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AHC Döneminde Azerbaycan Basınının Ġdeolojik Yapısı ve Gündemi

Os eventos associados aos extremos climáticos produzem um cenário desafiador para as cidades brasileiras. A ocupação desordenada somada ao aumento da população, especialmente em área de risco, são fatores presentes no cotidiano das cidades que deverão exigir do poder público não apenas investimentos em habitação ou infraestrutura, mas também a adoção de um conceito de cidade que considere os interesses coletivos como prioridade em sua política de desenvolvimento e como fator determinante nas tomadas de decisão.

A ausência de planejamento adequado somado aos impactos decorrentes das chuvas podem causar danos ao erário, além de afetar consideravelmente o seu Produto Interno Bruto (PIB). Um exemplo recente dessa situação foi observado por Santos (2014) para a cidade de São Paulo. Em sua pesquisa, ela constatou que os alagamentos ocorridos no intervalo de cinco anos (2008 a 2012) foram responsáveis pela redução do crescimento econômico da cidade e do bem-estar da população. As estimativas levantadas indicam que os problemas relacionados aos eventos climáticos ocorridos no referido período acumularam um prejuízo de 1,3 bilhão de reais.

Por essas e outras razões, os esforços no sentido de mapear as áreas de riscos, suscetíveis ou vulneráveis às chuvas intensas, têm sido fundamentais para o

desenvolvimento e gestão adequada dos espaços urbanos. Nesse sentido, o emprego das geotecnologias tem oferecido aos especialistas dedicados ao estudo dos problemas socioambientais urbanos possibilidades diversas no campo tecnológico, o qual, por sua vez, aumenta ainda mais a capacidade de investigação, aprimorando os métodos e a eficiência das análises por meio da integração de diferentes variáveis.

A análise dos fenômenos relevantes para a gestão e organização do espaço geográfico tem sido favorecida pelo aperfeiçoamento crescente dos recursos tecnológicos. Para Marcelino (2008, p. 32), as geotecnologias possibilitam a coleta, armazenamento e análise de grande quantidade de dados, os quais, devido à complexidade dos desastres naturais, seriam praticamente inviáveis de serem tratados utilizando-se métodos analógicos e/ou tradicionais.

Definido como um conjunto de tecnologias destinado à coleta, ao processamento, ao tratamento, à análise e produção de dados e informações com referência geográfica, as geotecnologias têm sido utilizadas, entre outras temáticas, no mapeamento e determinação dos graus de suscetibilidade, vulnerabilidade e riscos socioambientais às chuvas intensas. Dentre os recursos tecnológicos pertencentes à temática, o Sensoriamento Remoto (SR), Sistema de Informações Geográficas (SIG), Cartografia Digital e o Sistema de Posicionamento Global (GPS) assumem posições de destaque por serem reconhecidamente utilizados em mapeamentos dessa natureza.

O desenvolvimento dos sensores orbitais capazes de produzir imagens de alta resolução espacial e o acesso às tecnologias de tratamento, integração e processamento de dados georreferenciados têm tornado cada vez mais frequente o uso do geoprocessamento7 nos estudos urbanos sobre riscos e desastres, especialmente provocados por eventos relacionados aos extremos climáticos. Para Florenzano (2012, p. 146), a interpretação de imagens de satélite ajuda no estudo e monitoramento de objetos e fenômenos da superfície terrestre; ele destaca que:

A partir dessas imagens é possível fazer a previsão do tempo, estudar fenômenos oceânicos, detectar e monitorar furacões, deslizamentos, inundações, queimadas e desmatamentos, além de gerar diferentes tipos de mapas (geológico, geomorfológico, de solo, cobertura da terra, expansão urbana, etc. (FLORENZANO, 2012, p. 146).

7Geoprocessamento denota uma disciplina do conhecimento que utiliza técnicas matemáticas e

computacional para o tratamento de informações geográficas (CÂMARA; MEDEIROS, 1998, p. 3). Geoprocessamento é um conjunto de técnicas computacionais que opera sobre bases de dados (que são registros de ocorrências) georreferenciados, para os transformar em informação (que é um acréscimo de conhecimento) relevante (XAVIER-DA-SILVA, 2001, p. 12-13).

