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A Incubadora Regional de Cooperativas Populares da UFSCar foi criada em 1998 iniciando o movimento da economia solidária no município. Em meados de 2011, a INCOOP passou a ser o Núcleo Multidisciplinar e Integrado de Estudos, Formação e Intervenção em Economia Solidária. O processo de transição da INCOOP para o NuMI-EcoSol ainda está ocorrendo e não significa apenas uma mudança de nome, mas sim na sua estrutura e principalmente na fonte de recursos. A INCOOP até então era ligada à Pró-Reitoria de Extensão (PROEX), não tendo orçamento próprio e dependente de diversos editais para financiamento de suas atividades. Enquanto NuMI-EcoSol, o vínculo é diretamente com o gabinete da Reitoria da UFSCar e a partir de 2013 o núcleo passa a ser considerado no orçamento da universidade.

O Quadro 17 apresenta as estratégias de atuação adotadas pelo NuMI-EcoSol durante seus 14 anos de existência.

ESTRATÉGIA DE 1998 A 2006

Incubação de empreendimentos econômicos e solidários de natureza popular. Atendimento de demanda em diferentes municípios do estado de São Paulo, com diferentes tipos de parceiros e diferentes tipos de atividades econômicas. Atuação isolada em vários municípios/diferentes territórios.

NOVA ESTRATÉGIA A PARTIR DE 2007

Realizar intervenções voltadas para o desenvolvimento territorial por meio do fortalecimento e da expansão de iniciativas de Economia Solidária em regiões habitadas por populações precarizadas, articulando diferentes atores sociais,

sensibilizando e capacitando para a criação de redes de colaboração, em consonância com princípios da economia solidária.

Consolidar empreendimentos solidários já existentes nos territórios, preparando seus membros como protagonistas deste processo.

Atuação concentrada, buscando desenvolver uma região inteira, de modo que as iniciativas se fortaleçam e se sustentem. O território de atuação é o Bairro Jardim Gonzaga e entorno.

Fonte: Elaborado pela autora com base em NuMI-EcoSol (s.d.)

Quadro 17: Estratégias de atuação da INCOOP/NuMI-EcoSol

O trabalho de intervenção do núcleo é pautado em nove condições essenciais para o processo de incubação (NuMI-EcoSol, 2012b):

1. Formação contínua e permanente para o cooperativismo;

2. Formação contínua e permanente para a autogestão como centralidade em todas as situações que envolvem o processo de incubação (na prática e não apenas em situações formais);

3. Caracterização dos envolvidos no processo de incubação (do grupo, condições de renda, cadeia produtiva, parcerias) para definição dos procedimentos de trabalho; 4. Estudos para definição de atividade econômica: estudo da viabilidade produtiva, exame da cadeia produtiva e do mercado;

5. Busca pela viabilidade econômica de maneira contínua e permanente; 6. Capacitação técnica para o serviço/produção ofertado pelo empreendimento; 7. Capacitar para a autonomia administrativa;

8. Buscar a propriedade dos bens de produção;

9. Promover estatuto e regimento interno de maneira participativa, contemplando princípios da economia solidária e cooperativismo (buscando a consolidação de um processo mais preventivo para condutas favoráveis e menos punitivo).

E essas condições essenciais são praticadas em seis frentes de trabalho mostradas na Figura 13.

Os empreendimentos incubados se distribuem nas frentes de trabalho conforme seu tipo de atividade e para cada frente de trabalho existe um corpo técnico responsável do núcleo. A equipe completa do NuMI-EcoSol é composta por um estagiário (vinculado à UFSCar); um auxiliar técnico de assuntos educativos (vinculado à PROEX); alunos de graduação, de pós-graduação e da ACIEPE15 (Atividade Curricular de Integração Ensino,

15 A ACIEPE é similar a uma disciplina de graduação, no entanto articula ensino, pesquisa e extensão e busca

viabilizar e estimular o relacionamento dos envolvidos (técnicos, alunos e professores) com diferentes segmentos da sociedade. Pode ser oferecida por qualquer departamento da UFSCar e é aberta ao público, inclusive alunos de outras universidades. É uma atividade complementar que pode ser inserida no histórico escolar do aluno de graduação, com duração semestral de 60 horas e 4 créditos. O departamento interessado preenche um formulário e este passa por uma comissão que irá aprovar ou não o oferecimento da ACIEPE (PROEX, 2012).

