4. KIRGIZİSTAN’IN SOMUT OLMAYAN KÜLTÜREL MİRASI
4.4.1. Ak Serke
Tendo em conta as propriedades já conhecidas dos verbos sob análise, espera-se que as subclasses dos verbos psicológicos e físicos, que contêm um número apreciável de verbos que ilustram a alternância causativo-ergativa, exibam maior número de estruturas analíticas do que as demais classes, que só ilustram essa propriedade através de um ou outro verbo.
A subclasse dos verbos de percepção exibiu apenas uma ocorrência analítica e todas as ocorrências com argumento afetado/estativo na posição de sujeito. A subclasse dos verbos epistêmicos também se mostrou categórica em relação à posição do argumento afetado/estativo na posição de sujeito, porém, realizou mais ocorrências analíticas do que a subclasse dos verbos de percepção (14% das ocorrências dessa subclasse), das quais, 3 27 verbos aceitam o argumento afetado/estativo tanto na posição de sujeito quanto de objeto. Destacou-se, também, o verbo estudar que aceitaria uma leitura causativa, apesar de não previsto pela Gramática Tradicional.
A análise dos verbos físicos revelou um maior número de construções analíticas, das quais 23 relacionam-se a verbos que aceitam o argumento afetado tanto na posição de sujeito quanto de objeto. Nessa subclasse destacou-se o verbo passear que aceitaria uma leitura causativa mesmo esta não estando prevista na Gramática Tradicional.
27 As perífrases correspondentes a cada subclasse semântica encontram-se na seção 4.4 a seguir, na qual
A subclasse dos verbos psicológicos foi a que mais produziu ocorrências analíticas (116 perífrases), das quais a maioria relaciona-se a verbos que aceitam a alternância causativo-ergativa. A subclasse “outros” realizou 29 perífrases, das quais 11 se relacionam a verbos que aceitam o argumento afetado/estativo tanto na posição de sujeito quanto na de objeto.
Por fim, a classe dos verbos beneficiários mostrou-se igualmente produtiva em relação às ocorrências analíticas. Observaram-se 34 perífrases, das quais 11 relacionam-se a verbos que aceitam a alternância causativo-ergativa. Ressalta-se que as ocorrências dessa classe apresentaram o argumento afetado/estativo preferencialmente na posição de objeto.
Observe-se a tabela seguinte, que exibe como esta tendência se reflete em cada classe semântica:
Tabela 4: A distribuição do argumento afetado/estativo nas classes semânticas por função sintática de acordo com a realização morfológica.
Psicológicos Físicos Epistêmicos Percepção “Outros” Beneficiários Total Argumento
afet./est. Tipo morfológico N % N % N % N % N % N % N %
Sintética 182 42 143 74 118 86 37 97 177 78 60 82 717 65 Analítica 252 58 49 23 19 14 1 3 49 22 13 18 383 35 Sujeito Total 434 100 192 100 137 100 38 100 226 100 73 100 1.100 100 Sintética 102 79 43 91 0 - 0 - 11 85 97 75 253 79 Analítica 27 21 4 9 0 - 0 - 2 15 33 25 66 21 Objeto Total 129 100 47 100 0 100 0 100 13 100 130 100 319 100 Sintética 284 50,4 186 78 118 86 31 97 188 79 157 77 970 68 Analítica 279 49,6 53 22 19 14 1 3 51 21 46 23 449 32 Total Total 563 100 239 100 137 100 38 100 239 100 203 100 1.419 100 .
A tabela 4 nos mostra como todas as ocorrências do corpus estão distribuídas segundo a realização morfológica e a função sintática do argumento afetado/estativo. Comecemos pela realização morfológica: de todas as subclasses retratadas a dos verbos psicológicos produziu mais ocorrências analíticas em relação às sintéticas, a saber, 49,6% das ocorrências totais da subclasse. O subgrupo dos verbos físicos produziu 22% de ocorrências analíticas. O subgrupo dos verbos epistêmicos produziu 14% de ocorrências analíticas. Em seguida, observa-se o subgrupo dos verbos de percepção, que foi o menos produtivo de todos, produzindo somente 3% de ocorrências analíticas. O subgrupo “outros” produziu 21% de ocorrências analíticas e, por fim, a classe dos beneficiários compõe-se de 23% de ocorrências analíticas.