As metodologias desenvolvidas pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), por meio da parceria entre o Banco Mundial, Universidade de Columbia NY e ProVention Consortium, respectivamente, Disaster Risk Reduction Index (UNDP, 2004) e Natural Disaster Hotspots (DILLEY et al, 2005), são relevantes exemplos do emprego do geoprocessamento em estudos destinados à mensuração de risco e vulnerabilidades aos desastres. Outro exemplo que destaca a utilização dessas geotecnologias é o que trata do estudo desenvolvido por Carrara et al (1977), o qual consistiu na adoção de SIG e de modelos estatísticos para avaliação de risco de escorregamentos em áreas da região da Calábria, Itália.

Considerando a capacidade de dar uma resposta imediata e apresentar diversos resultados em pouco tempo, segundo Baptista (2010), as principais iniciativas metodológicas adotadas no processo de gestão de catástrofe têm contado com a presença do SIG durante as fases de prevenção e recuperação. No guia metodológico para a produção de cartografia municipal de risco e para a criação de Sistemas de Informação Geográfica (SIG) de base municipal, este produzido a partir da parceria do Instituto Geográfico Português e demais órgãos interessados, considera-se que a maior parte dos estudos relacionados aos riscos e desastres estão empenhados em atuar de maneira preventiva no âmbito tanto da proteção civil como do ordenamento do território (JULIÃO et al, 2009).

O caráter preventivo do mapeamento das áreas vulneráveis por meio das geotecnologias tem contribuído para disciplinar o uso adequado do território e oferecido às equipes da defesa civil elementos básicos para desenvolver e planejar as suas ações de contingenciamento, especialmente em áreas urbanas. Nesse sentido, os esforços empreendidos por Sausen e Lacruz (2015), Alves et al (2013), Lombardo e Freitas (2013), Perez (2013), Hung et al (2013), Andrade et al (2012), Florenzano (2012), Zanella et al (2012), Ramos et al (2012), Mendes et al (2011), Ferreira et al (2011), Saito et al (2011), Melo et al (2010), Costa

et al (2006), Souto e Amaro (2005), Taglini (2003), Hogan et al (2001), Einstein (1988), Lombardo (1985), Carrara et al (1977), entre outros, têm buscado aprimorar nas plataformas dos sistemas de informações geográficas as metodologias adotadas para estimar os variados graus de vulnerabilidade e riscos aos extremos climáticos.

Assim sendo, a maior parte das experiências metodológicas que busca mapear a vulnerabilidade socioambiental por meio do emprego das técnicas de sensoriamento remoto e sistemas de informações geográficas tem considerado o conjunto temático de variáveis pertencentes aos sistemas físico-ambientais e antrópicos. Os procedimentos desenvolvidos em ambiente SIG por Zanella et al (2013, p. 317) consideraram necessário o

entendimento inicial, de forma separada, dos elementos, processos e interações que comandam as dinâmicas socioespaciais e socioambientais em uma bacia hidrográfica. De acordo com estes autores, o mapeamento seguido da integração dos planos de informações referentes às vulnerabilidades social e ambiental permitiu identificar as áreas de vulnerabilidade socioambiental em seus diferentes graus.

Para Costa et al (2006, p. 121), a determinação da vulnerabilidade ambiental consiste na integração lógica dos diferentes dados disponíveis, conhecendo-se previamente os terrenos do ponto de vista físico, biótico e ambiental. Nesse caso, as informações armazenadas são gerenciadas para dar início ao cruzamento dos dados que resulta nos mapas de Vulnerabilidade Natural e Vulnerabilidade Ambiental.

A partir do conceito admitido na análise da ecodinâmica de Tricart (1977), a metodologia adotada por Costa et al (2006) utilizou os mapas temáticos geomorfológico, geológico, solos e vegetação para determinar a vulnerabilidade natural. Para a obtenção do mapa de vulnerabilidade ambiental, realizou-se o cruzamento entre o mapa de vulnerabilidade natural e o mapa de uso do solo e cobertura vegetal. Costa et al (2006, p. 126) destacam ainda que a ferramenta computacional de análise é flexível e permite a inclusão de dados complementares ou mesmo a reavaliação das informações temáticas e critérios utilizados, a partir do qual pode-se chegar a uma tomada de decisão.

