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1.4. Ġlgili AraĢtırmalar

1.4.1. Aile katılımı ile ilgili çalıĢmalar

Pensara palavra sob uma perspectiva discursiva é transpor essa ideia de palavra que se constitui apenas como um meio de comunicação pelo qual um emissor comunica a um receptor determinada mensagem através do código de uma língua. Refletir sobre a propriedade da palavra é pensar na sua materialização como signo e, sendo o signo um fenômeno do mundo exterior, a palavra passa a ser um signo social que tem uma forma de ação.

Como bem afirma Bakhtin (2012, p.117), “a própria realização deste signo social na enunciação concreta é inteiramente determinada pelas relações sociais.” É preciso, pois, compreender o funcionamento da palavra como instrumento inequívoco de ideologia, produzida pelas relações que se dão no âmbito do social, na criação de valores, de crenças, de discursos que se entrelaçam para produzir sentidos.

A palavra é “a única que acompanha e comenta todo ato ideológico e está presente em todos os atos de compreensão e em todos os atos de interpretação” (BAKHTIN, 2012, p. 38). Por isso que a mídia, mais do que qualquer outro veículo de comunicação, se reveste de palavras ancoradas nas mais diversas vozes ideológicas e políticas.Afinal, sabemos que nos meios de comunicação, “nenhum autor/produtor/enunciador é neutro, isento ou inocente. É certo que ele se posiciona ideologicamente – a serviço ou não de quem manda no veículo – e constrói sua mensagem com embasamento sociopolítico”(VALENTE, 2007, p.8).

Ao trazermos a palavra de um “mundo a significar para um mundo significado” (CHARAUDEAU, 2007), nós a fazemos a partir de um ponto estritamente marcado pela ação de um sujeito falante, que constrói enunciados permeados de intencionalidade, tendo sempre como objetivo atingir seu interlocutor, seja para mobilizá-lo, convencê-lo ou fazer ouvir sua voz. Se observarmos a maior parte das manchetes dos jornais, verificaremos o quanto a palavra se assenta nesse lugar de dizer ideológico.

Para Valente (2007), o emprego dos neologismos sem-terrinha e sem-tetinho, encontrados na manchete do jornal O Globo, do dia 30 de novembro de 2003, são exemplos claros disso, ao trazer na marcação de suas formas, um ato político e de posicionamento ideológico.

Em cena, os sem-terrinha e os sem-tetinho

Crianças do MST e do MTST aprendem, desde cedo, a reivindicar terras para a reforma agrária e casas populares. Eles aprender a ler, a

escrever, a fazer contas – e a reivindicar terras para a reforma, agrária, casas populares e políticas de saúde e educação...No dia a dia, as crianças, com idades entre 3 e 12 anos, ajudam os pais a brigar por um pedacinho de chão. Os sem-terrinha são o braço infanto-juvenil do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). Nos cálculos da entidade, são 160 mil crianças, que já inspiraram a formação dos sem-tetinho, oriundos do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST). Além dos estudos regulares, os sem-terrinha participam das cirandas...aprendem seus diretos e deveres, desenham e cantam. E gostam muito de brincar. De política... Ou de mocinho e bandido, isto é, de sem-terrinha e latifundiário (apud VALENTE, 2007, p.130).

Verifica-se no enunciado “Em cena, os sem-terrinha e os sem-tetinho”,que há um sujeito falante que se posiciona ideologicamente, bem como um direcionamento para esse enunciado, uma orientação comunicativa que Charaudeau (2007) denomina de mise-en-scène

do ato de linguagem eque tem como pressuposto,um sujeito destinatário interpretante desse ato. De acordo com o referido autor, a semiotização do mundo se dá a partir de dois processos: o processo de transformação, ou seja, que parte de um mundo a significar e o transforma em um mundo significado sob a ação de um sujeito falante e o processo de transação, que faz deste mundo significado um objeto de troca com outro sujeito que desempenha o papel de destinatário deste objeto (CHARAUDEAU, 2007, p.14).

E é no processo de troca que os sentidos são construídos, que a orientação comunicativa se estabelece para trazer à tona um mundo significado, ao qual o homem, nos seus atos de troca linguageira, se coloca em relação com o outro, negociando sentidos a todo o momento. Por isso, consideramos que toda palavra pronunciada só se legitima no ato da troca entre o eu e o outro, numa incessante relação dialógica em que vários elementos estão imbricados.

No que concerne às trocas dialógicas, as relações de sentido não surgem da subjetividade dos indivíduos, mas de suas participações em diálogos mobilizados no coletivo.

Com efeito, a enunciação é o produto da interação de dois indivíduos socialmente organizados [...] A palavra dirige-se a um interlocutor: ela é função da pessoa desse interlocutor: variará se se tratar de uma pessoa do mesmo grupo social ou não, se esta for inferior ou superior na hierarquia social, se estiver ligada ao locutor por laços sociais mais ou menos estreitos (pai, mãe, marido) (BAKHTIN, 2012, p.116).

Sendo pelos enunciados, que são acontecimentos únicos, que as relações dialógicas ocorrem, percebemos o quanto o meio social é central para que esses discursos ocorram e circulem. Tanto Bakhtin como Charaudeau, trazem no bojo de suas discussões o meio social como o elemento estruturador do ato de linguagem. Segundo Bakhtin (2012, p.117), a “situação social mais imediata e o meio social mais amplo determinam completamente e, por

assim dizer, a partir do seu próprio interior, a estrutura da enunciação”. A esse respeito Charaudeau corrobora Bakhtin ao indagar: “em que ambiente físico de espaço e tempo as circunstâncias materiais da troca acontecem?” (CHARAUDEAU, 2007, p. 18).

Concluímos, então, que se o ato comunicativo não se sustenta por um posicionamento unilateral, mas, ao contrário, ele é produto das trocas humanas sustentadas por uma intersubjetividade constitutiva, então temos que considerar a palavra como um palco de ação para todos os eventos de comunicação, uma vez que é somente por meio dela que descobrimos “visões de mundo”, que permeiam todo e qualquer ato de linguagem humana e os neologismos, criações da língua, são manifestações latentes disso.