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V. SONUÇ VE ÖNERİLER

5.1. Akademik Başarı ve Tutum İle İlgili Sonuçlar Ve Tartışma

A área de estudo localiza-se em uma região intensamente impactada onde estão presentes três principais fontes de contaminação: os efluentes industriais, principalmente associados à indústria coureiro-calçadista, os esgotos domésticos e percolado de aterro de resíduos industriais perigosos. Estas cargas de contaminantes são lançadas no Arroio Portão, um curso d’água afluente do Rio dos Sinos que recebe efluentes de diversas indústrias e esgotos dos municípios de Estância Velha e Portão. Em outubro de 2006, os despejos no Arroio Portão causaram a mortandade de 86 toneladas de peixes no Rio dos Sinos e originaram uma investigação criminal onde um aterro de Resíduos Industriais Perigosos foi apontado como o principal responsável devido ao lançamento de percolado sem tratamento no Arroio Portão. O aterro em questão recebia predominantemente

resíduos sólidos da indústria coureiro calçadista que consistiam, na maior parte, em refugos de couro curtido ao cromo (wet-blue).

A área de estudo compreende o trecho do arroio Portão relacionado com o suposto lançamento de percolado de um aterro de resíduos industriais perigosos e o trecho a montante até a área de nascente. O trecho selecionado está compreendido entre os pontos de coordenadas geográficas 29º38’20,7”Sś 51º9’ 9,03’’W (a montante) e 29º42’09,0”Sś 51º12’57,6’’W (a jusante). No segmento do Arroio Portão junto à área do referido aterro foram distribuídos pontos de coleta à montante e à jusante da área de lançamento para pesquisa de vestígios de percolado proveniente do aterro caracterizados pela sua assinatura química e/ou isotópica nos sedimentos.

O referido aterro ocupa uma área total aproximada de 35 ha, localizada entre um curso d’água sem denominação oficial ao oeste e o Arroio Portão ao leste (Figura 3). O relevo da área é ondulado com colinas de topo convexo, declives inferiores a 10% e altitudes em torno de 40m. O substrato litológico da área é composto por arenitos da Formação Pirambóia (Oliveira et al, 2008). O solo que ali se desenvolveu foi classificado como podzólico vermelho-amarelo e apresenta cobertura de alteração meteórica superior a 10m. Segundo Krieger (2000), quimicamente o solo é ácido, com saturação de bases baixa e pobre em nutrientes e matéria orgânica. Mineralogicamente o solo é formado por smectita, vermiculita, caolinita, quartzo, hematita e carbonato (Oliveira et al, 2008).

A topografia original da área foi alterada após 1990, influenciando no regime de águas subterrâneas (Krieger, 2000). Ainda segundo a autora, as áreas de recarga local do aquífero estão localizadas uma ao norte da área e outra ao sul, e o fluxo se dá no sentido dos Arroios Bonito e Portão (áreas de descarga de águas subterrâneas).

O Arroio Portão é um afluente da margem direita do Rio dos Sinos e drena uma área situada na porção oeste da Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos. A Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos está situada na região nordeste do Estado do Rio Grande do Sul, sendo delimitada ao leste pela Serra Geral, ao oeste e ao norte pela Bacia do Rio Caí e ao sul pela Bacia do Rio Gravataí. Estas bacias estão inseridas na Região Hidrográfica do Guaíba, que inclui a região metropolitana de Porto Alegre, e deságua na Laguna dos Patos (Haase, 2002).

Geomorfologicamente a Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos situa-se no Domínio Morfoestrutural das Bacias e Coberturas Sedimentares, Região da Depressão Central Gaúcha, Unidade Geomorfológica Depressão Rio Jacuí (IBGE, 1986).

A Bacia Hidrográfica do Rio dos Sinos possui uma área de 3.820km2, correspondendo, com uma população aproximada de 975.000 habitantes, sendo que 90,6% ocupam as áreas urbanas e 9,4% estão nas áreas rurais. Esta bacia é delimitada, a leste, pela Serra Geral, e pela Bacia do Caí a oeste e a norte, e a sul pela Bacia do Rio Gravataí (COMITESINOS, 2006).

O trecho inferior, de Campo Bom até a foz no Delta do Jacuí é de grande concentração populacional e industrial, onde os principais arroios formadores drenam grandes centros urbanos como Estância Velha e Portão que são drenados pelo Arroio Portão (COMITESINOS, 2006).

A área de estudo está localizada no trecho inferior da bacia hidrográfica do Rio dos Sinos o qual se apresenta densamente povoado e industrializado sendo que um dos trechos mais críticos relativo à degradação devido à contaminação por efluentes industriais está relacionado justamente à desembocadura do Arroio Portão.

Os pontos de amostragem de sedimento selecionados foram georreferenciados a partir do registro de sua localização espacial com o auxílio de aparelho receptor de sinais GPS e podem ser visualizados na Figura 3. O geoprocessamento dos dados espaciais e a produção de mapas foi feita com o programa QGIS, versão 2.8 – Wien (QGIS DEVELOPMENT TEAM, 2015).

No caso dos sedimentos, também foi efetuado um levantamento de dados relativos ao monitoramento da qualidade da água e dos sedimentos no Arroio Portão realizado pelos municípios de Portão e Estância Velha nos respectivos trechos do referido curso d’água integrantes dos seus limites geográficos. Esses dados incluem análises dos seguintes metais: alumínio (Al), bário (Ba), cádmio (Cd), cromo (Cr), cobre (Cu), chumbo (Pb), mercúrio (Hg) e zinco (Zn) realizadas pelo Laboratório do Centro de Tecnologia do Couro e do Calçado do SENAI (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial). Foram avaliadas análises de resultados obtidos a partir de amostras coletadas em quatro campanhas de amostragem efetivadas em 2008, duas em 2009 e outras duas em 2010. O Ponto 7 foi incluído na campanha de 2009. A metodologia aplicada ao preparo das

amostras de sedimento foi adaptada do Standard Methods 21 (APHA, 2005). Os sedimentos foram digeridos com H2SO4 e HNO3 em sistema aberto, a temperatura

inferior a 60ºC. A quantificação dos metais foi feita por Espectrometria de Absorção Atômica com Atomização por Chama (SM 3111 B 2005), Forno de Grafite (SM 3113 B 2005) e Vapor frio para Mercúrio (SM 3112 B 2005) (APHA, 2005). As coletas das amostras nas quais foram efetuadas as análises referidas anteriormente foram desenvolvidas pela equipe do SENAI e dos funcionários das Secretarias de Meio Ambiente dos municípios de Portão e Estância Velha.

Os sete pontos de coleta de sedimentos adotados na primeira campanha de amostragem deste trabalho eram correspondentes a alguns dos estabelecidos para o referido monitoramento.

O planejamento da amostragem de água e sedimentos foi baseado na norma NBR 9897 (ABNT, 1987) e no Guia Nacional de Coleta e Preservação de Amostras: água, sedimento, comunidades aquáticas e efluentes líquidos (CETESB, 2011).

Benzer Belgeler