2.5. Etkileşimli Öğretim Stratejis
2.5.1. Akran Değerlendirme
As Rodas de Conversas, conversas em roda ou simplesmente rodinhas são práticas comuns na Educação Infantil. A roda possibilita o olhar face a face, discutir problemas, resolver conflitos, atenuar diferenças, trocar ideias, partilhar conhecimentos. Uma metodologia que dá voz às crianças. É um recurso muito utilizado por Educadores Infantis e seu conceito é multifacetado em suas concepções.
Warschauer (1993, p.46) define o conceito de Roda de Conversa como:
Ato de reunir indivíduos com histórias de vida diferentes e maneiras próprias de pensar e sentir, de modo que os diálogos, nascidos desse encontro, não obedecem a uma mesma lógica. São, as vezes, atravessados pelos diferentes significados que um tema desperta em cada participante.
Busquei, para essa pesquisa, referência nessa autora que acredita serem as Rodas de Conversa, oportunidades formativas na escola e fora dela. Em sua obra
principal, a autora registra sua experiência em duas salas de 4ª série, onde atuou como professora nos anos de 1986 e 1987 (Warschauer, 1993).
Algumas de suas ideias convenceram-me por utilizar essa metodologia nessa investigação: “A escola é um mundo de contrastes, habitado por outras histórias além da documentada” (WARSCHAUER, 1993, p.30).
A autora defende ainda:“[...] construir o conhecimento implica em abrir espaço na sala de aula para a recriação. A criatividade aparece como fato decisivo, ocupando não apenas o espaço da sala de artes, mas todos os cantos da escola.” (p.32).
As Rodas de Conversa por mim utilizadas aconteceram sempre a partir de uma atividade realizada com as crianças, de acordo com a temática a elas apresentada no início de cada um de nossos encontros. Como as crianças pequenas têm dificuldades de permanecer muito tempo em uma mesma atividade e, julgando que poderiam cansar-se de realizar muitas rodas apenas para falar de um determinado assunto, a saber: cuidado, o que poderia enfraquecer o trabalho, elaborei um roteiro das Rodas de Conversa realizadas sempre a partir de alguma atividade lúdica: músicas, desenhos, vídeos, montagens com massinha de modelar, fotografias, entrevistas com pessoas da escola, a fim de favorecer uma socialização de experiências, fluir a conversação e a partilha das ideias, para possibilitar à criança expressar-se, narrando seus conhecimentos e vivências sobre o assunto em pauta. Esses recursos são denominados como “atividades prazerosas e desafiadoras”, por Warschauer, (1993, p.134) e importantes na recriação, assim por ela expressada:“O que percebia nas crianças era a busca de viver essas experiências através do lúdico, das brincadeiras de interpretar papeis, da descoberta dos papeis que desempenhávamos na escola, sendo aluno ou professor. (p.137).”
A autora destaca um outro fator importante na rotina dos encontros das Rodas de Conversa, assim partilhando:
[...] a relação com o conhecimento pode ganhar outro sentido: o do cuidado com o Outro e com o Ambiente, enfrentando as contradições, os antagonismos e a complexidade do real, o que só pode ser feito coletivamente, através de múltiplos pontos de vista, do diálogo e do aprender a conviver com o diverso (2001, p.16-17).
A sequência dos encontros das Rodas de Conversa foram se tornando cada vez mais agradáveis e prazerosos. As crianças participavam com alegria, traduzindo-se em um momento de trocas, de sentarmos no chão sobre o tapete da biblioteca, local escolhido para nossos encontros, ou ao redor da mesa redonda onde podíamos nos ver face a face e falar sobre o assunto em pauta.
Warschauer fala da importância do registro dessas falas, tanto por parte do professor quanto por parte dos alunos. Decidi por registrar esses momentos em vídeo gravação a fim de não deixar nenhum detalhe despercebido, podendo usá-los no momento de análise e interpretação.
Um facilitador na realização das Rodas de Conversa foi o fato de as crianças serem todas da mesma idade e frequentarem o mesmo espaço escolar, embora com a heterogeneidade de experiências vividas fora e dentro da escola. O enriquecimento maior se deu a partir das vivências dessas crianças em suas famílias e outros espaços que as mesmas frequentam e que constituíram ideias muito interessantes nessa pesquisa.
Souza (2010, p.15) afirma que: “o interesse para a realização da pesquisa não parte da criança e, ao contrário, do pesquisador, para ela é uma proposta nova e nem sempre muito clara”.
A mesma autora reforça a ideia da importância de se realizar as atividades em grupo, defendendo que:
Uma das formas de diminuir possíveis constrangimentos decorrentes da desigualdade entre pesquisador e crianças é a realização de atividades em grupos. Estando entre pares a criança sente-se mais à vontade e essa condição também favorece a emergência de interações (verbais ou não) entre as crianças: a partir do que é trazido por um colega, lembram-se de algo, concordam ou refutam opiniões dadas, fazem gozações, etc. que agregam informações importantes. (SOUZA, 2010, p. 15).
Ainda sobre a dinâmica de sentar-se para conversar, Díez Navarro, (2004, p. 195) afirma que:
Reunir-se para falar é um dos atos mais característicos e saudáveis que acontece entre as pessoas. Mas, neste tempo de urgências de “para ontem”, de “eficácia”, isto está se transformando num costume frágil, com risco de extinção.
