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Akran Baskısına “Hayır” Diyebilme

Após o adoecimento e óbito de um ou de ambos os pais, houve um aumento de 3,3 vezes no total das crianças órfãs que passaram a viver em instituições, atingindo 5,1% dessas. A maioria é órfã de mãe, do sexo feminino e de cor parda ou preta.

Com relação à faixa etária por ocasião do óbito materno, observa-se uma maior proporção de crianças entre três e cinco anos e entre nove e onze anos. Considerando o tempo médio que essas crianças estão na instituição, cerca de dois anos, pode-se supor que elas já perderam a chance de serem adotadas, pois, segundo relatos dos cuidadores, “...as pessoas querem adotar crianças menores de um ano,

de preferência recém-nascidas...”. A idade, juntamente com o status sorológico

Do mesmo modo, para Levine, Michaels e Back (1996), a aceitação de crianças órfãs depende da idade. Recém-nascidos e crianças mais jovens, em países em desenvolvimento, são freqüentemente vistas como sobrecarga por causa do nível de cuidados que requerem, ao passo que crianças maiores podem trabalhar ajudando os membros da família. Em contraste, nos países desenvolvidos, é geralmente mais fácil encontrar uma família para adotar recém-nascidos e bebês do que para crianças maiores, particularmente adolescentes, os quais são vistos como risco em potencial para problemas comportamentais.

Quanto aos cuidados que poderiam ser assumidos através da adoção fora do ambiente familiar, envolvem outra questão, que é a dificuldade de encontrar pessoas que queiram adotar crianças soropositivas para o HIV. Crianças soronegativas filhas de pais que morreram em decorrência da aids encontram dificuldades para adoção, pois carregam o estigma da doença em razão da ignorância e do preconceito, ainda muito presentes na sociedade.

As políticas de adoção devem ser reavaliadas em nosso meio. Casos como o de irmãos que não foram disponibilizados para a adoção porque um deles era soropositivo para o HIV, ou o caso de irmãos em que, além da idade “avançada”, o irmão deficiente era motivo para “não ter direito à adoção”, devem ser repensados. O ECA recomenda o “não desmembramento de grupos de irmãos”, mas não proíbe que eles sejam disponibilizados para a adoção. É preciso que tenham os mesmos direitos e as mesmas oportunidades de outras crianças.

Nesses relatos parece estar nítida a discriminação feita pelo próprio sistema judicial na medida em que crianças que nascem soropositivos para o HIV e se tornam órfãs somente são disponibilizados para adoção após a negativação do teste anti- HIV, o que pode acontecer muitas vezes em torno dos 18 meses de vida. Com isso, a criança perde a oportunidade de ser adotada, já que a maioria dos pais que procuram crianças para adoção prefere as recém-nascidas e “saudáveis”.

Poderia ser estudada a possibilidade de disponibilizar para essas crianças exames de PCR (reação de polimerase em cadeia), o que, por um lado, agilizaria o resultado, mas, por outro, poderia contribuir para a discriminação daquelas com

HIV/aids, selecionando-se para a adoção apenas as com resultado negativo. Essa discussão deve ser aprofundada, pois, da forma como a questão vem sendo encaminhada atualmente, restringem-se as oportunidades de serem adotadas, direito de toda criança órfã.

Nesse contexto, Sardá (2002) refere que o teste anti-HIV para fins de adoção é uma violação dos preceitos do ECA que proíbe qualquer forma de discriminação à criança e põe em risco a própria adoção, criando uma adoção “com raízes excludentes”. Permitir esse tipo de testagem é estar invertendo os valores, já que, o processo de adoção deve ser realizado quando apresentar reais vantagens ao adotando, e não ao adotante. E o sucesso da adoção deve basear-se em procedimentos legais e eticamente aprovados. A pessoa que adota uma criança deve estar preparada para lidar com a imprevisibilidade, assim como, quando se põe no mundo uma criança, não se pode prever o seu destino. O teste anti-HIV somente deve ser realizado quando houver indicação clínica, isto é, para benefício da própria criança.

Cabe salientar que em Porto Alegre, já existe alguma iniciativa, ainda que isolada de ONGs, a exemplo dos “Amigos de Lucas” que lutam pela adoção de crianças maiores e crianças especiais. Iniciativas como esta deveriam ser seguidas e principalmente apoiadas e respaldadas por políticas públicas que facilitassem a adoção dessas crianças pelas famílias interessadas.

Com relação ao tipo de institucionalização, a maioria das crianças mora em abrigo residencial e um terço delas ainda vivem em grandes instituições de abrigamento, indicando que Porto Alegre tem efetivado o que o ECA, nos art. 92 e 94, preconiza: um “atendimento personalizado e em pequenos grupos”. Seria um melhor caminho para facilitar sua integração preferencialmente à família de origem ou outra família. Nessa perspectiva, Marin(1999) refere que a proposta das crianças morarem em abrigos residencial poderá ser benéfica, desde que a criança seja concebida como ser individual, com sua história e espaço, que possa se descobrir e descobrir o outro, resgatar sua condição de cidadão, construindo um novo futuro.

Do mesmo modo, Takashima (2000) alerta que o Estado não deve substituir a família, mas ser um grande aliado e fortalecedor deste grupo de familiares, proporcionando-lhe apoio ao desempenho de suas funções e responsabilidades.

Segundo a Unaids; Unicef; Usaid, (2004), a institucionalização da criança por um longo prazo é inapropriada para as crianças em sua primeira infância, pois um desenvolvimento sadio do ponto de vista emocional requer um cuidador constante e carinhoso com o qual a criança estabelece um vínculo e inicia seu processo de identificação. É muito importante que essas crianças recebam atenção da família, seja por apoio dos familiares, por família substituta, ou mediante organizações comunitárias que estejam vinculadas integralmente à comunidade.

Benzer Belgeler