequado para medir a alfabetização das crianças de 8 anos (Meta 2).
Coordenar uma ação intra e intersetorial de advocacy,
reforçando a necessidade de que o Ministério da Educação crie uma avaliação que gere indicadores para a meta de
alfabetização. Não existe indicador de qualidade da gestão
educacional (Meta 5)
Propor um indicador de gestão, ou apontar que esse é um valor do movimento - e não uma meta quantificada, passível de ter sua evolução acompanhada.
Metas educacionais foram criadas pelo movimento e apresentadas, já prontas, aos entes federativos.
Promover uma maior legitimidade das metas junto aos governos; promover o regime de cooperação.
T od os P el a E du ca çã o
Tabela 12- Indicadores e metas: gargalos e escaminhamentos possíveis
Sa eb /P ro va B ra si l Id eb
GARGALO ENCAMINHAMENTOS POSSÍVEIS A diversidade das metas educacionais existentes no
país pode confundir os gestores, a comunidade escolar e a sociedade.
Promover uma discussão em âmbito nacional aprofundada, a respeito dos indicadores existentes – qualificando gestores, comunidade escolar e sociedade como um todo para entenderem o que são os indicadores, as metas, as diferenças entre eles, onde se está, onde deve-se chegar, e como chegar lá.Um estudo que poderia embasar essas dicussões seria o cruzamento entre as metas de aprendizado estabelecidas pelos sistemas subnacionais de monitoramento da educação, o Ideb, as Metas do movimento Todos Pela Educação e os níveis médios atingidos pelos alunos dos países da OCDE no PISA. Tal estudo seria interessante para mostrar em que medida as metas buscadas localmente – que tendem a ser as mais populares e levadas em consideração – são coerentes com outras expectativas de aquisição de conhecimento e, também, em que medida eventuais divergências entre elas não levam a uma confusão por parte dos gestores públicos.
O simples estabelecimento de avaliações e metas educacionais não pode se tornar um fim em si mesmo.
Reiterar que o fim das avaliações e das metas educacionais é que se conheça os gargalos, permitindo-se que se gere ações que impulsionem a qualidade do aprendizado para todos – apoiando a reflexão e a melhoria pedagógicas, e funcionando como instrumentos de prestação de contas e responsabilização. É interessante, também, que se sinalize os perigos da tendência de se criar rankings de resultados de indicadores e metas educacionais.
Fraco alinhamento entre dimensões relevantes do cenário educacional: o que é cobrado nas avaliações, seus resultados, as metas estipuladas, o conteúdo das formações iniciais e em serviço dos professores, o conteúdo da seleção de professores e gestores escolares, o currículo prescrito e políticas públicas educacionais emanadas pelas secretarias, a gestão escolar e o que efetivamente é ensinado em sala de aula.
Promover a integração entre essas dimensões como prioridade absoluta para a melhoria da qualidade da educação.
Pouco envolvimento social com a causa da educação. Qualificar o debate e a divulgação dos resultados de avaliações e metas educacionais, de maneira que ficasse claro para a sociedade como um todo como está a educação, o que deve ser feito para que ela melhore e por quem.
Tabela 12- Indicadores e metas: gargalos e escaminhamentos possíveis (Continuação)
O bs er va çõ es g er ai s
GARGALO ENCAMINHAMENTOS POSSÍVEIS
Pouca coordenação entre os entes federados da área da educação
Promover a construção de um regime de colaboração sólido, que preveja a integração entre as redes, que precisam cooperar entre si não só em termos de conteúdos a serem ministrados, mas também no fluxo de informações sobre alunos, cooperação em termos de transporte e merenda escolar, entre outros. Organizações da sociedade civil, veículos de comunicação, empresariado podem se mobilizar para, nas eleições de 2010, colocar a necessidade de se criar um regime de colaboração no topo da agenda dos candidatos.
Há pouca clareza sobre a opinião dos professores e gestores educacionais a respeito das avaliações, indicadores e metas educacionais.
Promover a realização de pesquisas de opinião atualizadas com professores e diretores, para avaliar onde estão os desafios e oportunidades para se minorar as resistências e aumentar a adesão esses públicos com relação às avaliações e sistemas de meta.
A importância da equidade - ou, em outras palavras, da igualdade de oportunidades no sistema
educacional ainda é deixada de lado nos indicadores e metas.
Promover discussões mais qualificadas a respeito da questão da equidade e de como ela pode ser de fato promovida no sistema educacional; Promover um política de tolerância zero, em todos os níveis de governo e também na sociedade, com a exclusão de crianças e jovens do acesso ao aprendizado: será preciso punir severamente efeitos perversos como a exclusão, na época das avaliações educacionais, dos alunos com pior desempenho - ou da exclusão de alunos com deficiência das escolas regulares. Além disso, como normalmente as avaliações e as metas só se referem aos alunos que estão no sistema educacional, pouco ou nada é falado sobre um grupo ainda mais vulnerável: o das crianças e jovens em idade escolar que não estão na escola;
Seria importante também que os sistemas de metas em vigor considerassem não só o desempenho médio dos alunos nas avaliações mas também, e principalmente, as enormes diferenças de distribuição de suas notas e as melhoras que podem ser feitas entre as diversas faixas dessa distribuição. Uma sugestão prática para isso é que os sistemas de metas proponham, em seus componentes de aprendizado, não só a melhoria do desempenho médio global, mas que desenvolvam níveis de aprendizado que devam ser superados pelos grupos de alunos.
Tabela 12- Indicadores e metas: gargalos e escaminhamentos possíveis (Continuação)
Em suma, a análise das observações, críticas e diferentes formas de se utilizar metas e indicadores educacionais pelas Secretarias de Estado de Educação, registradas nas respostas ao questionário, permitiram a montagem de uma espécie de caleidoscópio das visões sobre metas e
indicadores educacionais por parte de atores governamentais - o que não seria possível de se obter com uma perspectiva apenas teórica do assunto ou embasada em situações ocorrentes em outros países. É também interessante ressaltar que, a partir do retorno obtido e da boa vontade dos respondentes, que em muitos casos se dedicaram a dar respostas bastante detalhadas sobre os temas propostos, a análise pôde identificar nuances, desafios e oportunidades relacionados ao manejo deste ainda bastante novo – e um tanto desconhecido - ferramental de trabalho que, no ponto de partida dessa dissertação, não poderiam ser imaginados de antemão por esta autora (refiro-me aos elementos sistematizados na Tabela 12).
O uso disseminado de metas e indicadores pelas Secretarias denota o avanço de uma cultura voltada para resultados no cenário educacional brasileiro – o que contribui para o acompanhamento do cumprimento do direito humano à educação. No entanto, vale salientar uma vez mais que o simples estabelecimento de objetivos, metas e indicadores não pode se tornar um fim em si mesmo. Afinal, indicadores bons que impliquem ou incorporem, sem maior problematização, por exemplo, a exclusão de pessoas do sistema educacional, podem sinalizar que esta ou aquela meta foi cumprida, mas definitivamente não se prestarão a sinalizar o cumprimento do direito à educação de qualidade para todos.