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AHP‟ nin Katkı ve Kısıtları

A Bacia Hidrográfica do Alto Tietê corresponde a uma área total de drenagem de 5.868 km2 e possui o Tietê como rio mais importante, sendo composta por ele e por outros

9 Em geral, cada UGRHI possui um CBH. No entanto, a UGRHI 20 – Aguapeí e a UGRHI 21 – Peixe pertencem ao mesmo comitê (Comitê de Bacia Hidrográfica Aguapeí e Peixe / CBH-AP).

rios de grande relevância como o Pinheiros, Tamanduateí, Claro, Paraitinga, Jundiaí, Biritiba- Mirim e Taiaçupeba. Esta bacia abrange mais de 19 milhões de habitantes, correnpondendo a cerca de 47% da população do estado de São Paulo, situando-se em uma área com total de 1.773 km2 de áreas verdes remanescentes, que ocupam cerca de 30% da área total da UGRHI (SÃO PAULO, 2011b).

O CBH-AT corresponde à UGRHI 6 e é composto por trinta e seis municípios, todos localizados na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP). São eles: Arujá, Barueri, Biritiba Mirim, Caieiras, Cajamar, Carapicuíba, Cotia, Diadema, Embu, Embu-Guaçu, Ferraz de Vasconcelos, Francisco Morato, Franco da Rocha, Guarulhos, Itapecerica da Serra, Itapevi, Itaquaquecetuba, Jandira, Juquitiba, Mairiporã, Mauá, Mogi das Cruzes, Osasco, Pirapora do Bom Jesus, Poá, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra, Salesópolis, Santana do Parnaíba, Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, São Lourenço da Serra, São Paulo, Suzano e Taboão da Serra.

Extremamente urbanizada, a região do Alto Tietê apresentou densidade demográfica de 2.938 hab/km² em 2009, a maior do estado de São Paulo (SÃO PAULO, 2011b), além de se configurar como um importante pólo econômico e sediar os maiores complexos industriais, financeiros, logísticos e de prestação de serviços do país.

No que diz respeito à qualidade das águas, os índices são preocupantes. Os municícios do Alto Tietê produziram quase metade do efluente doméstico gerado no estado. Além disso, de todo o efluente doméstico gerado pela região, 84% é coletado e apenas 44% do coletado é tratado10. Do mesmo modo, a região possui grandes dificuldades relacionadas à drenagem urbana, em grande medida decorrente da impermeabilização do solo.

Em 2009, o Índice de Qualidade das Águas (IQA)11 na bacia apresentou níveis entre regular e péssimo em 27 dos 48 pontos de monitoramento, devido à influência do grande volume de lançamento de esgotos domésticos e efluentes industriais12. O Índice de Abastecimento Público (IAP)13 apresentou níveis entre regular e péssimo em 8 dos 11 pontos

10 Dados retirados do Relatório de Situação dos Recursos Hídricos do Estado de São Paulo (2011b). Fonte utilizada: Cetesb, 2010.

11 O IQA é utilizado pela CETESB para avaliar a qualidade da água bruta visando seu uso para o abastecimento público, após tratamento. Os parâmetros utilizados no cálculo do IQA são em sua maioria indicadores de contaminação causada pelo lançamento de esgotos domésticos. O resultado do IQA é agrupado em cinco categorias: ótima, boa, regular, ruim e péssima. Fonte: http://pnqa.ana.gov.br/IndicadoresQA/IndiceQA.aspx# 12 Dados retirados do Relatório de Situação dos Recursos Hídricos do Estado de São Paulo(2011b). Fonte utilizada: Cetesb, 2010.

13 O IAP é composto por três grupos de parâmetros: Índice de Qualidade das Águas (IQA); parâmetros que avaliam presença de substâncias tóxicas; parâmetros que afetam a qualidade organoléptica da água (propriedades que podem ser percebidas pelos cinco sentidos humanos). O resultado do IAP é agrupado em cinco categorias: ótima, boa, regular, ruim e péssima. Fonte: http://pnqa.ana.gov.br/IndicadoresQA/ParametrosIQA.aspx

analisados, demonstrando também a necessidade de atenção para a qualidade das águas dos mananciais desta bacia14.

Os fatores expostos acima evidenciam a crescente deterioração dos recursos hídricos dessa região e geram grande pressão sobre o seu uso, reforçando a necessidade de controle da quantidade associada à qualidade das águas (SÃO PAULO, 2011b, p.64).

Estas características fazem com que a Bacia Hidrográfica do Alto Tietê tenha uma condição muito crítica de disponibilidade hídrica per capita, ampliando os conflitos em torno do uso da água e gerando cada vez mais a necessidade de reforçar processos e institucionalidades de concertação entre usuários, poder púlico e sociedade civil para a gestão dos recursos hídricos.