Outro estudo sobre a vulnerabilidade socioambiental consiste no trabalho desenvolvido por Hogan et al (2001, p. 398), que observaram os aspectos relacionados à distribuição de serviços urbanos em uma área metropolitana, de forma a entender a vulnerabilidade como um processo que envolve tanto a dinâmica social quanto as condições ambientais. Os referidos autores utilizaram as dimensões físicas e humanas para determinar a vulnerabilidade socioambiental das populações da cidade de Campinas. Para elaborar a caracterização socioeconômica e demográfica das populações, foram utilizadas as informações censitárias e as condições do relevo para identificar as áreas sujeitas aos riscos de deslizamento, erosão e inundação. Hogan et al (2001, p. 398) consideram que o uso do SIG tem incorporado à análise um novo refinamento que permite uma avaliação mais precisa do fator ambiental.

Cunha et al (2011, p. 628) destacam que, tanto em nível global como em nível nacional, são inúmeros os casos recentes de acontecimentos naturais ou tecnológicos extremos que revelam a importância dos estudos sobre a vulnerabilidade e, mais especificamente, da vulnerabilidade social a que indivíduos, famílias e comunidades estão sujeitos, o que justifica esse tipo de estudos e, particularmente, a importância da cartografia da vulnerabilidade social nas políticas de Gestão de Risco e de Ordenamento do Território.

Todavia, apesar da importância das geotecnologias no mapeamento das áreas vulneráveis aos extremos climáticos, os estudos desenvolvidos sobre a presente temática contemplando a Região Metropolitana de Maceió – RMM ainda têm sido relativamente incipientes; a maior parte deles se encontra restrita à delimitação das áreas de riscos mais evidentes, isto é, aquelas que já possuem registros de ocorrência junto à defesa civil, isoladamente por município.

Um exemplo são os relatórios produzidos pelo Ministério da Integração Nacional com o apoio do Serviço Geológico do Brasil – CPRM. Neles, constam levantamento de dados e análise da vulnerabilidade a desastres naturais dos municípios que integram a RMM de Barra de São Miguel, Maceió, Marechal Deodoro, Murici e Paripueira. Com auxílio de imagens de satélite e dos técnicos da prefeitura local, foram delimitados polígonos que englobam as edificações e demais elementos imobiliários os quais apresentavam a possibilidade de serem impactados pela ocorrência de eventos como deslizamento ou inundação. A Figura 11 a seguir mostra os setores de riscos delimitados pela imagem de satélite.

Figura 11 – Exemplo de setores de risco mapeados pelo CPRM, município da Barra de São Miguel, RMM, Alagoas, Brasil.

No contexto do espaço geográfico da cidade de Maceió, destacam-se os estudos realizados por: Souza e Conceição (2006) – aplicação do geoprocessamento para analisar os efeitos da ocupação urbana no bairro do Tabuleiro do Martins e sua relação com as enchentes; Pedrosa (2008) – avaliação do impacto do uso do solo na geração do escoamento superficial em bacia hidrográfica, considerando as diretrizes presentes no Plano Diretor do município de Maceió e no Código de Urbanização; e Rodrigues et al (2013) – utilização de técnicas de geoprocessamento para estimar o potencial de ocorrências de movimento de massa.

Desse modo, embora o desenvolvimento das geotecnologias tenha contribuído para a investigação das dinâmicas socioespaciais e socioambientais que se afirmam no espaço geográfico, Xavier e Lobo (2010, p. 2) consideram fundamental destacar que: “[...] apesar dos avanços tecnológicos das tecnologias do sistema de informação geográfica não estamos diante de um elemento que contemple todos os entendimentos possíveis de espaço geográfico”.

Xavier e Lobo (2010, p. 2), mesmo assim, reforçam a importância de que as representações dos atuais sistemas de análise repousam fundamentalmente em uma lógica “cartográfica” do espaço. Nestas, são usados procedimentos lógicos e matemáticos de representação computacional do espaço geográfico sobre um banco de dados de diversas variáveis georreferenciadas as quais permitem visualizações e repetibilidade de cenários geográficos que dificilmente seriam alcançados em análises mais tradicionais.

2.4. A investigação de campo a partir do olhar socioambiental dos habitantes das