Pesquisa e Extensão); professores e técnicos contratados com recursos de projetos ou da própria universidade (por meio de editais).

Fonte: Elaborado pela autora com base em NuMI-EcoSol (s.d.)

Figura 13: Frentes de trabalho do NuMI-EcoSol

Desde sua criação, as fontes de financiamento dos recursos necessários ao funcionamento da INCOOP/NuMI-EcoSol tem sido diversas. Uma delas é um projeto de desenvolvimento territorial contemplado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) em parceria com a Fundação Banco do Brasil por meio da estratégia de Desenvolvimento Regional Sustentável (DRS), que teve início em 2008 e atualmente encontra-se em estágio de encerramento, com a elaboração dos relatórios finais. O projeto, “Proposição de diretrizes para políticas públicas em Economia Solidária como condição para desenvolvimento de território urbano: caso Jardins Gonzaga e Monte Carlo – São Carlos/SP” foi implantado em três fases: (1) elaboração de um projeto junto com parceiros; (2) definição de diretrizes para políticas públicas e preparação dos envolvidos para implantar diretrizes e (3) implementação das políticas públicas indicadas no projeto NuMI-EcoSol (s.d.). Outra fonte de recursos é a Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP) através do PRONINC e de chamadas públicas para projetos específicos. E por fim, os recursos oriundos de edital anual lançado pela própria PROEX da UFSCar que é financiada pelo Ministério da Educação (MEC).

A substituição da INCOOP pelo NuMI-EcoSol procura minimizar duas dificuldades enfrentadas até então. Uma delas, como dito anteriormente é a fonte de recursos. A UFSCar fornece o espaço físico da incubadora bem como água, luz, telefone, salários e materiais de

consumo. O restante é oriundo de projetos de diversas instituições, não sendo uma fonte estável e que gera dificuldades na administração e planejamento das atividades. Outra questão é a alta rotatividade da equipe de incubação, uma vez que a maioria do corpo técnico é composta de alunos ou técnicos contratados com recursos de projeto. Desta forma, o NuMI- EcoSol é visto como uma institucionalização da INCOOP gerando uma perspectiva de maior estabilidade do pessoal e expansão das atividades realizadas. Com a criação do núcleo espera- se:

criar oportunidades de estágios remunerados; criar oportunidades de bolsas de pesquisas em diversos níveis; implantar estrutura adequada para cursos, incubação / suporte aos grupos (criação de espaço transitório para incubação de EES), para pesquisa, em termos de equipamentos, acervo bibliográfico etc. (NuMI-EcoSol, s.d., p.14-15).

Em sua maioria, as ações do NuMI-EcoSol estão alinhadas com as do Departamento de Apoio à Economia Solidária da prefeitura municipal. A perspectiva de articulação de empreendimentos econômicos solidários em redes e/ou cadeias também prevalece. Além disso, as frentes de trabalho de ambos os atores também sofrem intersecção. Além de atuação no ramo da cultura, alimentos, construção civil e resíduos, outros projetos estão em andamento ou em fase de articulação: de limpeza, de diferentes tipos de serviços (cuidados de pessoas, logística de distribuição de produtos e documentos), de melhoria de infraestrutura urbana (viveiro de mudas, pequenos objetos de madeira, painéis de madeira para sistema de cobertura residencial, turismo e educação ambiental), de finanças solidárias, de reciclagem, focado para usuários de saúde mental e outras (INCOOP, 2008).

Além da atuação direta com os empreendimentos econômicos solidários, o núcleo possui interação com outros atores do município, desde universidade, ONGs, secretarias municipais, igrejas e outros agentes de fomento. As parcerias vão desde convênios formais até acordos informais e pontuais.

Desde seu surgimento, a INCOOP faz parte da Rede de ITCPs buscando a troca de conhecimentos e experiências com outras incubadoras do país. Para isso, possui um membro responsável por essa articulação e procura participar ativamente nos encontros regionais e nacionais da Rede. Outra questão importante é sua representação em fóruns, tanto municipal, paulista e brasileiro, que varia conforme o período e disponibilidade.