Para lidar com estas questões, e frente aos desafios propostos pelo novo sistema de gestão das águas do estado de São Paulo, o Comitê da Bacia Hidrográfica do Alto Tietêfoi criado pela própria Lei Estadual nº 7.663/1991 (art. 2º das Disposições Transitórias) e foi efetivamente instalado em 1994, no mesmo ano da publicação do primeiro Plano Estadual de Recursos Hídricos15.

A estrutura do CBH-AT é composta por: Plenário, Secretaria Executiva, Subcomitês e Câmaras Técnicas. O Plenário é o espaço de congregação dos representantes partícipes do CBH-AT e representa a sua instância máxima de deliberação. A Secretaria Executiva exerce papel de apoio organizacional às demais instâncias integrantes do CBH-AT. No entanto, segundo Campos (2009), há um importante papel político da Secretaria Executiva por trás destas atribuições mais executivas, na medida em que ela assume papel de condutora de algumas atividades dentro do CBH-AT. Assim como na maioria dos comitês paulistas, há um acordo tácito em que a Presidência do CBH-AT é exercida pelos representantes dos municípios, a Vice-presidência pela sociedade civil e a Secretaria Executiva por entidades do estado16.

O estatuto do CBH-AT, datado de 2005, prevê a composição paritária entre estado, municípios e sociedade civil, respeitando o princípio da gestão tripartite dos recursos hídricos. Ainda de acordo com o estatuto, o estado conta com a participação de dezoito órgãos, dentre secretarias de estado, fundações e empresas públicas. Os trinta e seis municípios dividem-se

14Dados retirados do Relatório de Situação dos Recursos Hídricos do Estado de São Paulo(2011b). Fonte utilizada: Cetesb, 2010.

15

Lei Estadual nº 9.034/1994.

16 Seguindo esta lógica, atualmente o Comitê é presidido pela Prefeitura de Embu das Artes, a vice-presidência é ocupada pela Comissão de Defesa e Preservação da Espécie e Meio Ambiente e a Secretaria Executiva está a cargo da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) A CETESB ocupa a Secretária Executiva desde 2007. Fonte: SiGRH: <http://www.sigrh.sp.gov.br>

entre dezoito cadeiras titulares e dezoito suplências. Já a sociedade civil é representada apenas por entidades legalmente constituídas, contemplando os seguintes segmentos: dois representantes de associações ligadas ao consumo dos recursos hídricos para uso doméstico final, com interesse no abastecimento público, saneamento e saúde pública; dois representantes de associações ligadas ao consumo dos recursos hídricos para atividades industriais; dois representantes de associações ligadas ao consumo dos recursos hídricos para atividades agrícolas; dois representantes de associações ligadas ao consumo dos recursos hídricos para atividades de comércio, lazer e serviços; três representantes de associações de defesa do meio ambiente; três representantes de associações técnicas especializadas em recursos hídricos; um representante de organizações sindicais de trabalhadores com atuação em recursos hídricos, meio ambiente e saneamento; um representante de associações científicas (universidades, institutos de ensino superior e entidades de pesquisa e desenvolvimento tecnológico); um representante titular adicional para a categoria com o primeiro maior número de inscritos devidamente habilitados; um representante titular adicional para a categoria com o segundo maior número de inscritos devidamente habilitados.

No CBH-AT, a paridade entre os três segmentos (estado, municípios e sociedade civil) é respeitada; no entanto, os entes governamentais, se somados, possuem mais cadeiras do que a sociedade civil, pois acumulam dois terços das cadeiras. Isto indica uma distorção do conceito de paridade, pois apesar de possuírem a mesma quantidade de cadeiras, a sociedade civil na prática possui menor representação – apenas um terço.

As principais atribuições do CBH-AT giram em torno da aprovação de planos, propostas e programas relacionados à Bacia Hidrográfica de sua responsabilidade e da promoção de estudos, debates e entendimentos entre os usuários dos recursos hídricos. O estatuto do CBH-AT prevê vinte e seis atribuições, dentre as quais apenas duas dizem respeito a deliberações. Já na lei nº 7.663/1991 há apenas seis atribuições, sendo que nenhuma trata de deliberações. Neste ponto, é possível perceber uma dissonância entre estes dois instrumentos normativos a respeito do papel deliberativo atribuído ao CBH-AT.