Complementa Filártiga, (2001, p. 13) ao referir-se à dinâmica de grupos:
[...] o homem é por natureza um ser social, nasce e vive em grupos e a vida em grupo cria a oportunidade de vivenciar experiências que contribuem para o seu conhecimento e crescimento pessoal, a partir de descobertas de si mesmo e dos outros.
A cada nova roda uma recriação. A alegria das crianças, suas produções e partilhas, reafirmaram em mim as convicções de que educar exige paciência e amor. É um ato prazeroso para ser eternizado naqueles a quem damos um pouco de nós e recebemos um pouco delas.
Foram realizadas nove sessões de Rodas de Conversa nas quais participaram treze crianças de Jardim B, divididas em duas turmas, de acordo com a turma que frequentam, o que facilitou a discussão devido se conhecerem bem umas as outras e conviverem por aproximadamente seis anos.
As Rodas de Conversa tiveram uma sequencia lógica, conforme a temática a ser desenvolvida nessa pesquisa: autocuidado, altercuidado, ecocuidado e transcuidado.
Cada Roda de Conversa foi preparada e avisada com antecedência com a finalidade de criar na criança uma expectativa pelo encontro e o prazer da participação, uma vez que foram realizadas no horário das atividades escolares o que seria normal se alguma criança dentre elas preferisse ficar na sala de aula.
Essa metodologia possibilitou o desenvolvimento da pesquisa e obtenção de dados reais sobre o como a criança de seis anos se percebe cuidada na escola e na família e como se torna cuidadora a partir das atitudes dos adultos que têm a responsabilidade de cuidar dela, bem como o conceito de cuidado que já desenvolveram em seu cotidiano.
Boff, (2012, p. 26) afirma: “O cuidado faz-se presente também em nível social e pessoal. Ele está presente nas duas pontas da vida: no nascimento e na morte. A criança sem o cuidado não existe”.
Esse mesmo autor, fala das dimensões do cuidado, as quais abordei em minha pesquisa: “O cuidado é exigido praticamente em todas as esferas da existência, desde o cuidado do corpo, dos alimentos, da vida intelectual e espiritual, da condução geral da vida”...(p. 27).
Ouso afirmar que o cuidado é a valoração da vida em todas as suas dimensões. Embora, desde os primórdios da humanidade, o cuidado se faça presente, o referido tema se apresenta como epocal, justificado pelas crises pelas quais passa a humanidade.
“Mais que uma técnica, o cuidado é uma arte, um paradigma novo de relacionamento para com a natureza, para com a Terra e para com os seres humanos” (BOFF, 2012, p. 21).
As Rodas de Conversa foram assim organizadas:
Quadro 1 – Tabela das Rodas de Conversa
TEMA DA RODA DE CONVERSA OBJETIVOS
AUTOCUIDADO – Cuidado
corporal, cuidado do outro e/ou de outrem.
Perceber a compreensão da criança sobre a importância de se ter uma boa higiene corporal tanto na vida familiar como na escola, verificando por meio de sua fala, se ela se sente cuidada tanto na esfera familiar quanto escolar e, se a mesma desenvolveu a habilidade de cuidar do outro ou outrem.
ALTERCUIDADO – Relações
interpessoais: Família
Perceber na convivência familiar as relações de cuidado que nela se dão.
ALTERCUIDADO – Relações
Interpessoais: Amigos
Verificar a compreensão da criança sobre importância de se ter boas relações de amizades na escola, família e vizinhança, cultivando bons hábitos de convivência, respeitando as diferenças e expressando sentimentos.
ALTERCUIDADO – Relações
Interpessoais: Escola
Observar se as crianças percebem e valorizam a escola/ambiente escolar como espaço de partilha, aprendizagem e convivência e se gostam de para ele ir.
ECOCUIDADO – Cuidado com as redes que sustentam a vida: água, conservação do solo, preservação da natureza.
Verificar se as crianças de Educação Infantil preocupam-se com a conservação do meio ambiente praticando em seu dia-a- dia, em casa e na escola, atitudes de proteção aos animais, cuidado com o desperdício e poluição da água e do ar,conservação do solo e preservação da natureza de modo geral.
ECOCUIDADO – Cuidado com as redes que sustentam a vida: transformação do meio ambiente, poluição do ar, queimadas, prejuízos à saúde, desequilíbrio da natureza.
Verificar se as crianças percebem a ação do homem na transformação do meio ambiente, principalmente no que diz respeito às queimadas, poluição, suas consequências para a saúde das pessoas e o desequilíbrio da natureza.
ECOCUIDADO – Cuidado com as redes que sustentam a vida: coleta seletiva, reciclagem, conservação do meio ambiente.
Avaliar se as crianças desenvolveram consciência ecologia, no que diz respeito à separação do lixo, coleta seletiva, reciclagem, e atitudes de conservação do meio ambiente em geral.
TRANSCUIDADO - Cuidado com tudo aquilo que dá sentido à nossa vida.
Proporcionar momentos de reflexão sobre a importância e gratidão pelo dom da vida, do respeito às diferenças que existem em cada ser como complementaridade, e a contemplar as maravilhas criadas, bem como preservá-las.
6 UM DESVELAR DE SIGNIFICADOS
Esse capítulo visa apresentar os resultados obtidos das análises e interpretações das Rodas de conversa realizadas com as crianças.