Designer considerado um dos principais responsáveis pela institucionalização do design de identidade visual no Brasil e pela disseminação da importância da construção de identidades visuais funcionais e sistematizadas em empresas públicas e privadas.
Nascido no Recife em 1927, de família de políticos - pai médico, diretor da Faculdade de Medicina do Recife, desde jovem esteve em contato com intelectuais pernambucanos, como o sociólogo Gilberto Freire e o poeta Ascenso Freire que freqüentavam a casa de seus pais, e o escritor Ariano Suassuna, amigo na juventude.
Cursou a Faculdade de Direito do Recife, onde produziu igurinos e cenários para o TEP - Teatro do Estudante de Pernambuco, além de dirigir o departamento de teatro de bonecos e participar da fundação das Edições TEP. Em 1951, já formado, recebeu bolsa do governo francês para estudar museologia no Museu do Louvre, em Paris, durante dois anos. Em 1953 apresentou suas pinturas no Departamento de Educação e Cultura do Recife e na 2ª Bienal de Arte de São Paulo. Interessado em unir as artes plásticas à técnica de impressão participou da fundação, em 1954, d’O Gráico Amador - oicina de tipograia experimental. Ali, com um grupo de colegas da Faculdade de Direito, interessados em publicar seus escritos
Os Autores
3.1
sob cuidadosa forma gráica1, começa a ilustrar textos de João Cabral de Mello Neto, Gastão de Holanda e Ariano Suassuna, autor de alguns textos de apresentação de seu trabalho como pintor.
Em 1956 viaja à Filadélia com bolsa concedida pelo Departamento de Estado americano, para estudar artes gráicas e programação visual. Inicia-se uma temporada de estudos nos Estados Unidos, que lhe renderia muitos convites para lecionar e expor suas pinturas e litograias em diversas cidades americanas. No Philadelphia Museum School of Art conhece o artista gráico e impressor Eugene Feldman, então diretor de seu Departamento de Design Tipográico, com quem aprende a técnica de impressão offset. Juntos publicam o livro Doorway to Portuguese, em 1957, premiado com 3 medalhas de ouro do Art Directors Club da Filadélia, seguido de Doorway to Brasília. Não há dúvida de que esse período tenha marcado profundamente sua trajetória proissional e a história do design brasileiro. A parceria com Feldman possibilitou desenvolver inúmeros trabalhos de design editorial, mais especiicamente livros de arte, produzindo magníicos exemplares com temática focada principalmente na iconograia brasileira. João de Souza Leite comenta sobre a escola e o primeiro contato do designer com o modernismo:
1 LIMA, Guilherme Cunha in: LEITE, João de Souza (Org.). A Herança do olhar: o design de Aloisio Magalhães. Rio de Janeiro: Artviva Produção Cultural, 2003.
Aquela era uma escola de design em sentido amplo, onde conjugava-se a experiência modernista européia no campo do design gráico, introduzida por Alexey Brodovitch em 1930 e por Armin Hoffman... Do estilo
internacional de design, fruto do modernismo europeu, captou a sua forma, mas sua atitude desde sempre se caracterizou por uma postura de enfrentamento da realidade tal qual ela se apresentasse, sem a presunção de alterá-la por uma ordem estabelecida em outro lugar.2
Anos depois conheceu o designer norte-americano Paul Rand, professor da Yale University, em New Haven, EUA, durante período de palestras nesta instituição. Rand foi um pioneiro no desenvolvimento da identidade visual corporativa em seu país, autor de logotipos de grandes empresas como IBM - International Business Machines, ABC - American Broadcasting Corporation e Ford Motors, mundialmente conhecidas.
Em 1960 iniciou sua carreira de designer fundando, no Rio de Janeiro, um dos primeiros escritórios do Brasil, junto com Artur Lício Pontual e Luiz Fernando Noronha, convergendo diversas áreas de atuação e proissionais de diferentes peris. Três anos depois assumiu a liderança do escritório focando suas atividades no design. O escritório cresceu e transformou-se, em 1970, na AMPVDI (Aloisio Magalhães Programação Visual Desenho Industrial, em atuação até hoje com o nome de PVDI). João de Souza Leite aponta a 2 LEITE, João de Souza. O Amplo exercício do projeto In: LEITE, João de Souza (Org). A Herança do Olhar: o design de Aloisio Magalhães. Rio de Janeiro: Artviva, 2003.
coincidência da fundação de outros importantes escritórios especializados em design no Brasil:
Em São Paulo, Alexandre Wollner se unira a Rubens Martins ao inal de 1958, no Forminform; João Carlos Cauduro e Ludovico Martino formaram seu escritório; e José Zaragoza e Francesc Petit, a Metro 3, núcleo da futura agência DPZ. (LEITE, 2003)
Magalhães tinha algumas recorrências na estrutura do desenho fortemente inluenciado pelos princípios de Ulm, principalmente a teoria da gestalt, que veremos mais detalhada na análise da marca gráica da Light. Tinha também um jeito particular de pensar o conceito - interessava-se muito pelas particularidades da cultura em que a empresa contratante estava inserida. A década de 60 representou o período dos grandes símbolos: em 1964, criou o símbolo do 4º Centenário do Rio de Janeiro, seu primeiro trabalho de grande repercussão pública seguido, em 1965, do símbolo para a Fundação Bienal de São Paulo.
Com o escritório estruturado, os sócios Joaquim Redig e Rafael Rodrigues à frente, o designer se afasta dos projetos e envolve-se cada vez mais nas questões ligadas ao que viria ser o Ministério da Cultura, empenho que foi interrompido pela morte precoce e repentina em Veneza, em 1982, representando o Brasil em reuniões de Ministros da Cultura de países
de língua latina.
Inquieto desde menino, Aloisio teve sua trajetória correndo paralela à do desenho industrial. Ao mesmo tempo humano e de pensamento racionalista, assim é Aloisio Magalhães e assim vem se estruturando a proissão. Apenas com a união da arte com a técnica temos o design e só com a experimentação chegamos a originalidade. Aloisio experimentou. Curioso, aprendeu as particularidades de cada técnica em que se aventurou... o teatro, a pintura, os livros de arte, as artes gráicas... Até chegar à síntese máxima do design que é a identidade visual. Empenhado em usar o design para representar e fortalecer a identidade nacional, Aloisio é nosso mestre maior. Oxalá um dia o design brasileiro alcance os sonhos desse pernambucano para a proissão e para nosso país.
O 5 novembro foi escolhido em 1998, por FH para ser o ‘Dia Nacional do Design’ por ser a data de nascimento de Aloísio Magalhães (1927-1982).