Segundo Campos (2009), O CBH-AT só começou a funcionar efetivamente em 1997, devido às discussões em torno das diferenças sub-regionais existentes na bacia que poderiam dificultar a ação do Comitê. A solução encontrada para este entrave foi a divisão da bacia em sub-regiões, que resultaram na criação de subcomitês. De acordo com Jacobi et al. (2002, p.8), em 1997 foram criados os cinco subcomitês que compõem atualmente a estrutura do CBH-AT: Subcomitê Cotia-Guarapiranga, Subcomitê Billings-Tamanduateí, Subcomitê Tietê-Cabeceiras; Subcomitê Juqueri-Cantareira, Subcomitê Pinheiros-Pirapora. Os

subcomitês são instâncias que replicam, em escala regional, a mesma concepção da gestão do CBH-AT.

As Câmaras Técnicas são definidas como “equipes colegiadas, compostas por membros representantes de órgãos ou entidades com participação nos Plenários do CBH-AT e Subcomitês, com caráter consultivo, podendo ser permanentes ou transitórias” (Deliberação CBH-AT nº 09 de 20/04/2011). As atribuições gerais das Câmaras Técnicas consistem em proposição de critérios, normatizações e minutas para temas discutidos no Comitê, além do acompanhamento de estudos e projetos e apresentação de relatórios, pareceres e propostas de trabalhos para apreciação e decisão no Plenário do CBH-AT. As Câmaras Técnicas são compostas por trinta membros representantes de órgãos e entidades dos três segmentos do CBH-AT: governo estadual, municípios e sociedade civil. Este corpo representativo é composto por quinze membros do CBH-AT (cinco de cada segmento) e três membros de cada subcomitê, sendo um de cada segmento.

As seguintes Câmaras Técnicas estão em funcionamento hoje no CBH-AT: Câmara Técnica de Planejamento e Gestão; Câmara Técnica de Saneamento Ambiental; Câmara Técnica de Drenagem, Aproveitamentos Hidráulicos e Regras Operativas; Câmara Técnica de Águas Subterrâneas; Câmara Técnica de Educação Ambiental.

Para Jacobi et al. (2002, p.8), as atividades dos comitês de bacias hidrográficas ocorrem essencialmente através dos subcomitês e das Câmaras Técnicas. Grande parte dos estudos e das discussões dos é realizada nestes espaços, para depois serem deliberadas pelo Plenário. Em assuntos que necessitem discussões mais focalizadas, as Câmaras Técnicas podem atuar sob a forma de Grupos de Trabalho, que deverão ter a sua criação aprovada pela maioria dos participantes da Câmara Técnica a que se vinculem para tratar de objetivos previamente definidos, por período determinado17. Tanto na caso das Câmaras Técnicas como dos Grupos de Trabalho, não há exigência estatutária de que sejam compostos de forma paritária, ou seja, estes espaços podem ser ocupados sem um equilíbrio entre os segmentos do estado, dos municípios e da sociedade civil. Além disso, é usual que os representantes partícipes dos grupos de trabalho não sejam os mesmos representantes do Plenário, aumentando a necessidade da boa comunicação entre os representantes partícipes e entre estes e suas entidades de origem.

No que diz respeito às reuniões e procedimentos, o estatuto prevê a realização de quatro reuniões ordinárias por ano, duas em cada semestre. Reuniões extraordinárias podem

ser convocadas, desde que requeridas pelo Presidente ou por maioria simples dos integrantes do CBH-AT. As reuniões apenas serão instaladas com a presença de, no mínimo, 50% mais um do total de votos do CBH-AT, sendo que as deliberações são tomadas por maioria simples dos presentes. As votações poderão ser nominais ou secretas. Além das reuniões, o CBH-AT deverá realizar audiências públicas para discutir a proposta do plano de utilização, conservação, proteção e recuperação dos recursos hídricos da Bacia Hidrográfica do Alto Tietê, a proposta de enquadramento dos corpos d’água e outros assuntos que sejam relevantes. Tanto a Lei Federal nº 9.433/97 e a Lei Estadual nº 7.663/91 adotam o princípio da água como um recurso dotado de valor econômico, considerado bem de domínio público, cuja gestão é de competência dos estados ou da União, dependendo dos limites da Bacia. A gestão dos recursos hídricos deve ser operacionalizada principalmente através dos seguintes instrumentos: planos de recursos hídricos; outorga de direitos de uso da água; cobrança pelo uso da água; enquadramento dos corpos de água em classes segundo os seus usos; e Sistema de Informações de Recursos Hídricos. Segundo Jacobi,

A legislação propõe uma política participativa e um processo decisório aberto aos diferentes atores sociais vinculados ao uso da água [...] A legislação fortalece a gestão descentralizada de cada bacia hidrográfica pelos respectivos comitês, subcomitês e agências, e instituiu a cobrança pelo uso do recurso como um dos principais instrumentos de atuação destes órgãos. (JACOBI, 2009, p.44)

A cobrança pelo uso da água figura como um instrumento crucial para a gestão dos recursos hídricos, e terá seus atributos detalhados abaixo.

Benzer Belgeler