O instrumento utilizado para a coleta de dados da pesquisa foi o questionário, elaborados em consonância com os objetivos previamente definidos. Segundo Lakatos e Marconi (1991) questionário é um instrumento de coleta de dados constituído por uma série ordenada de pergunta, que devem ser respondidas por escrito.
A elaboração do questionário encontra-se ancorada na estrutura da espiral do conhecimento, criada por Nonaka e Takeuchi (1997) e nos princípios da Teoria Sociotécnica elaborados por Cherns (1987), sendo a partir daí determinado, com
base na revisão teórica realizada, o conjunto de variáveis e indicadores que subsidiaram a elaboração das questões.
Nas questões objetivas, foi utilizada uma escala do tipo Likert variando de 1 a 5. A fim de subsidiar a elaboração do questionário foi elaborado um quadro de referência com o propósito de fazer a associação entre as possíveis categorias estudadas e suas respectivas descrições, em cumprimento dos objetivos intermediários do estudo. Conforme demonstrado no quadro 3.
Quadro 3 – Quadro de Referência
Categorias Estudadas Descrição / Exemplo
Socialização Processo que permite o compartilhamento de uma experiência individual com os demais membros, em um mesmo contexto. Esse processo é viabilizado pela troca direta e possivelmente, sem a articulação das relações inter- pessoais.
Externalização Processo que transforma o conhecimento das experiências individuais, o tácito, em conhecimento explícito. É possibilitado principalmente, pelo diálogo e pela reflexão coletiva.
Combinação Processo que viabiliza a transformação do conhecimento explícito em explícito, orientado para o processamento de informações. Possibilita aos indivíduos a troca de conhecimentos, através de documentos, reuniões, conversas ao telefone, além das redes de comunicação computadorizadas e da utilização de banco de dados. Internalização Processo responsável pela interiorização do conhecimento
explícito. Permite a compreensão e a utilização do conhecimento adquirido.
Não estruturadas Conversas informais;
Apoio de especialistas no assunto; Aprendizado com o próprio trabalho; Trabalho em equipe;
Rodízio de áreas.
Estruturadas Literatura sobre o assunto; Treinamento; Eventos; Reuniões expositivas. F o rm as d e co m p ar ti lh am en to d o C o n h ec im en to Baseadas no uso de tecnologias Intranet; Internet; Correio eletrônico. P ri n cí p io s d a T eo ri a so ci o té cn ic a
Compatibilidade Os meios devem ser compatíveis com os fins, ou seja, o caminho utilizado para a realização do desenho deve ser coerente com o seu objetivo. A Organização deve escolher referenciais práticos para a definição de quais os
conhecimentos que possuem valor estratégico ao seu negócio. M o d o s d e C o n ve rs ão d o co n h ec im en to
Especificação crítica mínima
Nada mais precisa ser especificado do que o absolutamente essencial, sob pena de inibir o processo criativo dos colaboradores.
Controle de variância Discordâncias não podem ser exportadas para fora de uma unidade departamental ou além das fronteiras organizacionais. Na organização criadora do conhecimento o compartilhamento do conhecimento e as discussões acerca das questões de trabalho devem ocorrem com facilidade e de forma sistemática.
Limites
organizacionais As fronteiras organizacionais não podem ser projetadas de forma a impedir o compartilhamento de informações, conhecimento e aprendizagem.
Fluxo de
informações Os sistemas de informação devem ser projetados para os seus usuários primários e com a colaboração destes. Poder e autoridade O princípio aborda a importância do poder e da autoridade
que devem ser concedidos a quem possui conhecimento e experiência.
Multifuncionalidade A adaptação ao ambiente, por parte da organização e dos indivíduos que a compõem, é a tônica deste princípio, através da criação de novos papéis ou da modificação dos antigos.
Transição
organizacional A transição também deve ser vista como um processo a ser gerenciado, observando as perspectivas descritiva/explicativa ou prescritiva/normativa.
Suporte e congruência
Nas Organizações do conhecimento os sistemas de apoio devem ser concebidos de forma a favorecer o surgimento de um contexto capacitante.
Incompletude As equipes de trabalho precisem aprender não só a desenvolver suas habilidades operacionais, como também precisam aprender a operar como equipe e a manusear adequadamente as informações, assim como revisar e avaliar suas performances.
A partir da definição das categorias de estudo, mediante a elaboração do quadro de referência, fundamentam-se os indicadores que nortearam as questões constantes no instrumento de pesquisa. O Quadro 4 apresenta o esquema geral da pesquisa ao relacionar os objetivos específicos às variáveis, indicadores e questões do instrumento de pesquisa.
Quadro 4 – Esquema geral de pesquisa
Objetivos específicos Categorias estudadas Indicadores Questões Socialização Troca de experiências, observação. 1 e 2 Externalização Registro de experiências, diálogo. 3
Combinação Participação em treinamentos, utilização de meios estruturados.
4 e 5 a) Descrever os modos de conversão do conhecimento entre os profissionais de Auditoria do TCE-PB com base nos preceitos da teoria de criação do
conhecimento
Internalização Compartilhamento de modelos mentais, relatos de histórias.
6 e 7
Uso de formas não estruturadas
Conversas, trabalho em equipe, rodízio. 8
Uso de formas estruturadas
Chefias , Livros, treinamentos, eventos, congressos, seminários 9 b) Identificar as formas de compartilhamento do conhecimento utilizadas pelos profissionais de Auditoria do TCE-PB;
Uso de formas baseadas em tecnologias
Internet, correio eletrônico, TCESERV5 e Intranet.
10 e 11
Compatibilidade Participação da equipe durante o planejamento das tarefas
12
Especificação crítica mínima
Especificação do que deve ser feito e liberdade dos meios de execução.
13 Controle de variância Solução de questões polêmicas no
ponto de origem
14 Limites organizacionais Disposição física favorável ao
compartilhamento de conhecimento,
15
Fluxo de informações Acesso à informação 16
c) Conhecer a estruturação de trabalho dos profissionais de Auditoria do TCE-PB, tendo como base os princípios da Teoria sociotécnica;
Poder e autoridade Valorização do conhecimento e da experiência.
Multifuncionalidade Ampliação do leque de competências mediante capacitação 18 Transição organizacional
Flexibilidade no modelo de gestão 19 Suporte e congruência Sistemas de apoio coerentes com
os objetivos almejados
20
Incompletude Auto avaliação. 21
Fonte: elaboração própria