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Ailelerin sabah kahvaltısında tükettikleri yiyecek ve içeceklerin tüketim

4. BULGULAR ve TARTIŞMA

4.3. Ailelerin Beslenme Alışkanlıkları

4.3.7. Ailelerin sabah kahvaltısında tükettikleri yiyecek ve içeceklerin tüketim

Para a compreensão da escola que me propus a pesquisar é importante observar como no Estado de Minas Gerais a questão agrícola era entendida, discutida e tratada pelo poder público. Os relatórios do engenheiro Carlos Prates, responsável pela Diretoria de Agricultura, Comércio, Terras e Colonização, durante o governo de João Pinheiro, em Minas Gerais, permitem entender como esse Estado se inseriu nas discussões referentes à modernização da agricultura, especificamente nos primeiros anos da República, período em que a EAL foi fundada. A leitura desses documentos deve levar em conta os interesses relacionados ao discurso político, o que, mesmo merecendo cuidados próprios, não os invalida como uma referência para o estudo daquela realidade. Os referidos relatórios ressaltam as mudanças ocorridas no tratamento das questões

63 Para uma discussão mais detalhada dessas questões referentes à política de terras e da mão

agrícolas a partir de 1906, com a política do governador João Pinheiro. Contrastam tais ações com aquelas empreendidas anteriormente, também motivadas pela necessidade de modernização, mas, na interpretação do diretor, de caráter extremamente teórico, o que as tornou “de existência efêmera”. Refere- se ao ensino agrícola em 1896, sob o governo Bias Fortes. A própria reorganização dos serviços do órgão por ele representado é considerada no relatório uma demonstração de maior investimento no progresso das atividades agrícolas. Anteriormente, os trabalhos eram vinculados à extinta (em 1906) Inspetoria de Indústria, Minas e Colonização. A partir de então, a criação dessa diretoria permitira uma maior atenção à modernização da agricultura. A ênfase agora, segundo ele, era de caráter prático. Medidas eram tomadas para a orientação dos lavradores para que fossem habilitados para o “aproveitamento racional e profícuo das suas terras”. Cita a distribuição de máquinas agrícolas aos lavradores64, a criação das fazendas-modelo65, dos campos de experiência e

demonstração e a subvenção aos estabelecimentos particulares para a instrução elementar dos lavradores quanto aos métodos modernos de utilização do solo e demais atividades relacionadas à produção agrícola.66 Afirma:

64 Conforme fossem solicitadas, a diretoria distribuia máquinas aos agricultores. No relatório

referente o ano de 1907 consta que “ foram cedidas 799 máchinas e instrumentos aos agricultores. 346 arados; 37 semeadores; 13 caroideiras; 5 arranca-tocos; 103 chibancas; 19 cultivadores, 231 pontas de arado, 1 quebrador de torrões, uma pá automática, 1 ciscador, 17 discos, 11 debulhadores, 3 máchinas gubba”

65 Foram criadas, na ocasião, cinco fazendas-modelo:, a fazenda-modelo Gameleira, no município

de Belo Horizonte;Fábrica, no município de Serro; Retiro do Recreio, em Santa Bárbara, Barra, em Itapecerica e Ayoruoca, em Ayoruoca. Dessas a única que passou a funcionar imediatamente foi a Gameleira, em Belo Horizonte. As demais, ainda levou um tempo para a efetiva implantação. Esses estabelecimentos se destinavam ao ensino prático da agricultura.

66 Reconhecendo ser reduzido o número de fazendas-modelo do Estado e que era necessário

apressar e facilitar a difusão pelo vasto território mineiro do ensino prático de agricultura, o governo mineiro, por meio da lei nº 454 de 06 de Setembro de 1907, no seu artigo 9º alínea 3ª, autoriza o estado “a subvencionar, com 300$00 mensaes, a particulares que, em estabelecimentos agrícolas próprios, instruírem e mantiverem processos de cultura mecânica e se prestarem a admitir gratuitammente aos mesmos, cinco aprendizes, pelo prazo de 30 dias”. As condições exigidas pelo estado eram: “1- Possuir, pelo menos, dois arados, duas grades, um destorroador, duas semeadoras e duas capinadoras; 2- Praticar a cultura dos cereaes, ainda que

Quem, com isenção de ânimo, observar o que se passa em nosso Estado, sente que a lavoura mineira, tem reanimado, havendo, por toda parte, máchinas agrícolas em trabalho e métodos mais racionais (...) Ninguém hoje ignora que para o fomento da agricultura racional em nosso paíz, de quase nada tem valido as dissertações theóricas quer oraes, quer escriptas (...) o nosso povo, de espírito essencialmente conservado e prático, não se deixa levar somente por palavras, elle quer ver o exemplo e observar o resultado67

O discurso da modernização, da superação dos antigos meios de produção rural, está sempre presente no discurso do diretor. Ressalta a sua visão do pioneirismo mineiro quanto à superação dos métodos tradicionais de cultivo da terra. Afirma:

