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3. RENKLİ VERNİK

3.2. Akrilik Sistem Vernikler

3.2.1. Akrilik Sistem Vernik Sertleştiricileri

Ensinam José Rogério Cruz e Tucci e Luiz Carlos de Azevedo59, ao tratarem do período formular, que, do ponto de vista estrutural, a exceptio consistia em uma cláusula condicional negativa, que era aditada, a pedido do réu, entre a intentio e a condemnatio, alterando de forma substancial o sentido da fórmula.

Era mais eficaz sob o aspecto prático do que a antiga praescriptio pro reo, já que colocada no corpo da fórmula, imediatamente em seguida à pretensão do autor.

Observam os citados autores que, ao tempo das ações da lei, o único modo pelo qual o réu poderia se defender era a simples negativa, enquanto, sob a vigência do processo formular, abria-se ensejo para que, por meio da exceptio, alegasse qualquer circunstância que pretendesse fazer valer em favor de seu direito (causa exceptione), defendendo-se positivamente diante da causa petendi deduzida pelo autor.

A exceptio tinha a natureza de defesa material do réu, cuja fonte imediata, segundo os autores supra referidos, era o ius honorarium, instrumento introduzido pelo pretor para abrandar, em determinados casos, os rigores da aplicação estrita do ius civile.

Nos termos da classificação sugerida por Gaio, as exceptiones eram peremptoriae ou dilatoriae.

As peremptoriae podiam ser opostas a qualquer tempo (perpétuas) e as dilatoriae, também chamadas de temporais, eram oponíveis por um certo prazo.

59 José Rogério Cruz e Tucci; Luiz Carlos de Azevedo, Lições de história do processo civil romano, 2.

Caso, todavia, fosse oposta a exceção dilatória e o autor insistisse na continuidade do processo, considerada procedente a exceptio, o réu era absolvido e o demandante derrotado não poderia mais propor nova ação, por força do efeito extintivo da litis contestatio.

Por ocasião do período da extraordinária cognitio, houve o abandono de inúmeras regras do processo formular, no que tange à defesa do réu.

O réu não tinha o ônus de provas os fatos alegados senão depois que o autor demonstrasse a veracidade dos que fundamentavam a sua pretensão.

Assim, a exceptio passou a se identificar com a própria defesa do réu, sendo indicada pelas fontes com o termo praescriptio, como autêntica preliminar da contestação, abarcando tanto matéria processual, como material, mantida a distinção entre as dilatórias (que deveriam ser provadas na fase inicial do debate) e as peremptórias (provadas até antes da sentença).60

A palavra exceção em sentido amplo significa direito de defesa e em sentido estrito, a matéria de defesa que o juiz não pode conhecer de ofício, dependendo, portanto, de iniciativa da parte.

As exceções em sentido estrito podem ser divididas em substanciais e processuais.

Exceções substanciais, em sentido estrito, ou de mérito, são aquelas de direito material que demandam iniciativa da parte para serem suscitadas, entre as quais podem ser citadas a decadência convencional (art. 210 do CC) e compensação.

Nesse aspecto, cabe relembrar que por força da Lei 11.280, de 16 de fevereiro de 2006, operou-se a revogação do artigo 194 do Código Civil, que previa ser a prescrição uma exceção substancial, já que o juiz apenas poderia conhecê-la de ofício, quando viesse a beneficiar pessoa absolutamente incapaz.

60 José Rogério Cruz e Tucci; Luiz Carlos de Azevedo, Lições de história do processo civil romano, cit., p.

Face à referida revogação, o juiz passou a poder conhecer de ofício a prescrição, deixando de distinguir a natureza do interesse tutelado. Referida modificação, aqui ventilada apenas pela relação que tem com o assunto relativo às exceções e objeções, tem suscitado alguma perplexidade, já que o magistrado passaria a ser exator do interesse privado, não provocando a alteração do artigo 191 do Código Civil, que prevê a possibilidade de renúncia da prescrição.

Pertinente relembrar que o ônus da prova quanto às exceções substanciais, ou as defesas de mérito indiretas, competem ao réu, nos termos do artigo 333, inciso II do Código de Processo Civil, e que o artigo 22 do aludido diploma legal prevê a condenação em custas, a partir do saneamento do processo, e a perda do direito ao recebimento de honorários, caso não argüido o fato impeditivo, modificativo ou extintivo, por ocasião da resposta.

Convém todavia consignar, conforme ensina Celso Barbi61, que as sanções constantes do artigo 22 se aplicam não só quando o réu deixa de apresentar exceções substanciais no momento oportuno (resposta), mas também quando deixa de apresentar defesa de natureza processual.

O Código de Processo Civil limitou-se a utilizar o termo “exceções” apenas para as hipóteses de argüição de incompetência relativa, impedimento e suspeição, não o fazendo em relação à defesa de mérito indireta, seguindo, nesse aspecto, a tradição que vem do direito francês, diferentemente do que foi adotado no ZPO (§§ 146, 278, I e 597, I), utilizando o direito alemão a palavra “exceção” para a espécie de defesa de mérito antes indicada.

Ovídio Baptista realça tal aspecto e a importância da mencionada distinção de conceitos:

“Essa distinção conceitual é relevante por dois motivos: sem argüição expressa do réu, o juiz não poderá julgar improcedente a ação, com fundamento em alguma exceção substancial, o que significa que as exceções não podem ser conhecidas de ofício pelo juiz; sob o ponto de vista probatório também se destaca a diferença entre a contestação

61 Celso Agrícola Barbi, Comentários ao Código de Processo Civil: Lei n. 5.869, de 11 de janeiro de 1973

(arts.1º a 153), 11. ed. rev. e atual por Eliana Barbi Botelho, Rio de Janeiro: Forense, 2002, v. 1, p. 149- 152.

simples e a oposição por parte do réu, de alguma exceção sustancial; se ele argüir exceção, cabe-lhe naturalmente, o ônus de prová-la, ao passo que simplesmente contestando a ação pela simples negativa dos fatos ou do fundamento jurídico da ação, nenhum ônus probatório lhe cabe.”62

As exceções processuais em sentido estrito são as matérias de natureza processual, que o juiz não pode conhecer de ofício, incluindo-se nessa espécie o artigo 301, inciso IX do Código de Processo Civil, face ao que prevê o parágrafo 4º do citado dispositivo e o artigo 526, que estabelece, no que tange ao agravo de instrumento, seu não conhecimento pela ausência da comunicação estabelecida no seu caput, se o agravado vier e alegar e comprovar a inércia do agravante.

As objeções, por seu turno, são as defesas que o juiz pode e deve conhecer de ofício, embora possam as partes igualmente fazê-lo.

Podem ser divididas igualmente em substanciais e processuais.

São exemplos de objeções substanciais a decadência legal (art. 210 do CC) e a prescrição (face à alteração legislativa antes referida).

Quanto às objeções processuais, podem ser relacionadas todas as hipóteses do artigo 301, excetuando-se a hipótese do inciso IX (convenção de arbitragem).

Além das mencionadas defesas, é possível ainda suscitar as chamadas exceções rituais, que possuem processamento próprio e ensejam com seu oferecimento a suspensão do processo, voltadas à alegação da incompetência relativa, impedimento e suspeição do juiz, e que serão tratadas em tópico específico.

Benzer Belgeler