No que concerne à função sintática do argumento afetado/estativo, observe-se que a subclasse dos psicológicos realizou altos índices de argumento afetado/estativo na posição de sujeito, sendo 252 (ou 90%) do total de 279 ocorrências analíticas e 182 (ou 64%) do total de 284 ocorrências sintéticas. Em seguida, tem-se a subclasse dos físicos, com percentuais igualmente altos de argumento afetado/estativo na posição de sujeito, a saber: 49 (ou 92%) do total de 53 ocorrências na forma analítica e 143 (ou 77%) do total de 186 ocorrências na forma sintética. As subclasses dos epistêmicos e de percepção registraram 100% de argumento na posição de sujeito sintático da frase em ambas as realizações – analítica e sintética. Na subclasse “outros” observam-se 49 (ou 96%) do total de 51 realizações de argumento afetado/estativo na posição de sujeito quanto na forma analítica e 177 (ou 94%) das 188 ocorrências totais na forma sintética. Finalmente, a classe dos beneficiários registrou índices bem menores de argumento afetado na posição de sujeito, a saber: 13 (ou 8%) do total de 46 ocorrências na forma analítica e 60 (ou 38%) do total de 157 ocorrências na forma sintética.
Os trabalhos Madureira (2002) e Dogliani (2006, 2007) estabelecem a relação entre a realização morfológica do verbos (forma analítica ou sintética) e o tipo de experienciador (experienciador na posição de sujeito ou objeto sintático da frase). Dogliani (2006) pondera que as realizações analíticas são favorecidas por estruturas em que o experienciador se encontra na posição de sujeito. Observando-se a distribuição do argumento afetado/ estativo na classe dos verbos experienciais, pode-se afirmar que a especialização forma-sentido é verdadeira somente para as ocorrências na forma
analítica, na qual foram obtidos altos índices de argumentos afetados/estativos na posição de sujeito sintático da frase. O argumento afetado na classe dos beneficiários, porém, realiza-se predominantemente na posição de objeto, independentemente da realização morfológica.
Observa-se, portanto, que os dados da tabela 4 e a análise dos mesmos permitem constatar que o comportamento das classes semânticas contempladas corrobora a hipótese proposta. Isto é, a subclasse semântica que contém mais verbos que ilustram a alternância causativo-ergativa é aquela que ilustra mais construções analíticas. Trata-se do grupo dos verbos psicológicos, que somam 49,6% de ocorrências analíticas. O segundo grupo com 32% de analíticas é o dos beneficiários. O terceiro grupo, que igualmente ao grupo dos psicológicos, também ilustra volume apreciável de verbos com alternância causativo-ergativa, é o dos verbos físicos, com 22% de ocorrências analíticas. Em seguida, observa-se o grupo dos verbos “outros”, que apresentou 21% de ocorrências analíticas. O grupo dos verbos epistêmicos apresentou 19% de ocorrências analíticas enquanto o grupo dos verbos de percepção realizou somente uma ocorrência analítica, o que representa 3% do total de ocorrências.
A partir da análise das ocorrências analíticas que cada classe semântica apresentou, é possível propor a seguinte gradação:psicológicos > beneficiários > físicos > “outros” > epistêmicos > percepção.
Os resultados desta análise se relacionam, em parte, àqueles encontrados por Carvalho (2008) que, ao propor uma gradação das ocorrências analíticas de acordo com as classes verbais, encontrou a seguinte hierarquia: psicológicos > físicos > epistêmicos > percepção. Cumpre salientar que o corpus da autora era composto somente de verbos experienciais e as construções analíticas consideradas poderiam ter um correspondente dicionarizado ou não. Na presente análise, além dos verbos experienciais considerados pela autora, acrescentaram-se a subclasse “outros” – dentro da classe dos experienciais – e a classe dos beneficiários; as estruturas analíticas consideradas foram aquelas que apresentam um correspondente dicionarizado.
As análises de Carvalho (op. cit.) e Dogliani (2008) 28 mostram que, entre os verbos experienciais, as primeiras classes atingidas pela difusão semântica são a dos verbos físicos e a dos psicológicos. Segundo Dogliani, “a observação de comportamentos individuais de verbos epistêmicos dá indícios de que essa é a terceira classe que está sendo atingida (difusão semântica), através de alguns itens (difusão lexical)”. Ao incluir duas novas classes na análise, a presente pesquisa dá indícios de que a classe dos beneficiários e a subclasse “outros” seriam as próximas a serem atingidas pela difusão semântica, ou seja, os verbos dessas classes começam a exibir os traços necessários à implementação da alternância causativo-ergativa.
Na seção a seguir, observe-se a atuação do fator item lexical em cada classe semântica.