Com a mudança, porém, das condições do paiz e com a transformação do regimen do trabalho pela supressão da escravidão, não podiam continuar os antigos methodos agriculturaes, que constituem atualmente o verdadeiro anachronismo. Era necessária uma enérgica reação contra esse estado de cousas e coube a Minas dar o exemplo de uma propaganda eficaz nesse sentido, estabelecendo fazendas- modelo, campos de experiência e de demonstração e subvencionando estabelecimentos particulares, de modo a pôr ao alcance de todos a aprendizagem do manejo das machinas agrícolas e o conhecimento dos processos modernos de agricultura, que naquelles estabelecimentos se praticam. É assim que se pode habilitar o lavrador para o aproveitamento racional e profícuo das suas terras68

Os ideais da missão religiosa, de confissão presbiteriana, encontrou, assim, um ambiente favorável para o cumprimento dos seus objetivos. O Instituto Evangélico, no seio do qual surgiu a Escola Agrícola, veio de Campinas a Lavras a fazenda se destine especialmente à exploração de outra ou outras culturas; 3- Empregar, mesmo a título de experiência, além dos adubos orgânicos, adubos chimicos e irrigação;4- Admitir e manter permanentemente 5 aprendizes aos quaes manifestará, gratuitamente, durante o prazo máximo de 30 dias, o ensino prático de agricultura e manejo das máchinas agrícolas, bem como, acommodações e sustento;” Não poderia ser subvencionada mais de uma fazenda no mesmo município, sendo a admissão por meio de guia pelo presidente da Câmara. O dono da fazenda deveria encaminhar lista com os nomes dos aprendizes e o pagamento da subvenção se daria por meio de relação visada pelo presidente da Câmara municipal.

67 Relatório da Diretoria de Agricultura, Comércio, Terras e Colonização, referente ao ano de 1908,

apresentado pelo engenheiro Carlos Prates ao Secretário de Finanças, Dr. Juscelino Barbosa

68 Relatório da Diretoria de Agricultura, Comercio, Terras e Colonização, referente ao ano de 1908,

em 1893, tendo como justificativa para escolha da cidade do Oeste de Minas Gerais as condições climáticas favoráveis. Posteriormente, outros fatores contribuíram para o sucesso de todo o empreendimento educacional, mais especificamente, o da Escola Agrícola. O prestígio político do Coronel José Custódio da Veiga, por exemplo, que se converteu ao protestantismo por meio da pregação de Samuel Gammon, tornou-se presbítero da Igreja e que, inclusive, emprestou o dinheiro “em boas condições” ao missionário para a aquisição do terreno onde se instalaria o educandário.

Essa visão apresentada pelo governo de Minas combina com os ideais dos fundadores da Escola Agrícola de Lavras. Ao iniciar suas atividades, a instituição publica, no prospecto do Instituo Evangélico, um texto que expressa a concordância de princípios com relação à proposta do Estado:

A prosperidade do Brasil depende absolutamente de uma agricultura produtiva e progressiva. Em primeiro lugar há as necessidades internas de consumo de uma população de mais de 30.000.000, e a necessidade de termos de sobra para exportarmos em pagamento das muitas coisas importadas. Sem pesquiza, estudo e uma propaganda intensa das cousas agrícolas, não podemos ter um lavrador e um criador intelligentes e progressistas. Pela rotina hodierna de serviço quase inteiramente manual, não podemos progredir, nem tão pouco mantermos produção permanente. Urge portanto que os fazendeiros enviem os seus filhos às Escolas Agrícolas, e por outro lado que as Escolas Agrícolas levem os seus ensinos ao próprio fazendeiro. Os problemas a serem vencidos, de produção mais remunerativa, combate às moléstias, e venda mais vantajosa, são magnos, e só seremos bem sucedidos num esforço em conjuncto, onde cooperem as forças publicas, individuaes, associadas, enfim todas. No momento actual assistimos ao desabrochar de uma nova era na agricultura nacional. Os próprios lavradores estão descontentes com os processos antigos e rotineiros, mas hesitam em adoptar novidades, sem que estas sejam de comprovada utilidade e êxito garantido. Precisamos de “leadership”, de quem nos guie e nos leve a aproveitar os conhecimentoa accumulados, e de constante aquisição pelas pesquizas. O homem prático não pode desprezar o homem de estudos e pesquizas, e os estudos e pesquizas tem o seu melhor valor na applicação prática. Portanto mãos à obra: unam as suas forças todos os interessados e há de se surgir um novo sopro de vida na aqgricultura brasileira. Serão conquistados novos

mercados, com productos mais variados e de melhor qualidade, e aqui no próprio paiz haverá maior fartura para o deleite de todos que habitem esta terra feliz.

Além de afinar-se com o discurso referente à agricultura moderna, à necessidade de superação dos métodos tradicionais, há a ênfase, não apenas em formar os seus alunos, mas de aproximar-se dos produtores rurais, influenciando- os na sua maneira de cultivar a terra. A idéia era demonstrar de forma prática os resultados dos métodos e dos instrumentos modernos de produção. Assim, logo após a sua fundação, a Escola Agrícola de Lavras passa a se relacionar com a Diretoria de Agricultura, órgão do governo estadual, sendo arrolada entre os estabelecimentos úteis ao seu programa de racionalização da agricultura. Além dos recursos públicos aos quais a escola teria acesso, ampliaria também os seus contatos com os produtores da região, tanto no treinamento de aprendizes, como na prestação de serviços ao posto zootécnico, às máquinas agrícolas, que posteriormente são implantados em parceria com o Governo Estadual.

Benzer Belgeler